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terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Kiss

                                     



Liguei o rádio e tocava "Love it loud" da banda Kiss; viajei no tempo.
Era o ano de 1983, eu tinha dezesseis anos e estava no Ensino Médio, o colegial da época, e gostava de MPB e Rock. 
A banda de Rock Kiss viria ao Brasil pela primeira vez e faria diversos shows pelo país. As rádios FM tocavam as músicas da banda e sorteavam discos, camisetas e ingressos para os shows... Eu adorava o Kiss.
Comprei revistas com letras traduzidas das músicas, colei fotos da banda no meu caderno... eu gostava mesmo.
Mas eis que grupos de puritanos, religiosos e de mães preocupadas com a moral e os bons costumes da sociedade e de seus filhos criaram um movimento "anti Kiss" alegando que a banda era satanista e aconselhando aos pais que não permitissem que seus filhos fossem aos shows.
Uma colega pegou meu caderno e disse que eu deveria jogar fora a foto da banda, que o nome Kiss era uma sigla para adoradores do coisa ruim, que Rock foi inventado pelo coisa ruim também e blá, blá, blá...
Continuei ouvindo e gostando de Rock e MPB dos bons e imagino o que diriam esses grupos puritanos se conhecessem/ouvissem a música atual, tanto a brasileira quanto a internacional. Isso sim é coisa do tinhoso!
Funk nojento com letras nojentas, sertanojo universitário a la Gustavo Lima e você, pagode lá, lá, iá... 
Sai de retro!
Semanas atrás li no Estadão que bandas antigas de Rock foram premiadas por seus álbuns e trabalhos atuais. Os caras já estão todos uns "tiozões" sessentões e setentões e continuam mandando bem.
Quem é bom não vira moda ou modismo passageiro, quem é bom fica, permanece.
E louvado seja o Rock 'n' Roll... e a boa e velha MPB também. 
Amém.
É isso.


                                        

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Faz parte do meu show

Mais uma noite insone. Isso já está virando moda; parece que peguei gosto pela coisa.
Mas não é não.
São os vizinhos barulhentos e sem educação mesmo.
São vizinhos musicais também.
O vizinho da esquerda - à esquerda da minha casa; não trata-se de preferência política - tem o gosto musical variado; ora é sertanejo, ora é pagode, ora é MPB. Prefiro a velha e boa Música Popular Brasileira.
Mas às vezes o musicalíssimo vizinho abusa. Ligou o aparelho de som às sete horas da manhã e só o desligou às cinco horas da tarde! Acho que ele está apaixonado ou com dor de cotovelo, pois tocou e retocou a mesma música sertaneja-de-dor-de-corno cinco vezes!
Consegui até memorizar alguns trechos da música de dor de cotovelo.
O pior é ter que ouvi-lo cantando junto. Jesus!
Já o vizinho da direita tem um gosto musical que é um desgosto.
Sei que gosto não se discute, se lamenta; mas o pobre vizinho acha que está abafando com suas músicas horrendas tocadas em alto e bom volume.
Também acho emocionante o desapego material desses vizinhos: eles dividem suas músicas comigo e com os outros moradores e com quem tiver o azar de passar pela rua.
É tocante. Literalmente tocante.
Será que meus vizinhos musicais estão preocupados com nossa conta de luz e/ou com o fato de alguns vizinhos - eu - não termos aparelhos de som? Acho que sim. E por causa disso eles tocam suas músicas para que todos possamos ouvi-las - obrigatoriamente - e apreciá-las (nem por um decreto ou sob tortura!).
As músicas parecem sempre serem as mesmas. Acaba uma e começa outra e tem-se a impressão que é a mesma música que demora muito a acabar. É aquele tum tumm desgraçado acompanhado de uma voz masculina e outra voz feminina, ambas esganiçadas e medonhas.
São versões horrendas de sucessos internacionais que por sua vez também são de gosto duvidoso.
Sou do tempo em que cantava quem sabia cantar, hoje basta ter um corpão, uma carinha bonitinha e um Q.I. de ameba invertebrada e acerebrada e pronto, já temos um novo sucesso!
Minha Nossa Senhora do Chuveiro, dai-me resistência !!!
Mas...
Há os raros bons momentos musicais. Hoje mesmo, por exemplo, acordei ao som de Faz parte do meu show, de Cazuza. Sabe quando a gente está dormindo e acorda aos poucos, como se deixasse lentamente o mundo dos sonhos e caminhasse em direção a esse nosso mundo real?
Nossa! Bonito isso,hein?
Fez-me lembrar também do livro Música ao longe de Erico Veríssimo; "Um amor que não tem forma é como uma música ao longe..."
Bom. Acordei ao som dessa bela música de Cazuza e lembrei-me de minha avó Mãevelha. Era Maria Higinia, mas para nós os netos e bisnetos ela era simplesmente mãevelha.
Mãevelha gostava de Faz parte do meu show,principalmente da parte que diz "Te levo na escola e encho tua bola com todo meu amor..."
Ela dizia, enquanto fazia seus crochês com os gatos aos seus pés brincando com o novelo de linha: "Olha só que música interessante, minha filha. O rapaz vai levar a moça pra escola".
Acordei meio brava por ter o sono interrompido mas também rindo pela lembrança de minha avó.
Minha família é musical e a música e sua musicalidade fazem parte de nosso show.
Os vizinhos musicais que os digam!