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domingo, 29 de setembro de 2013

É a vida

                                


Pretendia escrever/falar sobre outras coisas, mas o assunto acabou descambando para refrigerantes antigos.
Talvez não quisesse naquele momento falar sobre outras coisas. Sei lá...
Não queria falar sobre a Acromegalia.
Não queria falar sobre refrigerantes, gatos, frio, estradas...
Falar sobre sentir-me só, esquecida, desimportante...
Eu que já fui tão forte como touro; que já segurei touro na unha, que passei por trancos e barrancos, que fiz coisas e assumi responsabilidades muito sérias para uma criança de seis, sete, onze anos...
Eu que me dei, me entreguei e me dediquei aos outros e esqueci de mim. Me deixei de lado na certeza de que um dia me retomaria e seguiria em frente com a minha própria vida; livre, leve e solta.
Mas nem tudo é como planejamos.
O que ganhei de anos de responsabilidades, dedicação, seriedade? Apenas um bom caráter, uma coluna ruim e cheia de parafusos e uma doença besta de nome estranho e que ninguém nunca ouviu falar: Acromegalia.
Acro = extremidades, altura.
mega = grande.
lia - doença.
Mas nem tudo pode ser totalmente bom ou totalmente ruim nessa vida.
A Acromegalia me deixou mais fraca, cansada, isolada, desolada, esperançosa pela cura ou pelo menos por uma solução.
Por me deixar mais fraca, a Acromegalia me afastou de gente que só me via como a solução de seus problemas. Gente que me sugava as forças, a vitamina, as energias.
Há males que vêm pra o bem, já diziam os antigos.
Sinto-me mais aliviada e até mais alegre por estar livre de compromissos e obrigações que não eram meus. Livre de passar o dia inteiro rodando pelo caótico trânsito paulistano a serviço de pessoas que se julgavam melhores e mais merecedoras que as outras.
Não sou de ferro.
Cansei, estou cansada. 
Minhas forças não são as mesmas de antes.
Estou me afastando e me libertando aos poucos e isso é bom.
Pena? Culpa? Já tive/senti demais, mas quem sentiu de mim?
Ninguém é tão frágil que não possa andar com as próprias pernas. Se vira malandro, tu não é quadrado!
Eu me viro com andador, bengala e cadeira de rodas quando a espera é grande e estou mais ou menos bem, obrigada.
É preciso mudar, deixar, barrar a pena e a culpa que são bem traiçoeiras e dramáticas e nos impedem de ver quem e o que nos fazem mal.
Mas por outro lado é preciso ter força, coragem, garra, gana para lutar e viver.
Têm dias que bate um desânimo danado. Vem uma tristeza, um sentir-se só em meio à multidão, um sentir-se um nada, um estranho em meio a desconhecidos familiares.
Meio louco tudo isso.
Parece que tudo pesa, tudo é mais complicado e difícil quando não estamos bem de saúde.
Com saúde fica tudo mais fácil; não incomodamos ninguém, não somos evitados nem esquecidos.
Com saúde cuidamos de nós mesmos e do que é nosso.
Mas têm momentos que encontro certas injustiças por parte dos saudáveis, dos normais e magnânimos para com os doentes e imperfeitos.
Nenhum doente quer que seu fardo seja carregado pelo outro, ele quer apenas companhia em sua jornada, respeito, carinho e compreensão, por mais errado ou louco que esteja ou seja.
Críticas, julgamentos e cobranças não vão melhorar o bem estar do doente, só irão fazê-lo sentir-se pior ainda.
Eu pensava que um dia ficaria livre, poderia de me dedicar ao meu trabalho e à minha educação, às minhas coisas, aos meus gatos, livros, plantas e, resumindo: à minha vida simples, básica, íntegra e honesta.
Mas não.
Deus ou Vida ou ambos juntos decidiram me sacanear e quando pensava eu em simplesmente viver minha vida por mim mesma, lá vem uma doença estranha e me toma tudo.
Eu até havia pensado em fazer mudanças no visual. Olha só!
Mas a Acromegalia já o fez. Adiantou-se e fez mudanças para pior, claro.
Agora com corpo e carão acromegálicos o peso da vida fica quase insustentável.
Eu disse quase. Estou viva e sou guerreira.
Com dias bons ou ruins, frios ou quentes, solitários ou acompanhados, eu sou guerreira, estou habituada a lutar.
Acho que nasci para isso, para lutar.
Têm dias que dói bastante, outros menos... mas dói.
É a vida.

                 
                                         






sexta-feira, 28 de junho de 2013

Mato

                                

Amo plantas, bichos e todas as coisas da Mãe Natureza; é público e notório.
Sou julgada por minha aparência, por minha cara feia, acromegálica e de poucos amigos.
Mas como diz o ditado: "Quem vê cara não vê coração".
Sou muito de ficar na minha, mas interajo com qualquer pessoa que fale comigo. Sou educada. Sou gente. Não sou bicho.
O que acho curioso é o fato de ser criticada por gostar de plantas, livros e bichos.
Segundo os evoluídos, pessoas que gostam de animais e plantas têm um bom coração, uma boa alma. Acredito.
Sou criticada por pessoas que se julgam e se acham tão espertas, tão certas, tão donas da verdade, tão tementes a Deus.
Por que temer a Deus se Ele é o Grande Pai Criador de todas as coisas?!
Por que não gostar e até odiar animais se Deus os criou também?
Por que não gostar de plantas e dizer que tudo é mato sendo que Deus também criou as plantas?
Por que essas pessoas que se dizem e se julgam tão religiosas e que não tiram o nome de Deus da boca  são tão "secas", frias, insensíveis? Não gostar de bichos e plantas até entendo, mas detestar o que foi criado por um Deus que eles tanto "adoram" e "temem"?!
Não faz sentido.
Meus gatos são lindos, bem tratados, respeitados, protegidos e amados por mim 
que não sou perfeita e nem temo a Deus, eu respeito e troco umas ideias legais com o Cara. Deus é o Cara.
Minhas plantas não são mato e são bem podadas, cultivadas e tratadas por mim que amo e respeito todas as coisas da Mãe Natureza.
A Natureza é Deus e Deus é a Natureza.
Apenas vivo, sinto, entendo e respeito. Não vivo com uma bíblia debaixo do braço bradando aos quatro ventos coisas que não entendo, repetindo frases feitas e palavras difíceis que nem sei o significado.
Não julgo errada a religião ou a fé de ninguém e nem forço ninguém a se converter ou a se "desconverter" em nome do que acredito.
Não estou preocupada com a cura gay, estou preocupada com a Acromegalia e esperançosa pela cura.
Hoje em dia parece que temos a obrigação de sermos de um determinado jeito, de seguirmos determinada religião, de pensarmos e agirmos como acham que mandam alguns auto denominados expertos e escolhidos por Deus.
Como sempre, respeito e fico na minha.
Mas não me venham criticar por amar meus bichos e minhas plantas.
Não venham chamar de mato minhas amadas plantas.
Não venham com ódios e preconceitos contra meus gatos.
Não me julguem por minha aparência e meu carão acromegálicos.
Transformem críticas vazias em atitudes úteis.
Tenho um longo caminho a seguir.
É isso.


                                       



domingo, 2 de junho de 2013

Líquor

                               


Líquor, líquido cefalorraquidiano ou fluido cérebro-espinhal, tem a aparência e o gosto de lágrima e sua função é proteger o sistema nervoso central.
Fístula liquórica é uma complicação que ocorre em cirurgias de base de crânio, já falei sobre isso aqui, e pode acarretar em problemas graves, como infecções e até meningite.
Bom.
Eu comentava com minha irmã que passei a maior parte do ano passado longe dos hospitais, mas ia sempre aos consultórios médicos e fazia os exames. Mas esse ano parece que as "férias hospitalares" estão acabando e a necessidade de encarar os fatos faz-se bem presente.
Tive uma gripe bem forte na segunda metade do mês passado e iniciei esse mês de junho com mais uma gripe que começa bem forte também.
Uma forte pressão na nuca e fortes dores de cabeça somadas à hipertensão fazem com que haja uma perda de líquor. Comecei a perder líquor há duas semanas.
Estou anotando todas as mudanças em meu quadro clínico para levar ao neurocirurgião.
Tenho ido muito ao hospital para tomar remédios para a dor e tenho também ido muito ao consultório do ortopedista para o mesmo fim.
É sempre assim, já existe um padrão bem definido: passo uma temporada no hospital, recebo alta, fico bem, volto a trabalhar toda animada e acho que dali pra frente tudo vai ser diferente, vou aprender a ser gente. Mas...
Eis que começa tudo de novo: uma dorzinha aqui, outra dorzinha ali, consultas, exames, remédios e o quadro clínico piorando.
Parece que a saúde e a doença brigam para que cada uma possa manter seu espaço e garantir sua vez de agir e ficar e isso atrapalha a vida.
Eu tenho tanta gana de viver, tenho vontade de fazer tanta coisa. Coisas até simples e bobas para quem tem saúde e nunca parou para pensar que um dia desses qualquer lá nos surge um tumor no cérebro que arrebenta com nossa vida.
Até mesmo coisas singelas e que muita gente detesta como é o caso dos afazeres domésticos. Faço o que posso na medida do possível e foram-se os dias em que eu podia arrastar móveis pra lá e pra cá e fazer tudo o que uma pessoa saudável faz.
É como uma ampulheta ou uma bateria, começam cheias e aos poucos vão se esvaindo, acabando a energia. Para recarregar, é preciso parar e me deitar, se eu tentar ignorar e forçar a barra, acabo me dando mal.
Tenho estado bem cansada ultimamente; tudo me cansa mais que o normal. 
Fiquei feliz ao caminhar pelas ruas de ladeiras de Santana de Parnaíba, fui e voltei numa boa, mas quando chegamos à casa de minha irmã Rosi para tomarmos café, tive que me segurar. Estava tão cansada e não via a hora de ir para casa.
Dei graças a Deus ao chegar ao meu cafofo e me deitei com a gataiada que sente e sabe quando não estou bem. Dormi profundamente e foi como se um enorme peso tivesse sido tirado do meu corpo.
Adoro fazer pequenas viagens e adoro pegar estradas, mas agora está um pouco mais difícil de fazer isso só ou sendo a única motorista. Eu fico muito dolorida e muito cansada.
Às vezes penso em chamar as pessoas para fazer essas viagens comigo, mas nem todo mundo pode; alguns têm compromissos daqui e de lá e não podem adiá-los.
Às vezes sinto e acho, posso estar errada, que as pessoas me evitam ou recusam minhas propostas turísticas porque têm vergonha de sair comigo; têm vergonha de mim porque não sou bonita, ando com dificuldade e com a ajuda da bengala e ainda por cima tenho essa carão acromegálico. Ferrou!
Bom, o que eu sei com cem por cento de certeza é que todos viraremos comida de minhoca ou cinzas, no caso dos cremados.
Bonitos e feios, saudáveis e doentes, corinthianos e palmeirenses, todos terão o mesmo destino.
Já marquei algumas consultas e penso em pedir afastamento para fazer os exames e não ficar faltando ao trabalho e pegar muito atestado. O pior é ouvir comentários bestas: "Foi viajar?"
Dá vontade de falar: "Fui sim. Fui com teu marido, @#$%!".
É isso.

            
                                   


                                 


quarta-feira, 17 de abril de 2013

Sala dos Professores

                             

Trabalho com a Educação desde 2000 e nesse período tenho observado os mais variados comportamentos dos meus colegas nas reuniões, eventos escolares e na sala dos professores na hora da pausa para o café.
Trabalhei em 2004 em uma escola particular com duas colegas que ainda lá trabalham, mas ambas agem como se eu fosse estranha.
Uma delas é carne e unha com a outra que tem o nariz literalmente empinado, são Batman e Robin e se julgam donas da escola, que é pública.
Tem uma professora grossa e mal educada que sempre leva o filho igualmente mal comportado para a escola. Moleque chato!
Uma das professoras que ainda trabalha na escola particular começou a trabalhar na escola pública onde trabalho e ela nunca cumprimenta ninguém, entra muda e sai calada; nem na hora do café ela abre a boa. Só abre mesmo para comer o lanche e tomar café.
Tem cara de poucos amigos e nem precisa fazer muito esforço para isso. Está sempre de cara fechada, senta-se à mesa com seu material didático e lá fica em profunda meditação silenciosa até a hora de entrar em sala de aula. Fico me perguntando se ela fala com os alunos!
Acho que por mais que sejamos tímidos ou não gostemos de alguém, não custa nada dar um "Bom dia, Olá, Com licença...". Estamos no nosso local de trabalho e se em família é difícil todo mundo se dar bem e se gostar, quem dirá entre colegas de trabalho, mas isso não justifica ser mal educado!
Têm aqueles professores falantes, que tudo sabem, que tudo viram e que interrompem quem está falando para contar suas peripécias fantásticas.
Têm aqueles que reclamam de tudo, discordam de tudo, mas não sugerem nada de positivo.
Têm outros que acreditam em Papai Noel, Fadas, Gnomos, Coelhinho da Páscoa...
Têm aqueles que até cumprimentam ao entrar na sala, mas é só, isolam-se em seu mundinho e lá ficam até a hora de voltar ao mundo real.
Têm aqueles que se viram no Jiraya quando os alunos vão procurá-los durante o intervalo, seja para perguntar algo ou entregar uma prova ou trabalho de algum retardatário.
Assim que voltei a trabalhar uma das perguntas que os alunos me fizeram era: "Professora, a senhora é brava?"
"Muuuuuuuuuuuito!"
Eles riram e descobriam a verdade, meu carão acromegálico pode assustar a princípio, mas não é o que me define, não me faz quem eu sou de verdade. Sou uma pessoa educada, sempre. Acromegálica ou não.
Uso sempre meu lema de respeito e educação e cumprimento e respeito a todos!
Muitos que estão ali, professores e outros funcionários, são para mim persona non grata, o santo não cruza mesmo, mas eu os cumprimento ao chegar. Não farei igual a eles para me tornar um deles e me rebaixar aos seus níveis de baixeza e mesquinharia. Sou educada e ponto final.
É isso.






quinta-feira, 21 de março de 2013

Embelezamento

Beatriz. Linda e vaidosa.
                              


Fui hoje à casa da minha irmã Rosi e fui "vítima" de embelezamento perpetrado por minha sobrinha Beatriz. Tarefa difícil me embelezar, ainda mais com esse meu carão acromegálico.
Ela pintou minhas unhas, uma de cada cor, colocou os brincos em mim e passou batom nos meus lábios.
Beatriz é tecnológica, vaidosa, estudiosa, esperta e linda, claro.
Fui à casa da minha irmã para buscar minhas encomendas de produtos Natura, Avon e DeMillus, mas fui e vou lá principalmente para ver minha sobrinha Beatriz. Adoro beijar seus cabelos galegos, dourados, avermelhados.
Tive uma tarde agradável e muito bela, literalmente.
É isso.





sábado, 16 de fevereiro de 2013

Horário de Verão

                               

Hoje, à meia noite, devemos atrasar o relógio em um hora; acabou o horário de verão. Não gosto!
Eu ia escrever mais, mas acabei me distraindo e atendendo aos chamados dengosos de Léo Caramelo.
Assisti ao Globo de Ouro e adorei ver/ouvir Fagner cantar "Noturno". Lindo.
Adorei ver o Lobão novinho, maluco e agressivo.
Não gostei de ver Paula Toler; muito chatinha e voz fraca, meio Sandy, sabe?
Me diverti com o cabelão da Wanderleia e a roupa de couro justíssima.
Acho que vou me deitar; não dormi bem noite passada. Preocupações, receios, anseios, dúvida, angústia...
Li algumas página de "Crime e Castigo" de Dostoiévski, assisti "Video Collection" do Radiohead e lá pelas quatro horas da manhã comecei a cochilar. Acordo às cinco e meia com as altas vozes dos vizinhos.
Tem que conversar a essa hora da manhã?! Não pode ser mais tarde?
Me arretei, me levantei e fiz minhas coisas.
Como falei em postagem anterior, fui à farmácia, Casa do Norte, barraca de frutas e quando cheguei em casa, fui preparar a carne louca. Ficou boa.
Estou pensando em fazer "pudim de padaria". Acho que vou fazer.
Dirigir por aí, ler, escrever, cozinhar, meu jardim, minha música e meus gatos são o que me deixam ter relativa paz e normalidade, pois sei que, meus gatos, precisam e dependem de mim.
Passei em uma rua para ver os gatinhos abandonados; estão bem e saudáveis, dei-lhes comida. Um conhecido que estava comigo disse: "Começo a desconfiar que você não é normal. Você já tem oito gatos e ainda sai à rua para alimentar gatos abandonados!".
Pode ser. Mas meus gatos não me evitam, não têm vergonha de mim, não deixam de gostar de mim porque tenho esse carão acromegálico, não me julgam por minha aparência.
Sei lá. Essa !@#$%&! de Acromegalia só veio para ferrar mais ainda, !@#$5!!
É isso.

                            
         


                        



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Carão Acromegálico

                          


Sonhei com minha avó Mãevelha, mãe de mamãe.
Mãevelha era trazida por uma parenta nossa, uma jovem senhora hipocondríaca e neurótica.
Nossa parenta não dizia nada mas minha avó reclamava de algumas coisas e dizia que estava tudo errado. Ela tirava uns parafusos de sua sacola e os jogava sobre a cama e dizia: "Isso presta não. Carece de trocar".
Continuo indo ao consultório do ortopedista e continuo com as dores.
Hoje pela manhã sonhei com Mãevelha de novo e a encontrei sozinha em um quarto.
Ela estava sentada na cama e queria ligar a TV mas os controles estavam todos longes dela. Peguei o controle certo e reclamei, perguntei porque havia tantos controles se só um era necessário. Reclamei porque deixaram minha avó sozinha. Dei o controle para ela e me despedi. 
Iríamos em grupo a algum evento, mas quando saio do quarto de minha avó e chego ao quintal, todo mundo já havia saído. Fiquei chateada e me senti traída, pois tudo estava combinado e todos sairíamos juntos para o bendito evento.
Via os carros cheios de gente saindo e ainda tentei correr atrás para tentar sinalizar e fazê-los voltar. Todos seguiram em frente e eu fiquei só. 
Às vezes nos sentimos sós, meio largados, ignorados, esquecidos.
Às vezes nos sentimos desimportantes, desnecessários, não bem vindos, como se atrapalhássemos algo ou se fizéssemos as pessoas sentirem vergonha de nós.
Sei lá.
Procuro não fugir, não me esconder das pessoas que tanto me olham e me julgam por minha aparência acromegálica; como se isso fosse culpa minha.
Mas não é fácil e sinto como se não pertencesse àquele grupo de pessoas, lugar ou situação. Pessoas bonitas ou não, mas com rostos "normais", sem acromegalia.
Às vezes penso que é isso, que sou evitada, ignorada, esquecida devido ao meu carão acromegálico. Deve ser desagradável para os "normais" ficar diante de uma pessoa assim como eu quando podem ter o prazer de desfrutar da companhia de pessoas com seus rostos bonitos e agradáveis, ou pelo menos normais.
Posso estar errada, mas meus sentimentos, cismas e desconfianças raramente me enganaram ou enganam.
Não sou antissocial, como dizem que sou, simplesmente por querer, o carão acromegálico já diz tudo.
Lembro da música "Creep", da banda inglesa Radiohead, que define bastante o que sinto:

"But I´m a creep. I´m a weirdo
What the hell am I doing here?
I don´t belong here..."

"Eu sou uma aberração. Eu sou um esquisito.
Que diabos estou fazendo aqui?
Eu não pertenço a esse lugar"



                                    


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Encantamento, Máscaras e Ilusões

                              

Tive uma professora na faculdade que um dia falou sobre encantamento; ela disse que as crianças se encantam com tudo, com as novas descobertas e adoram assistir ao mesmo filme dezenas de vezes. Elas repetem as falas das personagens e adoram "adivinhar" qual será a próxima fala e dizem orgulhosas: "Não falei?"
Os adultos se perguntam como que é que as crianças podem assistir ao mesmo filme tantas vezes e ainda assim acharem tão divertido e interessante como se o vissem pela primeira vez. É que crianças se encantam, elas têm o dom ininterrompido do encantamento. Cada vez para ela é uma descoberta, um aprendizado.
Adultos são práticos, apressados, "secos", não se encantam.
Acho que carrego comigo uma parte infantil e outra parte muito ligada à Natureza e ambas se compõem para me fazer quem sou.
Digo infantil no sentido de se encantar, admirar, gostar, apreciar as coisas da Natureza, ver coisas que só crianças veem, que só crianças entendem e não no sentido de ser uma pessoa infantil aos quarenta e cinco anos! Não dá, né? 
Sou adulta e sou normal, graças a Deus.
Como eu falei em postagem anterior, assisti ao programa no NatGeo ou Discovery, não recordo, falando sobre adultos se vestindo, falando e comportando como crianças. Em bom paulistanês dos manos: "Vá se ferrar, meu!".
Todo mundo tem problema, mas não precisamos extrapolar. Tá, sei que todos têm direito à liberdade de expressão então por que não se expressam trabalhando, fazendo trabalho voluntário ou qualquer coisa de útil?
Na boa.
Tenho meus problemas, e quem não os têm? Mas procuro encará-los e resolvê-los e não me escondo sob máscaras, fugas ou desculpas. Ao contrário, vou firme e forte com meu carão acromegálico e encaro o problema; não é fácil, sou muitas vezes observada, magoada, fico chateada, arretada, mas estou sempre pronta para a batalha.
Sonhar é legal e permitido, mas não dá para viver no mundo da Lua eternamente.
Não é fácil ser eu, mas estou na luta.
É nóis.
Me desculpem os que vivem de ilusão escondidos sob máscaras, mas o mundo lá fora é real e se correr o bicho pega e se ficar o bicho come.
Sejamos bichos.
É isso.