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terça-feira, 15 de julho de 2014

Andorinha

                              




Minha avó Mãevelha dizia: "Mas eu dou um valor a gente safada, sem vergonha, cara lisa!"

Gente que se faz de morta para comer o cuscuz do coveiro; gente sonsa, que se faz de besta... Detesto gente assim.
Não sei se foi a educação rígida que tive na infância ou se é parte de mim ou os dois, mas sou séria, gosto das coisas certas e não gosto de abusar, "folgar", explorar ninguém.
Mas nem todo mundo pensa ou age assim.
Também penso que, se uma coisa tem que ser feita, que seja, pelo amor de Deus!
Detesto o "deixa que eu deixo", um dia, quem sabe, talvez, blá, blá, blá...
Volto ao trabalho depois de um mês de férias antecipadas por causa da Copa e ao voltar encontro tudo como era antes: sinal quebrado, computador sem acesso à PRODESP e gente cara de pau.
Isso aqui é Brasil, oh oh...
Desde a segunda quinzena de abril usamos só um computador com acesso à PRODESP para verificar informações sobre os alunos e dali preparar documentos, fazer matrículas etc...
Desde o início do ano letivo, em vinte e sete de janeiro, o sinal não funciona e já falei com Deus e o mundo a respeito.
Providências? Nenhuma!
Falei hoje de novo sobre os problemas da escola e preocupa-me mais a situação dos computadores. Fiquei só hoje na secretaria e formou-se uma fila grande no balcão: históricos, matrículas, declarações, situação de alunos...
Quero ver quando chegar o final do ano e começar a correria para lançar notas, faltas e outras informações tanto de alunos como de professores e outros funcionários. Vamos virar a noite trabalhando para dar conta do serviço? Não contem comigo!
Fico com raiva dessa moleza, desse esperar que o outro faça, de culpar o sistema, o governo e a Gaviões da Fiel pelos problemas e mazelas do mundo!
Já foi a Copa, depois têm eleições, depois vem o Natal, ano novo, carnaval, páscoa... e nada de se resolver o que é preciso.
Com quem mais falta falar? Com o papa?! O bispo?!
Detesto essa malemolência, essa preguiça nojenta, esse marasmo desgraçado que empaca tudo e atrapalha quem quer fazer alguma coisa.
Depois dizem que o país tem que mudar para ser melhor... Não!
Quem tem que mudar somos nós!
Canso de ver posts, comentários e piadinhas de pessoas reclamando da segunda-feira, reclamando que não tem feriado próximo, que isso que aquilo. 
As pessoas só querem festa, feriado, alegria... Parecem um bando de bobos alegres querendo só se dar bem sem fazer muito esforço.
É gente que não respeita fila, vagas especiais, que não respeita os outros e o sagrado direito ao silêncio, gente que quer impor sua vontade só porque quer se divertir...
Gente que bota filho no mundo e não sabe criar e nem quer aprender; dá trabalho.
Tem hora que essa cultura, alegre até demais para meu gosto, cansa!
Ninguém precisa virar Lady ou Lord inglês, bastaria cada um fazer sua parte.
Uma andorinha só não faz verão e eu não sou andorinha!
É isso.



                                   

terça-feira, 4 de março de 2014

Cozinhando

                                   

Como era de se esperar, acordei moída e com o joelho direito duro, entrevado e dolorido.
Quase caí no banheiro e ainda machuquei, sem querer, o rabinho da minha lânguida, meiga e doce Alice. Escorreguei e me apoiei na porta que, por sua vez, escapou da minha mão e acabou batendo bem no momento que Alice entrava. Atingiu a pontinha do rabinho, sangrou um pouco e eu coloquei remédio antisséptico.
Me senti tão mal e tão culpada, meu Deus.
Pedi desculpas e pedi também que o rabinho dela seja logo curado, cicatrizado e que ela não tenha dor e nenhum tipo de problema. Amém.
Torci o joelho e doeu pra daná! 
Fiquei de castigo no sofá e assisti à apuração de notas das escolas de samba de São Paulo. Torci pela Gaviões da Fiel, que começou até que com notas boas, mas depois as notas baixaram bem.
Achei linda a Portela do Rio de Janeiro e tomara que ganhe.
Levantei e coloquei o lixo pra fora; dei comida para os cachorros da rua e resolvi preparar uma comidinha pra mim. Cozinhei legumes, fiz geleia de maçã e bolo mole. Adoro cozinhar e estava com vontade de comer uma coisinha doce.
Gostei do mousse (Danoninho), mas o excesso de leite e lactose me fizeram muito mal e tive fortes dores de estômago e vômito ontem. É que comi o mousse que preparei e o delicioso manjar branco preparado por Dona Elza, a sogra do meu irmão, e já havia comido iogurte com granola no café da manhã.
Tomei um antiácido e agora estou bem.
Vou tomar um banho e ir para a cama ler um pouco.
A TV está tão chata!
É isso.
PS: Vou deixar as receitas aqui mencionadas na próxima postagem.



                                            



quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Semana da Criança

                              



Dia longo, lento, bonito, céu azul, vento frio.
Cabeça doendo, latejando mais que a bateria da Gaviões da Fiel.
Semana chata, ruim mesmo.
Redes sociais lentíssimas, chatas, sem muito atrativos.
Volto-me para meus livros; esses alimentam, confortam e acalentam minh'alma.
Ai Jesus!
Encontro-me nos versos e fragmentos de Fernando Pessoa, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto e até nas angústias, fraquezas, decepções e desejos humanos de um ser não humano como o é Mefistófeles, o demônio de Fausto, livro de Goethe.
Fabuloso.
Estou cansada.
Pensei em ir ao supermercado amanhã, mas aí lembrei que é semana da criança e tudo deve estar mais cheio e com preços mais caros que o convencional. Tudo isso para depois que passar a data, ser oferecido a preços ainda mais baixos.
São pais, avós, madrinhas, tios e uma multidão à procura do presente ideal para dar aos pimpolhos. Presente esse que será destruído e esquecido em alguns dias e em breve virá o Natal e recomeça tudo de novo.
É o consumismo com tintas de novidade, de caridade, paciência e benevolência entre os homens de boa vontade... mulheres também.
Estou cansada e isso torna-me mais intolerante, implicante, chata, talvez.
Ainda estou com os efeitos da super-hiper-ultra pressão alta e dos remédios; deve ser isso.
Deve ser mesmo. Nem levantei para ligar o som e tocar o bom e velho Rock 'n' Roll, ouvi a porcaria que os vizinhos ouviram. Escutei mas não ouvi.
Amanhã será melhor e terá Rock 'n' Roll. Se Deus quiser.
É isso.


                                       



quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Gaviões da Fiel

                                


Vejo pela TV reportagens sobre o Carnaval, os ensaios das Escolas de Samba, o trabalhão que o pessoal tem para deixar tudo prontinho e certinho para o desfile. 
Respeito muito o trabalho e o talento desse povo que sua a camisa para fazer  o Carnaval acontecer e sua Escola arrebentar.
Que todas façam bonito na avenida!
Lembrava de um convite feito por minha colega de faculdade quando ainda estudávamos juntas. Ela me convidou para os ensaios da Escola de Samba X9 Paulistana, que fica na Zona Norte de São Paulo, onde moramos.
Naquela época eu já era acromegálica, já tinha os sintomas, mas não sabia que estava acromegálica. Maldita doença!
Eu já tinha as dores articulares, dores na coluna, dificuldade para andar, mas eu nem desconfiava de nada.
Agradeci ao simpático e atraente convite, mas declinei e aqui vão os motivos:
Não sei dançar, quem dirá sambar.
Imagina eu sambando toda torta e com dor.
Imagina a gafe, a vergonha, o mico. O samba paulistano não merece isso.
É uma vergonha, eu, uma brasileira nata e não saber sambar!
Mas assistir aos ensaios pode, né? Difícil segurar o chamado dos tambores.
Tambores que trazem a presença negra da Mãe África.
Tambores que trazem a força, a garra, o sofrimento, a honra e o orgulho dos filhos tão sofridos da Mãe África, filhos que tanto sofreram em séculos de escravidão.
Sou branca nojenta, como diz meu cunhado Pepê, mas tenho/tive bisavô negro, filho de escravos libertos. Meu bisavô Francisco, tão doce, tão lindo.
E que eu fosse vermelha, preta, azul, amarela ou de qualquer outra cor, isso não me impediria de amar e respeitar as outras cores. O caráter de uma pessoa não está na cor de sua pele mas sim em suas atitudes!
Um conhecido me pergunta sempre: "Mas por que você defende tanto essa raça?!"
"Que raça? Raça Humana? Somos todos iguais, nosso sangue é vermelho, ninguém tem sangue de outra cor. Cabra besta!"
Mas eu falava sobre Escolas de Samba.
Eu adoraria conhecer os bastidores das escolas, a criação e a produção das alegorias, pisar na avenida e sentir toda aquela força de perto.
Iria caminhando entre os membros da Escola, talvez aguentasse o tempo todo do percurso. Talvez, não sei. 
Mas eu iria decentemente vestida; esse negócio de peito e bunda de fora não é comigo e é o que mais me desagrada no Carnaval.
Acho lindos o Mestre Sala e a Porta Bandeira e a Ala das Baianas. Lindíssimos.
Eu torço por todas as Escolas, mas se eu fosse mesmo desfilar/sair em uma delas, (até parece), gostaria que fosse a Gaviões da Fiel.
É Corinthians, É Nóis, É Gaviões da Fiel.
Vai Curinthia!

                                 


domingo, 7 de outubro de 2012

Buffet, Beterraba, Pés

Meu irmão Fubá de "Abelho Rainho"
                           

Fomos ontem ao buffet infantil para comemorar e bebemorar o primeiro aniversário da minha sobrinha Rafaela; foi muito bom.
Fez muito calor e pensei em ir de vestido, mas e os sapatos/sandálias?
Comprei um lindo vestido no Shopping Penha e tinha em casa pares de sapatos e sandálias que até há bem pouco tempo serviam, mas que em poucos meses parece que encolheram.
Frustração, Melancolia, Revolta. Exatamente nessa ordem.
Horrenda, maldita, injusta Acromegalia!
Vesti o lindo vestido e tentei sem sucesso enfiar meus enormes, largos, gordos e inchados pés nos sapatos e sandálias que um dia serviram; não foi possível.
Fiquei triste.
Não poderia ir descalça, claro, e muito menos com sandálias de dedo. Se bem que hoje sandálias de dedo Havaianas estão e são muito fashion.
Tirei o vestido e vesti calça, blusa e calcei o tênis preto com meias pretas; meu uniforme de batalha. Saco!
Fomos ao buffet.
Chegando lá observei as mulheres calçadas com sapatos lindos e saltos altíssimos. Um dia eu usei calçados assim.
Adorei o sapato estilo boneca anos 50 da Adriana, cunhada da minha cunhada Preta. Aliás, Preta, minha cunhada, esposa do meu irmão Fubá e mãe da Rafaela prenda minha usava um lindíssimo sapato vermelho.
Não senti inveja má, não sou assim. Senti melancolia, decepção, frustração e uma sensação enorme de injustiça contra minha pessoa.
Comecei a me lascar desde o dia que meti a cara nesse mundo, graças a Deus, e já num estágio da vida onde eu queria só trabalhar e fazer as coisas que gosto, o que acontece? Acromegalia!
Bom...
Mas a festa foi ótima.
Obviamente fui vítima dos indefectíveis e ubíquos olhares e senti um certo estranhamento e aversão por parte dos fotógrafos do local. Paciência, eu devo estar acostumada. Sempre!
Meu irmão Rogério passou mal durante o dia, pressão alta, e não sentia-se muito bem, mas comeu bem até demais, graças a Deus. Apetite não é problema para meus irmãos.
Fomos eu e minha irmã Rosi nos servir do jantar e olhamos para as travessas com saladas mas não encontramos mais a beterraba; Rosi pergunta: "Cadê a beterraba?", e eu respondo: "Está no prato do Rogério".
Rimos.
Cantamos parabéns, o bolo e os docinhos foram servidos e as pessoas foram dançar. Fubá mandou tocar o hino do Corinthians em ritmo de pagode, ficou da hora, meu. É nóis, é Curinthia, mano!
Falei para Fubá mandar tocar o grito da Gaviões da Fiel na próxima festa em 2013. Ele já reservou, sabia? Quando Rafaela nasceu a primeira coisa que meu irmão fez foi sair à procura de buffets infantis para garantir a festa de aniversário da pequena.
Estamos saboreando o bolo e os doces quando uma convidada passa em nossa mesa e traz consigo um livro bonito com canetas coloridas e pede que escrevamos depoimentos para Rafaela. Um dia ela vai ler e vai gostar.
Meu irmão Rogério volta com copo de suco e prato com salgadinhos e não ouvira a conversa, pergunta: "O que ela quer? É dinheiro?"
Gargalhamos.
Minha sobrinha Maitê, filha de meu irmão Naldão não sente-se bem e a mãe resolve ir embora. Maitê só vê o avô e a mãe, não está acostumada com aglomerações e naturalmente estranhou aquele monte de pobre junto; não deu outra, a menina se assustou, coitada.
Rosi disse que Maitê nunca viu tanta gente bonita junto, pobres sim, mas bonitos. Tá bom. É muita boniteza mesmo.
Saímos do buffet e nos dividimos/apinhamos nos dois carros, mas antes de partirmos, meu irmão Rogério parou para vomitar. O bicho comeu que benza Deus, zóião do caramba, claro que ia passar mal. Mas ele disse que foi por causa da injeção de Benzetacil que ele tomara algumas horas antes. Claro.
Mamãe dizia "Bejotacil".
Eu o provoquei e disse: "Acho que foi beterrabacil". Todos rimos e ele ameaçou vomitar no meu carro. Renata disse que se ele fizesse isso ela também vomitaria e aí foi um uníssono "Eu também".
Falei que se fizessem isso iriam todos a pés para casa.
Foi divertido.
Liguei hoje para meu irmão Rogério para saber como estava e está melhor, graças a Deus. Disse-lhe: "Se cuide, cabra! Tu tem uma renca de filho pra criar e tu sabe muito bem que nessa nossa família o cabra é saudável até os trinta anos, depois começa a ficar bichado. Se liga, meu, ou tu não vai comer castanha no Natal!"
Somos muito carinhosos um para com o outro. 
Muito lindo isso.