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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Repórter Esso e A Voz do Brasil

                                  

O rádio era nosso meio de comunicação com o mundo. Notícias e música.
A televisão ainda não estava tão em voga e só pessoas abastadas podiam ter o eletrodoméstico.
Anoitecia e o rádio era ligado, ia começar o Repórter Esso trazendo as principais notícias do Brasil e do mundo.
Os candeeiros e lampiões de gás eram acesos, o tema de abertura, a voz do locutor e um zunido característico.
Eu associava o início da noite com o rádio e o Repórter Esso.
Acabava o noticiário e o rádio era desligado para não gastar muito "elemento" (pilha).
A Voz Do Brasil iniciava (ainda inicia, creio eu), às sete da noite e o locutor iniciava o programa dizendo: "Em Brasília, dezenove horas".
E quando uma pessoa era fofoqueira e ia à nossa casa para comentar as mais recentes informações sobre a vida alheia, mamãe dizia: "Lá vem o Repórter Esso com A Voz do Brasil".
Se uma pessoa fosse chamada de Repórter Esso, sem ela saber, claro, logo sabíamos que se tratava de uma fofoqueira.
Era engraçado.
É isso.


                                          

                                        

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Mundo

                                                

Ligo a TV e assisto às notícias do dia: violência no trânsito, incêndios em favelas, assassinatos de policiais e de civis inocentes.
Que mundo é esse, minha Nossa Senhora?
A violência cresce e se espalha como um câncer, sem dar muita chance de sobrevivência.
Todo dia é assim: violência, mortes, incêndios... 
Parece que isso já formou um padrão: violência, mortes, incêndios...
Quando teremos notícias boas?
Vidas inocentes perdidas, interrompidas.
Lares desfeitos, destruídos, queimados.
E agora, José? E agora, Marias, Pedros, Paulos, Antônios...?
É esse o mundo que nós criamos?
Um mundo consumista, descartável, fútil. Um mundo de aparências. Um mundo de pessoas que adoram ostentar e exibir o que têm. Tantas riquezas materiais e tanta pobreza de espírito, tanta solidão, vazio.
Fome de um lado e desperdício do outro.
Tantos morrendo de fome enquanto outros gastam fortunas com dietas malucas.
Que mundo é esse?
Pessoas apressadas, estressadas, impacientes, agressivas, violentas. Tanta pressa pra quê? Pra gerar mais violência?
Parece que voltamos às origens boçais onde cada um tem que defender seu território e para isso precisa eliminar o outro para garantir a sobrevivência sua e de sua prole.
Somos boçais no trânsito, nas relações humanas.
Humilhamos o outro para nos divertir; basta ver os programas da televisão.
Somos obrigados a ter nosso descanso interrompido por músicas tocadas em altíssimo volume; é aquela coisa: "Eu estando bem, o resto que se exploda".
Não é bem assim não!
O direito de um acaba quando começa o do outro. 
Todos temos direito à diversão, à ouvir nossas músicas, mas isso não quer dizer que podemos incomodar os ouvidos alheios ao nosso bel prazer. É muita falta de educação!
E por falar em mundo e música, lembrei de uma canção do Queen que fala sobre o mundo complicado que criamos e vivemos: "Is this the world we created?", "É esse o mundo que nós criamos?"
Será que podemos reconstruir? Melhor?
Espero que sim.
É isso.

Queen
                                        

quinta-feira, 29 de março de 2012

Jornal Nacional

                                               


Papai chegava do trabalho, tomava banho, jantava e assistia ao Jornal Nacional. Exatamente nessa ordem.
Se a TV preto e branco estivesse sintonizada em outro canal, papai nos lembrava da hora do telejornal global.
Todo mundo tinha que ficar em silêncio e prestar atenção às notícias do jornal que na época era apresentado por Sérgio Chapelin e Cid Moreira.
Papai dizia que era muito importante saber das notícias do mundo e já bastava o pobre ser pobre, mas "inguinórante" não.
Naquela época não havia a enorme variedade de canais e opções de programação que há hoje e o Jornal Nacional era o que tinha de melhor no jornalismo da TV Brasileira.
Minha irmã Rosi disse que esse gosto de papai pelo Jornal Nacional foi o que, entre outros fatores, a incentivou a fazer Jornalismo.
E até hoje assistimos ao Jornal Nacional.