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sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pata de Vaca

                              

Pata de vaca é uma árvore que tem flores brancas ou rosas e o chá feito com suas folhas ajuda a controlar o diabetes.
Minha avó Mãevelha tomava muito chá de pata de vaca; saíamos pelas ruas do bairro a colher as folhas da árvore.
Mas agora é preciso ir mais longe para encontrar a planta, pois muitas patas de vaca foram derrubadas para dar lugar ao cimento. 
Jasmins, touceiras de capim santo (erva cidreira), boldo e tantas outras plantas que embelezavam o bairro e ainda nos proporcionava um delicioso chá foram arrancadas e em seu lugar jazem cimento, ladrilhos, cimento...
Em ruas próximas ao trabalho ainda têm ipês, paineiras e patas de vaca e foi delas o belo espetáculo florido causado pelos ventos que vi essa manhã.
Vi as patas de vaca de flores brancas e lembrei de minha avó Mãevelha.
É isso.


                                  

Redemoinho

                             


Levantei cedo, como de costume, e pensei em voltar para a cama por alguns minutos; bobagem.
Já estava de pé e comecei a seguir a rotina matinal: banho, café, cuidar dos gatos.
Estava bem escuro e com jeito de chuva e o sol até apareceu mas logo veio um vento forte e trouxe nuvens cinzentas de chuva.
Está frio e venta bastante e estou aguardando o entregador da casa de ração; ele esqueceu de trazer a areia sanitária dos gatos!
Queria me deitar, tomar os remédios e me deitar, mas tenho que esperar o entregador.
A pressão continua alta, mesmo com os remédios, e a cabeça dói, ferve, lateja.
Olhava o bailar das folhas das árvores ao sabor dos ventos caprichosos; belíssimo espetáculo da Mãe Natureza.
O rodopio, as folhas e flores a bailar, as ruas e calçadas cobertas de branco, verde, rosa... Tem gente que odeia tudo isso e reclama da "sujeira" que as árvores fazem!
Árvore fazendo sujeira?!
Derrubam, cimentam e contribuem para com o cinza da cidade. Quanta ignorância!
Não sabem apreciar o belo e o simples das coisas.
Ventos, frio, folhas, flores e passarinhos cantando... Me entreguei a esses encantos naturais por alguns minutos antes de ir ao trabalho.
Às vezes acho que venho de algum lugar ou tempo distantes; um lugar frio, cinzento, com florestas que mudam de cor durante as estações e com pessoas que respeitam e apreciam a beleza de tudo isso.
Sei lá.
É isso.


                                 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Zé Claudino

Era um dos muitos nordestinos que passaram por nossa casa antes de terem suas próprias casas. Vinham de Pernambuco, ficavam em nossa casa e depois de algum tempo trabalhando,  arrumavam o próprio espaço.
Zé Claudino já era um senhor quando veio para "Sum Paulo" e era famoso pelo apetite insaciável; vivia sempre com fome.
Zé Claudino não saia de casa sem antes comer um "pratão" e onde chegasse comia o que lhe era oferecido e ainda saía falando mal: "Me deram só um bocadinho de cumê. Eu tô verde de fome, aquele povo come muito pouco, não sei como pode"
Curiosamente, mesmo comendo muito e sempre, Zé Claudino não era gordo, tinha o peso considerado normal; mamãe achava que ele tinha uma solitária na barriga que comia a maior parte da comida que ele ingeria, por isso a fome constante.
Mamãe contava um causo de um conhecido lá em Pernambuco que também comia muito mas era magérrimo; um dia alguém teve a ideia de fazer um teste: o doente adormeceu encostado à uma árvore e esse alguém colocou uma tigela com leite fresco recém tirado da vaca. A solitária saiu pela boca da vítima atraída pelo cheiro do leite e as pessoas em volta a mataram. O doente recuperou a saúde depois disso.
Não sei até que ponto é verdade, mas ficávamos impressionados com a história.
E por isso mamãe achava que Zé Claudino tinha solitária e papai para fazer graça, dizia que não era solitária, era acompanhada.
E o nome Zé Claudino virou sinônimo de gula e apetite guloso, quando alguém é muito esfomeado, nós dizemos: "Calma, Zé Claudino!".