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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Desânimo

                                     



Semanas difíceis, dias difíceis.
Otite que volta, dores fortes e um "grilo" que não para de chiar dentro do ouvido.
Detesto me sentir assim, meio desanimada, dolorida, fraca, sem vontade para nada. Detesto mesmo.
Gosto de ser e estar viva, esperta, ágil, com saúde e sem dores.
Porcaria de doença mais besta! Acromegalia.
As pessoas, algumas delas, não entendem quando dizemos que não estamos bem e acham que é frescura nossa. Não é.
Parece que todo mundo tem a obrigação de estar sempre bem, sempre feliz, sempre sorrindo. Não dá. 
A vida é feita de momentos bons e ruins e nada é o tempo todo bom ou ruim, tudo muda, varia e se transforma.
Vou sair dessa.
Bom...
Já cuidei dos gatos, do quintal deles e aos poucos faço as coisas pela casa.
Aguardo as contas do mês para poder ir ao banco com tudo em mãos e fazer os pagamentos. Detesto ir a bancos.
Boreal recupera-se bem após cirurgia para castração e a próxima será Clara Blue, que já está ficando grandinha, taluda e linda, claro.
Ouvi tolices de gente que não gosta de animais: "É muita judiação castrar animais. Tadinhos".
É mesmo?!
Judiação é deixar cães e gatos procriando sem controle. 
Judiação é colocar esses filhotinhos inocentes dentro de sacos e jogá-los em rios ou afogá-los em baldes com água. Soube de gente que colocou gatinhos em um saco, pendurou em uma árvore e depois batia com um pedaço de pau até matar todos os inocentes. Isso sim é crime, é desumano, é judiação.
Judiação é ver um animal faminto e doente e nada fazer.
Se as pessoas mantivessem suas línguas dentro de suas bocas e cuidassem das próprias vidas, certamente não haveriam guerras.
Eu travo uma batalha para ficar de pé e cuidar de mim e dos meus gatos.
Têm dias que é tudo tão mais difícil.
Vou ficar bem.
É isso.


                                        

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Bonina

                                



Dorzinha chata de ouvido que foi intensificada pelo alto volume do aparelho de ressonância magnética.
Usei os tais protetores auriculares, mas mesmo assim o barulho feito pela emissão dos raios era muito forte e alto.
Sempre tive/tenho essas dores chatas de ouvido até que, algumas vezes, elas evoluem para uma longa e dolorosa otite.
E está bem frio, o que piora um pouco.
Achava engraçado ver mamãe toda encolhida, puxando a blusa para cobrir as orelhas e reclamando: "Que frio do máduscachorro é esse?! Congela as zureia da gente!".
Eu lembro desses causos e histórias e dou risada sozinha. Foi e é o melhor jeito que encontrei para aliviar um pouco a melancolia, a solidão e outros sentimentos.
Mas eu falava sobre a ressonância magnética...
Já falei aqui sobre o curioso padrão sonar desse exame e em alguns momentos até parece essas músicas de balada. Varia de acordo com a frequência e dá para ouvir um "bang, bang, pow, pow, pow..."
Bom...
Esfriou ainda mais hoje e caiu uma chuva fina. Tirei o carro da garagem e fui dar uma volta meio sem destino. 
Marginal Tietê congestionada, céu cinza, muito frio, chuva fina e... flores.
Muitas flores e plantas bonitas e em oferta, pena que eu estava sem dinheiro.
Meu jardim está lindíssimo também e as chuvas trouxeram uma nova roupagem e um novo frescor para elas. Estão lindas.
Têm Marias-sem-vergonha, flor de maio e umas flores bonitas cujos nomes desconheço. Têm umas florzinhas em tom róseo e em outras variações de cor que mamãe chamava de "bonina"; muito bonitinhas.
Voltei para casa e ouço latidos; era a cachorrinha do vizinho que adora comer ração de gato. Dos meus gatos, diga-se de passagem.
Coloquei um quantia generosa e a simpática canina devorou tudinho em minutos.
Senti fome e saudades. Fome de comida e de atenção, aconchego, lundu, um colinho mesmo.
Preparei uma daquelas comidas que alimentam o corpo e a alma. Aquelas comidas que lembram infância, carinho e cuidados.
Eu faço isso. Gosto de fazer isso.
Trazem de volta momentos e lembranças boas, aliviam a saudade e me fazem bem.
Cozinhei arroz branco, dei folga ao arroz integral, fritei dois ovos e cobri tudo com farofa. 
Lembrei da salgada e deliciosa farofa de bisavó Gina e tia Nifa.
Depois quis algo doce e queria comer tomates com açúcar. Mamãe cortava os tomates em pedacinhos, tirava as sementes e os cobria com açúcar.
Mas estou sem tomates e o jeito foi comer umas bolachinhas de goma.
E assim foi o dia. Entre saudades, solidão, chuva, frio, comidinhas da infância e flores.
É isso.


                                        

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Agasalhar

                               
Ébano Nêgo Lindo e Boreal



Está fazendo um friozinho durante a noite e a madrugada e isso é ótimo para dormir; é mais aconchegante.
Os dias estão tão lindos; céu azul, tardes ensolaradas e a brisa fria. Lindo.
O problema do tempo frio é que as dores nas juntas aumentam e mamãe dizia que era um frio entranhado que ia direto para os ossos.
Os gatos estão todos encolhidinhos em seus cantos e Alice, minha lânguida, clássica, elegante, charmosa, altiva e dengosa Alice tem seu próprio cobertor.
Outro dia resolvi lavá-lo e no lugar deixei um outro cobertor tão fofinho e quentinho quanto, mas Alice não quis saber, puxou seu cobertor favorito do varal e deitou-se em cima.
Agora ela dorme ao meu lado, Aurora aos meus pés, Branca já está na cama e o restante espalhado pela casa.
Acho que vou ter mais uma daquelas otites brabas somada a um resfriado ou gripe que já começam a se manifestar.
Vou me agasalhar, como dizia mamãe.
Boa noite a todos.



                                  


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Otite

                                  

Otite é uma inflamação ou infecção no ouvido e causa muita dor.
Comecei com o ouvido "tampado" e depois evoluiu para uma dor aguda, terrível. Fiquei com a região debaixo do queixo, a papada, muito inchada. 
Às nove e meia da manhã de terça-feira fui ao Hospital Nipo Brasileiro e dei entrada pela emergência; a dor estava forte demais.
Passei pela triagem e depois o médico me atendeu, um jovem e simpático médico, o Dr. Thiago.
O médico me encaminha para a Sorologia, a sala onde os pacientes tomam medicamentos. Sentei-me em uma das cadeiras e a enfermeira disse que iria preparar o remédio... e demorou...demorou...demorou.
Chamei uma das enfermeiras presentes e perguntei pelo remédio, estava com muita dor, pelo amor de Deus!
"Só um minutinho".
Bom, o minutinho demorou mais uns bons vinte minutos; a dor não era nelas nem nas mães dessas desalmadas.
O remédio foi colocado em minha veia e tive ânsia de vômito e a enfermeira me deu um saco plástico. Pedi água e ela disse que eu não poderia tomar porque vomitaria de novo.
Não tomei a água e vomitei novamente.
Fiquei lá no canto encolhida com dor, sono, cansaço, sudorese, pressão alta e um sentimento enorme de abandono e descaso.
Claro, fui vítima dos olhares escrutinantes. Como sempre. 
Pedi água mais uma vez e ouvi o maldito "um minutinho" uma dúzia de vezes, mas não a água. Meus lábios estavam ressecados e eu com muita sede.
Perguntei à enfermeira se meus exames estavam prontos e se eu poderia ver o médico e ela disse: "Eu chamei seu nome várias vezes e a senhora não respondeu. Os exames estão aqui, se quiser pode ir lá".
Respondi: "Acontece que eu sou humana, adormeci sob efeito do remédio. Não durmo há duas noites com dor, estou cansada. Não posso ir sozinha até o médico, estou fraca, tenho artrose e mobilidade reduzida, alguém precisa me ajudar".
"Um minutinho".
Passaram-se longos minutinhos e pedi à enfermeira chefe para procurar meus exames e minha ficha e me acompanhar até o médico.
Saí do Hospital Nipo Brasileiro me sentindo um lixo, um zero à esquerda e isso porque pago caro pelo convênio médico.
Acredito que pagando caro ou não, todos nós deveríamos ser tratados com educação e respeito.
Deus me perdoe, mas tomara que essa quenga tenha uma dor de ouvido bem braba para saber entender e respeitar os outros. Se o paciente vai à emergência de um hospital, é porque precisa de cuidados médicos; ninguém vai lá para passear.
Não pretendo voltar ao Hospital Nipo Brasileiro tão cedo.