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terça-feira, 8 de maio de 2012

Contos, Cantos, Causos & Histórias

                                             


Gostava de ouvir mamãe contar os causos do seu tempo de menina.
Mamãe sempre começava assim: "Era uma noite de lua claaaaaaaaaaaaaara..."
Ela sempre enfatizava a primeira sílaba da palavra clara; mamãe tinha seu estilo próprio de contar causos, contos e histórias. 
Gostava também de ouvir mamãe cantar canções de ninar e de roda; a voz de mamãe tinha um quê de tristeza melódica e bela. Era emocionante ouvir mamãe cantar:
Se essa rua, se essa rua fosse minha
eu mandava, eu mandava ladrilhar
com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
para o meu, para o meu amor passar...


E no mesmo ritmo ela cantava uma canção sobre um anjo que morava em um bosque solitário e triste:


Nessa rua, nessa rua tem um bosque
que se chama, que se chama solidão
dentro dele, dentro dele mora um anjo
que roubou, que roubou meu coração


Se roubei, se roubei teu coração
é porque, é porque te quero bem
se roubei, se roubei teu coração
é porque tu roubaste o meu também.


Eu imaginava um bosque escuro com um anjo triste e solitário a caminhar por seus caminhos tortuosos e misteriosos e perguntava a mamãe: "Mas por que o anjo não sai do bosque? Por que ele não pode sair do bosque? Ele não tem amigos? Família? Por que o anjo é tão só?"
Eu ficava triste com a solidão do anjo.


                            
                                             
                                                 


                                                       

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Flamboyant

Flamboyant
                                          
Estava na terceira série do Ensino Fundamental e a professora Dona Maria Tereza nos levou para passear no bosque da escola.
Além do bosque, havia também um jardim enorme, lindo e florido. Hoje tem muita grade, lembra uma prisão, infelizmente.
A professora nos mostrava as plantas, as flores e as árvores e entre elas havia uma chamada pau brasil; árvore que dá nome ao nosso país.
O pau brasil era pequeno ainda e segundo Dona Maria Tereza, dali a uns trinta anos a pequena árvore cresceria e ficaria grande e forte, assim como nós. Tínhamos na época entre nove e dez anos.
Voltamos para a sala de aula e a coordenadora de alunos, a Dona Xyla, veio nos dar uma palestra sobre Natureza, plantas, oxigênio...Fiquei admirada com todas as coisas boas que as árvores nos dão: sombra, oxigênio e frutos!
Ao final da palestra Dona Xyla entrega para cada um de nós um pacotinho com algumas sementinhas de árvores e nos ensina sobre como plantar, regar e cuidar delas.
O meu pacotinho era com sementes de Flamboyant e eu não sabia que planta era essa e Dona Xyla diz que é uma árvore muito linda e suas flores têm cores fortes e bonitas; disse também que deveríamos primeiro plantar as sementes em um vaso e regar diariamente, mas que deveríamos tomar cuidado para não colocar água demais. Quando a plantinha estivesse com uns quinze centímetros de comprimento, aí deveríamos transplantá-la no jardim para que ela crescesse forte e bonita.
Chego em casa toda feliz e mostro a mamãe e a Mãevelha meu pacote com sementes de Flamboyant. Mãevelha me ajuda a plantar e me diz para não colocar muita água.
Todos os dias eu me levantava e ia regar minha futura árvore, mas reparei que os dias se passavam e nada do meu Flamboyant brotar. Fiquei tão triste.
Falei para Mãevelha e ela disse: "Tu bota água demais na bichinha, assim tu sufoca ela".
Meu Flamboyant não brotou e mamãe disse que um dia compraria mais sementes para mim e que eu deveria tomar cuidado para não colocar muita água.
Hoje passo pela minha antiga escola e vejo as árvores do jardim e do antigo bosque espremidas entre as horrendas grades. O pau brasil já está adulto e maduro, assim como os pequenos alunos que um dia foram pequenos como ele.
O Flamboyant cresceu nos meus sonhos e está forte, bonito e florido.
Flores de Flamboyant


Pau Brasil