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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Sexo na TV

                                


Acho que as pessoas estão tento dificuldade para saber e separar o que é sexy ou sensual do que é vulgar.
Os filmes, clipes de música, as próprias músicas, novelas, seriados... tudo cheio de temas ligados ao sexo e de cenas fortes para o horário em que maioria dessas atrações é apresentada.
Para quê tudo isso? Não basta confiar em um bom roteiro, bons atores, atrizes, diretores etc...?
Fiquei em casa na noite do Réveillon e comecei a zapear pelos canais à procura de algo interessante e que fugisse à ubíqua programação de fim de ano: cantores chatos, cantando suas músicas chatas. Tudo chato.
Parei em um canal que mostrava clipes de músicas e após ver três vídeos, cheguei à conclusão que são todos iguais; só mudam os artistas, mas a baixaria e vulgaridade são as mesmas em todos. 
Clipes com moças seminuas rebolando o traseiro, fazendo caras e bocas para os caras em volta e se oferecendo como animais no cio.
Músicas falando de drogas, sexo, bebidas, carros, joias e muita ostentação.
Até a magrelinha, dentucinha, bonitinha e sem bundinha da Taylor Swift, que outrora cantava músicas de dor de corno, agora aderiu à moda das bundas rebolativas. Só que ela não tem...
Mas a pior de todas em quesito vulgaridade e péssima voz é uma tal de Nicki Minaj. Essa moça faz apologia às drogas, ao sexo fácil e outras baixarias. 
Semana seguinte e é anunciada a nova Globeleza. Tá. Mas não daria para vestir essa moça, que samba saltitante e praticamente nua?!
O que mal cobre o corpo é aquela pintura colorida.
Assistia à novela e lá vem mais uma forte cena de sexo. Não daria só para insinuar? Têm crianças assistindo, pelo amor de Deus!
Filmes e seriados também. Todos com fortíssimas cenas de sexo.
Não estou sendo puritana e bem sei que todos nós viemos de um sexo bem feito, ou não, mas não precisamos ver isso a todo instante na TV; precisamos?!
E por falar em porcaria e baixaria, agora vem o lixo do Big Brother Brasil.
Vou ficar com os canais de culinária e animais.
É isso.



                                    

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Repórter Esso e A Voz do Brasil

                                  

O rádio era nosso meio de comunicação com o mundo. Notícias e música.
A televisão ainda não estava tão em voga e só pessoas abastadas podiam ter o eletrodoméstico.
Anoitecia e o rádio era ligado, ia começar o Repórter Esso trazendo as principais notícias do Brasil e do mundo.
Os candeeiros e lampiões de gás eram acesos, o tema de abertura, a voz do locutor e um zunido característico.
Eu associava o início da noite com o rádio e o Repórter Esso.
Acabava o noticiário e o rádio era desligado para não gastar muito "elemento" (pilha).
A Voz Do Brasil iniciava (ainda inicia, creio eu), às sete da noite e o locutor iniciava o programa dizendo: "Em Brasília, dezenove horas".
E quando uma pessoa era fofoqueira e ia à nossa casa para comentar as mais recentes informações sobre a vida alheia, mamãe dizia: "Lá vem o Repórter Esso com A Voz do Brasil".
Se uma pessoa fosse chamada de Repórter Esso, sem ela saber, claro, logo sabíamos que se tratava de uma fofoqueira.
Era engraçado.
É isso.


                                          

                                        

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Toque

Meu jardim
                                            


Meus gatos têm fixação por água.
Sobem no tanque e ficam longos minutos a observar a água que sai da mangueira da máquina de lavar e escorre pelo ralo.
Quando lavo o quintal, é a mesma coisa; ficam olhando a correnteza formada pela água que escorre das plantas.
Léo Caramelo e Ébano Nêgo Lindo tentam pegar a água com suas patinhas fofas. Já falei para eles que não dá para pegar água, ela escorre.
Termino minhas tarefas e sento próximo à porta e observo meu quintal com minhas plantas cada vez mais bonitas e viçosas; a luz do sol e depois o ocaso deixam a tarde mais bonita.
A noite vem e é hora do leitinho morno de Ébano. Ele me segue pela casa, fica se esfregando em minhas pernas quando estou à pia da cozinha. Pergunto: "Você quer seu leitinho, é meu Nêgo Lindo?". Ele me olha com seus lindos olhos cor de mel e eu dou-lhe o leite morno e gostoso. Já tentei dar a ele leite de soja e de baixa lactose, mas não gostou. Ninguém gostou.
Cansaço.
Vou para a cama, estou muito cansada do meu "pra lá e pra cá" do dia a dia do cotidiano diário (!). Lembrei-me da conversa que ouvi de alguém aconselhando o amigo que estava com uma tosse braba: "Olhe, tu tem que tomar esse remédio todo dia diariamente, visse? Aí tu fica bom".
Insônia.
Insônia somada aos fogos pela vitória do Palmeiras, campeão brasileiro.
Leio. Concluo a leitura de Fahrenheit 451. 
Penso em ligar a TV, mas nesse horário não tem nada que preste: canais religiosos, canais de vendas de produtos e serviços, filmes chatos, e programação chata.
Vou até a cozinha e tomo suco de maracujá. São três e meia da manhã. Adormeço, graças a Deus.
Acordo com as vozes dos garis que varrem a rua.
Tento me mexer na cama mas fica difícil: a gataiada em volta, em cima de mim, na minha cabeça.
Morena Rosa encosta seu queixo quadrado em meu rosto, Ébano Nêgo Lindo coloca a patinha em minha mão, Léo Caramelo esfrega sua cabeça de leãozinho e abaixa para que eu a beije; Aurora encostada em mim, Alice em cima de mim e Branca me olhando com seus olhos coloridos, um de cada cor.
Todos me tocam e eu retribuo o amor, a confiança e o carinho deles com mais carinho.
A bicharada me faz muito bem. 
As pessoas não entendem.
Estou melhor, mas com muita dor ainda. E não apenas dores físicas, mas para estas têm remédios.
É isso.
Lá vou eu esperar um mês e meio para uma consulta com o médico.
Lá vou eu bater os quatro cantos de São Paulo; talvez só bata dois cantos, estou meio a pulso, como dizia papai.
Vou ficar bem.


Léo Caramelo, meu leãozinho
                                          

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Conserto

                                          


Meu irmão Fubá sempre foi muito esperto e ativo; sempre procurando o que fazer. 
Um menino "curioso", como dizia mamãe.
Uma vez apareceu em casa com uma bicicleta velha que havia trocado por um brinquedo com algum amiguinho. Ele consertou e a deixou em boas condições de uso.
Outra vez arrumou um pedaço de madeira, umas borrachas de pneu e rodas e construiu um barulhento carrinho de rolimã.
Fubá adora jogos eletrônicos e ganha um vídeo game, mas só podia jogar até as seis horas da tarde no velho aparelho de TV de nossa avó Mãevelha.  Nossa avó adorava novelas e por isso Fubá só podia jogar até aquele horário estabelecido. Papai não queria que jogasse na TV da sala porque acreditava que isso estragaria a televisão. As "inguinóranças" de papai.
Fubá ia ao quarto de Mãevelha e ligava o vídeo game na velha televisão preto e branco que mal funcionava e funcionava muito mal.
Mãevelha fala para Fubá desligar o jogo e ligar na novela que já vai começar e ele obedece muito a contragosto. 
Mas há um problema, a TV não funciona. Fica tudo escuro, sem som e sem imagem.
Mãevelha fica braba e diz: "Menino danado! O que foi que tu fizesse com minha televisão? Vou perder minha novela que tá tão boa. Minha Nossa Senhora!".
Fubá tenta acalmar nossa noveleira avó e diz que ele mesmo vai consertar a televisão.
Ele abre a TV e começa a mexer. Dali a pouco liga o aparelho que agora tem som, mas não tem imagem. Fubá tenta outra vez e agora a TV tem imagem mas não tem som.
Mãevelha anima-se com o progresso técnico de Fubá e o incentiva a continuar com o conserto: "Avia, meu filho. Cavuca aí pra ver se a televisão volta a funcionar".
Fubá tenta pela terceira vez; agora teria que funcionar. Agora teria que ter som e imagem.
Ele liga a TV e o que acontece é uma explosão seguida por uma fumaça branca que invade o quarto de Mãevelha.
Nossa avó fica brava e dá broncas em Fubá, o neto perigoso e curioso até demais que ainda tenta fazer a velha TV funcionar.
A TV já era, não funciona mais e o jeito foi mamãe ir às Casas Bahia e comprar um aparelho novo.
A TV foi paga em suaves prestações.