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sábado, 11 de julho de 2015

Exuberantes

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Muito, muito frio.
Levantei tarde; porque hoje é sábado. Os gatos adoram quando fico mais tempo na cama.
Sono agoniado, interrompido, entrecortado, reiniciado... 
Preocupações, angústias, temores...
A pressão que se mantem alta há dias, as dores articulares, a agonia em ter que esperar por autorizações, liberações e por uma vaga em meio à multidão que lota os consultórios do IAMSPE.
Sentimentos outros, tantos, muitos.
Levantei tarde e segui a rotina: cuidar dos gatos, fazer café, ligar a TV, reclamar da programação chata, deitar no sofá e ser cercada pelos bichanos que disputam meu colo quentinho nesse Inverno gelado.
Estou com muitos problemas, muitas vontades, muita esperança, tudo muito...
Queria encontrar um motivo pelo qual valesse mesmo a pena viver trancada em casa, com dores e dependo dos outros para tudo. Carro na garagem acumulando poeira e eu tendo que usar serviço de táxi, apertando ainda mais o orçamento. 
Remédios para comprar, contas para pagar, sentimentos a incomodar. 
Vontade de ir ao Carrefour para comprar minhas frutas, principalmente melão e maçã verde, e comprar também muitas daquelas plantinhas pequenininhas que, quando transplantadas para um vaso maior, ficam exuberantes.
Usei muitas reticências hoje.
É isso.



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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Trancado

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Mamãe tinha seu linguajar próprio para definir coisas indefiníveis. Como definir uma emoção, uma dor, esperança, medo, felicidade?
Mamãe dizia que tinha uma coisa trancada dentro dela, uma agonia, um incômodo. Uma sensação desconfortável que surgia de repente e não se sabia o porquê.
Tenho lido, escrito, assistido a filmes, programas de culinária e às vezes, simplesmente sento-me na cadeira lá fora com Rosinha no colo e aprecio o dia. A luz, as cores e suas tonalidades... um luar tão bonito hoje.
O som do silêncio interrompido pelo canto meio exagerado das maritacas que pousam no paredão, pelo miar dengoso dos gatos, pelos ventos brincalhões que balançam o mensageiro dos ventos (sic) e derrubam os vasos, pelo barulho dos carros que passam na Marginal Tietê...
Mas tem essa coisa trancada dentro de mim. Essa revolta, frustração, tristeza, sonhos e planos despedaçados...
Mas têm também esperança, força e fé, ou eu já teria sucumbido.
Quando tinha minha vida corrida, agitada e batia os quatro cantos do mundo, como dizia mamãe, eu não via a hora de chegar o fim de semana ou feriado só para eu poder ficar em casa e fazer o que mais gosto: arrumar e folhear meus preciosos livros ao som de Rock 'n' Roll e com meu xicrão de café. Gatos bagunçando, miando, querendo colo e atenção.
Se eu estivesse inspirada, ainda cuidaria das plantas e depois faria um bolo, pudim, torta, mousse ou uma guloseima qualquer. Adoro cozinhar.
Estou em casa, de licença médica, e bem que podia fazer tudo o que gosto porque estou com tempo livre, mas não tenho ânimo; não é assim que quero e gosto. Minha vontade não está livre.
Sinto-me como um animal enjaulado, como uma árvore podada.
Gosto de ficar só, mas gosto depois de ter feito todas as obrigações e correrias do dia, da vida. Ficar só assim é meio doloroso.
Têm os gatos, são muitos, eu sei, mas eles me ajudam a manter a sanidade, a manter o foco, como está em voga falar. Tudo é foco e foca. Vamos focar...
Dou bronca, tiro fotos deles, me preocupo quando não querem comer, fico brava quando não se entendem, fico preocupada quando a ração está acabando... É uma família.
O autor do livro "O Capa Branca", Daniel Navarro Sonim (é, eu estou muito chique), leu algumas postagens desse meu blog e disse que escrevo com sinceridade. Acho que é meu jeito de ser: honesto, sincero, simples e sem rodeios ou floreios.
Gostei do que ele disse.
Eu tinha dúvidas, receio e até certo medo de escrever sobre meus sentimentos, revoltas, frustrações, medos, fé, esperança e tudo o que nos faz humanos, demasiado humanos. Pensei comigo mesma: "Será correto falar sobre esses temas? Falar sobre as mudanças e problemas que a Acromegalia trouxe e causou no meu corpo e na minha alma? Será que as pessoas entenderiam? Me julgariam?".
Resolvi arriscar e escrevo sinceramente desde então.
Por coincidência, não existem coincidências, dizem, peguei o"Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, e me vi refletida em alguns temores, pensamentos e sentimentos do autor. Poxa vida, eu não sou a única a se sentir só no meio da multidão! Clichê, mas verdadeiro.
Já me vi em tantos textos angustiados de Fernando Pessoa, Kafka, Goethe, Nietzsche... Não, não sou chique, sou leitora voraz, sou apaixonada por livros.
Eu queria um café, mas dizem que tira o sono. Mas com ou sem café o sono só chega lá para de madrugada, depois que o peso trancado torna-se insustentável e corpo e alma se cansam e adormecem.
É isso.



                                  Resultado de imagem para esperança e fé



                                              



sexta-feira, 20 de março de 2015

Blue

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Muita chuva. Friozinho.
Blue está doentinho, não comeu nada hoje e nem tomou água. 
Está com o corpinho frio; o agasalhei bem. Estou preocupada.
Já fiz meus pedidos e orações, é claro. Não gosto de ver ninguém sofrendo, principalmente seres inocentes como crianças e animais.
Senti uma tristeza boba esses dias e quando sinto essa tristeza boba, é sinal de que algo chato vai acontecer. Blue, a cor azul em inglês, é também sinônimo de tristeza, na cultura anglo-americana.
Outro fator curioso e inerente à condição humana: Como algo bom pode nos fazer mal? Nos deixar melancólicos, nostálgicos e nos remeter à memórias, lembranças e tantos outros sentimentos ao mesmo tempo bons e ruins.
Quase meio século de vida, mas têm certas coisas que eu não sei dizer.
Vontade de comer pizza, se bem que não tem uma pizzaria nesse bairro que "se diga benza-te Deus". Deixam muito a desejar: massa crua, insossa, pouco recheio...
Acho que vou preparar um spaghetti.
Meio triste. Sei lá.
É isso.

Se no crepúsculo da memória nos encontrarmos novamente, de novo conversaremos, e cantareis para mim uma canção mais profunda.
E se nossas mãos se encontrarem em outro sonho, construiremos outra torre no céu.

Gibran Khalil Gibran




                                           
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domingo, 19 de maio de 2013

Inquietação - Escrever

                                    


Havia desligado e guardado o computador, estava tudo chato e monótono.
Ligo a TV e continua tudo chato e monótono.
Uma inquietação me invade, toma conta de mim e não tinha programa de TV, leitura, música ou qualquer outra coisa que me acalmasse; precisava fazer algo que me acalentasse e decidi escrever.
Peguei o computador e o liguei novamente e já escrevi algo. Senti certo alívio.
Tenho tido dias difíceis, tristes, pesados, preocupados... Meu Deus.
Não gosto dessas agonias, angústias, medos, incertezas, saudades...
Escrevi sobre o belo, calmo e tranquilo sonho com mamãe e meus irmãos e comecei a me sentir melhor. Acho que era isso, eu precisava escrever, eu precisava falar e só teria sossego quando escrevesse. Pediam para que fosse escrito. Alívio para as inquietações.
Já teve gente que me questionou porque eu escrevo sobre outras coisas se meu blog é só sobre Acromegalia. Então, segundo essa gente,  eu deveria escrever só, apenas e tão somente sobre Acromegalia.
Ainda segundo essa gente, eu não deveria e não poderia escrever sobre outros temas, não poderia criticar artistas, filmes, novelas e afins. Eu deveria apenas ater-me ao meu blog
Parafraseando Marcelo Rezende: "Aí eu lhe pergunto: E de quem é o blog?!"
Na boa.
Escrevo porque sou melhor com palavras escritas, não sou muito boa com palavras ditas.
Escrevo porque não caibo em mim e transbordo em sentimentos travestidos de palavras escritas.
Escrevo porque é preciso. Porque preciso.
Meu Deus, tem um certo desassossego a me torturar.


                                     

                         
                                      

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Cemitério Particular

                                    

Há tempos estou para escrever essa postagem, mas adiei inúmeras vezes achando que não deveria ou que era cisma minha, mas não é não.
Explico...
Uma de minhas qualidades e defeitos é o hábito de sentir tudo muito intensamente. Quando gosto, gosto pra valer, mas quando deixo de gostar não tem Cristo que me convença do contrário.
E o sentimento gostar não refere-se apenas às relações amorosas entre duas pessoas, refere-se também às relações familiares e de amizades.
Um hábito que tenho é o de "matar" as pessoas dentro de mim e enterrá-las em meu cemitério particular. Continuo a falar com a pessoa "falecida", continuo a manter um relacionamento educado, porém frio e distante e sem o mesmo bem querer de outrora.
Para mim é muito difícil "desenterrar" essas pessoas e voltar a gostar e a confiar da mesma forma que confiei e gostei antes. Como trata-se de um cemitério particular, posso enterrar e desenterrar as pessoas de acordo com meus sentimentos e vontade, mas nunca desenterro ninguém.
Visito seus túmulos, mas as mantenho enterradas, uma vez mortas, fica apenas a memória distante do que foi um dia.
Admito que sou de extremos, não gosto de delongas e embromações. Sou também de poucas amizades, não sou Roberto Carlos, não quero ter um milhão de amigos. Sou de poucos, porém bons amigos.
Cada pessoa tem seu modo próprio de lidar com sentimentos, emoções e com suas vidas; e eu não sou diferente. 
Eu também devo estar em algum cemitério particular de alguém.
Sempre nos perguntamos se as pessoas pensam o mesmo que pensamos, da mesma forma que pensamos. Escondemos essa dúvida dentro de nós e seguimos nossas vidas sem nos aperceber que todos nós, de uma maneira ou de outra, temos as mesmas dúvidas e nos fazemos as mesmas perguntas.
Será que além de mim outras pessoas também têm seus cemitérios particulares?
Creio que sim.
Somos humanos, demasiado humanos.
É isso.

                                

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Corpo Acromegálico

                                               


Estou conversando/escrevendo/trocando informações com pessoas de várias partes do mundo. Acho muito bacana o suporte, o apoio e o divulgar sobre doenças e outros problemas de saúde. 
Aqui no Brasil não vi muito apoio e nem informação sobre Acromegalia e acromegálicos. 
Tenho encontrado e conversado com pessoas muito bacanas e que passam pelas mesmas agruras pelas quais passo: cansaço, diabetes, pressão alta, inchaço e dor nas juntas e uma série de outros problemas advindos da Acromegalia.
Não pretendo aqui bancar a vítima, quero apenas dividir e somar conhecimento, compreensão e respeito.
Acromegálicos também têm sentimentos.
É isso aí. 


Parafusos e hastes na minha coluna







Inflamação no osso Tarso do pé esquerdo




Meu cérebro




Meu joelho com artrose