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sexta-feira, 20 de março de 2015

Blue

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Muita chuva. Friozinho.
Blue está doentinho, não comeu nada hoje e nem tomou água. 
Está com o corpinho frio; o agasalhei bem. Estou preocupada.
Já fiz meus pedidos e orações, é claro. Não gosto de ver ninguém sofrendo, principalmente seres inocentes como crianças e animais.
Senti uma tristeza boba esses dias e quando sinto essa tristeza boba, é sinal de que algo chato vai acontecer. Blue, a cor azul em inglês, é também sinônimo de tristeza, na cultura anglo-americana.
Outro fator curioso e inerente à condição humana: Como algo bom pode nos fazer mal? Nos deixar melancólicos, nostálgicos e nos remeter à memórias, lembranças e tantos outros sentimentos ao mesmo tempo bons e ruins.
Quase meio século de vida, mas têm certas coisas que eu não sei dizer.
Vontade de comer pizza, se bem que não tem uma pizzaria nesse bairro que "se diga benza-te Deus". Deixam muito a desejar: massa crua, insossa, pouco recheio...
Acho que vou preparar um spaghetti.
Meio triste. Sei lá.
É isso.

Se no crepúsculo da memória nos encontrarmos novamente, de novo conversaremos, e cantareis para mim uma canção mais profunda.
E se nossas mãos se encontrarem em outro sonho, construiremos outra torre no céu.

Gibran Khalil Gibran




                                           
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Suflê

                                  




Mais um domingo...
Fiquei em casa, ouvi Rock, lavei roupas, fiz café, comi panetone, assisti TV, cozinhei.
Foi mais um domingo solitário, mas eu gosto de ficar só algumas vezes.
Assisti a alguns programas de culinária e depois fico com vontade de comer as guloseimas que são preparadas.
Fiquei com vontade de comer macarrão e cozinhei spaghetti. Fiz suco de melão com limão. 
Melão é uma fruta difícil de saber/reconhecer quando está boa para o consumo; comprei um melão grande e bonito mas estava ressecado por dentro e o jeito foi fazer suco.
Os gatinhos miando aos meus pés enquanto eu estava na cozinha preparando meu macarrão; os danadinhos já sabem pedir ração e sabem que quando vou para a cozinha é que alguma coisa boa vai sair dali.
Eles estão sapecas, bagunceiros, arteiros, muitos fofos e lindos. Exploram todos os cantos da casa, brincam com as plantas e quebram folhas e galhos, mordem fios, puxam o rabo fofo e peludo de Ébano Nêgo Lindo; tudo para eles é festa e novidade. Mas meu neguinho lindo não vê assim e reage com patadas.
Todas as crianças são curiosas, arteiras e sapecas, não importa a que espécie animal pertençam.
Havia visto uma receita de suflê de chocolate no programa Mais Você, da Ana Maria Braga, e fiquei com vontade.
Suflé é um prato que eu sempre tive vontade de experimentar, mas eu tinha medo de fazer. Parece que todo suflê murcha quando esfria.
A receita, bem fácil de fazer, pedia marshmallow mas eu não tinha o doce e também não gosto muito. Fiz apenas com o chocolate e ficou bom. É claro que murchou depois, mas mesmo assim ficou um bolo fininho, muito fofo, molhadinho e delicioso.
A receita também pedia uma calda de chocolate para disfarçar e preencher aquele espaço que fica entre o suflê murcho e a borda da forma, mas eu não fiz calda nenhuma e comi o suflê com sorvete de brigadeiro. Ficou bom.
Bom...
Mais um fim de semana que se vai e o próximo abuso só no próximo fim de semana. Durante a semana é quase tudo natureba e inicio o dia com granola e iogurte de soja. Delícia.
É isso.





                                   



domingo, 2 de junho de 2013

Spaghetti, Rock, Leão do Norte e Calango

                                 


Chove, muito frio, gataiada encolhida, Rosinha no meu colo e Alice ao lado sobre seu inseparável cobertor azul.
Fiz meu café forte e doce na medida, fiz torradas com meu pão de soja e aveia, bagel também. 
Penso em preparar um macarrão, um spaghetti com molho de tomates frescos, bem madurinhos. Apenas cebola, alho, tomate, sal e azeite de oliva. Nada químico, artificial e que "ofenda o istambo da gente", como diria papai.
Papai não gostava de molho de tomate pronto que à nossa época era chamado de extrato de tomate. Hoje há uma infinidade de marcas, temperos e sabores.
Papai dizia que o extrato de tomate era muito azedo (ácido) e "atacava" o estômago dele, causava-lhe azia e má digestão.
Levantei-me um pouco tarde, hoje é domingo, detesto domingos. Deus me perdoe, diria mamãe.
Zapeava pela TV, como sempre faço. Nada que preste. Gosto da Regina Casé e acho que o programa dela, "Esquenta", é um excelente veículo de divulgação de outras culturas, culturas de massa. 
O programa mostra a música, a dança, a cultura e a própria existência de outros grupos sociais que ficam escondidos nos morros cariocas, no interior do país e nas periferias das grandes cidades.
É um trabalho muito bacana que o programa e a Regina Casé fazem. Mas confesso que admiro o trabalho dela e o programa, mas não posso dizer o mesmo das músicas que lá são tocadas/cantadas. Na boa e com todo o respeito.
Não me apetecem as músicas horrendas com sílabas repetidas à exaustão por grupos de moleques do morro. Inferno ter que ouvir o tal do "leleque, leque, leque...". Jesus tenha piedade. Amém.
E os tais dos bondes então. Para mim, bonde era um meio de transporte inicialmente puxado por cavalos. Aí me colocam umas criaturas estranhas rebolando e dão-lhes o nome de "bonde das maravilhas". Que bonde? Que maravilha?!
Não, não dá. Respeito, mas não dá.
Continuei zapeando e paro num canal que nunca vira antes, o canal BIS. Para mim bis é um delicioso wafer coberto com chocolate.
Paro no tal canal ao ver Simon & Garfunkel cantando ao vivo "Like a bridge over troubled water". Lindo!
Depois cantam e tocam brilhantemente U2, Bruce Springsteen, Metallica, Ozzy Osbourne, Jeff Beck, um estupendo guitarrista, Sting, Mick Jagger, B.B.King e outros "velhinhos" da boa e velha música mundial. Rock, Metal, Folk Song, Pop...
Música boa tocada e cantada por gente talentosa de verdade. A música atual anda tão repetitiva e chata, não à toa grandes sucessos de décadas atrás são regravados com nova roupagem e são usados em abertura de novelas.
Foi muito bom ver e ouvir os bons, ainda mais em um frio e chuvoso dia de domingo.
Estou melhor hoje, tomei os remédios e ando com mais liberdade e segurança. Sempre digo que sou Mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco, sou Leão do Norte, mas ultimamente estou mais para Calango do Sertão.
Vou alimentar meus tigres disfarçados de gatos e preparar meu macarrão com molho de tomate natural.
Esse texto ficou meio maluco, não ficou?
É isso.

Calango
                                     



domingo, 27 de maio de 2012

Itália

Paróquia de Casa Luce
                                              
Papai tinha orgulho de dizer que era nordestino neto de "intaliano", além de pernambucano, palmeirense e macho! Exatamente nessa ordem.
São Paulo é a cidade mais italiana fora da Itália e a partir do mês de maio podemos apreciar a cultura, a música, a alegria e principalmente a culinária italiana nas festas típicas de Casa Luce, San Genaro, San Vito, Achiropita e quermesses de bairro.
Muito macarrão, vinho quente, quentão, bolos, doces, jogos e muita alegria.
São festas juninas que trazem o melhor do sertão com o melhor da Itália e esquentam as frias noites do outono/inverno paulistano.
Ontem fomos eu, minha irmã Rosi, meu cunhado Pepê e minha sobrinha Beatriz à Festa de Casa Luce (Casa de Luz) no bairro do Brás, um bairro tipicamente italiano mas que recebeu e recebe migrantes e imigrantes de outras paragens: italianos, nordestinos, coreanos, bolivianos...
São Paulo está sempre de braços abertos a receber gente dos quatro cantos do mundo.
Passeamos pela Rua Caetano Pinto, entramos na Paróquia de Casa Luce e depois fomos degustar uma bela macarronada da mamma ao som de belas canções italianas.
São canções conhecidas por nós, pois ouvíamos no rádio que ficava sempre ligado quando mamãe ficava em casa. Adorávamos quando mamãe saía mais cedo do trabalho ou quando não ia trabalhar. Ela trabalhava em casa, e muito, mas estávamos em sua companhia, para nossa alegria.
Músicas como "Torneró, Io que amo solo te, Dio come ti amo, Roberta, Champagne" eram tocadas no rádio e cantávamos num italiano improvisado. Algumas músicas também foram temas de novelas e é muito bom ouvir de novo boas canções.
Fotografei a capela, o cantor de bela voz e Beatriz se deliciando com o macarrão.
Rosi perguntou se ela queria mais alguma coisa e ela disse: "Não, mãe. Eu vou si matar com esse spaghetti aqui".
E enquanto definíamos o cardápio, eu pergunto à Beatriz se ela queria macarrão e ela disse: "Macarrão não, eu quero spaghetti".
É isso.


Beatriz degustando o macarrão da mamma