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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Infecção

                             Resultado de imagem para preocupação




Ano Novo.
Muita chuva.
Fiquei alguns dias sem escrever, assunto sempre tem, mas faltava ânimo.
Um ano inteiro sem liberdade, sempre em casa e ansiosamente aguardando.
Um ano sem trabalhar, sem dirigir, sem fazer as coisas tão simples e tão caras para mim.
Aguardando mais uma cirurgia, mais uma na coluna.
Vivo pensando, me perguntando, pesquisando e querendo saber: Como pode uma infecção se instalar na coluna, entre a medula, ossos e parafusos?! Tive infecção nasal, otites e infecção generalizada quando estava em coma na UTI do hospital, mas infecção na coluna, não. Acho que não.
Não posso afirmar ou negar, não sei. Sei apenas que a Acromegalia, essa doença rara, perigosa e perversa, se aproveita de tudo e piora tudo, prejudica tudo.
Que coisa!
Soube de um paciente cujo caso é igual ao meu: infecção no local dos parafusos, e ele passou por cirurgia para cuidar do problema. E o problema reside justamente em retirar os parafusos para tratar a infecção: ela se espalha.
O paciente, também acromegálico, também com uma coluna doente e sustentada por parafusos, está tomando antibióticos fortes e vai ficar um bom tempo no hospital. Esse é o meu medo.
Por quê?!
Não estou feliz, nem triste, estou apenas em dúvida, muito cansada, desanimada e preocupada com tudo isso.
Tive uma noite de sono muito agitada, mais uma, e ao me virar para o outro lado da cama, me deparei com uma enfermeira fazendo anotações sobre minha saúde. Era uma senhora negra, uma conhecida de outros sonhos, uma pessoa boa e de muita Luz, graças a Deus. Ela dizia que talvez eu precisasse ir ao hospital, "Hospital não!". 
Acordei assustada e derrubei um dos gatos da cama; me desculpei com o felino depois.
É uma realidade assustadora e difícil de encarar. Já encarei outras realidades tão assustadoras e difíceis, mas eu tinha minha coluna e minhas pernas boas.
Vou fazer mais café. Depois reclamo da azia e da insônia.
Acho também que vou visitar um velho amigo; estava com tanta saudade dele: o mar oceano, meu doce mar.
É isso.




                                    Resultado de imagem para mar

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Roxo

                              Resultado de imagem para borboletas roxas



Fui ao Grupo de Joelho anteontem e saí de lá com guias médicas para fazer acupuntura e fisioterapia; graças a Deus.
Estava preocupada com a possibilidade de mais uma cirurgia, de ficar com a mobilidade ainda mais reduzida, de sentir ainda mais dores, mais gastos com remédios e tudo o que envolve cirurgias.
Vinha pedindo ao Criador que eu ficasse livre de pelo menos uma cirurgia; fiquei. Agradeci. Sempre agradeço.
O jeito agora é aguardar a cirurgia de coluna e, conforme conversei com um senhor que andava com chamativas moletas roxas, isso pode levar alguns anos.
Acho que vou ficar boa antes de tudo isso acontecer e vou pegar pesado nas terapias alternativas.
O senhor das moletas roxas conversou bastante comigo e falou sobre cirurgia, os netos e como cuidar de orquídeas. 
Ele mora em uma casa grande com muitas plantas, ele adora plantas, mas os filhos querem que ele e a esposa mudem para um apartamento; ele se recusa.
A gente trabalha anos para construir e deixar a casa do jeito que a gente quer e quando fica pronta a gente tem que mudar?! De jeito nenhum! Não gosto de apartamento, gosto de casa com minhas plantas!
Concordei com ele.
Na saída, no corredor, encontro uma senhora japonesa que me olha e diz: Você vai ficar boa. Agradeci.
Fui para a casa da minha irmã e brinquei com minhas sobrinhas lindas e amadas. Beatriz, de nove anos, me pergunta o que quero ganhar de presente de Natal e Rafaela, de quatro anos, diz que vai me dar um Zoológico com elefante, girafa, leão, passarinho e um gatinho. Sim, no meu aniversário, Rafaela me dará borboletas de verdade e que voam de verdade. Tão linda.
Sem saber, ela me deu o mais bonito presente ali mesmo com suas palavras cheias de inocência e pureza.
Voltei para casa e dormi bem como não dormia há muito tempo.
Levantei cedo, liguei a TV, fiz cuscuz e comi com leite. Estava tudo bem.
Havia sol, mas o céu ficou cinzento e choveu uma chuvinha curta; esfriou.
Uma tristeza me invadiu e perdi o ânimo e a vontade de fazer as coisas que planejava fazer; um dia frio e triste.
Senti falta da leveza, da bondade, da inocência e das coisas boas que vivenciei apenas dois dias atrás; por que não duram para sempre? 
Por que a tristeza dura mais? Fica mais?
Eu ia fazer pão de queijo, amanhã farei.
Qual é a cor da tristeza?
É isso.



                                    Resultado de imagem para orquideas roxas

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Terra

                                  Resultado de imagem para pes de melao


Tenho dormido de três a quatro horas por noite e quando consigo dormir seis horas, comemoro.
Insônia habitual somada aos prolemas, preocupações e muita ansiedade.
Às vezes tento dormir durante o dia, mas tudo o que consigo são alguns cochilos interrompidos pelo telefone, campainha, gritaria de vizinhos e o barulho da rua.
Ligo a TV, mas vejo quase nada; ligo apenas para fazer companhia, é estranho, eu sei.
Ontem lavei roupas e lavei os panos de chão; a moça que me ajuda viria limpar a casa hoje e iria precisar de panos e tapetes limpos.
Quando trabalho ou faço alguma coisa pela casa, eu me sinto útil e viva. É tão bom e faz bem.
Estou cansada dessa vida trancada dentro de casa e só sair para ir aos médicos e laboratórios.
Estou cansada de depender da minha irmã e meu cunhado para fazer tudo para e por mim; incomoda e eu não gosto de incomodar.
Fui me deitar até que bem, mas sou acordada por uma fortíssima dor de cabeça; parecia que tinha dezenas de martelos saltitantes dentro da minha cabeça. Que dor!
Tomei os remédios e adormeci. Levantei cedo para esperar a moça chegar e fiz meu café. Liguei a TV e folheava uma revista, me deu uma tontura de repente.
Tentei me segurar, mas não deu, deitei e adormeci. 
Meu Deus, vou morrer agora?
A moça chegou, abri a porta pra ela e disse-lhe que não a ajudaria muito hoje com os afazeres, eu não estava bem.
Fim de tarde, ameaça chover, céu cinzento, nuvens carregadas. Joelhos que doem e estalam, a coluna também. Estou crocante.
Fui ao quintal pegar alguns tapetinhos e parei para ver as graciosas mudinhas de melão, milho e feijão; estão tão lindas. Eu gosto tanto.
Arrumei algumas plantinhas, apreciei e agradeci a paz que me trazem e o bem que me fazem.
Liguei para o IAMSPE e perguntei sobre a cirurgia, mas a moça disse que não tem acesso à essas informações e que aquele número é só para agendar consultas e exames; tem que esperar o médico/hospital ligar. Paciência.
Final de ano, estamos a um mês do Natal, deve acontecer ano que vem.
Vejo comerciais dos hipermercados e sinto falta da minha liberdade. Adorava fazer minhas compras, minhas frutas, muitas frutas.
Não sei que raios eu fiz em outras vidas, mas que estou pagando gostoso, ah, estou!
É isso.



                                  Resultado de imagem para pes de melao

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Milagre

                                Resultado de imagem para chuva bonita



Uma noite tranquila, quase não acreditei.
Esperava o de sempre, forró, funk e vizinho tagarelando, mas nada disso aconteceu, para honra e glória do Senhor e para minha surpresa e descanso.
Será que foi por respeito ao Dia de Finados? Não sei se foi, mas agradeci e pedi a Deus que todos os que se foram descansem em paz e sigam pelo caminho da Luz. Amem.
Adormeci ao som da chuva; gosto muito.
Levantei cedo, fui para a sala, liguei a TV e segui com a rotina diária. Mas eu me cansei de ver TV, não queria ficar naquele marasmo chato e repetitivo de acaba programa, começa programa. Não.
Desliguei a TV, fui para a cozinha e botei água para ferver. A chuva parou um pouco e o sol apareceu, fez uma belíssima tarde.
Cismei de botar roupa na máquina, coloquei ração lá fora para os gatos da rua, tomei banho.
Esquentei o macarrão de ontem, mas eu gosto mesmo é de comida fresca, quente, feita no dia. Amanhã eu faço.
Voltei para a sala, liguei a TV, sentei no sofá, gatos disputando meu colo.
De repente um nó na garganta somado à uma ansiedade galopante, um turbilhão de pensamentos, temores, preocupações... Sai pra lá!
Se de repente, por um milagre, minha coluna ficasse boa, meus ossos ficassem bons, minhas pernas ficassem fortes, meus joelhos ficassem livres da artrose?
Se de repente, por um milagre, cirurgia nenhuma fosse mais necessária, remédio nenhum fosse mais necessário?
Se de repente, por um milagre, eu tivesse minha saúde e minha vida de volta e voltasse a viver minha vida simples que sempre vivi?
Não sei se torço para que o hospital ligue logo marcando a data da internação ou se torço para que demore mais. Não sei.
Desassossego.
É isso.


                           Resultado de imagem para chuva bonita

domingo, 1 de novembro de 2015

Grãos

                             Resultado de imagem para grãos   



Muita chuva, temperatura amena. Gosto assim.
Dias sem ânimo, sem vontade, sem nada de nada; detesto isso.
Tento lutar contra isso; tento enfrentar, encarar e ir no sentido contrário ao que me obriga esse peso brutal vestido de cores escuras e cercado por muita tristeza.
Deus do Céu!
Os gatos percebem e me cercam, são meus protetores.
Só mais quinze minutos, só mais meia horinha...
Cochilos curtos e interrompidos por uma mente que vibra e quer que o corpo a acompanhe; eu queria tanto.
Coração acelerado, pulando, pulsando...
Fui ao consultório do médico que fez a primeira cirurgia da coluna e levei os exames atuais; ele disse o que eu já tinha ouvido dos seus colegas: caso difícil, não pode prometer nada, só abrindo para ver...Como tirar os parafusos sem romper o cisto? Como retirar esse cisto sem que rompa? O que acontece se romper? Infecção, formação de fístula, dor de cabeça, antibióticos...
Cistos volumosos, coluna torta e dolorida; artrose, lordose, e outras "oses".
Fiz perguntas, obtive respostas, peguei o laudo pedido, senti-me um pouco mais leve.
O trânsito estava bom para uma quinta-feira antevéspera de feriado e com cara de chuva, tudo o que os motoristas paulistanos mais temem.
Meu cunhado foi comigo e falava sobre amenidades e fazia graça para eu rir. Ri.
Fiquei em casa.
Fiz café e depois deitei com os gatos à minha volta. Abraços de uns, patinhas fofas e peludas segurando minha mão e me dizendo que não estou só, tudo vai ficar bem.
As lágrimas romperam, o coração angustiado precisava se soltar das garras da agonia; Deus do Céu.
Rompi, desabei, chorei. Sou humana, demasiado humana.
Acho que vou continuar a mexer nos livros; isso me faz tão bem. Não, agora não. Depois.
Por que isso agora? Eu estava tão bem vivendo minha vida simples e fazendo as coisas que tanto gosto!
Ficar trancada dentro de casa, ter um trabalhão entrevado e doloroso para ir aos médicos e laboratórios... 
Eu merecia isso?
Tento ser normal, estou tentando, mas tem hora que não dá.
Preocupações, ansiedade, temores...
Mingau de farinha láctea com leite de soja. Farinhas integrais de milho, aveia, soja e tantos outros grãos...
Gosto, mas com leite de vaca fica tudo tão mais gostoso! É a danada da lactose, faz mal, mas é saborosa.
É isso.


                                      Resultado de imagem para vaquinhas no campo florido

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Dúvidas

                      Resultado de imagem para dúvida           



Voltei mais uma vez ao Grupo de Coluna e agora é só aguardar ligação para definir data e horário da internação para a cirurgia.
Estranhei não pedirem exames pré operatórios, como os de sangue e o laudo do cardiologista, mas conversando com um senhor, fiquei sabendo que são feitos no próprio hospital, dias antes da cirurgia.
Esperamos de duas a três a horas pelo atendimento e não ficamos mais que dez minutos no consultório. Muita gente para ser atendida e, obter respostas dos médicos às nossas perguntas, é o mesmo que tirar leite de pedra.
Mas eu ainda insisti, perguntei e senti que o médico estava muito apressado e duvidasse, talvez, da minha condição.
Ele pediu para eu voltar ao hospital onde fiz a primeira cirurgia e pedir um laudo dizendo o nome do fabricante dos parafusos e se eles podem ser removidos. Foi o que entendi.
Achei estranho e duvido que minha coluna possa se sustentar sem os parafusos, e, além do mais, eles foram colocados lá justamente para segurar vértebras fracas e deformadas.
Marquei consulta com o cirurgião que fez o primeiro procedimento e vou levar os exames para ele ver. Vou fazer perguntas, tirar dúvidas e a partir disso me sentir mais segura, quem sabe.
O que me incomoda no Grupo de Coluna é a inconstância, o ser atendida por um outro residente que "pega o bonde andando" e termos que falar tudo de novo. Cada um dá a sua opinião, o seu "achismo" e isso me incomoda. Gosto da certeza, do ponto de vista em comum em casos como esses, da conclusão igual ou muito semelhante.
Tenho uma coluna doente, fraca, dolorida, com parafusos e um cisto que se enfiou por ali não sei como.
Tenho os joelhos tomados pela artrose e as dores no quadril direito e pernas.
Não sei quando essa cirurgia da coluna será realizada e depois tenho que voltar ao Grupo de Joelho.
Quantos grupos serão necessários, meu Deus?
Estou inquieta, incomodada, ansiosa e um tanto insegura.
Quando eu ficar boa poderei cuidar melhor do meu jardim; cuidarei. Plantarei flores do campo, suculentas e margaridas, minhas favoritas.
É isso.



                                    Resultado de imagem para esperança


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

É isso

                              Resultado de imagem para triste



Mais uma semana difícil.
Uma gripe acompanhada de sinusite, rinite e otite; muitas "ites". Tem sido assim ultimamente, temporadas curtas de boa saúde e outras longas de dores, entrevamento, gripes e as "ites". Está demais.
O ruim da gripe é que ela derruba a gente e eu, que ando tão fraca e adoentada, sou fácil de derrubar.
Ânimo e vontade de fazer as coisas, não tenho tido muito.
Ando meio triste, cansada, revoltada, desanimada e às vezes tenho vontade de desistir de tudo e deixar ver o que vai acontecer. Mas lembro que tenho vidas que dependem de mim, que quero ver meus sobrinhos formados e encaminhados na vida e tem muita coisa que eu ainda quero fazer.
Vivo trancada dentro de casa e só saio quando vou aos médicos, laboratórios ou a algum raro evento em família. Dependo dos irmãos, alguns, para me fazer ou trazer o que preciso.
Quero fazer as coisas em casa, mas meu corpo não é tão ágil como minha mente. Vou devagar e têm dias que estou devagar demais e isso ora me irrita, ora me entristece.
Amanhã farei mais exames para levar ao médico do Grupo de Coluna e uma nova cirurgia será necessária para ajustar os parafusos que estão frouxos. 
E tem mais.
Estava e ainda estou muito ansiosa; tive que aguardar a autorização para fazer a tomografia computadorizada e um novo Raio X, que será pago.
Mais uma preocupação e mais gastos extras com exames e táxi. Não está fácil não.
Se fosse só a Acromegalia, eu estaria até que bem, mas tenho essa coluna doente, joelhos tomados pela artrose, pelas dores e entrevamento.
Tenho tanta saudade da escola, dos pequenos, de tudo.
Por que tudo o que eu gosto tanto é tirado de mim? 
Fez muito calor hoje e transpirei bastante; vou tomar um banho antes de me deitar e esperar o vizinho tagarela calar a boca lá pelas duas da manhã.
Falta de educação do caramba.
É isso.




                                          Resultado de imagem para flores

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Parafraseando

                                Resultado de imagem para roupas brancas quarando



Calorão insuportável durante a semana.
Chuva e ventos fortes hoje; temperatura amena, graças a Deus.
Eu venho lá do Sertão, mas adaptei-me ao frio que vem lá do Sul, parafraseando Djavan e Jair Rodrigues.
Difícil suportar a fumaça constante dos cigarros dos vizinhos. Fumam no quintal e o vento traz a fumaceira para dentro da minha casa. Detesto.
Fumaça de cigarro incomoda e me faz espirrar, além de me deixar com dor de cabeça. Sinusite e rinite ficam atacadas e eu também.
Detesto cigarro!
Estou com vontade de comer um docinho, ligo a TV e um senhor prepara doce de leite. Meu Deus do Céu!
Mas demora muito, têm muito detalhe e cuidado; melhor comprar o doce pronto.
Bom...
Ainda estou ansiosa e nada do hospital liberar o exame de tomografia computadorizada. Estou preocupada com o prazo.
Sonhei de novo com mamãe. Me preparava para ir à escola, eu era aluna. Pego uma blusa branca, mas tinha uma mancha amarela e a levo até a máquina de lavar. Na cozinha havia uma enorme mesa de madeira e cheia de roupas brancas minhas, estavam ensaboadas e mamãe as colocaria para quarar.
Tento aparentar certa normalidade e agir como se tudo estivesse bem, mas não está e não consigo. Estou muito ansiosa, preocupada, angustiada...
Não será minha primeira cirurgia, mas será uma cirurgia longa, complexa e de alto risco.
Tenho muito o que fazer, mas confesso que estou sem vontade, sem ânimo, sem motivação.
Sem vida também.
Não queria que fosse assim.
O que foi que eu fiz?
É isso.




                                    Resultado de imagem para roupas  quarando

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

É preciso

                              Resultado de imagem para mar



Hospital do Servidor Público Estadual, Grupo de Coluna. Espera.
Exames são entregues ao médico, um jovem rapaz que mais parece um menino.
O doutor sai por alguns instantes com os exames e retorna acompanhado de outro médico, um dos cirurgiões.
Moço novo e franzino e com o maravilhoso sotaque nordestino. Sinto-me de volta pro meu aconchego quando escuto as vogais abertas, o "S" chiado de Pernambuco e outros tons do Nordeste.
Meu Nordeste tem cores e tons, sons e melodias que só quem é de lá entende, compreende, escuta e vê.
Ando meio poética. A melancolia tem esse efeito em mim.
O doutor fala sobre a necessidade de uma nova cirurgia e sobre os riscos envolvidos; não trata-se apenas de tirar os parafusos, que estão soltos, e reajustá-los, é muito mais que isso.
Escutei com atenção e fiz perguntas. Aquela coisa "trancada" dentro de mim quis explodir; segurei.
"Você é um caso difícil e interessante e toda a equipe está muito interessada em você".
Sim, sou muito difícil, ainda brinquei.
Tenho essa habilidade, creio eu, de rir e fazer graça só para segurar aquela coisa trancada que teima em explodir quando preciso manter a calma e parecer normal. Sou humana, demasiado humana.
Estou habituada a hospitais, laboratórios, exames, consultas, remédios e afins e essa será minha oitava cirurgia: cérebro, coluna, traqueostomia e apendicite, a mais "basiquinha" de todas.
Pensei que ficaria livre disso tudo e só iria às consultas de rotina para manter os cuidados e o tratamento. Pensei que voltaria às salas de aula, aos meus pequenos, aos diários de classe, provas, trabalhos e coordenador nos pressionando para entregarmos notas e faltas a tempo para as reuniões.
Era muito stress, mas era uma coisa boa e eu trocaria esse stress por esses problemas de saúde.
Mas se é para eu voltar a andar sem andador, voltar a dirigir e ficar boa, eu encaro. É mais uma batalha e estou acostumada a elas; sou velha guerreira.
Sim, os riscos são meio assustadores, como em toda cirurgia, mas encarar é preciso.
E quando eu ficar boa, vou ver meu doce mar oceano. Mar calmo nunca fez bom marinheiro, disse alguém sábio e experiente.
A água está chegando, vou fazer as coisas. Até que me viro bem mesmo com todos esses problemas de mobilidade.
Faz muito calor. Vou fazer suco de beterraba com cenoura; bem gelado.
É isso.



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domingo, 19 de julho de 2015

Moleque

                             Resultado de imagem para dia de domingo


Mais um domingo que se vai e uma semana que começa. Não gosto de domingos.
Mas fez um belíssimo dia hoje. Ensolarado, quente, bonito.
Fui lá fora para colocar ração e água para os gatos de rua e já era aguardada ansiosamente pelo cachorro bobão e simpáticão do vizinho.
Tive dificuldade para subir a pequena elevação que separa a garagem da calçada, coisa pouca, mas que para mim corresponde a subir um morro.
Tinha um menino empinando pipa e eu pedi a ele que me ajudasse pegando o pote que caíra no chão; ele negou-se. Pedi ao malditozinho que chamasse a menina do vizinho e ele negou-se novamente dizendo que não sabia se ela estava em casa.
"Mas você acabou de falar com ela, que eu vi e ouvi! Oxe, menino, chame  agora, por favor!".
Com muita má vontade ele chamou a simpática moça, que veio me ajudar e ainda bateu um agradável papo comigo sobre cães e principalmente gatos, claro.
Fiquei depois pensando em como os tempos mudaram e a Educação vai de mal a pior. Foi-se o tempo em que um adulto pedia para um moleque, uma menina, qualquer criança, um simples favor de ir chamar alguém, de pegar alguma coisa caída no chão e coisas assim e tudo era simplesmente ouvido e atendido. 
Crianças pequenas de nove ou dez anos já com postura sexualizada, falando palavrões, respondendo, desrespeitando. Meninas usando maquiagem, se vestindo como pequenas piriguetes e sensualizando, como dizem.
Depois de cumpridas as obrigações rotineiras, fiz meu café e tomei com pão sovado, adoro esse pão. Uma hora depois, tomei suco de laranja com mamão.
Ando muito fraca, cansada e mole o tempo todo.
Minhas pernas tiveram uma piorada, na verdade é a coluna, e estão mais fracas e pesadas. Não consigo esticar a perna direita, a mais afetada, e ela mantem-se sempre dobrada.
Pelé fez uma cirurgia na coluna semelhante à que preciso fazer, só não colocou pinos e parafusos, acredito. Sentiu dores e dificuldade para andar e já foi operado. Pelé pode pagar um Albert Einstein, a pobre aqui nem um plano de saúde dos mais básicos pode; o jeito é esperar por uma vaga no Servidor.
Amanhã farei, finalmente, a ressonância magnética da coluna e permita Deus que a partir de agora tudo fique mais fácil, ou menos demorado.
Lá vou eu de novo comer arroz com legumes. Queria tanto uma coisinha com mais sustança.
É isso.


                                  Resultado de imagem para dia de domingo

                               

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Segredos

                                      



Fiquei sabendo, meio por acaso, que um empresário do bairro é acromegálico. Já encontrei, por meio de redes sociais, Internet, blogs e afins, acromegálicos de vários estados brasileiros, mas nenhum ainda de São Paulo, Capital. 
Encontrei pessoas do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e uma moça do Grande ABC Paulista, mas ninguém da capital.
Certamente não serei eu a única acromegálica a viver na pauliceia desvairada, óbvio.
Eu quis saber mais sobre esse "vizinho" acromegálico, mas foi-me dito que não devo "espalhar por aí que o cara fez cirurgia para retirar adenoma (tumor) do cérebro"; que tudo tem ficar em "off" e tal e coisa, coisa e tal.
Oxe!
Eu sou acromegálica, eu também fiz cirurgia para retirar o bendito do tumor do cérebro e não me envergonho de nada disso. E por que haveria eu de me envergonhar?! Não é crime, pecado ou proibido ser doente, ter uma doença rara ou qualquer uma que seja. Eu, hein!
Mas cada um lida com seus problemas da melhor maneira que lhe aprouver.
E falando sobre vergonha e segredos...
Já falei aqui sobre uma parenta que nega suas origens nordestinas; ela tem vergonha de vir do Sertão seco de Pernambuco. Faz sentido uma coisa dessa?
Faz não. Pra mim faz não.
Há alguns meses essa mesma parenta me encontrou nas redes sociais e enviou-me solicitação de amizade. Visitei sua página e estranhei o local de origem que ela colocou: Curitiba - Paraná.
O-xen-te!
Não entendo essas coisas não, e a vontade é de perguntar pra pessoa por que ela nega suas próprias origens.
Pernambuco, Paraná, São Paulo... é tudo Brasil.
Mas como dizia mamãe: "Povo mais besta!'.
Sou pernambucana, acromegálica, vivo em São Paulo há quarenta anos, fiz várias cirurgias e não tenho vergonha de nada disso.
"Vôte!", como dizia minha avó Mãevelha.
É isso.


                                

                                      

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O primeiro passo

                                



"... Chove chuva, chove sem parar..."
Há uma semana que chove em São Paulo, meu Santo São Paulo.
O frio diminuiu um pouco, mas, segundo as previsões meteorológicas, voltará a esfriar mais a partir de amanhã.
Fim de semana e feriado de paulista é assim mesmo, sol de segunda à sexta e chuva e frio nos finais de semana.
Acho que é por isso que o pessoal do Rio de Janeiro, do Norte, Nordeste e Centro-Oeste é mais alegre, festeiro e animado; eles têm sol e calor o ano quase todo!
Não que paulistas e paulistanos não sejam animados, eles são sim, mas a tendência é mais para a seriedade, a pressa, o trabalho.
Paulistano corre tanto pra ficar parado no trânsito da Marginal Tietê, Radial Leste, Vinte e Três de Maio...
Isso sem contar os "busão lotado", o Metrô e o trem.
Mas eu amo essa cidade, principalmente em dias cinzentos, frios e chuvosos com o dia de hoje. 
Vai falar isso "pros mano e as mina" que estão presos no trânsito!
Mas eu tinha outro assunto em mente...
Queria falar sobre o bem que me fez e faz esse blog; o bem que faz o ato de escrever.
Sinto-me útil, viva, inteligente, apta a ajudar com o conhecimento e experiência que tenho com/sobre a Acromegalia.
Explico.
Quando comecei esse blog eu nada ou pouco sabia sobre Acromegalia e à medida que fui escrevendo e relatando minha história com a doença, fui descobrindo que, sem querer, ajudava muita gente que também tinha dúvidas como eu.
O bacana do conhecimento é o poder dividi-lo e como dizia meu amado avô Paipreto: "Não há riqueza maior no mundo do que o conhecimento".
Isso dito por um analfabeto cultíssimo que conhecia munto (muito) das coisas do mundo.
Tenho recebido muitos e-mails de pacientes e/ou parentes e amigos de pessoas que se descobrem acromegálicas mas que não sabem como reagir, o que fazer, que médicos procurar...
Respondo a todos os e-mails com prazer, divido minha experiência e meu conhecimento sobre a Acromegalia porque conheço bem a dúvida, o medo e até o desespero que o descobrir-se com essa doença pode causar.
Não é fácil não.
Recebi e-mail de um jovem que desconfia ter Acromegalia mas que tinha certa dificuldade em ser ouvido e acreditado por seu medico. Já passei por isso e sei bem como é. É uma enorme sensação de fraqueza, injustiça e impotência.
Médicos não são Deus, embora haja muitos que pensam que são.
Médicos deveriam ouvir os pacientes, prestar atenção às suas queixas, olhar os exames com atenção e não tentar bancar a Mãe Diná e simplesmente nos dizer: "Está tudo bem".
Se estivesse tudo bem por que nos submeteríamos a exames, alguns invasivos e dolorosos? Por que perderíamos nosso tempo com laboratórios, consultas e exames?
Recebi e-mail de uma moça cujo pai passará por cirurgia para remoção de tumor de hipófise na próxima segunda-feira. Ela estava apreensiva, preocupada com o pai e queria saber como a cirurgia é feita. 
Leio desabafos de mulheres que foram abandonadas pelos maridos, namorados, ficantes, Ricardões, peguetos (masculino de peguete) e afins quando souberam que elas estavam doentes.
As pessoas agem como se nunca fossem envelhecer ou ficar doentes e é nessas horas que conhecemos de verdade aqueles que nos cercam.
E foi também por meio do meu blog e da minha escrita que conheci outros acromegálicos que com suas valiosas informações me ajudaram a encontrar um tratamento mais eficaz. Ainda estou no aguardo, mas o primeiro passo foi dado e isso é o mais importante: o primeiro passo.
Acho que essa é minha missão nessa segunda chance de vida que recebi. 
Às vezes desanimo, sinto-me triste, esquecida e sem vontade para nada, mas aí lembro de tudo o que passei e digo para mim mesma: "Vamo acordar pra vida aí, mano! Tu não ganhou a segunda chance de graça não"!.
Tem que valer a pena.
E tudo começa com o primeiro passo.
É isso.





                            










domingo, 11 de agosto de 2013

Felicidade

                                   



Está cada vez mais difícil. 
Estou cada vez mais dolorida e entrevada e isso me chateia, revolta, entristece.
Durmo apenas três horas por noite e sempre acordo com as dores no joelho, ombro e coluna. As mãos e os pés também doem. Artrose e Acromegalia. Que dupla!
A cirurgia de artrodese foi feita em 2009, apenas quatro anos atrás. 
Em pessoas "normais" a duração dessa cirurgia varia de 10 a 15 anos e algumas vezes talvez nem precise mexer no que foi feito, mas no meu caso é diferente.
Anos de esforços físicos pesados para uma criança somados aos efeitos do excesso de GH (hormônio do crescimento) na fase adulta prejudicaram e deformaram minha coluna. Acromegalia.
Dores, peso nas pernas, entrevamento, mobilidade reduzida. Parece que estou enferrujada; sinto-me como uma múmia. Está difícil.
Trabalhar é outro problema. Saio da escola sempre amparada por alguém que me acompanha até o carro.
Os alunos ajudam, professores, funcionários da escola também.
Li um artigo sobre Freud que defende a tese de que não estamos preparados para a felicidade e quando alcançamos algo que tanto queremos e que nos faz feliz, adoecemos. Será?
Se pararmos para pensar, faz certo sentido. Não concordo nem discordo totalmente da tese. Há controvérsias.
Senti também que as pessoas são culpadas por estarem ou serem doentes. Estranho.
Já falei aqui sobre a "culpa" atribuída a pacientes com câncer; li artigos em importantes jornais. 
Culpar alguém por ser doente é perverso. Há exceções, claro.
Mas por que não estaríamos preparados para a felicidade? Ser infeliz é mais interessante? Gente infeliz é mais saudável que gente feliz? Se sim, por que, então?
Sempre sabemos, por vários meios, sobre casos de pessoas que estavam se preparando para um novo projeto, que mudariam de emprego, de vida, que se casariam, que comprariam seu primeiro carro, sua primeira casa, que teriam encontrado o grande amor de suas vidas, que aguardariam ansiosamente pelo primeiro filho e, de repente, se veem doentes. Por quê?
Não estariam essas pessoas preparadas para a felicidade?
Então isso quer dizer que as pessoas auto sabotariam suas próprias vidas, saúde e felicidade?
Como alguém tão feliz por ter realizado um sonho, atingido um objetivo escolheria ficar doente quando o normal e o esperado seria ficar muito contente e aproveitar aquilo que alcançou?!
Se a pessoa não está preparada para ser feliz e "decidiria" adoecer, que doença ela escolheria? Ou seria a doença que a escolheria?
Felicidade e doença são irmãs gêmeas xifópagas (siamesas)?
Não sei se entendo bem essa teoria e acho muito estranho alguém querer ficar doente quando finalmente encontra-se tão próximo da felicidade e da realização de um sonho.
Esse "querer ficar doente" é inconsciente, naturalmente. Tem gente hipocondríaca ( que adora ficar doente), mas pessoas sadias tanto física quanto emocionalmente nem pensariam em doença.
Não sei não. 
É tudo tão complexo, estranho.
São tantas teorias.
Sempre quis tanto ser professora e consegui, com muita dificuldade trabalhei por um ano e os outros anos passei mais tempo entre hospitais, internações e cirurgias do que na escola.
Volto a trabalhar após bom tempo afastada, mas está muito difícil. 
Dores, dificuldade de locomoção, entrevamento, revolta, tristeza, dores...
Não dá pra ser feliz...
Preciso ver o mar.