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sábado, 8 de novembro de 2014

Barulhinho Bom

                               


Estava muito cansada e dormi ao som da chuva.
Havia ido ao banco, Correios e à casa da minha irmã para me divertir com as artes da minha sobrinha Beatriz.
O problema é o entra e sai do carro e a calçada da agência é inclinada e não tem corrimão. Deveria ter ido ao pet shop onde compro fiado, aliás, o que tenho mais feito é comprar fiado, graças a Deus, mas estava já cansada e fui direto para a casa da minha irmã.
Voltei para casa à noite, alimentei a bicharada que sabe quando chego, tomei banho e sentei para assistir TV.
Fui para a cama mais cedo, estava tão cansada e dolorida. Gataiada comigo e ouvimos o som da chuva; barulhinho bom.
Apreciando a melodia das águas que batiam forte no telhado e assim adormeci. Acordei com os latidos dos cachorrinhos da vizinha amarga e fiquei com dó dos bichinhos. Não sei se latiam de fome, frio ou se queriam escapar do confinamento. Ou todas as alternativas.
Fiquei na cama com os gatos e me levantei tarde; hoje é sábado.
Fiz meu café e comi bolo que ganhei da minha irmã. Pretendia fazer serviços domésticos, mas mudei de ideia e decidi ficar de boa, como dizem os alunos.
Vou fazer pequenas coisas que gosto: escrever, ler, cuidar das plantas, plantar milho para os gatos... Às vezes, muitas vezes, acabo me dedicando à uma única atividade e assim passo o dia todo mexendo e arrumando as plantas ou os livros ao som de uma MPB e do bom e velho Rock 'n' Roll.
Gosto das coisas simples, já disse Mário Quintana.
É isso.


                                      

segunda-feira, 24 de março de 2014

Samba

                                 

Minha irmã e meu cunhado prepararam um delicioso churrasco em comemoração, e bebeção, ao meu aniversário; foi ótimo.
Na TV tocava o DVD Samba Book de Martinho da Vila, um dos grandes ícones do samba carioca, e depois foi a vez de Zeca Pagodinho, um cara que gosto bastante.
Sim, gosto de Rock e MPB, mas gosto também de um bom samba, de um bom sertanejo de raiz e não essas aberrações que existem por aí.
Batuque, tambores, samba bom.
Batuque de tambores que remetiam às belíssimas religiões Afro Brasileiras.
Mas como nem tudo por ser perfeito, colocaram para "miar" a chata, insossa e "mole" Fernanda Abreu. Na boa.
Essa moça não canta, enrola. O forte sotaque prejudica a dicção e fica difícil acompanhar o ritmo, cantar junto...
Bom, mas a grande maioria foi excelente: Mart'nália, Zeca Baleiro, Diogo Nogueira lindão...
Ganhei um delicioso bolo com a bandeira do Brasil, ganhei um delicioso abraço da minha inteligente, terrível e linda sobrinha Beatriz.
Cantamos as músicas do filme Meu Malvado Favorito e foi muito divertido.
Foi um domingo frio, cinzento e chuvoso, mas com alegrias coloridas.
Somos responsáveis por aquilo que cativamos, já disse o Pequeno Príncipe.
É isso.




quinta-feira, 6 de março de 2014

Roqueira

                                            


Quando esteve aqui Natal passado, minha sobrinha Maria Julia perguntou que tipo de música eu gosto de ouvir e respondi que gosto de MPB e Rock.
Ela parou por um momento, pensou e disse: "Mas tia Rejane, quem é roqueiro só se veste de preto, usar aquelas botonas (coturno), usa correntes e um monte de coisa assim. Você não se veste como roqueira, então você não pode ser roqueira!"
Disse a ela que a gente não precisa seguir um modismo só para provar algo para alguém. Podemos gostar das coisas do nosso jeito e o fato de gostar de Rock não me obriga a me vestir como uma roqueira malucona. Sou uma roqueira discreta.
Entendi.
É isso.


                                          

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Kiss

                                     



Liguei o rádio e tocava "Love it loud" da banda Kiss; viajei no tempo.
Era o ano de 1983, eu tinha dezesseis anos e estava no Ensino Médio, o colegial da época, e gostava de MPB e Rock. 
A banda de Rock Kiss viria ao Brasil pela primeira vez e faria diversos shows pelo país. As rádios FM tocavam as músicas da banda e sorteavam discos, camisetas e ingressos para os shows... Eu adorava o Kiss.
Comprei revistas com letras traduzidas das músicas, colei fotos da banda no meu caderno... eu gostava mesmo.
Mas eis que grupos de puritanos, religiosos e de mães preocupadas com a moral e os bons costumes da sociedade e de seus filhos criaram um movimento "anti Kiss" alegando que a banda era satanista e aconselhando aos pais que não permitissem que seus filhos fossem aos shows.
Uma colega pegou meu caderno e disse que eu deveria jogar fora a foto da banda, que o nome Kiss era uma sigla para adoradores do coisa ruim, que Rock foi inventado pelo coisa ruim também e blá, blá, blá...
Continuei ouvindo e gostando de Rock e MPB dos bons e imagino o que diriam esses grupos puritanos se conhecessem/ouvissem a música atual, tanto a brasileira quanto a internacional. Isso sim é coisa do tinhoso!
Funk nojento com letras nojentas, sertanojo universitário a la Gustavo Lima e você, pagode lá, lá, iá... 
Sai de retro!
Semanas atrás li no Estadão que bandas antigas de Rock foram premiadas por seus álbuns e trabalhos atuais. Os caras já estão todos uns "tiozões" sessentões e setentões e continuam mandando bem.
Quem é bom não vira moda ou modismo passageiro, quem é bom fica, permanece.
E louvado seja o Rock 'n' Roll... e a boa e velha MPB também. 
Amém.
É isso.


                                        

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A Rocha

                                      



Rocha -  um mineral, pedra.
Roxa - cor. Simboliza espiritualidade, magia...
Arrocha - verbo usado no Nordeste, significa apertar/ apertado. Sinônimo de "ligadinho", muito justo, muito agarrado, muito arrochado.
Por exemplo: "Fulano gosta de usar roupa muito ligadinha... Essa calça está muito arrochada".
Arrocha - Maldito gênero musical e dança brasileira originário da Bahia. Senhor, tenha piedade.
Os estados da Bahia e Goiás são campeões nacionais de produções musicais de gosto duvidoso. É o tal do sertanejo universitário de um e os ritmos dançantes e maçantes do outro.
O pior é que isso se espalha igual a praga na lavoura e empesteia o resto do país. Eu que o diga!
Vizinhos ouvem essa maldição todos os dias e até memorizei algumas dessas pérolas: " Arrocha, arrocha, arroooooochaaaaaaaaaaaaa..."
É o tempo todo! Na vizinhança e até no trânsito; todos os rádios dos carros estão ligados nessa coisa, tocam essa coisa.
Voltava ontem para casa e parei no farol; o carro ao lado tocava Lobão, "Me chama". Eu quase desci para abraçar o motorista! 
Olhei e vi um cinquentão e logo imaginei: "É do meu tempo, só alguém assim para ter bom gosto, conhecer e ouvir, Lobão, Zé Ramalho, Legião Urbana, Barão Vermelho e toda essa velharia boa".
Sigo pela avenida e outro carro ao lado toca Zé Ramalho; entro na rua à direita e alguns rapazes lavam o carro que toca Faith No More e depois Alice In Chains. Que dia feliz!
Eu sei que gosto não se discute e que todos temos o direito às nossas escolhas, mas o problema reside justamente em querer compartilhar com os vizinhos e com o resto da humanidade esses gosto!
Eu gosto de Rock e MPB mas não toco as músicas em altíssimo volume; nem gosto de volume alto, me dá dor de cabeça.
Ligo o rádio do carro e ouço em um volume que seja agradável para mim e não para incomodar o outros.
Acho tão babaca esse povo que instala caixas de som potentíssimas em seus carros e  depois abrem as portas e se exibem para os outros babacas. Não quero e não pretendo ficar surda!
Cada um cada um, mas estamos cada vez mais vivendo em uma Sociedade barulhenta e má educada que se acha no direito de agir como bem entende e sem se preocupar se está a ofender e a incomodar os outros.
Bom...
Acabei de ouvir o "Arrocha" pela bilionésima vez e agora vou sair para comprar minhas frutas, verduras e legumes da semana. Granola também. Vou ligar o rádio do carro e ouvir o bom e velho Rock 'n' Roll. Só para mim.
É isso.


                                                 



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Atual e Antigo

                                   



Gosto de levantar cedo. 
Parece que o dia rende mais e temos mais disposição.
Detesto noites de insônia e quando o sono finalmente chega, já é hora de começar o dia. Aí ficamos sonolentos, de mau humor, estressados e o dia demora a passar.
Liguei a TV para assistir aos noticiários matinais e logo após começa o programa Mais Você com a Ana Maria Braga. Mas eu raramente consigo assistir ao programa do início ao fim, acabo sempre cochilando e depois assisto a reprise no Canal Viva, por volta das sete da noite.
A voz lenta de Ana Maria Braga é um ótimo sonífero. Na boa.
Gosto do programa, principalmente da parte culinária; adoro receitas.
Gosto também das dicas sobre moda, comportamento etc... e adorei as dicas sobre como variar os looks com camisa branca. Adoro camisas brancas e as minhas já estão amareladas pelo uso e pelo tempo.
Bom...
Cochilei e acordei com uma música chata, repetitiva, enfadonha... Que porcaria é essa? Pelo amor de Deus!
Estava meio sonolenta e acho que era o tal do Naldo Benny cantando uma de suas porcarias.
E por falar em porcaria.... era só o que tinha no tal do Show da Virada, salvo raras exceções. Melhor ler; li o jornal e três revistas.
Mudei de canal; gosto de assistir a um programa de artesanato na TV Gazeta; adoro culinária e artesanato.
Mudo de canal novamente e começa o programa da Fátima Bernardes que agora é apresentado por Ana Furtado. Moça magricela, "entalada", fofa demais, risonha demais, alegre demais. Gosto não. Nada contra a moça que tem a função "tapa buraco" na emissora.
Gosto da simpatia na medida, do charme e da elegância paulistana de Dan Stulbach.
Durante o programa uma banda é chamada para cantar; Jesus!
A tal banda é uma cópia mal feita da banda Calypso e outros genéricos semelhantes e iguais em música ruim e breguice. Na boa.
Bailarinos tropeçando nos convidados, dançando os mesmos passos em todas as músicas... Me pergunto de novo: O que estão fazendo com a música brasileira?!
A tal da banda é de Recife e tem o singelo nome de Musa.
O que estão fazendo com a música do meu Nordeste? Por que não se fazem mais cantores e artistas como Zé Ramalho, Caetano, Gil, Caymmi, Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Zeca Baleiro, Bethânia, Luiz Gonzaga, Domiguinhos, Chico Science e tantos outros talentos arretados de bons?
A música brasileira transformou-se em um lixo comercial e descartável, infelizmente. Todo mundo agora é MC (eme ci), todo mundo canta Funk, todo mundo cria danças eróticas e musiquinhas de sentido explicitamente sexual.
Assisti ao Altas Horas e o cantor sertanejo Leonardo também rendeu-se ao modismo vulgar e sexual; cantou uma música horrenda, vulgar e cheia de trocadilhos.
Assisti ao ubíquo especial de fim de ano de Roberto Carlos e até que gostei: ele cantou as músicas antigas que têm letras bonitas e românticas sem ser piegas. Bons tempos aqueles. Mas como nada é perfeito, colocaram a Anita pra cantar fanhosamente ao lado dele. Precisava mesmo?
Li um artigo no qual o autor questiona a falta de novos nomes no Rock Nacional e critica os nomes atuais. Sou da boa época de Titãs, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Ira e outros grupos legais.
Mas o Rock Nacional atual está muito a desejar. Gosto do Skank, mas a música que fizeram com Carlos Santana ficou parecendo música de trio elétrico no Carnaval. Nada a ver.
Acho que é por isso que as boas e velhas bandas de Rock continuam em alta e lotam os shows que fazem no país.
Algumas bandas estão relançando seus álbuns e li boas críticas no Estadão.
Li também que o Metallica fará show único, atendendo a pedidos dos fãs, em 22 de março, dia do meu aniversário. 
Bom, gosto não se discute, se lamenta e é lamentável o atual estado da música brasileira.
Volto-me para meus CDs de Zé Ramalho, Djavan e outros grandes da nossa MPB.
E ouço o bom e velho, literalmente velho, em alguns caso, Rock 'n' Roll.
Rolling Stones - mais de cinquenta anos de estrada, (1962).
ACDC - 1973.
Iron Maiden - 1975.
Metallica - 1981.
Ligar a TV e ver Anita, Naldo e a Banda Musa, não dá. Prefiro ouvir Muse (1994).
Não pretendo ofender ninguém, mas a música atual está difícil de se ouvir e digerir.
É isso.