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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Maçã Verde

                               



Fui para a cama mais cedo e tomei um remédio para aliviar a dor de cabeça chata que eu estava tendo.
Melhorei bem, ainda bem.
Adormeci.
Sonhei com papai, mamãe e meus irmãos. Todos juntos e felizes.
Uma longa rua de terra e ladeira. Eu caminhava por essa rua na companhia de algumas pessoas e via cachorros abandonados . 
Eram cães de todos os tamanhos, cores, pelos... Todos ficavam alegres ao me ver e eu os chamava para vir comigo. 
Descia até o fim da rua e subia de volta com os cachorros até a casa. Ficava preocupada com a reação de papai, ele certamente não aprovaria aquela cachorrada toda.
A rua e as casas eram como antigamente, tudo simples, bonito, cheio de gente. Jardins, muitas plantas e muitas árvores nas ruas de terra.
Eu entrava em casa e via uma cesta com maçãs verdes e vermelhas e mamãe me dava uma bronca: "A senhora ainda não comeu da maçã verde, né mocinha? Comer maçã verde é bom pra tu".
Acordei e era hora de levantar.
Os gatos estavam ao meu redor e Alice miava avisando que os potes estavam vazios.
Levantei e segui minha rotina diária mas fiquei com esse sonho na cabeça.
Tem muito mais que a rua de terra, os cachorros, as casas, as maçãs...
Tiramos pessoas da nossa vida porque fizeram burrada e ainda fazem... Tem gente que não aprende, por mais que falemos e tentemos alertar.
Lembro de quando a vida era mais simples e os problemas pareciam pequenos porque tínhamos papai e mamãe sempre por perto.
É isso. 



                                 


                                          

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Abraço Amigo

                            




Volto para casa e ao virar a esquina vejo a cachorrada na minha calçada.
Devem estar com fome, pensei.
Têm outras casas, mas só vão à minha, só procuram a mim.
Desci do carro para abrir o portão da garagem e recebi o abraço mais fraterno, verdadeiro e amoroso que pode existir: Fofão, o cachorro magrinho e peludo me envolve em um demorado abraço com suas patas magras e compridas. O abracei, nos abraçamos. 
Os vizinhos me olhavam como se eu fosse louca.
Guardei o carro, entrei e voltei em seguida com ração e água fresca.
Fofão, Nina, Ananias, Bonitão, Loirinho e Café...
Todos alimentados e felizes.
Peço a Deus que eu sempre tenha saúde.
Amem.



                                 
                                  

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Flamingos

                                    



Eu gostava de observar as coisas; qualquer coisa, qualquer objeto, qualquer forma.
Adorava olhar, observar, analisar objetos feitos de vidro e tinha muita vontade e curiosidade em saber como aqueles objetos eram feitos.
Garrafas de vidro que armazenavam remédios e bebidas; eram todas atraentes para mim e aguçavam minha curiosidade. Como fizeram? Por que têm vidros claros e coloridos? Parecia um mundo diferente; será que teria alguém naquele mundo de vidro? Naquelas cores?
Ficava longo tempo segurando o objeto de vidro e imaginando como fora feito, como se chegou àquele formato. Era tudo tão bonito, diferente, instigante  e interessante para mim. Era apenas vidro. Coisas feitas de vidro.
Uma patroa de mamãe morava em um bela casa com muitos cômodos e eu ficava encantada com os bibelôs espalhados pelos móveis. 
Eu andava pelos cômodos da casa e parava na cozinha que era muito moderna para a época; era uma cozinha americana. Nunca tinha visto armários embutidos, nunca tinha visto fogão com botijão de gás, geladeira, liquidificador... tantos móveis e eletrodomésticos modernos; nossa casa era tão simples.
Nossos móveis eram simples: mesa, cadeira, cama, guarda roupa, fogão à lenha, "guarda comida" (armário da cozinha)...
Vasos pequenos e com cores peroladas nos quais eram colocadas flores aos pés dos santos. Eu observava aquelas cores que lembravam conchas do mar.
Da cozinha bonita eu observava o quintal, mas não ia lá fora. Tinha dois enormes cachorros pretos que ao me ver balançavam o cotoco do rabinho.
Eu ia para um quarto onde tinha uma cômoda cheia de bibelôs: bonequinhos, bailarinas, flores artificiais e flamingos de vidro.
Os flamingos eram de vidro transparente e tinham um leve toque rosado nas pernas e nas asas; aquilo me fascinava. Como moldaram o vidro naquele formato? Como colocaram cor dentro dos flamingos?
Eu viajava na imaginação, nas curvas e nas formas dos pássaros pernaltas.
Até hoje tenho um certo fascínio por objetos feitos de vidro, principalmente garrafas, e algumas vezes viajo no tempo e no espaço quando vejo um bonito objeto ou recipiente feito de vidro.
Comprei azeite de oliva turco envasado em uma bela garrafa cujo formato remete à cultura do país; olivas (azeitonas) e folhas esculpidas no vidro... voltei no tempo.
Será que as pessoas se perguntam como as coisas são feitas? Como chegou-se ao formato daquele determinado objeto? 
Mamãe trabalhava na casa, conversava com a patroa, me dizia para não mexer em nada, me mandava ficar sentada quietinha  e que logo iríamos para casa, mas eu queria ficar no quarto com os flamingos de vidro.
Eu achava que tinha alguém morando ali dentro daquelas curvas, daquelas formas vítreas.
Eu queria que os flamingos de vidro fossem meus.
É isso.



                                        

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Cães, Gatos e Plantas

                               


Os vizinhos da frente tinham duas cachorrinhas já bem idosas e ambas vieram a falecer. Que Deus as tenha. 
E por que não?
Tempos depois encontraram uma cachorrinha grávida na rua ela era vítima de violência de gente ruim; levaram a canina para casa.
Nasceram quatro cachorrinhos lindos e fofos; dois foram doados e outros dois ficaram com a mãe que está no cio de novo! 
Acredito que a alimentação desses lindos caninos deva ser deficiente, explico.
Todos os dias a mãe e os filhotes vêm ao meu portão e latem. Abro a porta e vejo aquelas fofuras abanando o rabo e latindo para mim.
Dou-lhes água e comida e agora sou reconhecida por eles. Quando saio e volto para casa sou recepcionada por eles, que já reconhecem meu possante.
E quando bate aquela fominha, lá vêm eles ao meu portão de novo. Lindos.
Sou uma gateira assumida e só não pego os cachorrinhos pra mim porque já tenho muitos gatos, pouco espaço em casa e pago aluguel.
Já fui, como era de se esperar, criticada por isso mas o curioso é que essas pessoas que me criticam por amar e proteger os animais não ajudam nem bicho nem gente e, tenho quase certeza, nem molham as plantas de casa! Se é que tenham plantas!
E por falar em plantas...
Ouvi hoje de novo que o mato está grande. Me arretei, de novo, e disse que minhas plantas são e estão lindas e mato é... Melhor deixar pra lá.
Bom...
Vou agora cuidar das plantas. Minha avó Mãevelha dizia que é bom podar, transplantar, plantar e cuidar das plantas quando chove. Dizia ela que as plantas sofrem menos com as mudanças e que a chuva deixa tudo mais calmo, mais fresco e mais bonito.
Mas antes vou alimentar a gataiada e os cachorrinhos.
É isso.


                                       



sábado, 3 de agosto de 2013

Gatão

                                   
Léo Caramelo. 


Ouço um miado e uma sombra por debaixo da porta da sala; pensei que fosse Cássio ou Morena Rosa, minha Rosinha.
Estranhei e pensei que talvez Rosinha quisesse entrar em casa e não conseguiu pular pela janela. Rosinha manca desde que chegou aqui e o osso do quadril já se consolidou e não há muito o que fazer. 
Uma sugestão veterinária foi a de quebrar o osso deformado e engessar para que um osso sadio crescesse. Não. Definitivamente não!
Não vou causar dor e sofrimento a um animal inocente e além do mais, Rosinha já se adaptou bem ao andar manco e é feliz, mimada, bem tratada, saudável e muito danadinha do jeito que é. E egoísta também. Explico.
Rosinha me chama para ir para a cama e lá chegando, se enfia debaixo dos cobertores e não quer que os outros gatos se aproximem dela, de mim e dos cobertores, principalmente.
Mas eu falava sobre o gatão.
É um gato mestiço, grande, bonito e simpático; cara de pau também. Tem um bigodão clássico que lembra os antigos barões do café.
Esse gatão começou a subir no telhado e a miar lá de cima, atraindo a atenção e a curiosidade de meus felinos.
Aos poucos foi ganhando coragem e se aproximando cada vez mais. Desceu até o muro e deixei comida e água para ele.
Acostumou à vida boa.
Hoje pela manhã ouço o miado e vejo a sombra por debaixo da porta; abro a janelinha e o vejo aguardando pacientemente. Deve estar com fome.
Coloquei comida e água, mas cometi um erro grave: coloquei comida para ele em um dos pratinhos de Léo Caramelo. Prestou não.
Léo ficou enciumado e foi pra cima do gatão. Consegui separar a briga e o cara de pau voltou para a casa dele.
Léo ficou chateado comigo e não quer muita conversa, embora eu já tenha me desculpado e o coberto de mimos, elogios e carinho.
A vizinhança coloca os gatos intrusos para correr, mas eu acho isso tão cruel e mesquinho. Sei lá.
Deixo sempre água e alimento na garagem para que os bichos de rua possam pular pela grade e se alimentar.
Cachorros não podem passar pela grade, então eu deixo os potes com água e comida do lado de fora e encostados na parede para que não atrapalhem a passagem de pedestres.
Mas os pedestres daqui andam na rua e deixam as calçadas.
Bom...
Já me criticaram por fazer isso, já me chamaram de louca. Pode ser.
Mas eu na minha loucura faço muito mais do que os normais.
E eu sei o que é fome.
É isso.



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Veterinária

                                  

Aurora amanheceu doentinha, tinha dificuldade para urinar e quando conseguia, urinava muito pouco e com sinais de sangue. Fiquei muito preocupada.
Aurora ficou quietinha, amuada e desanimada e logo ela que é tão ativa, esperta e "terrivi".
Liguei para a clínica veterinária e levei minha Aurora para consulta.
Aguardei alguns minutos e enquanto aguardava, observava em volta. Os minutos pareceram horas, eu estava preocupadíssima com minha gata favorita de todo o Universo e todas as Galáxias. Só quem sabe o que é amor pode entender.
O funcionário me chama para fazer o cadastro e enquanto forneço os dados necessários percebo duas imagens de santos na prateleira dos remédios: Santa Rita de Cássia e São Francisco de Assis. Pedi-lhes que cuidassem de minha Aurora e que nada de mais grave acontecesse com ela. Chorei. Estou ficando chorona por demais, minha Nossa Senhora! Será a idade? A Acromegalia? Tudo junto? Sei não.
A veterinária pede para eu subir mas eu tenho dificuldades e um funcionário da clínica me ajuda, ele sobe com a gaiola de Aurora.
A simpática e agradável veterinária examina minha Aurora e constata que ela está com inflamação na bexiga, por isso tem dificuldade para urinar. Diagnóstico feito e a primeira dose da medicação é aplicada na minha gata; desço para comprar os remédios receitados pela médica veterinária e para acertar a conta. Devo retornar sábado para fazer um ultrassom em Aurora para ver se as pedras ou cristais instalados em sua bexiga podem ser removidos com remédios, permita Deus que sim.
A veterinária me orientou a mudar a alimentação de todos os gatos e disse que essas rações mais comerciais têm grande quantidade de sal o que mais cedo ou mais tarde prejudica a saúde dos bichinhos. Cachorros também sofrem com o mesmo problema.
Saí do consultório mais aliviada e trouxe Aurora medicada e sonolenta, precisei sair mas fui agoniada, avexada e aperreada, será que ela ficaria bem até eu voltar? Permita Deus que sim.
Voltei depois e encontro Aurora caminhando pelo quintal e perseguindo Preta Maria e ao perceber que cheguei, minha terrível favorita correu ao meu encontro, se esfregou em minhas pernas e me olhou com seus enormes olhos de gato selvagem. 
Ela estava melhor, graças a Deus.

Santa Rita
São Francisco
                                           


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cachorrada

Adoro animais e isso é público e notório.
Cuido bem dos meus bichos e eles não têm do que reclamar, graças a Deus.
Inclusive, li alguns artigos falando sobre o comportamento dos gatos e alguns detalhes me chamaram a atenção: gatos que "mamam" em cobertores e tecidos fofinhos, gatos que não aceitam outros na mesma casa, gatos que comem matinho e depois vomitam.
Entendi o porquê de Aurora "mamar" do velho e puído edredom; ela foi tirada brutalmente de sua mãe e foi alimentada com mamadeira, não teve a oportunidade de mamar naturalmente.
Ébano Nêgo Lindo tem ciúmes de Léo Caramelo e por isso o persegue. Alice come o matinho que cresce na calçada e depois vomita, isso é para limpar seu estômago das possíveis bolas de pelo que se formam com as lambidas que os gatos dão quando tomam seu "banho de língua".
E falando ainda sobre edredons, cada gato tem o seu cobertor, paninho, edredom ou equivalente favorito. Interessante como os bichos pensam e fazem suas escolhas.
Mas o pior bicho mesmo é o bicho gente. Explico.
A vizinhança tem cães e gatos e tenho um vizinho que passeia com seu cachorro logo cedo pela manhã e o problema é que o canino faz suas necessidades na minha calçada! Falta de educação e respeito!
Meus gatos têm suas caixas de areia e não sujam a calçada de ninguém!
Mamãe dizia que cocô é dinheiro, se for verdade, serei muito rica pois o que encontro de caquinha na calçada todas as manhãs.
Bom, já lavei a calçada, veremos amanhã.
É isso.