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terça-feira, 1 de abril de 2014

Nuvens Escuras

                              


Semana difícil e hoje é apenas terça-feira.
Dor de cabeça e pressão alta que perduram há semanas, meses... Só mudam a intensidade.
Stress.
Minha Nossa Senhora de Aparecida, ilumina mina escura e funda o trem da minha vida...
Mamãe gostava dessa música e da Elis Regina.
Dor absurda na nuca que lateja e que dificulta virar o pescoço. Já tive quadros/episódios de edema cerebral causados pela pressão alta e por infecções como a meningite. 
As cirurgias para correção de fístula liquórica não cumpriram sua função de proteger meu cérebro de infecções causadas por vírus que entram pelo nariz. Está tudo aberto de novo e voltei a perder líquor.
Fiquei internada mais de vinte dias e tomando antibióticos que machucavam minhas veias. Já passei por tanta coisa e quero tanto não ter que passar mais!
Hospital de novo não, pelo amor de Deus!
Meus gatos tão lindos, meu cafofo cheio de plantas e livros, minha alegria em me levantar cedo todas as manhãs para ir ao trabalho. Minha alegria em estar viva, em estar me recuperando bem, em fazer as coisas, em cuidar de mim.
Essa alegria não será tirada de mim!
Deveria ter ido à casa da minha irmã Rosi, mas antes passaria na loja pra trocar uma peça de roupa e depois iria ao banco; não deu. 
Saí da escola e fui até a loja, mas no caminho pra lá senti uma forte pancada na nuca; parei o carro e tomei os anti hipertensivos que já havia tomado algumas horas antes. Fiz rapidamente a troca da roupa e voltei para casa. Ameaçava cair um temporal, o céu estava carregado com nuvens cinzentas e pesadas que eram rasgadas por relâmpagos dourados e furiosos. Melhor voltar e, além da chuva que cairia, os remédios logo começariam fazer efeito e me deixariam mole e cansada.
Fiz muito pouco do que havia planejado fazer e tomara Deus que amanhã eu esteja melhor e consiga concluir minhas obrigações. Só consegui abastecer o possante, comprar a impressora e trocar a peça de roupa; amanhã e quinta farei o restante.
Sexta-feira vou aquietar o facho, além do que o trânsito em São Paulo fica ainda pior.
Eu também deveria ter ido à casa do meu irmão para pegar uma jaca que ele trouxe para mim, mas não deu.
Só eu estando nada bem para não buscar uma jaca!
Amanhã será melhor que hoje.
É isso.



                                  



domingo, 2 de junho de 2013

Líquor

                               


Líquor, líquido cefalorraquidiano ou fluido cérebro-espinhal, tem a aparência e o gosto de lágrima e sua função é proteger o sistema nervoso central.
Fístula liquórica é uma complicação que ocorre em cirurgias de base de crânio, já falei sobre isso aqui, e pode acarretar em problemas graves, como infecções e até meningite.
Bom.
Eu comentava com minha irmã que passei a maior parte do ano passado longe dos hospitais, mas ia sempre aos consultórios médicos e fazia os exames. Mas esse ano parece que as "férias hospitalares" estão acabando e a necessidade de encarar os fatos faz-se bem presente.
Tive uma gripe bem forte na segunda metade do mês passado e iniciei esse mês de junho com mais uma gripe que começa bem forte também.
Uma forte pressão na nuca e fortes dores de cabeça somadas à hipertensão fazem com que haja uma perda de líquor. Comecei a perder líquor há duas semanas.
Estou anotando todas as mudanças em meu quadro clínico para levar ao neurocirurgião.
Tenho ido muito ao hospital para tomar remédios para a dor e tenho também ido muito ao consultório do ortopedista para o mesmo fim.
É sempre assim, já existe um padrão bem definido: passo uma temporada no hospital, recebo alta, fico bem, volto a trabalhar toda animada e acho que dali pra frente tudo vai ser diferente, vou aprender a ser gente. Mas...
Eis que começa tudo de novo: uma dorzinha aqui, outra dorzinha ali, consultas, exames, remédios e o quadro clínico piorando.
Parece que a saúde e a doença brigam para que cada uma possa manter seu espaço e garantir sua vez de agir e ficar e isso atrapalha a vida.
Eu tenho tanta gana de viver, tenho vontade de fazer tanta coisa. Coisas até simples e bobas para quem tem saúde e nunca parou para pensar que um dia desses qualquer lá nos surge um tumor no cérebro que arrebenta com nossa vida.
Até mesmo coisas singelas e que muita gente detesta como é o caso dos afazeres domésticos. Faço o que posso na medida do possível e foram-se os dias em que eu podia arrastar móveis pra lá e pra cá e fazer tudo o que uma pessoa saudável faz.
É como uma ampulheta ou uma bateria, começam cheias e aos poucos vão se esvaindo, acabando a energia. Para recarregar, é preciso parar e me deitar, se eu tentar ignorar e forçar a barra, acabo me dando mal.
Tenho estado bem cansada ultimamente; tudo me cansa mais que o normal. 
Fiquei feliz ao caminhar pelas ruas de ladeiras de Santana de Parnaíba, fui e voltei numa boa, mas quando chegamos à casa de minha irmã Rosi para tomarmos café, tive que me segurar. Estava tão cansada e não via a hora de ir para casa.
Dei graças a Deus ao chegar ao meu cafofo e me deitei com a gataiada que sente e sabe quando não estou bem. Dormi profundamente e foi como se um enorme peso tivesse sido tirado do meu corpo.
Adoro fazer pequenas viagens e adoro pegar estradas, mas agora está um pouco mais difícil de fazer isso só ou sendo a única motorista. Eu fico muito dolorida e muito cansada.
Às vezes penso em chamar as pessoas para fazer essas viagens comigo, mas nem todo mundo pode; alguns têm compromissos daqui e de lá e não podem adiá-los.
Às vezes sinto e acho, posso estar errada, que as pessoas me evitam ou recusam minhas propostas turísticas porque têm vergonha de sair comigo; têm vergonha de mim porque não sou bonita, ando com dificuldade e com a ajuda da bengala e ainda por cima tenho essa carão acromegálico. Ferrou!
Bom, o que eu sei com cem por cento de certeza é que todos viraremos comida de minhoca ou cinzas, no caso dos cremados.
Bonitos e feios, saudáveis e doentes, corinthianos e palmeirenses, todos terão o mesmo destino.
Já marquei algumas consultas e penso em pedir afastamento para fazer os exames e não ficar faltando ao trabalho e pegar muito atestado. O pior é ouvir comentários bestas: "Foi viajar?"
Dá vontade de falar: "Fui sim. Fui com teu marido, @#$%!".
É isso.

            
                                   


                                 


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Hospital

                                 


Estou bem moída, com dores no corpo, juntas (articulações) duras e doloridas.   Pensei que estivesse livre da gripe que me derrubou legal semana retrasada, mas ela voltou e está me derrubando mais forte dessa vez.
Faço o mínimo pela casa e já é um grande esforço para mim; me canso muito rápido.
Estou preocupada com esse meu entrevamento, está cada vez mais difícil me levantar, andar, me locomover. Sinto como se fosse uma múmia, toda dura.
Não fui trabalhar hoje e amanhã provavelmente não. Vou ao hospital e temo ficar por lá uma temporada.
Minha preocupação é com os gatos, a casa, a correspondência e outras coisas.
A mais recente temporada que passei no hospital foi quando fiz a cirurgia para correção de fístula liquórica e isso foi em fevereiro de 2012.  Já passei quinze, vinte dias e até mais internada e isso me preocupa.
Não tenho muita proteção natural, já tive meningite e alguns edemas cerebrais que foram controlados durante as temporadas de internação.
Muito medicamento que detonava as veias e tornava difícil o trabalho das enfermeiras. 
É difícil ficar longe de casa, longe das coisas que gostamos, longe da nossa liberdade. Mas se necessário for, irei e ficarei.
Temo pelos meus gatos e minhas plantas. Nem todo mundo gosta ou tem paciência para cuidar deles.
Como já disse antes, desconfio de pessoas muito práticas, frias e "secas" que não gostam de plantas, animais ou das coisas da Natureza.
Ainda é cedo e acho que nem vou secar os bambis; vou para a cama e amanhã será melhor.
Amém.