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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Vestido de Noiva


Vestidos de 2 mil e 20 mil dólares. Não vejo diferença entre eles.


Assistia ao programa "O vestido ideal - Say yes to the dress" e, apesar de 99.99% serem brancos, bordados e bonitos, o preço variava de dois mil dólares até doze mil e até vinte mil!
Os modelos variam, claro, mas o que um vestido de vinte mil tem que o de dois mil não tem? Talvez um tecido mais nobre, pedrarias, rendas e afins, mas isso justifica essa gritante diferença de preço?
Não, não pretendo me casar. Estou bem assim e apenas gosto de assistir programas de culinária e moda quando o restante da programação não oferece nada melhor que isso.
A maioria das noivas leva um séquito junto para a escolha do vestido e lá vão pais, mães, madrinhas de casamento, irmãs, cunhadas etc...
Fiquei com raiva de uma mãe possessiva-obsessiva-castradora que impunha suas vontades sobre a decisão da única filha. A moça queria um vestido simples, mas a mãe queria algo bufante e exagerado, à la anos 80.
Quando questionada sobre se impor tanto sendo que era a filha que se casaria, a mãe bruxa disse: "Ela é minha filha, eu que estou pagando o vestido, então tem que ser como eu quiser". A pobre moça só chorava enquanto provava um vestido de noiva que mais lembrava um vestido de debutante.
Outra noiva gordinha e peituda queria se enfiar em um vestido tipo sereia, uma outra magricela sem peito escolheu um modelo simples, reto e sem adornos que mais parecia uma camisola mas que tinha um decote comprido.
Mulher sem peito com decote grande não fica sexy, fica horrível. 
Lembram da atriz branquela, insossa e sem peito, Gwyneth Paltrow, que usou um vestido cor de rosa e decotado na festa do Oscar? Pois é.
Bom...
Algumas noivas se encantam logo com o primeiro vestido que provam e uma outra provou o número recorde de cento quatorze vestidos!
A choradeira é algo muito comum entre americanas; se acham o vestido ideal, choram, e se não acham o vestido, choram também. É um chororô só, chora noiva, mãe, madrinha...
Uma moça adorou um vestido de doze mil dólares mas só podia pagar até dois mil e quinhentos. O pai fez-lhe uma surpresa e presenteou-lhe com o vestido que seria usado por apenas algumas horas. Melhor usar esse dinheiro para viajar ou comprar um carro.
Mas cada um, cada um e como nunca terei esse problema e nunca passarei por esse stress de vestido, festa, convidados, lua de mel etc e tal, fico apenas assistindo e calculando o valor final de tudo isso; dá para comprar uma casa, em alguns casos mais exagerados.
Se tivesse dinheiro e se a situação melhorar até lá, gostaria de fazer uma festa bem bacana para comemorar meus 50 anos em 2017. Uma festa à fantasia com música dos anos 50, 60, 80 e 90.
Quem sabe?
É isso.



Gwyneth Paltrow       vestido de debutante





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um dia daqueles

                                



Mamãe era hipertensa, fumante e teimosa. Era também muito viva, esperta, inteligente e inquieta.
Mas quando mamãe ficava nervosa sua pressão subia a níveis estratosféricos e ela ficava bem doente por uns dias.
Estou igual a mamãe e não é por opção minha, é por um pouco de tudo. Problemas, gente ruim, saúde mais pra lá do que pra cá, preocupações, incertezas, saudades, receios, cismas, sentimentos...
Como diria meu amado avô Paipreto: "É munta coisa, minha filha".
É muita mesmo, meu Deus.
Sinto que a cada dia meus ossos endurecem e entrevam mais e as dores aumentam.
Fui ao banco na Vila Maria para pagar contas e deixei o carro em um estacionamento meio longe; tive que andar uns cento e cinquenta metros. Fui com minha bengala e foi difícil, lento e doloroso.
Chego ao banco e a maioria dos caixas eletrônicos estava em manutenção, aguardo. Coloco o cartão e a máquina mostra uma mensagem: "Erro de leitura do cartão". Que legal!
Finalmente tudo se normaliza e pago as contas uma a uma, exceto as contas de água e luz cuja leitura óptica nunca é feita pelos caixas eletrônicos do banco. É um saco!
Chamei o rapazinho para me ajudar a digitar o imenso código de barras e ele diz que logo vem. Veio nada. O jeito foi ir ao balcão, sacar de meus poderosos óculos e caneta, separar os números e contar os zeros. Pronto, paguei as benditas contas.
Havia ido à Loteca que fica no Carrefour da Vila Maria/Vila Guilherme e lá chegando a estupidamente grossa moça do caixa disse: "Aqui não recebe mais conta não! Tá cheio de aviso por ai, ó!".
Nossa! Assim você me mata... de vergonha.
Eu disse à distinta que estou habituada a pagar algumas contas na Loteca e que não sabia sobre a mudança. 
Outra coisa que está me atormentando é a dona da casa e sua furiosa fome por dinheiro. O aluguel vence todo dia dez e todo inquilino tem até cinco dias para pagá-lo sem multa ou juros. Domingo foi dia dez e encontro no meu celular uma ligação perdida da dona da casa.
O que ela quer agora, minha Nossa Senhora?
Queria saber se eu havia pago o aluguel!
Feriado de Carnaval e os bancos só abriram hoje, quarta feira de cinzas, após o meio dia. Pelo amor de Deus!
Paguei o bendito aluguel e liguei para a imobiliária para reclamar. É realmente necessário a dona da casa ligar sempre para cobrar o aluguel sabendo que pago sempre entre os dias dez e quinze? E sabendo que dia dez caiu em um domingo e estávamos em uma semana de feriado?!
Será que ela está passando fome? Acho que vou comprar uma cesta básica pra ela, @!#$%!!!
Indo e voltando ao banco sou observada pelas pessoas que me lançam olhares de dúvida, estranhamento e até de certa raiva. Usei meu vestido longo de verão, adoro vestidos, e mesmo assim me confundiram com um homem. Só se fosse um travesti, como todo respeito.
Caminho lentamente e dolorosamente até o estacionamento e parece que quando não estamos bem tudo contribui para piorar.
Minhas pernas pesavam como se tivessem correntes presas a elas. Uma moça bonita caminha à minha frente e observo seu bonito vestido curto e sua sandália de saltos altíssimos. Mesmo assim ela era pequena, se comparando a mim.
Sentia-me um Shrek ou o Hulk de vestido.
Adorei seu look e lembrei que um dia já usei saltos altos. Eu nunca fui bonita, mas tinha o rosto normal. Pelo menos isso.
Sei lá.
É tanta coisa junta. Tanta pressão, cobrança, preocupação, cisma... Medo não, sou nordestina cabra da peste e para nós não é medo, é cisma.
Cheguei em casa e me deitei no sofá, deveria ser apenas alguns minutinhos de descanso, mas dormi pesadamente. Estava tão cansada e não sei se foi da longa caminhada de cento e cinquenta metros até o banco, ou as preocupações ou tudo junto.
Estou aqui a escrever com Boreal em meu colo a dormir tranquilamente. Boreal está grande, forte, lindo e saudável, bem diferente daquele gatinho fraco, magro, pele e osso e que mais parecia uma rato.
Boreal procura por mim, me chama e pede colo. Tudo isso depois de tomar seu leitinho.
Todos dormem e eu cá estou a escrever e a "secar" os Bambis jogando contra o Atlético Mineiro. 
Em bom curinthianês: Os cara seca nóis, então por que nóis num pode secar eles?!
Como todo respeito.
Albert Einstein disse: " A questão que às vezes me deixa loucoLouco sou eu ou são os outros?"

                   
                                                

domingo, 7 de outubro de 2012

Buffet, Beterraba, Pés

Meu irmão Fubá de "Abelho Rainho"
                           

Fomos ontem ao buffet infantil para comemorar e bebemorar o primeiro aniversário da minha sobrinha Rafaela; foi muito bom.
Fez muito calor e pensei em ir de vestido, mas e os sapatos/sandálias?
Comprei um lindo vestido no Shopping Penha e tinha em casa pares de sapatos e sandálias que até há bem pouco tempo serviam, mas que em poucos meses parece que encolheram.
Frustração, Melancolia, Revolta. Exatamente nessa ordem.
Horrenda, maldita, injusta Acromegalia!
Vesti o lindo vestido e tentei sem sucesso enfiar meus enormes, largos, gordos e inchados pés nos sapatos e sandálias que um dia serviram; não foi possível.
Fiquei triste.
Não poderia ir descalça, claro, e muito menos com sandálias de dedo. Se bem que hoje sandálias de dedo Havaianas estão e são muito fashion.
Tirei o vestido e vesti calça, blusa e calcei o tênis preto com meias pretas; meu uniforme de batalha. Saco!
Fomos ao buffet.
Chegando lá observei as mulheres calçadas com sapatos lindos e saltos altíssimos. Um dia eu usei calçados assim.
Adorei o sapato estilo boneca anos 50 da Adriana, cunhada da minha cunhada Preta. Aliás, Preta, minha cunhada, esposa do meu irmão Fubá e mãe da Rafaela prenda minha usava um lindíssimo sapato vermelho.
Não senti inveja má, não sou assim. Senti melancolia, decepção, frustração e uma sensação enorme de injustiça contra minha pessoa.
Comecei a me lascar desde o dia que meti a cara nesse mundo, graças a Deus, e já num estágio da vida onde eu queria só trabalhar e fazer as coisas que gosto, o que acontece? Acromegalia!
Bom...
Mas a festa foi ótima.
Obviamente fui vítima dos indefectíveis e ubíquos olhares e senti um certo estranhamento e aversão por parte dos fotógrafos do local. Paciência, eu devo estar acostumada. Sempre!
Meu irmão Rogério passou mal durante o dia, pressão alta, e não sentia-se muito bem, mas comeu bem até demais, graças a Deus. Apetite não é problema para meus irmãos.
Fomos eu e minha irmã Rosi nos servir do jantar e olhamos para as travessas com saladas mas não encontramos mais a beterraba; Rosi pergunta: "Cadê a beterraba?", e eu respondo: "Está no prato do Rogério".
Rimos.
Cantamos parabéns, o bolo e os docinhos foram servidos e as pessoas foram dançar. Fubá mandou tocar o hino do Corinthians em ritmo de pagode, ficou da hora, meu. É nóis, é Curinthia, mano!
Falei para Fubá mandar tocar o grito da Gaviões da Fiel na próxima festa em 2013. Ele já reservou, sabia? Quando Rafaela nasceu a primeira coisa que meu irmão fez foi sair à procura de buffets infantis para garantir a festa de aniversário da pequena.
Estamos saboreando o bolo e os doces quando uma convidada passa em nossa mesa e traz consigo um livro bonito com canetas coloridas e pede que escrevamos depoimentos para Rafaela. Um dia ela vai ler e vai gostar.
Meu irmão Rogério volta com copo de suco e prato com salgadinhos e não ouvira a conversa, pergunta: "O que ela quer? É dinheiro?"
Gargalhamos.
Minha sobrinha Maitê, filha de meu irmão Naldão não sente-se bem e a mãe resolve ir embora. Maitê só vê o avô e a mãe, não está acostumada com aglomerações e naturalmente estranhou aquele monte de pobre junto; não deu outra, a menina se assustou, coitada.
Rosi disse que Maitê nunca viu tanta gente bonita junto, pobres sim, mas bonitos. Tá bom. É muita boniteza mesmo.
Saímos do buffet e nos dividimos/apinhamos nos dois carros, mas antes de partirmos, meu irmão Rogério parou para vomitar. O bicho comeu que benza Deus, zóião do caramba, claro que ia passar mal. Mas ele disse que foi por causa da injeção de Benzetacil que ele tomara algumas horas antes. Claro.
Mamãe dizia "Bejotacil".
Eu o provoquei e disse: "Acho que foi beterrabacil". Todos rimos e ele ameaçou vomitar no meu carro. Renata disse que se ele fizesse isso ela também vomitaria e aí foi um uníssono "Eu também".
Falei que se fizessem isso iriam todos a pés para casa.
Foi divertido.
Liguei hoje para meu irmão Rogério para saber como estava e está melhor, graças a Deus. Disse-lhe: "Se cuide, cabra! Tu tem uma renca de filho pra criar e tu sabe muito bem que nessa nossa família o cabra é saudável até os trinta anos, depois começa a ficar bichado. Se liga, meu, ou tu não vai comer castanha no Natal!"
Somos muito carinhosos um para com o outro. 
Muito lindo isso.

                      
                                
                            



sexta-feira, 15 de junho de 2012

Esmalte e Calça Comprida

                                        


Mamãe sempre foi uma mulher moderna e avançada para sua época.
Mamãe era o "homem" da casa, tanto da casa de Paipreto quanto da nossa casa.
Mamãe tomava as decisões, agia, decidia e papai só reclamava, arrumava desculpas, via defeito em tudo.
Mamãe era solteira e trabalhava na escola municipal de Poços, Cumaru.
Mamãe era vaidosa e adorava pintar as unhas de vermelho, fazer sobrancelha e manter os cabelos curtos; gostava também de usar calças compridas e isso tudo em uma época em que moças e senhoras de boa família tinham cabelo compridos, unhas curtas e sem esmalte e usavam saias ou vestidos do joelho pra baixo.
Mulheres muito modernas para a época eram tidas como prostitutas e chamadas de "rapariga".
Mamãe já estava casada e tinha três filhos, eu e meus irmãos Naldão e Rogério, e um dia voltou para casa vestindo calças compridas e com as unhas pintadas de vermelho; Paipreto não gostou nenhum um pouco.
Mamãe tentou argumentar, disse que não era "rapariga" e sim uma mãe de família e o que faz a pessoa é sua atitude e não a roupa que usa, mas meu avô disse que essas "mudernage" era coisa de "mulher dama" e "quenga" e a filha dele fora muito bem criada e tinha um pai cabra macho com sangue no olho!
Mãevelha tentava ajudar mamãe e dizia: "O João, e o que é que tem demais, meu véio? Não tem precisão de tu botar tanto bistaque, tu não sabe que Marlene gostar de andar ajeitada, homi? Oxe!"
Mamãe conseguiu convencer Paipreto que não tinha problema nenhum em ser vaidosa e ela continuou com seus cabelos curtos, a sobrancelha feita e as unhas sempre pintadas de vermelho.
Vermelho era a cor favorita de mamãe.


                                         

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Rejane & Regiane

                                                


Fui ao médico e aguardo ser chamada.
Estou na sala de espera lendo "50 Anos A Mil" do Lobão; li quase metade do livro. 
O médico é meio demorante, um neologismo de Beatriz.
Chegam outros pacientes e todos aguardam folheando revistas e/ou assistindo aos chatos programas da tarde.
Passada mais uma boa meia hora, escuto o médico chamar: "Maria Rejane". Uma moça vestida num belo vestido azul com petit poa (pequenas bolinhas em francês) branco levanta-se desembestadamente e corre em direção ao médico; parece que era a consulta da sua vida. Tanto vexame, Oxe!
O médico estranha aquela afobação e diz: "Eu chamei Maria Rejane!"
"Eu sou Regiane"
"Mas eu chamei Maria Rejane!".
A afobada desculpa-se e diz: "Eu sou Regiane e é bem parecido com Rejane, né?"
"É, mas não tem o Maria na frente, tem?"
Desculpa aí.




Beatriz com um de seus livros favoritos
Beatriz, muito culta, sempre lendo
                                      

quarta-feira, 14 de março de 2012

Branco

                                             


Domingo era o dia que papai e mamãe me levavam para visitar meus avós; às vezes eles iam à nossa casa.
Mamãe preparava o vestido e os sapatos mais bonitos para mim, ela queria que Paipreto, Mãevelha e avô José me encontrassem toda limpinha e arrumadinha.
Mamãe fizera um vestido branco de crochê para mim e um par de meias também brancas para combinar. Havia também laços de fita brancos para serem usados nos meus cabelos cacheados.
Era tudo muito branco, limpo, impecável... (mas por pouco tempo).
Mamãe me deu banho e me vestiu com as roupas feitas por ela. 
Mamãe estava orgulhosa, eu estava de vestido branco, meias brancas, sapatos brancos e lacinhos brancos nos cabelos.
Mamãe sabendo que aquela brancura toda não duraria muito, me adverte: "Não vá se sujar, viu? Daqui a pouco seus avós estarão aqui para te ver".
Mamãe pede a papai para cuidar de mim enquanto ela se prepara para receber as visitas que já estavam a caminho.
Eu e papai vamos para o alpendre da fazenda e nos sentamos em um degrau da escada. Papai prepara seu cigarro de palha e mantém os olhos na porteira, a qualquer momento se ouviria os cascos e o relinchar dos cavalos trazendo meu Paipreto, minha Mãevelha e meu avô José.
Papai está concentrado na porteira e no cigarro e não me vê afastar.
Meus avós chegam e perguntam por mim. Mamãe responde e pergunta ao mesmo tempo: "Mas eu não deixei a menina com você, Dedé? Minha Nossa Senhora do Pepé (Perpétuo) do Socorro!"
Vão à minha procura. 
Avô José e Paipreto sabem onde me encontrar.
Caminham em direção ao açude onde o gado bebe água e lá me encontram agachada no meio das cabras e bois e batendo as mãos na água.
Estou molhada e suja. O vestido, as meias, os sapatos e os lacinhos que antes eram brancos agora tinham uma nova cor.
Avô José e Paipreto me abraçam e me cobrem de beijos, não se importam com minhas roupas sujas e molhadas.
Vamos para casa. Ora sou carregada por Paipreto, ora por avô José. Mamãe fica muito brava ao me ver: "Mas eu não acredito! Arrumei essa menina nesse instante e ela já está assim?! Olha só, desgraçou o vestido e as meias brancas que eu fiz pra ela. Eita menina impussivi. Meu Pai Eterno".
Era um dia branco.


Minha sobrinha Rafaela vestida de branco em um dia branco
                                        

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Princesa e o Sapo

                                             


Minha sobrinha Beatriz é terrível, inteligentíssima, linda, "queixo duro, rispi e oreiuda", como dizia papai.
Eu a provoco e a chamo de "seriema fashion, seriema branquela, gata galega e Bibi linda".
Hoje fomos à gráfica para buscar suas apostilas; as aulas começam amanhã.
Voltamos para casa e fomos pintar. Peguei um livro de pinturas do desenho animado A Princesa e o Sapo e provoquei Beatriz: "Bibi, sabia que mudei o tema da minha festa de aniversário? Agora vai ser da Princesa e o Sapo. Você acha que se eu for com um vestido igual ao dela vai ficar legal?".
"Não, né tia Rejane".
"E por que, Bibi?"
"Porque você já é véia para usar esse tipo de vestido. Ele não é para gente adulta e véia que nem você; ele é só para pessoas jovens".
"Então com que roupa você acha que eu devo ir?"
"Com um vestido da Avon".


                                        

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Vestido de Bailarina

Numa tarde bonita uma vizinha chama mamãe para mostrar um vestido de bailarina.
Era um vestido com corpete de veludo cor de vinho e a saia de filó cor de rosa.
Adorei aquele vestido. Me imaginei naquele vestido. Me imaginei uma bailarina.
Mamãe não podia comprar o vestido de bailarina para mim.
Nossa vida era difícil e nossa sobrevivência dependia dos poucos trabalhos que mamãe conseguia, da ajuda de Tio José do Recife e do dinheiro que papai mandava mensalmente de São Paulo.
Não sobrava para luxos e extravagâncias; por menores que fossem, como o vestido de bailarina.
Eu olhava o vestido, passava as mãos pelo veludo macio e brincava com a saia de filó.
Olhei para mamãe e pedi: "Compra, mãe".
"Não posso filha. Mas um dia, se Deus quiser, vou poder comprar um vestido desse pra você".
"E por que não compra hoje?"
"Não posso, filha".
Chorei.
Mamãe agradece a vizinha, segura minha mão e caminhamos juntas para casa.
Antes de sair, como a minha mão na mão de mamãe, olhei para trás para me despedir do vestido de bailarina.