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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Kathlenn

                               


Kathlynn, Katlinn. Ketlynn...
A lista é longa e tem inúmeras e infindáveis variações do nome gringo.
Faço cadastro de novos alunos, acesso informações sobre ex alunos e alunos matriculados e percebo o excesso de "Katlynn" como segundo nome. Sou da época que segundo nome de meninas era sempre Cristina ou Aparecida. 
Quando as donas desse nome vão solicitar algum documento eu peço para soletrar e vira uma salada de letras dobradas e coisas como: "É Katlyn com dois L, é com Y,é com I, é Ketlynn com E, dois N e dois L..."
Tenho uma sobrinha cujo segundo nome é um desses Kethlin da vida e eu não sei como se escreve. Honestamente.
Pra que isso?!
É pública e notória a moda de nomes estrangeiros entre a população infanto juvenil, mas tem coisa que beira o exagero e o ridículo. Na boa.
E têm umas bizarrices que são uma mistura de nomes importados com algum outro nome ou palavra que os pais acharam bonitos. Quem sofre é a pobre da criança.
Vejo a lista de alunos e me surpreendo com nomes simples, bonitos e comuns; estou acostumada a nomes estrambóticos.
Acho que vou mudar o nome de uma de minhas gatas para Ketlynn Reyshylla Rallyanne Sayonara da Silva.
As pessoas são tão criativas.
Não sei se isso é bom ou ruim.
É isso.



                                       

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Keith

                                         


Já falei aqui sobre nomes estrambóticos e a mania muito criativa que os brasileiros têm para inventar nomes diferentes para dar a seus pimpolhos.
Isso é fácil de se verificar, haja vista os criativos e inusitados nomes de alguns jogadores de futebol.
Outros nomes tipicamente masculinos, em algumas línguas e culturas, são adaptados à nossa cultura e língua portuguesa brasileira e temos Michelle, Simone e Andrea como nomes de meninas, mas na Itália são nomes tipicamente masculinos. Sacha também; é apelido carinhoso de Alexandre, em russo.
Assistia ao telejornal e a repórter entrevistava uma jovem que prestaria vestibular pela primeira vez; estranhei o nome da moça: Keith Katerine não sei das quantas. A repórter disse "keite" e a jovem respondeu à perguntas feitas.
Keith é nome masculino e muito comum entre norte americanos e outros países falantes da Língua Inglesa. A pronúncia é algo aproximado de "Kif", com a língua entre os dentes. É, para mim, uma das pronúncias mais difíceis e complicadas da língua anglo-saxônica, assim também como a pronúncia de "RL" (Carl, World, Girl ...).
Lembrei dos anglófonos (que falam inglês) Keith Sutherland, Keith Carradine e Keith Richards.
Bom...
Acho que os pais dessa moça quiseram inovar e colocar um nome masculino na filha; sei lá.
Lembrei da cantora Stevie Nicks, da quase cinquentona banda Anglo-Americana Fleetwood Mac e do velho e maluco roqueiro Alice Cooper, ambos com nomes que supostamente pertencem a gêneros opostos aos seus. Alice é nome de menina e Stevie é nome de menino.
E como comecei falando de nomes dos jogadores de futebol, todos brasileiros e que jogam na 40ª Copa São Paulo de Juniors, olha só esses aqui:
- Smayk, Uingrid, Stivy, Weliquem, Magaiver, Jan Jackson, Falkner, Sthanner Klinmann da Silva, Lennon...
A lista é longa e quem quiser verificar e se encantar com tanta criatividade dos pais desses meninos, é só acessar a página do Globo Esporte e procurar Nomes estranhos e curiosos da Copa São Paulo.
É isso.


                                      
                                          








domingo, 9 de junho de 2013

Os Mais Bonitos

                                


Papai era uma pessoa peculiar. Tinha seu Português próprio com seu modo próprio de escrever e de falar. Tinha suas muitas manias, seus "pantinhos" (dengos e manhas). Papai era único, uma figura.
Havia dias em que nos dava seus intermináveis sermões, cismava com nosso modo de falar, vestir, criticava nossos gostos e achava defeito em tudo o que fizéssemos.
Mas havia dias, raríssimos, em que nos elogiava e nos fazia sentir especiais. 
A boa fase durava pouco e a verdadeira intenção por trás dos elogios era para pura e simplesmente provocar os outros parentes e familiares. O motivo era tolo e simples: implicar com os sobrinhos e filhos dos parentes e familiares, principalmente com seus nomes. Explico.
Nossa família tem o hábito de escolher uma letra para nomear os filhos e todos têm que ter os nomes iniciados por aquela bendita letra. Nós somos todos "R": Rejane, Rogério, Reginaldo, Rosi, Ronaldo e Renata.
Temos uma prima, a Ivete, que ri por todo e qualquer motivo e tem hora que irrita, meu. Sabe aquela pessoa que olha pra você e começa a rir do nada? Já começa a conversar rindo? É chato e irritante, na boa.
Essa prima escolheu a letra "J" para nomear os três filhos e os nomes são peculiares, para simplificar a história.
Ninguém sabe de onde, como, nem porque ela tirou esses nomes estranhos, ou diferentes, para sermos educados: Jacilberg, Jadilberg e Josemberg.
E papai, claro, criticava nossa prima risonha por ter colocado nomes tão estrambóticos nos filhos. Quando não era a gente, papai tinha que encontrar alguém para criticar, pegar no pé, encher a paciência e a vítima favorita, depois de nós, era essa nossa prima. Ele começava: "Vê só se pode uma coisa dessa! Onde já se viu a pessoa botar nos filhos uns nomes doidos desses! Os bichinhos já são
feiinhos, meu Pai do Céu, e ainda mais com uns nomes desses! Meus filhos sim, são bonitos!".
Mamãe admirava-se com os elogios e críticas de papai: "Mas muito me admira tu, Dedé.Tu vive implicando com teus filhos e agora eles são bonitos? Tu cismasse com os meninos de Ivete foi? Por quê?!"
Papai se arretava: "E eu não estou mentindo não senhora, meus filhos são os mais bonitos sim! E se tu quiser saber, nessa família todinha o único que tirou (tem) filho bonito fui eu, porque o resto... Deus me perdoe!".
Era engraçado o diálogo entre papai e mamãe: "Deus te perdoe mesmo, homi!".
"E não é verdade não, mulé? Espia só os nomes dos meninos de Ivete: 'já te pego, vou te pegar, já te peguei".
Papai criava versões dos nomes dos sobrinhos que nem imaginavam que aquele absurdo acontecia e continuava a botar defeitos nos filhos dos outros parentes. Todos tinham defeitos, mas só os filhos dele eram os mais bonitos e tinham os nomes mais bonitos também.
Só papai mesmo. 
De outra feita, mamãe coloca Fubá e Mauricinho juntos, filho de nossa amiga Cleusa, e diz para nossa avó Mãevelha: "Olhe mamãe, não são parecidos?".
E Mãevelha responde: "É, mas meu neto é mais bonito".
É muita buniteza, meu Deus do Céu.
É isso.