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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Início de Ano

                                

Próxima segunda-feira inicia-se o ano de 2013.
Até agora só tivemos feriados, incluindo uma semana de Carnaval. Alguns viajantes só voltarão à rotina e à vida real na próxima segunda-feira;vão emendar o feriadão.
Eu não viajei, vários motivos me impediram de fazê-lo, fiquei por aqui mesmo.
Não tinha dinheiro para combustível, pedágio, acomodação, alimentação e afins, mas o motivo maior foi a preocupação com a segurança e o bem estar dos meus gatos. Tenho vizinhos, um afrescalhado e uma criatura esganiçada, que ameaçaram dar leite envenenado para meus gatos.
Meu vizinho da frente tinha uma gata prenha pela segunda vez e que ainda amamentava seus quatro filhotes já grandinhos. Ela não voltou para casa e quando a encontraram, estava morta em um terreno baldio. Foi envenenada e dizem os donos dela que ela havia comido algo com veneno que seria destinado aos ratos. Não sei se engulo bem essa história.
A gatinha, que Deus a tenha, chamava-se Mel e era muito parecida com minha Aurora. Daí vem minha cisma.
Já falei para esses dois malditos ignorantes que lá no lugar de onde vieram pode não ter leis, mas aqui em São Paulo tem!
São pessoas ignorantes, burras, preconceituosas, barulhentas, desagradáveis.
Mas voltando ao feriado...
Mesmo que eu tivesse condições financeiras para viajar e para deixar meus gatos em segurança, ainda assim não viajaria.
Talvez para um lugar mais isolado e longe de muita agitação.
Não gosto de muita muvuca, sou mais bicho do mato e gosto de paz e sossego. Coisas que não tive durante toda essa semana carnavalesca.
Aqui onde moro é melhor durante os dias de trabalho; feriados atraem a molecada que joga bola na rua e canta horrivelmente funk ou os vizinhos que ligam seus aparelhos de som em uma altura que incomoda legal. A cantoria vai noite adentro.
Não estou satisfeita aqui onde moro, quero me mudar para um lugar onde haja algum respeito pelos outros.
Vontade de voltar para meu Sertão. Será que na capital tem Farmácia Alto Custo?
É isso.


                                   
                                    

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Normas

                             


Tomo mensalmente minha dose de Sandostatin-LAR (Acetato de Octreotide) e costumava ir à CPA da Unimed, mas mudei meu convênio médico. Liguei para saber em que clínica ou hospital ou poderia tomar a injeção, uma vez que não pode ser aplicado em farmácias, e fui informada que poderia ir a qualquer hospital da rede conveniada. Beleza.
O jeito foi ir ao Hospital Nipo Brasileiro; não gosto muito, mas é o mais próximo de onde moro. Saí de casa munida de documentos, papelada da Farmácia Alto Custo e o remédio cuidadosamente armazenado na caixa de isopor com gelo. OK.
Faço a ficha e perguntam o motivo da consulta e eu digo que vim para tomar minha injeção e a trouxe comigo. Depois da ficha feita passo pela triagem e tenho glicemia e pressão arterial medidas; glicemia está boa mas a pressão estava 17x11. Alta. Na triagem perguntaram a mesma e eu respondi a mesma coisa: vou tomar injeção e blá, blá, blá...
Saio da triagem e aguardo na sala de espera e sou observada, como sempre. Dá vontade de perguntar a esses que me olham se querem minha foto autografada. Saco! Esse povo não tem espelho em casa?!
A médica me chama e relato o fato, de novo. Ela me entrega a papelada e diz para ir seguir até o fim da linha amarela e lá chegando, uma funcionária pede a papelada, pergunta o que é e diz para eu entregar na sala de medicação.
Aguardo.
Uma jovem enfermeira pega a papelada e chama a enfermeira chefe; conversam, gesticulam, me olham e me chamam: "Não podemos aplicar a medicação, senhora. É norma do hospital não aplicar medicamentos que venham de fora".
Me arretei, educadamente, mas me arretei.
Expliquei tooooooooooooda a história de novo, disse que preciso tomar a injeção, mostrei os laudos médicos, a solicitação do médico para que fosse aplicado o remédio, a papelada da Farmácia Alto Custo... Ufa"
Nem assim resolveu. Nem sabiam o que é a tal da Farmácia Alto Custo e disseram para eu voltar hoje às sete horas da manhã para conversar com a fulana de tal que manda geral na bagaça e isso tudo ainda nem garantiria que a injeção fosse aplicada. 
Não vou perder meu tempo, não vou voltar a um lugar que não gosto, não vou lá para bater papo, necessito apenas que a droga seja aplicada, só isso. 
Entendo que há normas e estas devem ser respeitadas, mas existem exceções também. Levei toda a documentação necessária, levei o remédio e acho que meu carão acromegálico é prova suficiente.
Bom, para não me estressar mais e fazer a pressão desembestar mais ainda, voltei para casa e hoje cedo fui levar os exames para o médico com corpinho de caminhoneiro.
Vou procurar um modo de tomar essa bendita injeção.
É isso.

                                 

                                

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Jardim

                                


Fui à Farmácia Alto Custo buscar minha injeção de Acetato de Octreotide - Sandostatin LAR.
Estava pensando em como as pessoas doentes sofriam antigamente e lembro que muitas famílias vendiam bens, faziam rifas e criavam formas de arrecadar dinheiro para custear o tratamento dos seus enfermos.
Hoje remédios caros e raros são distribuídos gratuitamente pela Farmácia Alto Custo e pegamos o medicamento mediante alguma burocracia, como laudos médicos e exames.
Saí da Farmácia Alto Custo e fui ao laboratório para pegar o resultado dos exames e um deles, a biópsia para identificar a presença da bactéria H-Pylori, teve resultado positivo.
Foi identificada também uma esofagite; tenho tido dificuldade para dormir com a sensação de queimação que sobe pela garganta. 
Vou levar os exames ao gastroenterologista e seguir suas recomendações.
Cheguei em casa e decidi cuidar do meu jardim. Podei algumas plantas, troquei algumas de lugar, reguei, e tudo sob os olhares curiosos dos meus gatos.
Minhas plantas estão lindas e se espalham pelo pequeno quintal. Léo Caramelo adora se deitar sob e sobre elas nos dias quentes.
As borboletas visitam meu jardim mas a gataiada as perseguem e vejo os pequenos e frágeis corpos e asas das pobrezinhas espalhados pelo quintal. É a natureza, não posso interferir.
Podei e tirei as folhas e galhos secos do pinheirinho e ele será decorado com ornamentos natalinos. Minha árvore de Natal.
Agora a pouco caiu uma chuva rápida e deixou tudo mais fresco.
Vou para a cama tentar assistir o CQC até o fim; estou tão cansada.
É isso.


                                           

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Óculos de Sol, Buzanfa, Biscoitos e outras observações...

                                  


Fui à Farmácia Alto Custo para pegar meu remédio e o do meu irmão Fubá também.
Papelada conferida e me são entregues duas senhas com numeração diferente; pergunto à funcionária se é realmente necessário, pois vou pegar os remédios juntos. Ela diz que para cada tipo de procedimento exige-se uma senha específica.
Aguardo e confirmo a numeração; havia cem pessoas na frente da senha do Fubá e "apenas" sessenta e três na minha.
Algumas vezes têm apenas cinco ou seis pessoas na minha frente, mas ultimamente esse número tem sido elevado.
O salão de espera estava lotado e um frenético entra e sai de pessoas; uns reclamando da demora, outros reclamando da burocracia, outros da falta de informação adequada...
Uma senhora perua com a filha aborrecente e fashion sentam nas cadeiras da fileira do corredor de entrada, as pessoas tinham que diminuir o passo e desviar das pernas cruzadas das dondocas sem noção. 
Mesmo com o entra e sai de pessoas as dondocas não descruzavam suas pernocas de jeito nenhum, todos que passavam esbarravam nas pernas delas.
Uma senhora oxigenada e com óculos enormes que pareciam tomados de Willy Wonka ruminava tranquilamente biscoitos de polvilho e nem viu quando sua senha foi chamada; alguém teve que alertá-la.
Uma senhorinha religiosa acompanhada pela neta bocuda e mal criada que saía empurrando todos pela frente. Talvez o pastor devesse tirar a falta de educação do corpo da menina: "Sai desse corpo que não te pertence!"
Observo e sou observada. Sempre.
Um grupo de velhinhas reclamam que não receberam o remédio que deveria ser entregue pelo serviço de motoboy.
Um rapaz alto entra; seu corpo tatuado, seu andar gingado, relógio de Itu no pulso (dava para ver a hora a um quilômetro de distância!) e os óculos de sol na nuca. Alguns usam no alto da cabeça, como a personagem Leleco da novela Avenida Brasil.
Acho horrenda essa moda/mania de colocar os óculos na nuca. Isso é horrível e passa atestado de malandro exibido.
Uma senhora com o traseiro diametralmente desenvolvido senta-se ao lado das peruas de pernas cruzadas e sua buzanfa sobra para os lados em sua cadeira e incomoda as dondocas.
A senhora de buzanfa vitaminada entra mastigando um sanduba de linguiça que é preparado por um dos muitos vendedores de alimentos que fazem ponto próximo à farmácia. 
Imagino aquilo exposto à poluição, fumaça dos automóveis, poeira... Mas é tudo caseiro, come lá e morre em casa.
Minha senha é chamada. Aleluia!
Papelada entregue, conferida, documentos, assinatura e aguardar os remédios.
Tudo pronto e saio de lá.
Trânsito caótico numa bela tarde de sol. Radial Leste congestionada, como sempre.
Vou primeiro levar os remédios de Fubá e lá encontro Rafaela que ao me ver faz biquinho pedindo para eu cantar. Canto, ela tenta acompanhar com aquela boquinha linda e sorri.
Voltei para casa e encontro a calçada suja com linha de pipa e pipas rasgados e o doce menino do vizinho diz que não foi ele, claro. É a inocência em pessoa.
Tomei banho, alimentei a gataida, comi alguma coisa e estou aqui a escrever meus causos "venéricos", como diz Fubá.
É isso.


                                   

terça-feira, 29 de maio de 2012

Curiosidade & Banho

                                             


Fui hoje à Farmácia Alto Custo para buscar minha injeção de Sandostatin-LAR.
Eu deveria ter ido ontem, mas o trânsito estava travado; hoje foi melhor.
Entreguei a papelada para conferência e foi-me dada a senha para retirar o remédio na sala ao lado; havia "apenas" cinquenta e três pessoas na minha frente. Esperei uma hora e quinze minutos até chegar minha vez e até que não foi tão demorante assim, como diz Bibi, já esperei mais de três horas.
Estava sentada com a caixa de isopor no colo e um garotinho se aproxima e pergunta o que é que tem ali dentro e eu digo que é gelo.
Acho que ele pensou que na caixa de isopor haveria bebida, sorvetes ou outras guloseimas geladas.
Meu número é chamado e vou ao balcão entregar a papelada mais uma vez, assinar, entregar cartão do SUS e pegar meu remédio. 
Voltei para casa e tomei banho. É uma coisa que aprendi com Mãevelha, tomar banho quando retornar de locais como farmácias, hospitais, cemitérios, velórios e locais onde haja energia forte e carregada.
Não sei se tem fundamento, mas desde criança faço isso e via minha avó, minha mãe, minhas tias velhas fazendo o mesmo.
Mamãe dizia que o banho além de nos limpar fisicamente, limpava as energias pesadas e as mandava para o fundo do mar sagrado e assim ficaríamos limpos e protegidos. Amém.
É isso.




                                        


                                            

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Idosos

                                               


Saí do prédio da perícia e fui ao prédio da Farmácia Alto custo.
Vou para a fila especial e o segurança me diz: "Essa fila é especial!"
"Eu sei. Eu tenho direito de estar aqui".
O segurança e as pessoas em volta me olham meio incrédulos e procuram em mim sinais de alguma deficiência física. Não encontram tão aparente.
O segurança me encara e eu digo: "Tenho parafusos e em minha coluna e um tumor no cérebro. Tá bom pro senhor? Posso ficar na fila?"
Uma senhora que estava na minha frente cedeu-me o lugar e eu a agradeci. Conversamos e ela falava sobre ter trocado o carro pela moto para encarar o caótico e quase sempre engarrafado trânsito de São Paulo. Eu invejei sua coragem, pois nem de bicicleta eu sei andar (talvez com rodinha, quem sabe?).
Mostro meus laudos, exames e documentos para Renovação e sigo para a outra sala com senha na mão para pegar meu remédio alto custo: Sandostatin - LAR.
A sala estava lotada e a demora foi grande; havia caído o sistema. Vixe!
Uma senhora idosa entra falando alto, gesticulando e reclamando do atendimento e da falta de boa vontade dos funcionários. Foi chamado o gerente e outras pessoas responsáveis pelo local, mas a idosa não parava de falar. 
Ela cismou que o pessoal da Farmácia Alto Custo estava com seus exames e laudos médicos e se negavam a lhe dar o remédio.
A farmacêutica veio falar com a idosa e disse que ela deveria retornar ao seu médico e fazer novos exames para então voltar à farmácia e assim pegar seu remédio.
Mas a idosa não arredava pé e dizia: "Eu sou velha, mas não sou louca não!".
Um senhor que estava sentado ao meu lado comentou comigo: "Gente idosa assim não deveria sair sozinha; alguém deveria acompanhá-los".
Concordei.
Todo mês vou à Farmácia Alto Custo e vejo a mesma cena: idosos atrapalhados com documentos, laudos e papelada para retirar seus remédios. Os olhos fracos que não enxergam direito o local da assinatura no papel, as mãos trêmulas que mal conseguem segurar a caneta, os ouvidos quase moucos que não ouvem direito o que as pessoas falam.
Mas o mesmo não acontece quando os idosos vão aos bancos nos dias de pagamento da aposentadoria e outros benefícios. Os idosos estão quase sempre acompanhados de filhos/as e netos/as aguardando ansiosamente para abocanhar o dinheirinho do parente idoso. Vi uma moça apressando a pobre mãe para sacar logo o dinheiro porque ela queria sair logo dali para ir ao cabeleireiro e depois e encontrar fulano. No mínimo ia fazer mais um filho para deixar para a mãe cuidar e viver de Bolsa Família,  Enxoval da Mãe Paulistana, Kit uniforme, Kit material escolar...
É fácil ter filho assim, basta parir e largar para a mãe e o governo cuidarem.
Reclamam que o governo não entregou isso, não entregou aquilo, que não tem vaga nas escolas e creches, que não podem pagar por escolas e creches particulares, blá blá blá... mas estão com cabelinhos esticadinhos e loirinhos e isso custa muito dinheirinho! Dinheiro da aposentadoria dos idosos que trabalharam a vida toda e em vez de descansar, vão cuidar dos filhos dos filhos.
Acho que já falei sobre isso aqui, mas fico indignada quando vejo tanta moleza, tanta cara de pau, tanta gente robusta e saudável explorando seus idosos. 
E com cabelinho lisinhos e loiríssimos!
É isso.


                                            
                                                 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Enfermeira

                                            


Fui à CPA (Centro de Procedimento e Apoio) da Unimed na Avenida Celso Garcia, Tatuapé.
Fui fazer exames de sangue e tomar minha injeção: Sandostatin-LAR (acetato de octreotide).
Vou direto ao laboratório Lavoisier, faço o exame e sou informada que preciso retornar duas horas após o almoço para realizar exame de glicose. Ok. O problema aqui é que fui atendida por uma enfermeira que não sabia quais tubos usar para depositar o sangue coletado e perguntava tudo à colega que também estava ocupada com outra paciente. A enfermeira atrapalhada também não usou luvas para coletar o sangue, o que traz riscos para mim e para ela também.
Bom...
Vou ao outro balcão e pergunto se é preciso fazer nova ficha para eu ser atendida e tomar meu remédio: sim.
Faço a bendita ficha e aguardo impacientemente meu nome ser chamado. Havia muita gente, muitos bebês chorando e para contribuir com o caos existente, o prédio está em obras. Era praticamente impossível ouvir o nome ser chamado em meio à vozes, choro e marteladas.
Os pacientes se acotovelavam em frente à porta da triagem para poder ouvir seus nomes serem chamados e isso deixou o local parecendo um mercado de peixe na semana santa.
A cada instante saía um médico ou um enfermeiro segurando fichas e berrando os nomes dos pacientes; já outros enfermeiros com voz mais delicada iam mais próximo dos pacientes para chamá-los. 
Sou chamada, entro e aguardo.
A enfermeira me chama e eu entrego a injeção para ela e explico, ou tento explicar, sobre o modo correto de manipular e aplicar o remédio alto custo. A simpática profissional da saúde não gosta que eu explique e acha que eu estou dando-lhe aula sobre como aplicar uma injeção. Mas não é uma injeção comum.
Ela abre a caixa e estranha as duas agulhas, o frasco-ampola e sistema de aplicação. A enfermeira fica sem graça, dá uma risadinha amarela e diz: "Eu nunca apliquei esse remédio, é diferente, eu não conheço".
"Pois era exatamente o que eu estava tentando dizer!".
Deve-se misturar lentamente e delicadamente o pó ao líquido e deixar descansar de dois a cinco minutos para então ser aplicado; é um remédio caro e distribuído pela Farmácia Alto Custo. Eu tomo Sandostatin LAR a cada vinte e oito dias desde 2007 e sei dos cuidados ao manejar o remédio. Não é minha intenção ensinar Ave-Maria a padre velho, mas às vezes surge uma oração nova!


                                        

sexta-feira, 23 de março de 2012

Cofrinho e Jaburu

Jaburu
                                                 


Houve a moda, ridícula, na minha opinião, de calças de cintura baixa. 
O problema é que as pessoas se esquecem que a moda não é para todo mundo e o que se via eram mulheres com excesso de adiposidade enfiadas em calças de cintura baixa. Era a visão do inferno, Deus me perdoe.
E mesmo as pessoas magras não ficavam bem nessas calças, pois por terem cós muito baixo, as calças apertavam os quadris o que fazia as banhas subirem e formarem pneus. Pareciam peras vestidas. Horripilante, como diria papai.
As calças e blusas eram inversamente proporcionais: calça de cintura muito baixa e blusas bem acima da cintura. A mulherada puxava a calça pra cima e a blusa pra baixo numa tentativa vã de cobrir o bucho. Inútil, pois não havia tecido sobrando para ser puxado nem pra cima e nem pra baixo; talvez comprando e usando uma roupa de tamanho normal o puxa puxa não seria necessário.
Trabalhava no bairro de Perus, e lá é bastante frio durante o inverno, e via moças nos pontos de ônibus com os braços cruzados sobre a barriga para tentar protegê-la do frio. As moças usavam jaquetas de inverno com capuz e mangas compridas e faltando o pedaço que deveria cobrir a barriga. 
Sofrer em nome de um modismo? 
Não, obrigada.
Estava na Farmácia Alto Custo e vejo uma balzaquiana gordinha entrar. Ela usava essa maldita calça cintura baixa e a calcinha era mais alta que a calça. A moça sentou-se e ao fazer isso a calcinha apareceu; é esse mesmo o efeito esperado dessa combinação de cós com tamanhos diferentes.
Ave Maria! Pensei comigo. 
Essa moça não vê que não tem idade e nem tipo físico para esse tipo de roupa?
As pessoas têm liberdade para usarem o que quiserem, mas acredito no bom senso e no bom e velho "Semancol"
Os homens também não escapam.
Vi vários homens adultos e pais de família, como diria mamãe, vestidos em calças e bermudas grandonas e largonas cujo fundilhos alcançam os joelhos e deixam a bunda à mostra. Dá nojo ver tanto cofrinho peludo de fora. 
Eles vestem as calças e bermudas e as deixam bem em cima do brinquedinho; aí ficam a barriga - nem sempre tanquinho, mas sim uma máquina de lavar - e a bunda gorda e peluda aparecendo. Jesus!
Se papai e mamãe vissem isso, diriam: "Mas é cada jaburu que a gente é obrigado a ver. Nossa Senhora! Esse povo não tem juízo não, é?"
Parece que não.
Na boa, e com todo respeito.
Falei.


 

                                           



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Sandostatin LAR (Acetato de Octreotide)

É o remédio que tomo mensalmente para o controle da Acromegalia.
É o remédio que pego mensalmente na Farmácia Alto Custo.
Comecei com 10mg e agora tomo 20mg. 
Acho que meu corpo está acostumado com o remédio, pois os efeitos que outrora eram mais fortes, hoje estão mais suaves. Apenas um leve cansaço e uma leve sonolência.
Estou bem.


                                            

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Ar Condicionado

                                            


Mamãe usava uma expressão só dela para dizer que algo não era bom, não a fazia bem. Ela dizia: "Não me dou-me com isso".
Eu digo o mesmo em relação ao ar condicionado. 
Sempre que fico algum tempo em ambiente com com ar condicionado, saio de lá com dor de cabeça e nariz entupido. 
Fiquei um tempão na Farmácia Alto Custo, depois no consultório médico e depois na loja onde presenciei a cena dantesca. Todos os lugares que fui/vou estão com seus aparelhos ligados no máximo e o ambiente fica até gelado. Uma senhorinha que conversava comigo enquanto aguardávamos nossa senha pediu ao segurança que desligasse ou moderasse a temperatura; estava muito frio.
Não me dou-me com ar condicionado.
O choque térmico é o problema. Saímos de um calorão, entramos numa fria, literalmente, e voltamos ao calorão. Como dizia minha avó Mãevelha: "Isso ofende os pórmão (pulmões) da pessoa!". No meu caso, ofende (prejudica) minha cabeça e começam os "ites"(inflamação + infecção): rinite, sinusite, meningite. Já tomei um bocado de antibiótico e sou suscetível à infecções devido à fístula liquórica (complicação presente em cirurgias de base de crânio. É necessário abrir passagem pela meninge, camada que envolve o cérebro,  para se chegar até o tumor. Essa passagem fica aberta e daí perde-se líquido cefalorraquidiano).
Já fiz uma cirurgia para a correção de fístula liquórica mas foi destruída pela radiação da Radiocirurgia. Terei que fazer outra. Minha Nossa Senhora das Candeias, iluminai meus caminhos!
A parte chata das cirurgias na/de cabeça são o incômodo e o desconforto do pós operatório. Claro, toda cirurgia gera um desconforto, mas acho que incomoda mais quando é na cabeça/cérebro.
Não consigo encontrar uma posição confortável para deitar e apoiar minha cabeça sem que doa. É difícil respirar com o tampão entre a boca e o nariz para recolher sobras da cirurgia. Toda a cabeça e o rosto doem.  
Mas se é um caminho que preciso percorrer...Irei.
Tem sempre gente boa comigo. Graças a Deus.


Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes, Oxum


segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Mesmo assim

Acabo que pegar meus exames trimestrais; são exames que faço para poder pegar o remédio Sandostatin-LAR (acetato de octreotide).
O remédio é usado no combate/controle da Acromegalia e por se tratar de um remédio caro, é necessário a realização de exames a cada três meses, relatórios médicos e preenchimentos de fichas e papeladas burocráticas. É rotina. É normal.
A dose que tomo, 20mg, custa aproximadamente R$ 6.000.00 (seis mil reais) e segundo o pessoal da Farmácia Alto Custo, é feita auditoria mensal na farmácia para saber quantas doses do remédio foram distribuídas, que médicos as receitaram e que pacientes as retiraram. Tudo para evitar fraudes e abusos. Em 2010 lembro-me de dois assaltos consecutivos à Farmácia Alto Custo de um bairro da zona sul de São Paulo. Em duas semanas foram levadas verdadeiras fortunas em remédios. Alguns medicamentos puderam ser salvos, mas aqueles que necessitam de refrigeração, como o Sandostatin-LAR,  não puderam ser. Foi prejuízo financeiro e mais ainda para a saúde dos pacientes que dependem desses remédios. 
Mas eu falava do resultado dos meus exames mais recentes.
Bom...
Os resultados não são lá muito animadores; os níveis de GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) estão ainda altos e isso quer dizer que o tumor está em atividade. Mesmo com cirurgias, radiocirurgia e remédios, a "porquêra" da Acromegalia está na ativa. 
Cacete do Padre Inácio!
Mas lembro que estou viva e tem gente em pior situação. Agradeço por estar viva e peço por essas pessoas. Como dizia mamãe: "Deus sabe o que faz e a gente não sabe o que diz".
Não sei se fico triste ou chateada ou os dois juntos. Não sei se deveria me conformar e aceitar, pois todo o tempo é assim; sejam exames trimestrais, mensais, de imagem, de sangue...Não importa. Todo exame que fizer lá estará a Acromegalia marcando presença no tumor de meu cérebro e nos achaques do meu corpo. Cansaço, diabetes, hipertensão, artrose, cabeça "fervente".
Falei hoje com o endócrino e ele me disse para ir vê-lo amanhã. Falo direto com meus médicos, pois se eu ligar para as secretárias/recepcionistas deles, irão dizer para "estar ligando depois para estar marcando para o fim do mês começo do outro". Mas o problema é que "vou estar precisando ver meu médico para estar levando os exames para estar pegando o remédio para estar controlando a Acromegalia".
A doença do português ruim é pior que a doença do crescimento. Jesus!
É isso aí.
Vou agora ao laboratório, depois à clínica oftalmológica e esta semana ainda vou tomar a terceira e última dose da injeção no joelho (artrose). Depois mais exames para verificar a evolução do quadro. E depois de ver o endócrino irei à Farmácia Alto Custo com a papelada e exames para pegar o remédio. Ufa!
Esse mês também tem retorno ao trabalho - Oba!!! 
Acho que sou uma das poucas pessoas que gosta de trabalhar. Ah... e dia 21/01 tem cirurgia marcada para correção de fístula liquórica. Vamos ver se agora sai e tudo vai dar certo.
Vai sim. 


                                              

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Radial Leste

                                           


Radial Leste é via que faz a ligação Leste-Oeste na capital São Paulo.
Está quase sempre congestionada, principalmente nos horários de pico.
Fui À Farmácia Alto Custo para pegar meu remédio, mas não o peguei. O atendente me explicou o motivo: A data para liberação do medicamento era de 23 a 30 de novembro, mas a informação dada a mim e para outros pacientes era de que aquela data marcada no formulário  teria validade de um mês.
Não fui buscar o remédio (Sandostatin LAR/Acetato de Octreotide) na data marcada por não estar bem de saúde e por confiar na informação dada previamente.
As dores do nervo ciático me incomodaram por mais de três semanas e nesse período fui aos médicos e fiz os tratamentos indicados por eles.
Bom...
Amanhã vou fazer a primeira aplicação do remédio no joelho, aquietar o facho por pelo menos umas 24 horas e na quarta-feira procuro o endocrinologista para emitir um laudo justificando o uso do Sandostatin LAR. Levarei esse laudo com os exames e assim tentarei ter o remédio liberado.
O simpático atendente de nome Daniel me explicou os motivos e os riscos que sofreríamos caso ele liberasse o remédio. Segundo ele, a Secretaria de Saúde faz auditorias mensais para levantar o número de pacientes usuários do medicamento, os médicos que receitaram o medicamento  e o porquê do uso, necessidade e indicação do medicamento.
Por ser um remédio caro, o Sandostatin LAR é controlado rigorosamente.
Beleza.
Volto para casa pela Radial Leste e paro para abastecer. Enquanto aguardo o frentista fico observando os carros que passam, os prédios e casas antigos e abandonados da Radial.
Há muita degradação, abandono e descaso para com os prédios, casas, comerciantes e moradores na região da Radial Leste.
O governo municipal e estadual deveriam lançar projetos de restauração naquela área que faz parte da História de São Paulo e é uma das principais vias de acesso do caótico e apressado trânsito paulistano.
Acredito que a restauração, reforma e cuidados para com a Radial Leste trariam benefícios e lucros tanto para os locais como para o próprio governo.
Há algumas lojas grandes como Sam´s Club, C&C, McDonald´s, Kalunga, DiCico e lojas de decoração e objetos para quartos de bebês, como a Alô Bebê. Há museus do azulejo (adoro observar as fortes cores dos azulejos antigos) e lojinhas que vendem produtos e artigos para jardinagem e fontes de água. Adoro plantas e adoro o marulhar das águas. Mas entre essas lojas há inúmeras casas abandonadas e invadidas por pessoas que destroem o que restou da Arquitetura e História paulistana impregnadas nos detalhes decorativos do casario antigo da época da colonização italiana em São Paulo. A Família Matarazzo marcou a História e a Indústria de São Paulo.
Dá até uma certa melancolia observar o abandono e o descaso para com o que foi um dia parte importantíssima do meu santo São Paulo.
A região da Radial Leste se beneficiaria grandemente de mais comércio como padarias, farmácias, restaurantes, supermercados, lanchonetes e outros serviços. Isso traria dividendos para os cofres do governo, geraria empregos e atrairia mais investimentos para a região. Afastaria aquele cinza feio e triste do abandono e do descaso.
A Avenida Celso Garcia também sofre o mesmo tipo de abandono e descaso, mesmo sendo uma avenida importante da Zona Leste.
Porque a ZL é tão ignorada pelas autoridades, mano?


Mapa da região metropolitana de São Paulo
                                           

         
                             


                                              


                                             

                                        


quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Maldita Acromegalia

                                         


As últimas semanas têm sido difíceis para mim; muitas dores, muito vai vem para consultórios, laboratórios e farmácias.
Ela, a Acromegalia, bem que poderia se resumir a apenas um tumorzinho básico ha hipófise (base do cérebro), mas não, ela tem que fazer estragos. Muitos estragos.
Estragos físicos que causam dores físicas e emocionais. Acho que esta última dói mais.
E para ajudar ao preconceito e à ignorância das pessoas, vivemos na sociedade da beleza adquirida a todo custo.
Imagina para uma pessoa que nunca foi bonita fisicamente, de repente se encontra vítima de uma doença que a deixa menos bonita ainda. Ferrou!
Se fosse em outros tempos, no tempo do "Freak Show" (Circo dos Horrores), acromegálicos seriam exibidos como criaturas deformadas e/ou estranhas. Já li sobre casos de pessoas expostas nesses circos; pessoas pequenas demais, grandes demais, com pés ou mãos ou o corpo deformados, pessoas com o rosto coberto de cabelos, enfim, uma infinidade de doenças não descobertas e não tratadas que transformavam essas pessoas em "monstros" e vítimas de preconceito, intolerância e até ódio por parte das pessoas "perfeitas". Mas quem é o monstro da história? O doente vítima de uma doença estranha ou o saudável que visava lucro financeiro explorando essas pobres vítimas?
Realmente, o ser humano é o pior animal de todas as espécies. Criatura mesquinha, tacanha, má, cruel. Nem todos, é claro. Mas tem muita gente ruim, fútil, frívola e vazia que me faz cada vez mais me apegar aos meus gatos.
Sei de caso de acromegálicos que evitam sair de casa com medo dos olhares preconceituosos e eu sei bem o que é isso. Já fiquei dias pensando e me sentindo assim, mas decidi não dar razão à essa gente pobre de espírito. 
Se elas podem sair às ruas, eu também posso.
Se elas têm contas à pagar, eu também tenho.
Se elas precisam ir ao supermercado, eu também preciso.
Acromegálicos trabalham, comem, dormem, se cansam, sonham, se entristecem e fazem e sente tudo o que um não acromegálico faz e sente. Então, qual é a diferença aqui?!
Só porque temos um rosto grande demais, pés grandes demais e mãos grandes demais?!
Talvez nossa grandeza física seja maior que a pequenez de caráter de vocês perfeitos.
Como eu disse acima, vivemos na sociedade da beleza; todo mundo tem que ser, ficar ou estar bonito, custe o que custar. Vejo absurdos como o de pessoas viajando a países vizinhos para se submeterem à cirurgias plásticas com médicos suspeitos.
Pessoas deformando o rosto com aplicações de substâncias que as deixam sem expressão, como se o rosto estivesse congelado. Pra que isso, meu Deus do céu? Fazem isso para agradar a quem?!
Concordo que devemos andar limpinhos, ajeitadinhos e até bonitinhos, mas sem exageros.
Há uma proliferação de gente magérrima e aloirada, como se estivéssemos em um país nórdico. Brasil, país tropical. Abençoado por Deus e bonito por natureza...
Vejo pessoas cuja cor da pele não combina com o loiro Xuxa dos cabelos, mas lá vão elas desfilando suas madeixas alouradas que as faz parecer com micos leões dourados. Perdão pela comparação, mas não dá!
Outra coisa que me incomoda também é o oposto da busca frenética por beleza: gente se destruindo, se matando aos poucos num suicídio sem noção.
Pessoas comendo por duas, por três; como se não houvesse amanhã.
Crianças obesas e já diabéticas e hipertensas. 
Doenças da modernidade? Sim, talvez. Mas não culpemos os tempos modernos pela nossa incapacidade de controlar nossa gula.
Sei que tem gente com problemas emocionais e hormonais e respeito isso, mas vejo muita criança que não come se não tiver ketchup, mostarda e refrigerante na mesa. Essas crianças não gostam de frutas e verduras que nunca experimentaram, mas só de ouvir falar o nome já dizem que não gostam. Já disse, as crianças aprendem com os adultos.
Sei lá...
Acho que estou meio estressada hoje. As dores não me deixam dormir em paz e não me permitem fazer coisas simples que antes eu fazia: abaixar, levantar, subir em escadas, correr, andar rápido, fazer minhas caminhadas pelo bairro.
A Acromegalia roubou isso de mim e aos poucos rouba mais.
Hipertensão, diabetes, dores de cabeça, artrose, dores nas costas, estômago complicado, coração grande - literalmente - , alguma tristeza, alguma revolta e muitos "porquês".
Sim, sei que têm doenças piores, pessoas em piores situações, mas sou humana e tenho direito de falar, reclamar e questionar aquilo que me faz mal, que me tira o gosto de viver, o gosto de fazer as coisas que antes eu gostava tanto. 
Os olhares estão cada vez mais agressivos e mais demorados. Os cochichos e as risadinhas me incomodam. 
Todo santo dia a mesma ladainha.
Hoje fui ao supermercado para comprar frutas, verduras e legumes que gosto tanto e as pessoas me olhavam como se eu fosse um ser de outro planeta. Olham e quando olho de volta elas disfarçam, fingem que estão escolhendo alguma coisa. Outras piscam para seus/suas acompanhantes e olham em minha direção.
Será que essas pessoas nunca ficaram doentes?
Será que essas pessoas não têm problemas?
Todo mundo vai morrer um dia e vai virar comida de minhoca. Os vermes devorarão a carne podre de ricos e pobres, feios e bonitos, palmeirenses e corinthianos.
Amanhã vou buscar meu remédio (Sandostatin LAR/Acetato de Octreotide) na Farmácia Alto Custo e depois irei ao ortopedista para iniciar o tratamento da artrose no meu joelho direito. Serão três injeções aplicadas diretamente no joelho. Parece estranho, né? Mas para quem já teve agulhas enfiadas na veia, no braço, na barriga, na coxa, na parte de trás do braço e na nuca, mais umazinha no joelho não é nada demais. 
Acho que é por isso que eu tenho medo de fazer Acupuntura. É muita agulha.