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quarta-feira, 11 de março de 2015

De cabeça para baixo

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Faço aniversário esse mês e uma colega com quem trabalhei disse que nos sentimos meio mal, perdidos e até tristes quando a data se aproxima.
Perguntei o porquê e ela disse que tudo fica meio bagunçado porque estamos/ficamos de cabeça para baixo quando nos preparamos para nascer; faz sentido.
Aí tudo fica também de cabeça para baixo até a hora da virada, do nascer e depois tudo se arruma, se acerta, organiza e a vida segue.
Gosto de conversar com as pessoas e falar sobre suas fés, crenças, religiões, mas sem fanatismo, preconceito e intolerância. Acredito que sempre aprendemos algo novo.
Estou também preocupada com as mesmas velhas pessoas e erros de sempre. Essas pessoas não aprendem! Por mais que o tempo passe e levem umas bordoadas a vida, meu Deus! Insistem nos mesmíssimos erros, ouvem os mesmíssimos conselhos, mas mesmo assim se acham donas da verdade, muito certas e o mundo errado.
Estava relendo as mesmas passagens do mesmo livro e pensando na mesma pessoa que comete os mesmos erros. Sempre.
A gente se preocupa e depois ainda fica com a fama de ruim, diria mamãe.
Bom...
Aniversário se aproximando e o que eu gostaria de ganhar nesse dia, e sempre, é saúde. 
Caminhar com meus pés no chão. Livres.
Vou fazer um café, é um dos meus vícios.
E por falar em vício, comprei mais um livro e têm outros na lista de desejos. Tem uma enorme lista de espera também; estou lendo "O Cabeleira", de Franklin Távora, e conta a história de João Gomes e seu pai Joaquim Gomes, precursores do cangaço. Os acontecimentos se passam em Pernambuco e lembro de ouvir papai, mamãe e meu povo antigo falarem desse Cabeleira.
Gomes é o sobrenome da família de mamãe e não duvido nada que tenhamos parentesco com o cangaceiro arretado, inguinórante, sangue nos zóio e cabelo nas venta, assim como nós que viemos de Pernambuco e os que vieram depois.
Vento frio. Vou fazer um café.
Depois vêm a azia e o chá de capim santo.
É isso.


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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Limoeiro

                                 


Moramos em um pequena casa com um enorme quintal de terra. Tinha um pé de cana, tinha a pequena horta de mamãe e tinha muitas outras plantas: crótons, dália, folhagens...
Sonhei com papai e mamãe nessa casa e eles estavam ocupados em algo. Vi que no quintal tinha vários barracos de madeira, desses que as pessoas constroem para guardar ferramentas, objetos etc...
Os barracos estavam enfileirados nos dois lados do quintal e eram separados por um pequeno espaço de terra entre eles. 
Fiquei brava com papai e mamãe; por que tiraram as plantas tão bonitas que estavam ali antes?
Eles apontavam para um limoeiro pequeno, meio torto e carregado de limões. A planta estavam fincada em terra seca e dura e entre dois barracos. Eu fiquei brava de novo e dessa vez porque ninguém cuidava do pobre limoeiro.
Fui pegar água e ferramentas de jardinagem para cuidar do pé de limão e ao passo que caminhava, via mais limoeiros.
"Por que tanto barraco, mãe? É para sua felicidade, filha!", respondia papai.
É o segundo sonho com papai e mamãe em que falam sobre minha felicidade.
Parece que eles trabalham para isso lá nos campos celestiais. Papai e mamãe não param; casalzinho arretado!
A situação ainda continua periquitante, mas minha saúde é e está mais preocupante que minha situação financeira. Estou muito entrevada, com muita dificuldade para andar e com muitas dores na coluna e no joelho direito.
Papai e mamãe nasceram em Limoeiro, uma cidade de Pernambuco. 
Quero conhecer Limoeiro.
É isso.

                    
                                    


                                    



                                   

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Negras e Águas Belas

                                  



Fazia a ficha cadastral de uma aluna e no certidão de nascimento havia a seguinte informação: Comarca de Negras- Itaíba - Pernambuco.
Lembrei de mamãe.
Ela sempre falava sobre essas cidades; havia lecionado em escolas da região e um de meus irmãos nasceu por lá.
Mamãe já bateu os quatro cantos do mundo, de norte a sul e leste a oeste de Pernambuco até chegar ao nosso Santo São Paulo. Era preciso sobreviver e ir em busca de um lugar onde isso fosse possível.
Negras, Águas Belas, Gravatá, Cumaru, Limoeiro, Itaíba, Buíque, Arcoverde, Bezerros, Serra da Passira, Palmares, Afogados da Ingazeira, Recife...
Ouvia esses nomes de cidades pernambucanas e viajava na imaginação; todos pareciam mágicos e belos apesar de toda a história de seca e sofrimento por quais passamos e ainda passam muitos sertanejos. Infelizmente.
Curioso, uma simples informação fez-me viajar no tempo e sentir a presença de mamãe, ali, tão perto de mim.
A tarde passou tão rapidamente que nem senti.
Saudades enormes e uma vontade doida de me embrenhar pelos sertões da minha terra: terra, plantas, livros, gatos, paz. Meu chão.
Sei lá.
É isso.


                                      

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Segredos

                                      



Fiquei sabendo, meio por acaso, que um empresário do bairro é acromegálico. Já encontrei, por meio de redes sociais, Internet, blogs e afins, acromegálicos de vários estados brasileiros, mas nenhum ainda de São Paulo, Capital. 
Encontrei pessoas do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e uma moça do Grande ABC Paulista, mas ninguém da capital.
Certamente não serei eu a única acromegálica a viver na pauliceia desvairada, óbvio.
Eu quis saber mais sobre esse "vizinho" acromegálico, mas foi-me dito que não devo "espalhar por aí que o cara fez cirurgia para retirar adenoma (tumor) do cérebro"; que tudo tem ficar em "off" e tal e coisa, coisa e tal.
Oxe!
Eu sou acromegálica, eu também fiz cirurgia para retirar o bendito do tumor do cérebro e não me envergonho de nada disso. E por que haveria eu de me envergonhar?! Não é crime, pecado ou proibido ser doente, ter uma doença rara ou qualquer uma que seja. Eu, hein!
Mas cada um lida com seus problemas da melhor maneira que lhe aprouver.
E falando sobre vergonha e segredos...
Já falei aqui sobre uma parenta que nega suas origens nordestinas; ela tem vergonha de vir do Sertão seco de Pernambuco. Faz sentido uma coisa dessa?
Faz não. Pra mim faz não.
Há alguns meses essa mesma parenta me encontrou nas redes sociais e enviou-me solicitação de amizade. Visitei sua página e estranhei o local de origem que ela colocou: Curitiba - Paraná.
O-xen-te!
Não entendo essas coisas não, e a vontade é de perguntar pra pessoa por que ela nega suas próprias origens.
Pernambuco, Paraná, São Paulo... é tudo Brasil.
Mas como dizia mamãe: "Povo mais besta!'.
Sou pernambucana, acromegálica, vivo em São Paulo há quarenta anos, fiz várias cirurgias e não tenho vergonha de nada disso.
"Vôte!", como dizia minha avó Mãevelha.
É isso.


                                

                                      

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Melhor

                                 

Sinto-me melhor, graças a Deus.
Acho que não tem jeito mesmo, são necessárias vinte e quatro horas para que eu melhore e volte à luta.
Detesto ficar assim, detesto ficar doente, mole, sem ânimo, cansada e todas essas coisas ruins que nos tiram a coragem de fazer aquilo que gostamos e precisamos.
Mas eu sou forte, sou de Pernambuco, sou Leão do Norte.
E como dizia mamãe: "Eu já comi toucinho com mais cabelo!"
Vou escrever.
É isso.

                                

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Encomenda

                                


Sempre compro frutas de um simpático senhor pernambucano. O conterrâneo é galego, gorducho, faiscantes olhos azuis, bochechas rosadas e corpinho de Papai Noel; lembra meu tio Erasmo, irmão de avó Mariana.
Não vi mais o vendedor de frutas e perguntei a um rapaz que me atendia e ele disse que o senhor pernambucano é pai dele e está descansando na Bahia.
Uma pessoa que estava comigo estranha o fato de um galego, alguém muito claro, ser nortista ou nordestino e eu disse que isso é preconceito e ignorância. Muita gente ignorante acredita no estereótipo de que no Sul do Brasil todo mundo é branco e no Norte/Nordeste todo mundo tem pele escura.
Não é assim não! Vejamos Ronaldinho Gaúcho e Daiane do Santos, são gaúchos e afrodescendentes.
Eu sou pernambucana, com muita honra e orgulho, e sou morena clara.
O povo anda tão "inguinórante", meu Deus.
Comprei coco verde e tomei a deliciosa e refrescante água ali mesmo enquanto falávamos sobre frutas, clima, calor e outras amenidades.
Defendemos nosso Nordeste na produção de frutas deliciosas, atribuímos o sabor e a doçura das frutas ao clima quente nordestino e a terra propícia. Naturalmente, puxamos a brasa para nossa sardinha.
O filho do conterrâneo é gorducho e moreno e reclamava do calor. Eu também detesto calor, passo mal, fico mole, aff!
O rapaz me diz que chegou jaca da Bahia e se vou querer; perguntei o preço e achei caro: "Oxe! Vinte conto por uma jaca?! Está caro demais, colega!"
"Mas tem jaca de 15 também".
"Quero não, ainda está cara"
"Mas está docinha, quer experimentar? Pronto! Lhe faço-lhe por doze reais, certo?"
Trouxe a jaca e já devorei metade.
É assim que trato as pessoas, com educação e respeito. Muitas vezes encontro alguém na rua que conversa comigo, pergunta sobre meus irmãos e meus sobrinhos mas quando a pessoa vai embora eu fico tentando lembrar de onde a conheço. Falo, converso mas não sei quem é. O importante é a educação.
Acho que vou para a segunda metade da jaca.
Delícia!