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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Preocupação

                                  


A vida é feita de escolhas, já diz o ditado.
Se conhecemos o ditado, sabemos que ele está certo e se sabemos disso, por que fazemos tudo errado?
Outro ditado: A gente colhe aquilo que planta.
Se sabemos disso, por que plantamos discórdia, mentiras, falsidade e tantas outras coisas ruins?
Por que tem gente que gosta de incorrer no erro? 
Por que tem gente que não aprende nunca com os próprios erros? Seria burrice, ignorância, comodismo, mal caratismo mesmo ou o quê?
Por que a gente vê o óbvio mas quem deveria vê-lo faz-se de cego?
Medo de encarar a realidade? Comodismo? 
Estou preocupada, inquieta, desassossegada... Não gosto de me sentir assim.
Saí rapidamente à tarde, voltei para casa e me deitei no sofá. Dorzinha de cabeça chata que dura uma semana e que começou a se intensificar na sexta-feira. 
As coisas estão difíceis. São fases boas e ruins e agora parece que é a vez das fases não muito boas. Meu Deus.
Como diz a canção: "É preciso ter força. É preciso ter raça. É preciso ter gana sempre..."
Não é fácil não.



                                           




quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dias de Sol

                                


Dois dias seguidos de sol. Lindo.
Aproveitei para lavar roupa, principalmente cobertores, edredons e lençóis. O problema são os gatos que mordem os varais até arrebentá-los, aí a roupa cai no chão e eles se deitam sobre elas. Tenho que lavar tudo de novo e ficar de olhos nos meus terríveis felinos.
O vizinho veio me dizer que uma das gatas da irmã deu cria e teve quatro gatinhos lindos. É a vizinhança da gataiada. Ainda bem.
Ele disse também que meus gatos são lindos, grandes, têm pelo macio e sedoso e perguntou também que ração eles comem. Reclamou do pequeno tamanho dos seus gatos e dos da irmã.
Acho que o problema está na ração, se houver um. Talvez seja a própria raça dos bichanos. Sei lá.
Mas eu falava sobre lavar roupas...
Mamãe adorava lavar roupas e eu gosto também. É uma terapia, às vezes.
Separar roupas de cor, brancas, delicadas, pesadas...
Transpiro muito durante a noite e geralmente preciso me levantar para trocar toda a cama e o pijama; até tomo outro banho de madrugada.
Já reparei que essa sudorese excessiva acontece quando acordo com fome de madrugada, quando janto muito cedo ou como muito leve. Acho que é preciso comer comida com "sustança", como diria papai. Deve ser isso.
Tenho tido muitos episódios de hipoglicemia (falta de açúcar no sangue) e não sei se isso é mais ou menos perigoso que a hiperglicemia (excesso de açúcar/glicose no sangue).
Não sei também se é isso que está causando toda essa transpiração noturna. Acordo com frio, fome, com o corpo molhado e os lençóis encharcados.
Jantei bem e espero que possa dormir sem ter que acordar no meio da noite sentindo fome. Comi arroz, feijão, batata, cenoura, tomate e filé de peixe. Estou com vontade de comer uma coisinha doce.
Amanhã terei um longo dia e tomara que o trânsito esteja bom como estava hoje à tarde; de manhã estava um caos.
A gataiada está deitada ao meu lado e estão todos encolhidinhos. Tão lindos.
Amanhã terminarei de lavar as roupas e precisarei concertar alguns varais.
É isso.


                                      

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Parece

Ébano (mas pode chamá-lo de Nêgo Lindo que ele vem) e Morena Rosa
                                                   
Ontem fui ao Pet Center da Marginal Tietê com minha sobrinha Beatriz.
Geralmente evito ir a esses lugares aos domingos, estão sempre lotados, mas era caso de urgência urgentíssima; meus gatos recusavam-se a comer a ração simplesinha que eu comprara.
Eu pensei que poderia enganá-los com uma raçãozinha básica até comprar a ração que eles gostam, mas eu estava errada e eles, desesperados.
Fui ao Pet Center e a fila para entrar começava na Marginal, o que ocasionou buzinaços de motoristas sem educação e sem paciência, (olha quem fala).
O estacionamento do Pet Center é muito pequeno e estranho e fica lotadíssimo aos fins de semana, mas como tenho cartão Defis, estacionei eu mesma meu possante e não precisei esperar pelo manobrista.
Beatriz ficou encantada com os cães e gatos para doação. Todos lindos, fofinhos e carentes de um lar amoroso, carinhoso e legal como o meu.
Ela acariciou alguns gatinhos e dizia: "Olha tia Rejane, esse aqui se parece com a sua gata Branca, esse outro se parece com o Léo Caramelo e aquele se parece com o Ébano...Será que eu posso levar um deles pra casa?"
"Ihhhhh, Bibi, acho que sua mãe não vai gostar muito da ideia".
"Então vamos levar um aquário grandão com aquele peixe de bolinha e o tubarão? E também vamos levar aquele coelho fofinho e aquela arara vermelha pro meu pai?"
Fizemos nossas compras e voltamos para a casa de Beatriz; sua gata Alice estava impaciente. Separamos nossas rações e de lá vou para minha casa; meus gatos também estavam impacientes.
Entro na minha rua e reduzo a marcha, pois sempre há meninos jogando bola. Um deles diz: "Ah, é a professora, ela é legal".
E o outro diz: "É? Mas era parece homem".
Guardei o carro na garagem, descarreguei a ração ( nessas horas homens fazem falta) e alimentei meus esfomeados, impacientes e enjoados felinos que após encherem a barriguinha, dormiram a tarde inteira.
Acabada a tarefa felina, fiquei com a frase do menino na minha cabeça e me perguntei pela milionésima vez: "Mas será que pareço mesmo com um homem?!".
Já me olhei e me olho no espelho inúmeras vezes e não consigo ver nada de homem em mim. Já perguntei para minhas irmãs, amigas e minha cunhada Preta e elas dizem o mesmo. Preta até disse que pode ser que os conhecidos não me estranham porque são próximos a mim e me veem sempre e o que pode chamar a atenção das outras pessoas é o fato de eu ser grandona. 
Será?
Não sei.
Sei que chamei mais a atenção no Pet Center do que os próprios animais.
Todos me olhavam e me senti uma celebridade... de novo.
Talvez eu seja um mix de celebridade com uma espécie rara de animal raro.
Animal!



Ébano, Branca, Léo Caramelo e Morena Rosa
                                              

domingo, 4 de dezembro de 2011

Amor: Bisavô Francisco & Bisavó Gina

                                               


Bisavô Francisco era negro.
Bisavô Francisco era rapazote quando Princesa Isabel assinou a Lei Áurea em 13 de maio de 1888.
Negros e escravos libertos. E agora? O que fazer com a liberdade recém adquirida?
Bisavó Gina era branca.
Bisavô Francisco era negro, alto, magro, esguio e elegante. Usava roupas simples e chapéu coco. Era de temperamento calmo, tranquilo, doce e de sorriso farto e acalantador.
Gina, dona Maria Higinia Salles, era branca, pequena em estatura, cabelos loiros arruivados, pele claríssima, olhos claros. Era de temperamento forte, invocada, sem papas na língua.
Francisco e Gina se encontram e o amor acontece.
Simples assim?
Não.
Se hoje em dia, em pleno século XXI ainda há muito preconceito e intolerância, imagine em séculos passados.
Francisco e Gina não podem se falar, se ver; quem dirá namorar.
Inadmissível um negro sonhar em cortejar uma dama branca. "Isso é uma afronta, um absurdo. Esse negro não sabe seu lugar?". Essas eram as falas da época.
Mas Gina não pensa assim. Para Gina o amor não tem cor e um homem deve ser julgado por suas ações e não pela cor de sua pele.
Francisco e Gina fogem. Dois adolescentes de famílias diferentes, culturas diferentes e etnias diferentes. Não vou usar o termo "raça" diferente, pois como já falei aqui, para mim só existe uma raça, a RAÇA HUMANA.
Francisco e Gina fogem para longe por temerem a reação da família dela e das pessoas que não entendem que o amor não tem cor. 
Dessa união nascem vários filhos e minha avó Mãevelha é um deles.
Francisco e Gina agora têm filhos, netos e bisnetos.
Adorava ir à casa deles e saborear a salgadíssima farofa de ovo e farinha de mandioca preparada por minha bisavó e acompanhada por um belo xicrão de café.
Adorava brincar de fazer comidinha num fogão à lenha preparado por meu bisavô, que me observava brincar com as outras crianças da rua e com cuidados para eu não me queimar.
Pode soar estranho, mas era comum naqueles tempos.
Bisavó Gina trabalhava em sua horta, adorava suas plantinhas, seus temperos e suas ervas.  Tinha remédio pra tudo: chazinhos para aliviar azias, dores de cabeça, resfriados.
Suas ervas serviam tanto para remédio como para temperos. Acho que foi daí que mamãe aprendeu a temperar tão bem as carnes de vaca, porco, carneiro, aves e peixes.
Bisavó já estava velhinha, corcunda, encurvadinha, o que a deixava ainda mais pequenininha. Seus cabelos brancos e fofos como o algodão. Seus olhos azuis agora embaçados pelo peso dos anos. Seu cachimbo no canto da boca. Suas mãos frágeis e ao mesmo tempo fortes segurando a enxada para cuidar da terra.
Bisavó era pequena só em seu tamanho físico e assim como mamãe, era uma mulher forte, decidida, titânica. Tinha que ser muito mulher e muito forte para assumir um amor proibido e fugir com ele deixando para trás uma vida confortável e calando a boca de muito racista abestalhado.
Bisavó era terrível e não media suas palavras quando precisa dizer o que pensava. Procurava não magoar ou ofender ninguém, mas que ninguém a provocasse!
Minha adorada, branca, pequena, forte e terrível bisavó dizia:
"Quem faz de cachorro gente fica com o rabo no dente". 
"O amor quando é novo come do pão e do ovo, mas quando é velho come do má dos cachorro".
"Quem se abaixa demais o rabo aparece".
"Dou um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair". (véinha encrenqueira)
E a minha favorita: "Engulo um boi com as pontas e não me entalo, já um mosquito me entala".
Meu negro, alto, elegante e doce bisavô dizia: "Se avexe não, Gina. O que é ruim destrói-se por si mesmo".
E assim como meus amados bisavô Francisco e bisavó Gina, há outros amores de todas as cores nessa minha família abençoada por Deus e bonita por natureza. Graças a Deus.
E me pergunto: "Meu Deus, será que um dia as pessoas deixarão de ser cegas e verão que as coisas boas da vida não têm cor ou raça? Que quando morremos vamos para o mesmo lugar? Que não levamos nada dessa vida, a não ser a vida que vivemos?".
Meu bisavô Francisco teria uma resposta para essas perguntas:
"Deixe estar, minha minha filha. Não se aperreie com gente inguinórante, não".