Tentava dormir e não conseguia. Levantei e preparei um suco de maracujá; com a fruta mesmo,não gosto muito de sucos químicos.
Enquanto aguardava o efeito calmante do maracujá, concluía a leitura de "Relato de um náufrago" de Gabriel Garcia Marquez.
O sono se aproxima e quando finalmente começo a enveredar pelo mundo diáfano dos sonhos, eis que chega o vizinho como o som ligado em altíssimo volume e tocando música de péssima qualidade. É aquele tipo de música monótona, chata, repetitva; ouviu uma ouviu todas.
Enquanto toca a música de gosto duvidoso, o vizinho conversa com algumas pessoas como se estivesse em uma reunião de família num domingo à tarde.
Era domingo, só que era 1 hora da manhã!
Vivemos na sociedade do barulho e da falta de educação. Lembro que há uns vinte anos não vivíamos com tanto barulho. Lá pelas 22hs só se ouvia o apito do guarda noturno. Era praxe, acabava o Fantástico e todos íamos para a cama. Nós e os vizinhos!
Hoje não. As pessoas perderam o bom senso, o respeito e a educação. Ligam seus aparelhos de som em qualquer lugar, qualquer hora, qualquer ocasião. Agradeço a boa vontade dessas pessoas barulhentas em dividir conosco seu gosto musical. Agradeço, mas é NÃO, OBRIGADA!
Outros vizinhos discutem de madrugada; brigam com os filhos, xingam, falam palavrões e no dia seguinte não têm o menor pudor em nos cumprimentar e agir como se nada tivesse acontecido. Cadê a vergonha?
Será que as pessoas perderam o medo e a vergonha de se expor ao rídiculo? Será que gostam mesmo de chamar a atenção? De se exibir? Por quê?
Parece-me que a Sociedade desatou-se das amarras impostas pela religião, política, cultura etc... e não sabe o que fazer com o excesso de liberdade recém adquirida.
Liberdade demais, educação de menos. Mete-se os pés pelas mãos.
Parece que essa liberdade toda é uma forma de a sociedade dizer: "Problema seu!". Mas se vivemos em sociedade o problema é nosso, é de todos!
Mostrando postagens com marcador Gabriel Garcia Marquez. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Gabriel Garcia Marquez. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
domingo, 28 de agosto de 2011
Mar oceano, rios, água, Recife, São Paulo, memórias...
Hoje está um dia lindo. Céu azul, sol e calor...
E uma vontade imensa de ver o mar. Mar Ocenao, como diziam os antigos.
Nasci no sertão seco, tórrido, árido, mas sempre tive um fascínio pelo mar; uma atração que é na verdade uma paixão.
Diferentemente das pessoas "normais", não vou à praia apenas quando o tempo está quente e ensolarado, gosto mesmo de apreciar o mar bravio e cinzento em dias cinzentos de chuva e frio.
O mar me encanta, envolve, atrai.
Lembro-me de minha infância em Pernambuco e das nossas dificuldades. Mamãe pedia dinheiro emprestado aos vizinhos para poder pagar a passagem até Recife para irmos à casa de tio José. O tio sempre nos ajudou em momentos de dificuldade. Ele morava em uma casa pequena cercada pelos rios Beberibe e Capiberibe. Era assustador e encantador.
Mamãe e eu chegávamos à casa do tio e éramos recebidas pela tia Mira, esposa do tio José. Ela já sabia como proceder, conhecia nosso sofrimento.
Sempre que nos aproximávamos da casa do tio, víamos a tia Mira com a vassoura na mão varrendo os caranguejos que insistiam em entrar na casa. Eu parava para ver essa cena que achava engraçada e mamãe partia para os cumprimentos habituais à tia e aos sobrinhos. O tio estava no trabalho.
Mamãe e a tia entravam na casa, mas eu queria ficar do lado de fora olhando os caranguejos e fascinada pelas águas cinzentas e poderosas do rio.
Era aquele mundo de água, como diziam mamãe e mãevelha, minha avó.
Eu tinha a impressão que os rios de certa forma respeitavam a pequena casa dos tios, pois seria muito fácil para aqueles dois rios imensos e poderosos invadirem aquele espaço físico que era deles por natureza. Era muita água! E muito fascínio também. As águas sempre me atraíram.
Voltávamos para nossa casa em Gravatá. Mãevelha e Paipreto, minha avó e meu avô, nos aguardavam. Trazíamos sacolas com alimentos e algum dinheiro. Mamãe pagava o empréstimo feito para podermos ir a Recife.
Na sacola vinha alimentos que faziam a alegria de meu avô. Leite condensado, que ele chamava de "leite de moça" e achocolatado. Paipreto adorava! Acho que seus netos têm a quem puxar, pois adoram leite com chocolate!
E essa fartura e alegria duravam até chegar o dinheiro de "Sum Paulo" que papai mandava todo o mês. Mamãe recebia o dinheiro, pagava as contas e voltava a Recife para pagar o tio. Ele negava a receber, ficava bravo e ainda voltávamos para casa com a sacola cheia de "leite de moça" e achocolatado.
São lembranças doces e boas e que tornam a vida suportável.
São lembranças de uma época de sofrimento e pobreza, mas que eu tinha saúde, tinha meu adorado avô e eu nem sabia que raios que é acromegalia.
É isso! São essas doces memórias de uma curtíssima infância em Pernambuco que me fortaleceram e são o meu pilar de sustentação para aguentar o tranco. O amor de meus avós, a luta e a coragem titânicas de minha mãe ajudaram a formar o meu caráter.
Sou mameluco, sou de Casa Forte,
Sou de Pernambuco, sou Leão do Norte.
E uma vontade imensa de ver o mar. Mar Ocenao, como diziam os antigos.
Nasci no sertão seco, tórrido, árido, mas sempre tive um fascínio pelo mar; uma atração que é na verdade uma paixão.
Diferentemente das pessoas "normais", não vou à praia apenas quando o tempo está quente e ensolarado, gosto mesmo de apreciar o mar bravio e cinzento em dias cinzentos de chuva e frio.
O mar me encanta, envolve, atrai.
Lembro-me de minha infância em Pernambuco e das nossas dificuldades. Mamãe pedia dinheiro emprestado aos vizinhos para poder pagar a passagem até Recife para irmos à casa de tio José. O tio sempre nos ajudou em momentos de dificuldade. Ele morava em uma casa pequena cercada pelos rios Beberibe e Capiberibe. Era assustador e encantador.
Mamãe e eu chegávamos à casa do tio e éramos recebidas pela tia Mira, esposa do tio José. Ela já sabia como proceder, conhecia nosso sofrimento.
Sempre que nos aproximávamos da casa do tio, víamos a tia Mira com a vassoura na mão varrendo os caranguejos que insistiam em entrar na casa. Eu parava para ver essa cena que achava engraçada e mamãe partia para os cumprimentos habituais à tia e aos sobrinhos. O tio estava no trabalho.
Mamãe e a tia entravam na casa, mas eu queria ficar do lado de fora olhando os caranguejos e fascinada pelas águas cinzentas e poderosas do rio.
Era aquele mundo de água, como diziam mamãe e mãevelha, minha avó.
Eu tinha a impressão que os rios de certa forma respeitavam a pequena casa dos tios, pois seria muito fácil para aqueles dois rios imensos e poderosos invadirem aquele espaço físico que era deles por natureza. Era muita água! E muito fascínio também. As águas sempre me atraíram.
Voltávamos para nossa casa em Gravatá. Mãevelha e Paipreto, minha avó e meu avô, nos aguardavam. Trazíamos sacolas com alimentos e algum dinheiro. Mamãe pagava o empréstimo feito para podermos ir a Recife.
Na sacola vinha alimentos que faziam a alegria de meu avô. Leite condensado, que ele chamava de "leite de moça" e achocolatado. Paipreto adorava! Acho que seus netos têm a quem puxar, pois adoram leite com chocolate!
E essa fartura e alegria duravam até chegar o dinheiro de "Sum Paulo" que papai mandava todo o mês. Mamãe recebia o dinheiro, pagava as contas e voltava a Recife para pagar o tio. Ele negava a receber, ficava bravo e ainda voltávamos para casa com a sacola cheia de "leite de moça" e achocolatado.
São lembranças doces e boas e que tornam a vida suportável.
São lembranças de uma época de sofrimento e pobreza, mas que eu tinha saúde, tinha meu adorado avô e eu nem sabia que raios que é acromegalia.
É isso! São essas doces memórias de uma curtíssima infância em Pernambuco que me fortaleceram e são o meu pilar de sustentação para aguentar o tranco. O amor de meus avós, a luta e a coragem titânicas de minha mãe ajudaram a formar o meu caráter.
Sou mameluco, sou de Casa Forte,
Sou de Pernambuco, sou Leão do Norte.
Marcadores:
águas,
árido,
Beberibe,
Capiberibe,
Céu,
Gabriel Garcia Marquez,
Gravatá,
Leão do Norte,
mamãe,
oceano,
Paipreto,
Pernambuco,
Recife,
sertão,
tio José
Assinar:
Postagens (Atom)
