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sábado, 8 de novembro de 2014

Gourmet

                                


Falava com minha irmã sobre tapioca, polvilho, massa de mandioca e todas essas coisas boas que sempre fizeram e fazem parte de nossas vidas simples de nordestinos e seus descendentes, com muito orgulho.
Falamos sobre os altos preços cobrados por um mero quilinho de massa de tapioca: dez reais!
Arrrmaria!
Minha irmã lembrou bem o porquê desses preços altos: gourmet.
Hoje em dia tudo é gourmet e o que outrora era coisa de pobre hoje é de rico gourmet.
Tapioca virou moda e gourmet também, claro.
Pão com ovo gourmet; tubaína gourmet, mortadela gourmet, arroz e feijão gourmet...É uma "gumerzada" só.
Estou com vontade de comer pastel com calda de cana, gourmet ou não.
É isso.



                                       







segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Queijos: Cheddar e Catupiry

                                 

Adoro queijos, principalmente os de sabor forte e intenso.
Queijo coalho assado na brasa e depois comido com tapioca e coco ralado na hora... não tem coisa melhor.
Tudo isso acompanhado por um xicrão de café, claro.
Queijo manteiga com farinha.
Eu adorava o queijo Catupiry, que na verdade é requeijão cremosos e Catupiry é a marca.
O queijo vinha em uma graciosa embalagem redonda feita de madeira e eu adorava comê-lo com pão.
Mas hoje em dia o dito queijo Catupiry perdeu muito de sua originalidade e transformou-se em uma maçaroca cremosa e nojenta. Gosto não.
Acredito que a popularização do produto e seus variados usos o fizeram perder seu sabor original. Hoje coloca-se Catupiry em tudo, da pizza ao kibe. 
Outro queijo do qual não gosto muito é o cheddar; acho estranha e artificial sua coloração alaranjada. Gosto não.
Como já disse antes, os alimentos perderam um pouco do seu sabor original e assim como os queijos, o caldo de cana também não é mais como era antes.
É isso.

                           

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sabores

                                           


Adoro caldo de cana e pastel. E apreciados na feira mesmo, ao fim das compras e com uma mão revesando entre o copo de caldo de cana e o pastel e a outra segurando o carrinho de feira.
Um deliciosos malabarismo.
O sábado era o dia mais esperado da semana; era dia de feira. Íamos com mamãe para ajudá-la a carregar as pesadas sacolas e a puxar o pesado carrinho; mamãe era exagerada.
Mas íamos também com segundas intenções: pastel e caldo de cana.
Mamãe sempre deixava um trocado para satisfazer nossa gula, mas às vezes não dava.
Lembro de uma vez que mamãe não se preparou para ir à feira, não pegou as sacolas e o carrinho; estranhamos. 
Mamãe tinha o olhar triste e preocupado. Nós também.
Mas mamãe conseguiu um dinheiro emprestado com alguma vizinha e me mandou à feira. Era pouco dinheiro, por isso fui só e com uma sacola. Comprei o básico de sempre quando a situação era difícil: batata inglesa, laranja, banana e tomate; se sobrasse, comprava aqueles pacotinhos de legumes que são vendidos por um preço menor.
Eu fui, mas fui acompanhada de uma tristeza tão absurda.
Bom...
Mas eu falava sobre sabores.
Parece que o sabor do caldo de cana e do pastel não é o mesmo de outrora. Parece que antes tudo era mais gostoso. Agora inventaram de adicionar suco de outras frutas ao caldo e isso o descaracteriza, penso eu. E eu quero tomar é caldo de cana e não suco de frutas! Sou meio "inguinórante" às vezes.
A maria mole também não tem o mesmo sabor forte de coco que tinha quando mamãe comprava aqueles pedações enormes e comíamos com café.
Os danones (iogurtes) de morango eram mais azedinhos e saborosos, as goiabadas em lata, os doces e até os bolos de aniversário eram mais gostosos.
Comentei sobre isso com algumas pessoas e elas concordaram comigo. 
Deve ser o excesso de conservante, acidulante, corante e outros "antes" que roubam o sabor original das coisas.
Estou meio nostálgica hoje e com vontade de comer um docinho.
E por falar em docinho, lembrei de um causo: Era a festinha de aniversário de Beatriz e os convites eram entregues. Comentei com minhas irmãs Rosi e Renata que dois conhecidos nossos, belos representantes da ala masculina, disseram que iriam à festa para comer um docinho e uma coisinha. Beleza.
Renata diz: "Então vou colocar uma faixa com os dizeres 'docinho' e você coloca uma com 'coisinha".
É isso.


                                      

domingo, 29 de abril de 2012

Faustão

Beatriz tem cinco anos e ainda não entende a relação entre tempo, dias da semana, meses...
Ela sabe que é quinta-feira porque é dia de balé e sexta-feira porque é dia de levar brinquedo na escola.
Sábado é dia feijoada, de lavar roupas, de feira e pastel com caldo de cana.
Domingo é dia de Faustão.
A mãe fala que vai lavar seu uniforme e ela pergunta: "Quando eu vou pra escola, mãe?"
"Segunda-feira".
"Segunda-feira é depois do Faustão?"


                                             

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Caldo de Cana

                                           


Está passando, graças a Deus.
O efeito do remédio também.
Estou menos mole e trabalho pela casa; sempre procurando algo para fazer.
Não dá para seguir totalmente os conselhos médicos; não dá para ficar o tempo todo repousando. Repousar demais também cansa.
Como dizia mamãe: "Não vou ficar o dia todinho de cara pra cima que nem uma paruara (boba) besta. Tenho mais o que fazer. Oxe!".
Fiz uma coisa que adoro: jardinagem. Cuidei de minhas plantas, coloquei adubo, podei, troquei algumas de vaso e as coloquei num vaso maior.
Nem precisei colocar adubo, meus gatos adubam naturalmente.
"Roubei" um pé de cróton bem bonito; verdinho manchado de branco. E bem que mamãe tinha razão, plantas roubadas pegam mais facilmente. 
Estava com vontade de tomar caldo de cana, já fazia muito tempo que não tomava, e parei na barraca de um senhor que vende um abundante caldo de cana. Gelado, verde, espumante, gostoso e um perigo para diabéticos.
Olhava em volta enquanto aguardava a moeção da cana e deparei-me com a bela planta. Disfarcei, caminhei até o cróton e o tirei. 
Na verdade não o roubei, apenas arrumei um novo e carinhoso lar para ele.


                                             

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Maçãs

                                          


Todos os sábados íamos à feira.
Mamãe sempre levava um de nós para ajudá-la com as sacolas.
Às vezes mamãe comprava só o necessário para a semana e outras vezes, quando o dinheiro sobrava, comprava frutas que para nós era coisa de luxo, só rico podia comprar.
Nossa feira seguia uma rotina: primeiro era comprado o mais pesado, como batatas, cebolas e laranjas, e depois o mais leve, como tomates e verduras.
Começávamos pelas batatas que eram compradas de uma senhora portuguesa que sempre chamava mamãe de patrícia.
Mamãe tinha uma inegável cara de portuguesa, com certeza.
Depois das batatas comprávamos as laranjas, bananas, tomates e verduras. Quando sobrava, éramos presenteados com pastel e caldo de cana. 
Naquela época era tão saborosa essa cominação: pastel + caldo de cana. Hoje parece que perdeu um pouco do sabor.
Gostava de passar pelas barracas de frutas e admirar aquela variedade de cores, cheiros e sabores. Uvas, abacaxis, peras, goiabas, mamões, maçãs. Ah... as maçãs. Eram um luxo.
Laranja e bananas...Eram o que podíamos comprar.
Perguntava a mamãe: "Mãe, sobrou algum dinheiro?"
"Sobrou não, filha. Por quê? O que você queria comprar?"
"Maçãs, mãe".
"Tem nada não, filha. Mas tenho fé em Deus que um dia vou poder comprar todas as frutas que meus filhos pedirem".
Olhava mais uma vez para a barraca de frutas e me encantavam aquelas maçãs vermelhas, cheirosas.
Eu pensava comigo: "Um dia, quando crescer, vou trabalhar e vou ter dinheiro para comprar muitas maçãs e vou ajudar mamãe".