Mostrando postagens com marcador Lavoisier. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lavoisier. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Enfermeira

                                            


Fui à CPA (Centro de Procedimento e Apoio) da Unimed na Avenida Celso Garcia, Tatuapé.
Fui fazer exames de sangue e tomar minha injeção: Sandostatin-LAR (acetato de octreotide).
Vou direto ao laboratório Lavoisier, faço o exame e sou informada que preciso retornar duas horas após o almoço para realizar exame de glicose. Ok. O problema aqui é que fui atendida por uma enfermeira que não sabia quais tubos usar para depositar o sangue coletado e perguntava tudo à colega que também estava ocupada com outra paciente. A enfermeira atrapalhada também não usou luvas para coletar o sangue, o que traz riscos para mim e para ela também.
Bom...
Vou ao outro balcão e pergunto se é preciso fazer nova ficha para eu ser atendida e tomar meu remédio: sim.
Faço a bendita ficha e aguardo impacientemente meu nome ser chamado. Havia muita gente, muitos bebês chorando e para contribuir com o caos existente, o prédio está em obras. Era praticamente impossível ouvir o nome ser chamado em meio à vozes, choro e marteladas.
Os pacientes se acotovelavam em frente à porta da triagem para poder ouvir seus nomes serem chamados e isso deixou o local parecendo um mercado de peixe na semana santa.
A cada instante saía um médico ou um enfermeiro segurando fichas e berrando os nomes dos pacientes; já outros enfermeiros com voz mais delicada iam mais próximo dos pacientes para chamá-los. 
Sou chamada, entro e aguardo.
A enfermeira me chama e eu entrego a injeção para ela e explico, ou tento explicar, sobre o modo correto de manipular e aplicar o remédio alto custo. A simpática profissional da saúde não gosta que eu explique e acha que eu estou dando-lhe aula sobre como aplicar uma injeção. Mas não é uma injeção comum.
Ela abre a caixa e estranha as duas agulhas, o frasco-ampola e sistema de aplicação. A enfermeira fica sem graça, dá uma risadinha amarela e diz: "Eu nunca apliquei esse remédio, é diferente, eu não conheço".
"Pois era exatamente o que eu estava tentando dizer!".
Deve-se misturar lentamente e delicadamente o pó ao líquido e deixar descansar de dois a cinco minutos para então ser aplicado; é um remédio caro e distribuído pela Farmácia Alto Custo. Eu tomo Sandostatin LAR a cada vinte e oito dias desde 2007 e sei dos cuidados ao manejar o remédio. Não é minha intenção ensinar Ave-Maria a padre velho, mas às vezes surge uma oração nova!


                                        

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Acromegalia: Preconceito

                                                


Fui hoje cedo ao laboratório para fazer os exames pré operatórios pedidos pelo neurocirurgião. Parece que dessa vez essa bendita cirurgia vai acontecer. Amém.
Tudo vai dar certo, se Deus quiser. Tenho sempre gente boa comigo.
Eu costumava fazer meus exames no laboratório CDB na unidade Tatuapé. O laboratório foi recomendado pelo Dr. Sandro, meu endócrino.
Fiz exames nesse local durante muitos anos, mas agora não posso mais. O motivo é que "planos do tipo do da senhora não vão mais estarem sendo aceitos. A senhora deve estar procurando outros laboratórios".
Liguei para vários e foi sugerido que eu fizesse um tipo de exame em um laboratório diferente. Perguntei porque não poderia fazer tudo em um só e foi-me dito que nem todos os exames são feitos ali. Tá.
Vou à CPA (Centro de Procedimento e Apoio), uma unidade da Unimed Paulistana na Avenida Celso Garcia, Tatuapé. Lá tem o laboratório Lavoisier
Chego ao local, vejo doze guichês e apenas uma pessoa atendendo aos pacientes. Pego a senha e espero. Senha número 481. A senha que estava sendo atendida era a senha 479. A espera demorou 15 minutos.
Me pergunto: Pra quê tantos guichês se só uma ou duas pessoas trabalham? São para enfeite?
Uma ou duas trabalham enquanto as outras conversam, tomam um cafezinho, riem...E os pacientes pacientemente esperando.
Finalmente sou atendida e faço exames de sangue. Vou ao outro balcão e entrego a guia para fazer Raio X de tórax. Sou encaminhada à sala de espera e aguardo ser chamada.
Pela porta do corredor vejo se aproximar a moça da limpeza empurrando seu carrinho de trabalho. Ela para bruscamente, como se tivesse levado um susto, olha para mim, me encara, faz cara de nojo e diz: "Credo em cruz, o que é isso?!". Ela entra numa sala acompanhada por outro funcionário e diz: "Olha só pra aquilo!".
Ambos me encaram e devolvo o olhar; pergunto: "Pois não. Algum problema?"
O rapaz desviou o olhar para a faxineira como se só ela estivesse a me olhar e a dita cuja saiu da sala empurrando o carrinho enfurecidamente.
Fiz o exame e fui ao balcão de novo e perguntei quem era o responsável pelo local. A atendente me pergunta qual o motivo de eu querer saber e se tive problema com o atendimento ou com o exame. 
Não.
Expliquei o ocorrido e ela me deu um papel com o número de telefone para "estar ligando".
Disse a ela que vou fazer mais. Vou ligar, colocar nas redes sociais e no meu blog.
Já estou farta de olhares e comentários cruéis de gente que se acha perfeita e que não deve ter problemas. Se tivesse, não cuidaria da vida dos outros.
Sou Acromegálica e não pedi para ser. Aconteceu.
Vou encarar minha sexta cirurgia e me machuca muito mais o preconceito e ignorância das pessoas do que o procedimento em si. 
Para dores físicas temos remédios, tratamentos e até cura. E para o preconceito, tem remédio?