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domingo, 2 de junho de 2013

Spaghetti, Rock, Leão do Norte e Calango

                                 


Chove, muito frio, gataiada encolhida, Rosinha no meu colo e Alice ao lado sobre seu inseparável cobertor azul.
Fiz meu café forte e doce na medida, fiz torradas com meu pão de soja e aveia, bagel também. 
Penso em preparar um macarrão, um spaghetti com molho de tomates frescos, bem madurinhos. Apenas cebola, alho, tomate, sal e azeite de oliva. Nada químico, artificial e que "ofenda o istambo da gente", como diria papai.
Papai não gostava de molho de tomate pronto que à nossa época era chamado de extrato de tomate. Hoje há uma infinidade de marcas, temperos e sabores.
Papai dizia que o extrato de tomate era muito azedo (ácido) e "atacava" o estômago dele, causava-lhe azia e má digestão.
Levantei-me um pouco tarde, hoje é domingo, detesto domingos. Deus me perdoe, diria mamãe.
Zapeava pela TV, como sempre faço. Nada que preste. Gosto da Regina Casé e acho que o programa dela, "Esquenta", é um excelente veículo de divulgação de outras culturas, culturas de massa. 
O programa mostra a música, a dança, a cultura e a própria existência de outros grupos sociais que ficam escondidos nos morros cariocas, no interior do país e nas periferias das grandes cidades.
É um trabalho muito bacana que o programa e a Regina Casé fazem. Mas confesso que admiro o trabalho dela e o programa, mas não posso dizer o mesmo das músicas que lá são tocadas/cantadas. Na boa e com todo o respeito.
Não me apetecem as músicas horrendas com sílabas repetidas à exaustão por grupos de moleques do morro. Inferno ter que ouvir o tal do "leleque, leque, leque...". Jesus tenha piedade. Amém.
E os tais dos bondes então. Para mim, bonde era um meio de transporte inicialmente puxado por cavalos. Aí me colocam umas criaturas estranhas rebolando e dão-lhes o nome de "bonde das maravilhas". Que bonde? Que maravilha?!
Não, não dá. Respeito, mas não dá.
Continuei zapeando e paro num canal que nunca vira antes, o canal BIS. Para mim bis é um delicioso wafer coberto com chocolate.
Paro no tal canal ao ver Simon & Garfunkel cantando ao vivo "Like a bridge over troubled water". Lindo!
Depois cantam e tocam brilhantemente U2, Bruce Springsteen, Metallica, Ozzy Osbourne, Jeff Beck, um estupendo guitarrista, Sting, Mick Jagger, B.B.King e outros "velhinhos" da boa e velha música mundial. Rock, Metal, Folk Song, Pop...
Música boa tocada e cantada por gente talentosa de verdade. A música atual anda tão repetitiva e chata, não à toa grandes sucessos de décadas atrás são regravados com nova roupagem e são usados em abertura de novelas.
Foi muito bom ver e ouvir os bons, ainda mais em um frio e chuvoso dia de domingo.
Estou melhor hoje, tomei os remédios e ando com mais liberdade e segurança. Sempre digo que sou Mameluco, sou de Casa Forte, sou de Pernambuco, sou Leão do Norte, mas ultimamente estou mais para Calango do Sertão.
Vou alimentar meus tigres disfarçados de gatos e preparar meu macarrão com molho de tomate natural.
Esse texto ficou meio maluco, não ficou?
É isso.

Calango
                                     



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Corte

                              


Levantei cedo para por o lixo fora; o caminhão do lixeiro passa entre sete e sete e meia da manhã.
Carrego o saco pesado e de repente sinto uma picada no dedo, deixei pra lá, achei que foi apenas o saco de lixo que encostou no meu pé.
Fecho o portão e volto para dentro e percebo um caminho de pegadas sanguinolentas. Havia cortado o dedinho do pé esquerdo e nem senti!
Tenho pouca sensibilidade nos pés e tenho dificuldade em sentir o pelo fofo de meus gatos quando os toco com os pés.
Tinha sangue do quintal dos fundos até a garagem e era bastante. Como um corte no dedinho do pé pode sangrar tanto?!
Limpei o chão de depois tomei banho para lavar o ferimento que ainda sangrava muito. Fui depois à farmácia do Pedro, nosso velho conhecido, e ele fez um curativo com uma pomada "boa", segundo disse. 
Se tiver algum problema nessas vinte e quatro horas, devo ir ao Posto de Saúde para tomar injeção antitetânica. Tomara Deus que nenhum problema surja nas próximas horas nem nas seguintes.
Acho que fui desatenta, pois sabia que havia vidro quebrado no lixo e mesmo o embrulhando tão bem para não machucar o lixeiro.
Acho que a desatenção foi fruto da preocupação e problemas porque passo; não está fácil não.
Mas eu vou sair dessa!
Sou Leão do Norte e já comi toucinho com mais cabelo!
É isso.

                   
                                

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Melhor

                                 

Sinto-me melhor, graças a Deus.
Acho que não tem jeito mesmo, são necessárias vinte e quatro horas para que eu melhore e volte à luta.
Detesto ficar assim, detesto ficar doente, mole, sem ânimo, cansada e todas essas coisas ruins que nos tiram a coragem de fazer aquilo que gostamos e precisamos.
Mas eu sou forte, sou de Pernambuco, sou Leão do Norte.
E como dizia mamãe: "Eu já comi toucinho com mais cabelo!"
Vou escrever.
É isso.

                                

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Cabeça

                                                    


Minha cabeça tem doído ultimamente.
Vou pegar o bendito laudo, para levar ao hospital, fazer a ficha, esperar três horas para ser atendida para enfim tomar uma injeção que vai levar alguns segundos para ser aplicada. Sair de lá com a bunda doendo e depois sentir os efeitos colaterais: sono, cansaço, ânsia de vômito e tontura, entre outros.
Além das dores, minha cabeça não está boa. Minha memória falha e coisas que eu queria dizer acabam "sumindo" de repente. Tenho que anotar tudo.
Já falei aqui sobre meu medo, aliás, medo não, cisma. 
Nordestino arretado, cabra macho ou mulher "feme" braba com sangue nos "zóio" têm medo não, tem cisma! 
Sou Leão do Norte, rapaz!
Receio o Mal de Alzheimer, como já falei aqui. 
Tentei falar sobre isso mais detalhadamente com o médico galã de celular com capinha de dólar, mas ele nem me deixou terminar, (falo sobre o indivíduo na postagem título "Doutor Galã").
Sinto como se minha memória estivesse se apagando e distanciando e faço um esforço para lembrar nomes, rostos, assuntos...
Mas lembro tão bem da minha história, do meu Sertão, do meu Pernambuco, do meu povo antigo, das sensações...
Não, meu Deus, não. Acromegálica, sem boniteza nenhuma, sem muita mobilidade e agora sem memória?! Assim é de lascar o cabra!
Oxe!

                                
                                 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Cabelos Brancos

                              


Mamãe me visitou essa noite e eu estava deitada em seu colo. Mamãe passava as mãos por meus cabelos e dizia: "Filha, você tem muito cabelo branco".
Mamãe sempre vem me acalentar quando estou aperreada, avexada, agoniada e outros "adas", graças a Deus.
Agradeço e peço sempre que Deus e o Povo lá de Cima que permitam que mamãe, papai, Paipreto, Mãevelha, Avô José e todo meu povo venha me visitar de quando em vez, como diria minha avó Mãevelha.
É tão bom, meu Deus, receber as visitas, as broncas, o carinho, a preocupação e o amor de mamãe. Tem coisa melhora não. Tem não.
Acordei me sentindo bem melhor; sem dores, sem vômitos, nem problemas. Vou ficar boa, acredito, tenho fé, sou guerreira, sou nordestina, sou Leão do Norte, sou cabra da peste, oxe!
Mas eu falava sobre meus cabelos brancos...
Tem gente que pergunta se meus cabelos são são luzes ou reflexo e eu brinco dizendo que são reflexo da idade. Meus cabelos brancos são espalhados e dão a impressão de ter efeitos químicos fashion de hair stylist design etc e tal.
Certa vez fui cortar os cabelos e a cabeleireira cismou que eu deveria clareá-los e usar uma tinha em um tom louro. Nem por um decreto!
Gosto não.
Ela insistiu muito e eu disse não e ponto final. Saí de lá meio arretada.
O detalhe, e acho que já falei aqui, é que a cabeleireira é afrodescendente e com longas madeixas louras. 
Na boa, pessoas de pele escura ou de cabelo muito crespo deveriam passar longe das tinturas louras; ficam parecendo mico leão dourado e o cão chupando manga. Dá não.
Lembro da Carla Perez quando era pobre e tinha o cabelo louro miojo, depois que ficou rica melhorou e muito a cabeleira, ainda bem.
Bom...
Por enquanto meus cabelos brancos não estão me incomodando e as pessoas me chamam de senhora; até aí tudo bem, é sinal de respeito e de pvc (porcaria da velhice chegando).
Talvez eu vá ao hair designer e passe uma tintura chocolate, marrom escura ou algo semelhante. Gente que passa dos 40 e tinge os cabelos em tons louros, vermelho ou preto azulado acaba denunciando a própria idade, penso eu. 
Sei lá...
Vou agora rodar por aí a resolver as coisas.
É isso.

Meryl Streep, elegantíssima com seus cabelos brancos
                              


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Leão do Norte

                                   






Ehhhhhhh Boi. Meu pai e meu avô sabiam aboiar como ninguém. Aboiar é canto belo e melódico que chama o gado. Tem que ser cabra muito macho para trabalhar sob um sol escaldante e passar por entre plantas espinhosas.
É a luta pela sobrevivência.
É meu Nordeste lindo e arretado.
É meu Sertão seco, castigado, esquecido pelos políticos e às vezes até por Deus que se encanta com o aboio e se esquece de ouvir as preces do sertanejo a pedir um bocadinho de chuva pra molhar a terra e a plantação.
Emociona-me tal imagem.
Saudade arretada de grande da minha terra, do meu Sertão. 

Ehhh boi.
Sou Mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Sou Leão do Norte





                                       

domingo, 28 de agosto de 2011

Mar oceano, rios, água, Recife, São Paulo, memórias...

Hoje está um dia lindo. Céu azul, sol e calor...
E uma vontade imensa de ver o mar. Mar Ocenao, como diziam os antigos.
Nasci no sertão seco, tórrido, árido, mas sempre tive um fascínio pelo mar; uma atração que é na verdade uma paixão.
Diferentemente das pessoas "normais", não vou à praia apenas quando o tempo está quente e ensolarado, gosto mesmo de apreciar o mar bravio e cinzento em dias cinzentos de chuva e frio.
O mar me encanta, envolve, atrai.
Lembro-me de minha infância em Pernambuco e das nossas dificuldades. Mamãe pedia dinheiro emprestado aos vizinhos para poder pagar a passagem até Recife para irmos à casa de tio José. O tio sempre nos ajudou em momentos de dificuldade. Ele morava em uma casa pequena cercada pelos rios Beberibe e Capiberibe. Era assustador e encantador.
Mamãe e eu chegávamos à casa do tio e éramos recebidas pela tia Mira, esposa do tio José. Ela já sabia como proceder, conhecia nosso sofrimento.
Sempre que nos aproximávamos da casa do tio, víamos a tia Mira com a vassoura na mão varrendo os caranguejos que insistiam em entrar na casa. Eu parava para ver essa cena que achava engraçada e mamãe partia para os cumprimentos habituais à tia e aos sobrinhos. O tio estava no trabalho.
Mamãe e a tia entravam na casa, mas eu queria ficar do lado de fora olhando os caranguejos e fascinada pelas águas cinzentas e poderosas do rio.
Era aquele mundo de água, como diziam mamãe e mãevelha, minha avó.
Eu tinha a impressão que os rios de certa forma respeitavam a pequena casa dos tios, pois seria muito fácil para aqueles dois rios imensos e poderosos invadirem aquele espaço físico que era deles por natureza. Era muita água! E muito fascínio também. As águas sempre me atraíram.
Voltávamos para nossa casa em Gravatá. Mãevelha e Paipreto, minha avó e meu avô, nos aguardavam. Trazíamos sacolas com alimentos e algum dinheiro. Mamãe pagava o empréstimo feito para podermos ir a Recife.
Na sacola vinha alimentos que faziam a alegria de meu avô. Leite condensado, que ele chamava de "leite de moça" e achocolatado. Paipreto adorava! Acho que seus netos têm a quem puxar, pois adoram leite com chocolate!
E essa fartura e alegria duravam até chegar o dinheiro de "Sum Paulo" que papai mandava todo o mês. Mamãe recebia o dinheiro, pagava as contas e voltava a Recife para pagar o tio. Ele negava a receber, ficava bravo e ainda voltávamos para casa com a sacola cheia de "leite de moça" e achocolatado.
São lembranças doces e boas e que tornam a vida suportável.
São lembranças de uma época de sofrimento e pobreza, mas que eu tinha saúde, tinha meu adorado avô e eu nem sabia que raios que é acromegalia.
É isso! São essas doces memórias de uma curtíssima infância em Pernambuco que me fortaleceram e são o meu pilar de sustentação para aguentar o tranco. O amor de meus avós, a luta e a coragem titânicas de minha mãe ajudaram a formar o meu caráter.
Sou mameluco, sou de Casa Forte,
Sou de Pernambuco, sou Leão do Norte.