Mostrando postagens com marcador roupas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador roupas. Mostrar todas as postagens

sábado, 14 de dezembro de 2013

Orquídea

                                      


Dias não muito quentes e noites frias. Perfeito!
Bati os quatro cantos do mundo, como dizia mamãe. Fui ao banco, supermercado e ainda passei rapidamente na casa da minha irmã Rosi para deixar os chocotones que comprei erroneamente.
Gosto do panetone de frutas e amo chocolate, mas não gosto dos dois misturados. Vai entender...
Fui comprar ração seca e molhada e encontrei bons preços no Carrefour, por incrível que pareça. Comprei frutas, panetone de frutas, café, ração seca e molhada e ainda dei uma olhada nos livros e roupas em oferta. Olhei as plantas também e fiquei louca por uma orquídea e pelo bonsai.
Não gostei das roupas; tudo muito brilhoso, até parece que saíram do túnel do tempo de alguma novela dos anos 70. Gostei não.
Os shorts também estão com um corte estranho:cintura muito alta e o corte muito curto e cavado, até parece uma calcinha grande. Calças compridas com boca de sino; não, obrigada.
Desisti das roupas e fui ver os livros em oferta: livros de auto ajuda, religiosos e livros da nova literatura com vampiros, bruxas, tigres, figuras místicas... 
Não, obrigada.
Eu raramente me interesso por livros e filmes da moda, os chamados "best sellers e blockbusters".
Senti fominha e decidi almoçar por lá mesmo e o mais legal é que a partir das quatro da tarde o preço da comida, vendida por quilo, abaixa. 
Fiz meu pratinho e para beber sempre peço iced tea (chá gelado) e depois tomo bastante água.
Tudo terminado, volto para casa.
A gataiada fica eufórica, sabe que deve ter algo que muito lhes interessam naquelas sacolinhas plásticas de supermercado. Alimentei a todos e fui para a sala e, como sempre, adormeci. 
Acordei com o barulho da molecada brincando na rua, dos vizinhos xucros falando alto, como sempre, e dos cachorrinhos latindo na minha calçada: queriam comida.
Acho que vou buscar aquela orquídea tão linda e o bonsai também.
É isso.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dias de Sol

                                


Dois dias seguidos de sol. Lindo.
Aproveitei para lavar roupa, principalmente cobertores, edredons e lençóis. O problema são os gatos que mordem os varais até arrebentá-los, aí a roupa cai no chão e eles se deitam sobre elas. Tenho que lavar tudo de novo e ficar de olhos nos meus terríveis felinos.
O vizinho veio me dizer que uma das gatas da irmã deu cria e teve quatro gatinhos lindos. É a vizinhança da gataiada. Ainda bem.
Ele disse também que meus gatos são lindos, grandes, têm pelo macio e sedoso e perguntou também que ração eles comem. Reclamou do pequeno tamanho dos seus gatos e dos da irmã.
Acho que o problema está na ração, se houver um. Talvez seja a própria raça dos bichanos. Sei lá.
Mas eu falava sobre lavar roupas...
Mamãe adorava lavar roupas e eu gosto também. É uma terapia, às vezes.
Separar roupas de cor, brancas, delicadas, pesadas...
Transpiro muito durante a noite e geralmente preciso me levantar para trocar toda a cama e o pijama; até tomo outro banho de madrugada.
Já reparei que essa sudorese excessiva acontece quando acordo com fome de madrugada, quando janto muito cedo ou como muito leve. Acho que é preciso comer comida com "sustança", como diria papai. Deve ser isso.
Tenho tido muitos episódios de hipoglicemia (falta de açúcar no sangue) e não sei se isso é mais ou menos perigoso que a hiperglicemia (excesso de açúcar/glicose no sangue).
Não sei também se é isso que está causando toda essa transpiração noturna. Acordo com frio, fome, com o corpo molhado e os lençóis encharcados.
Jantei bem e espero que possa dormir sem ter que acordar no meio da noite sentindo fome. Comi arroz, feijão, batata, cenoura, tomate e filé de peixe. Estou com vontade de comer uma coisinha doce.
Amanhã terei um longo dia e tomara que o trânsito esteja bom como estava hoje à tarde; de manhã estava um caos.
A gataiada está deitada ao meu lado e estão todos encolhidinhos. Tão lindos.
Amanhã terminarei de lavar as roupas e precisarei concertar alguns varais.
É isso.


                                      

sábado, 15 de junho de 2013

Santa Catarina

                                


Dia frio e cinzento hoje, bem ao modo paulistano. Dias assim deixam São Paulo mais São Paulo ainda. Adoro. 
Venho lá do Sertão quente, seco, esquecido por Deus e pelos homens, principalmente, mas tenho uma queda pelo frio, pelos ventos frios, pelo cinza. Acho que sou assim meio cinza, não sou colorida, não sou de chamar a atenção.
Isso explica o gosto pelo frio, pelo cinza, pela chuva.
Sonhei hoje caminhando por uma cidade praiana muito bonita. Era uma cidade deserta, fantasma; não tinha moradores, mas tinha muita gente olhando o mar. As casas estavam abandonadas, havia algumas já bem destruídas, outras ainda intactas. Roupas no varal sacudiam fortemente ao sabor dos ventos. Ventava muito.
Mas eu percebia em minhas caminhadas por essa cidade que em uma determinada casa os ventos eram mornos e mais delicados e não entendia porque as roupas foram estendidas no varal do lado de fora, onde ventava bem mais forte e fazia muito frio.
As pessoas por ali nada falavam, apenas observavam o mar. Era como se um dia tivessem morado ali e foram apenas para visitar ou se despedir.
Era uma baía azul, com casa brancas de janelas azuis.
Os ventos me fizeram lembrar de Ilha Comprida (SP) e das praias de Santa Catarina.
A partir do litoral sul de São Paulo as águas são frias e o vento é mais forte. Estive em Santa Catarina durante o verão e lá os ventos são fortes e por isso atraem os surfistas. Durante a noite esfria bem e mesmo em dias ensolarados as temperaturas são amenas, bem opostas às esturricantes temperaturas do Norte e Nordeste.
Quero conhecer as praias do Rio Grande do Sul e quanto mais desertas e frias, melhor.
As pessoas vão à praia, principalmente no eixo Rio-São Paulo, para exibir seus belos corpos, seus biquínis e acessórios de marca; raros vão apenas para ver e apreciar o mar.
Eu aprecio e adoro o mar.
Vontade de pegar uma estrada para ir de encontro ao mar.
Quero conhecer a Praia da Joaquina, em Santa Catarina. Reza a lenda que Joaquina era uma rendeira que adorava o mar. Subia as dunas para fazer suas rendas enquanto olhava o mar e um belo dia uma onda veio e a levou. 
Bonita lenda.
Sei lá, dias frios e cinzentos me deixam mais cinza ainda.
Preciso ver o mar azul, verde, cinza...

sábado, 18 de maio de 2013

Éramos

                                 


Mamãe tem estado muito presente recentemente. Devem ser as preocupações com os filhos que sempre a preocuparam tanto.
Não estamos tão bem; uns de saúde, outros devido a problemas financeiros, outros com problemas que envolvem tudo isso e algo mais.
Sonho muito com mamãe e, como era de se esperar, ela está sempre trabalhando, sempre ocupada, sempre envolvida com algo.
Estávamos em uma casa simples, antiga, limpa e precisando de algumas reformas. Janelas meio quebradas, portas e gavetas tortas e precisando de novos puxadores e maçanetas, guarda roupas e cômodas velhinhos e muito usados. Tudo muito simples, mas muito limpinho.
Eu chegava de algum lugar e encontrava mamãe arrumando as roupas; mamãe adorava cuidar das roupas. 
Roupas branquinhas, muito bem lavadas e passadas por mamãe. Mas no meio da roupa branca eu encontrava meus dois aventais, um rosa e um azul, e dizia para mamãe que eles estavam sujos de pó de giz e não deveriam estar juntos com a roupa branca. Pensei comigo: "Acho que mamãe se confundiu".
Vou até a sala e tento abrir uma janela, mas metade dela está meio caída e tenho receio de abri-la, quebrar o vidro e papai vir com as broncas e sermões dele.
Começa a cair uns pingos de chuva e decido tirar uns travesseiros e almofadas que estavam no quintal para tomar sol. Penso comigo que papai não teria tempo de cuidar dos travesseiros e almofadas e ficará feliz por eu ter lembrado de fazê-lo.
Estamos eu e mamãe e depois chegam papai e meus irmãos, um a um. Foi uma sensação tão boa, meu Deus.
Estávamos todos na mesma casa, ao lado de papai e mamãe. Éramos apenas filhos de papai e mamãe. Éramos todos livres de problemas, de doenças, de achaques e dores físicas e emocionais. Apenas éramos.
Éramos livres. Não tinha o peso da vida e do tempo a nos pesar e a machucar os ombros.
Éramos uma família e chegávamos à casa simples um a um. Era um reencontro tão bonito, tão cheio de amor, paz, união, alegria.
Éramos apenas filhos de papai e mamãe.
Não tínhamos doenças, problemas, mágoas, dores, revoltas... nada disso. Éramos livres de tudo o que nos prende e nos faz sofrer nesse mundo "véio" de meu Deus. Apenas éramos.
Havia tanta leveza, tanto bem querer, tanto dengo, lundu, amor...
Tanta paz e serenidade.
Éramos apenas os seis filhos de papai e mamãe.



                                           


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Bonitinho

                                          

Horário eleitoral supostamente gratuito; pagamos tantos impostos que duvido muito que alguma coisa vinda de políticos seja de fato gratuita.
Zapeava pelos canais pagos e parei em um filminho bonitinho-romântico-adolescente; havia outros filmes, mas a maioria era meio de terror. Eu já gostei muito de filme de terror e ria muito com as situações, que são sempre as mesmas: é noite, acaba a luz, chove, o telefone não funciona, o carro não funciona, alguém corre e cai e o vilão mascarado é sempre alguém que todo mundo conhece mas ninguém desconfiava.
Uma vez assistíamos a um dos muitos filmes do Jason e a mocinha-vítima pega um aparelho de televisão e mete na cabeça do malvado e mesmo assim ele não fala nenhum um "ai"; meu irmão Naldão e eu rimos com a cena e ele diz: "Eu bateria no Jason com outra coisa, mas nunca que eu ia estragar uma televisão".
Mamãe entrou na conversa: "Oxe, então tu corre o risco de morrer mas garante que a televisão fique inteira, é Naldão?"
Bom...
Mas o filme bonitinho de ontem era sobre uma mocinha bonitinha, órfã e vítima das crueldades da madrasta e das irmãs mal ajambradas; uma Cinderela moderna.
A mocinha/atriz canta a trilha sonora do filme que aliás, é sempre a mesma dos filmes que mostram a mesma coisa: adolescentes divididos em grupos de pobres bonzinhos e ricos arrogantes; adolescentes pobres que se apaixonam pelos adolescentes ricos; adolescentes ricos que humilham e esnobam os pobres coitados... e por aí vai.
Tem o nerd que é amigo do adolescente pobre e sofre bullying também. Esses filmes são na verdade bullying transformado em mensagens positivas com frases feitas e de efeito: "Aquilo que procura tanto está dentro de você mesmo; nunca desista dos seus sonhos; você  é uma pessoa linda por dentro, um dia irão reconhecer seu valor, mas até lá lasque-se trabalhando, estudando, sendo bacana e se apaixonando pelo/a adolescente rico/a mas de bom coração".
No final do filme os malvados são punidos, os bonzinhos são admirados e os apaixonados ficam juntos.
Acabou o filme e mudei de canal, coloquei na Record para ver a estreia do programa Ídolos, ri muito. Tem gente que acha, pensa e acredita que sabe cantar mesmo; é cômico.
De dez rapazes, quinze foram vestidos à caráter: calça e camisa justas, cinto com fivela grandona, cabelos arrepiados e voz igual; cantaram o tal do sertanejo universitário. Quando é que eles vão se formar, hein?
Ri com a atitude maluquetes do Supla, que dizia: "Estou cansado de ouvir sertanejo, pelo amor de Deus!"
Ri com o comportamento exibicionista de muitos candidatos que queriam exibir suas qualidades e talentos a qualquer custo. Uma moça bonita cantou o que estamos cansados de ouvir e um dos jurados disse que ela é bonita e tem o perfil apreciado pela mídia e pelo público. Basta ser bonita, pra quê se preocupar com voz?
E por falar em voz e em beleza, vi entrevista de Paula Fernandes que é bonita e tem boa voz e a parte boa é que ela deu um jeito naquele cabelão exagerado à la Chayenne, agora ela precisa demitir seu figurinista/costureiro(a)/personal stylist/personal escolhedor de roupas... Li em algum jornal ou revista que a Paula Fernandes é uma das famosidades mais mal vestidas; fato. Ela usa umas blusas com cortes estranhos, com franjas, mangas bufantes, vestidos longos que parecem terem saídos do ateliê de Jacques LeClair da novela TiTiTi, lembram? Ah, ela também deveria abrir a boca ao cantar, não sei como ela consegue cantar com a boca fechada e os dentes trincados.
Bom, acho que era isso. Vou me recolher, estou meio moída. Depois volto com mais implicâncias e "inguinóranças".
É isso.

Laranja para o Halloween
                                       

                                             


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Fernando Pessoa

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. 
É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

                                         

terça-feira, 26 de junho de 2012

Frio

                                          


Faz muito frio aqui em São Paulo e na região sul do país.
Hoje o sol até que deu o ar de sua graça dourada, mas ontem o dia estava cinzento e com muita neblina.
Estava lembrando de uma tarde fria, cinzenta e chuvosa quando me preparava para ir à escola e do portão vi mamãe vindo lá no fim da rua acompanhada de uma prima nossa. Fiquei tão feliz!
"A senhora não vai trabalhar hoje de tarde, mãe?"
"Não filha, a patroa disse que hoje eu não precisava ir"
Mamãe trabalhava das seis da manhã às duas da tarde em um firma e depois ia para as casas de família e trabalhava o resto do dia.
"Então posso faltar na escola hoje, mãe?"
"Mas você não vai perder as lições, filha?"
"Depois eu copio de alguém".
Não era sempre que tínhamos mamãe em casa todos os dias, era só nos corridos finais de semana e era aquela correria para irmos à feira, ao supermercado, lavar roupas, limpar a casa... Mamãe estava sempre ocupada e estressada e vivia nos pedindo café e cigarro enquanto encarava o velho tanque áspero de cimento com aquela montanha de roupa para ser lavada.
Era tanta roupa, meu Deus, mas quando íamos para a escola usávamos o uniforme que não "emparava" o frio, como diziam mamãe e Mãevelha.  Era um tecido muito fininho e gelado e esfregávamos as mãos para gerar algum calor. As unhas e os lábios ficavam roxos de frio, era como se tivéssemos usado batom ou esmalte roxos.
Lembro que eu tinha uma cacharréu (eu falava caixa régua) de três cores que me lembrava um sorvete napolitano: branco, rosa e marrom. Era fininha e não aquecia muito e eu puxava as pontas das mangas para cobrir meus magros e longos braços. 
Uma vez a patroa de mamãe deu várias peças de roupas e calçados e na época estava na moda aquelas horrendas sandálias plataforma. Aquilo pode ser usado como arma!
Bom, entre as roupas havia um blazer a que chamávamos de paletó e era forrado e bem quentinho. Não tive dúvidas, vesti o blazer e calcei as sandálias plataforma e fui para a escola. A molecada me zuou, claro: "Aonde você vai com esse tamancão? Você veio pra escola com o paletó do seu pai?!"
Não vou colocar aqui o que eu respondi para a molecada.
No outro dia fui para a escola com meu Conga surradinho e com minha cacharréu napolitana; deixei o paletó e a sandália plataforma para doações.


                                            

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Escrever

                                     


Acho que sou melhor com palavras escritas do que com palavras ditas.
Ter que se explicar, tentar fazer o outro entender o que se quis dizer, geralmente surgem mal entendidos.
Sempre adorei ler, escrever, conhecer, saber, descobrir...
Queria muito contar para alguém meu novo aprendizado, minha nova descoberta, minha opinião.
Quando estava na escola prestava atenção a cada detalhe da aula e não via a hora de voltar para casa e contar tudo à mamãe. Mas ela estava sempre muito ocupada com aquela eterna montanha de roupa para lavar, os ouvidos ligados ao rádio e a mente a viajar por algum lugar de paz, conforto, felicidade.
Cresci e continuei faminta por conhecimento, é como se meu cérebro fosse dependente e entrasse em crise ao sentir-se vazio.
Aos quatorze anos já conhecia Kafka, Nietzsche, Goethe, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Oscar Wilde, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Machado de Assis, Rachel de Queiroz e tantas outras mente brilhantes da literatura brasileira e mundial.
Era nos livros que eu fugia do meu mundo de dor, críticas, culpa...
Lia escondido, era muito criticada por perder tempo com livros em vez de cuidar da casa e dos irmãos menores.
Como dizia mamãe: "Mateo que pariu, Mateo que balance", mas não era bem assim. Mamãe paria, e eu balançava.
Bom...
Sempre fui de poucos porém bons amigos. Não sou afeita à amizades excessivamente grudentas. Me chamam de anti-social, mas não sou, apenas gosto do meu espaço e detesto exageros.
Às vezes sinto uma vontade tremenda de falar sobre um livro que acabei de ler, um filme ou programa que vi, qualquer coisa... 
Tenho receio de passar a imagem errada, de ser julgada arrogante, metida, mas não sou.
Sou mal interpretada, sempre fui.
Escrever é melhor.
Clarice Lispector disse: "Eu não escrevo aquilo que quero, eu escrevo aquilo que sou".
Cazuza disse: "Escrevo para não falar sozinho".
Faço dessas minhas palavras.
É isso.


                                

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Lembranças Musicais: Guilherme Arantes

                                      


Ouvi muito rádio quando criança.
Paipreto, Mãevelha, mamãe e papai sempre com seus fiéis radinhos de pilha a tocar boa música brasileira e algumas estrangeiras também.
Ouvíamos muito Zé Ramalho, Fagner, Elis Regina, Caymmi, Chico Buarque, Caetano, Gil, Bethania, Djavan, Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Alcione, Beth Carvalho, Luiz Melodia...
Ouvíamos também Roberto Carlos, quando fazia música romântica bonita de dor de corno, antes de ficar brega-neurótico. Na boa.
Gostava e ainda gosto de Guilherme Arantes e adorava ouvir Êxtase, Meu mundo e nada mais, Um dia um adeus, Cheia de charme. 
Eu gostava da melodia meio estranha, melancólica e espacial (sic) da música Êxtase. Tinha-se a impressão que a música vinha de longe, muito longe; de alguma galáxia distante e à medida que se aproximava da Terra ia aumentando, crescendo. Mamãe lavando roupas no tanque e Mãevelha estendendo no varal, o rádio tocando Êxtase, eu olhando para o céu e imaginando a viagem austral da música.
Depois de mais velha vim a entender a letra e gostei ainda mais; dessa e das outras músicas de Guilherme Arantes.
É isso.
PS: Acho que há vida fora da Terra e os ETs tentaram alguma forma de contato, mas desistiram após desconfiarem que todos os terráqueos são meio maluquetes, ou tentaram encontrar algum terráqueo normal. Difícil.


Aurora Austral
                                          

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Vatapá, Acarajé, Mungunzá, Caruru...

                                        


Além da criatividade, do drama e do exagero, outra característica marcante da minha família é a coragem.
Papai sempre dizia: "Duas coisas que eu não conheço é medo e preguiça". 
Deus tá vendo.
Bom...
Houve uma época em que Rogério saia com os amigos e voltava muito tarde da noite e nessa mesma época mamãe e a vizinhança começaram a sentir falta de peças de roupas deixadas no varal.
Ouvia-se muitos comentários e histórias sobre uma gangue liderada por uma senhora de meia idade que saía à noite para praticar pequenos delitos. 
Numa madrugada de sábado para domingo Rogério chega em casa e vai direto para ao banheiro tomar banho. Estranhamos, pois nosso irmão costumava chegar e ir direto para a cama.
Na manhã seguinte, uma tia nossa vai ao tanque de lavar de roupas e vê uma calça comprida coberta com água e estranha a cor amarelada da água e pequenos objetos não identificados a boiar em sua superfície. O cheiro também chama a atenção de nossa tia que pega a calça com as pontas dos dedos e diz: "Oxe! Isso é m...!"
A tia relata o fato ocorrido e são iniciadas investigações para identificar o misterioso cagão.
Lembramos que na noite anterior nosso irmão Rogério chegou em casa e foi direto para o banheiro tomar banho. Bingo! 
Rogério apresenta sua defesa: fora à casa de um amigo e a distinta mãe do tal amigo, que era baiana, lhe oferecera iguarias típicas da culinária regional e não habituado ao forte tempero da terra do Senhor do Bonfim, sofre um revertério estomacal. Não deu tempo para chegar ao banheiro. 
Isso nós já percebemos.
Perguntamos que comida baiana ele havia comido e não sabendo responder, enrolava dizendo: "Vatapá, acarajé, caruru, mungunzá..."
O amigo de Rogério vai à nossa casa e não deixamos escapar a oportunidade de lhe perguntar que comida baiana sua mãe dera ao nosso irmão e ele disse que não tinha comida baiana nenhuma e que comeram pizza.
Nossas investigações continuam.
Uma vizinha fofoqueira vai á nossa casa e conta à mamãe que na noite anterior a gangue da senhora contraventora fazia suas excursões pelos quintais da vizinhança quando dão de cara com um rapaz alto, magro e branquicelo. Param todos: o rapaz e a gangue.
O rapaz paralisa-se de medo e a gangue paralisada pelo elemento surpresa.
A gangue retirou-se.
O rapaz cagou-se.