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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Uvas

                                 

Fui à casa da minha irmã Rosi e meu cunhado Pepê preparou mais um de seus deliciosos churrascos. Meu irmão Fubá levou um bolo recheado e eu levei um pão de ló, bolo sem leite.
Assistimos ao jogo do Corinthians e nos encantamos com as gracinhas da pequena Rafaela; foi uma tarde muito agradável.
Volto para casa e dou ração molhada para os gatos; eles não podem me ver segurando uma colher que já correm e se postam aos meus pés, pois sabem que é hora de comer. Lindos.
Depois de alimentar minha família felina sentei-me no sofá e liguei a TV para assistir ao Repórter Eco da TV Cultura, mas um cansaço brutal me derrubou e acabei cochilando. Acordei já no fim do programa e mudei de canal, coloquei no programa do Faustão e vejo um rapaz chato, com cabelos arrepiados, cantando musiquinhas cujas letras tolas, vazias e sem sentido falam de carrões e mencionam o nome do cantorzinho: Israel Novaes. 
Parece que esses cantorzinhos só sabem fazer musiquinhas de auto promoção e propaganda gratuita de marcas de carros. Mudei de canal; chega de tanta porcaria igual!
Volto ao programa do Faustão e vejo Gustavo Lima comentando sua participação no "Dança dos Famosos". Carinha convencido, meu! E chato, dentuço, narigudo  e orelhas que os fazem parecer um Fusca de portas abertas. 
Dor de cabeça volta no mesmo horário de sempre há mais de uma semana e me levanto e tomo os remédios; adormeço.
Acordo já no meio do Fantástico e fico indignada com a venda de túmulos em cemitérios do Rio de Janeiro. Não entendo porque alguém faz tanta questão de pagar mais de trezentos mil reais por um túmulo! O que tem de tão especial nisso? A morte nos iguala a todos e tanto faz ser enterrado em um túmulo de luxo ou numa cova comum, os vermes devorarão as carnes podres de pobres e ricos, bonitos e feios, famosos e Zé Ruelas. Bobagem
Vou para a cama e acordo à três da manhã com muita dor no joelho direito; o tempo vai mudar. Mudou.
Os dias mornos e ensolarados deram lugar à uma segunda-feira fria, cinzenta e chuvosa. Lindo.
Fiquei em casa. Têm dias que sinto vontade de sair e em outros eu quero apenas ficar em casa. 
Cozinhei feijão e temperei do jeito que mamãe gostava: cebola, alho e azeite; ficou bom. Fiz arroz e aproveitei o churrasco que minha irmã Rosi me deu.
Fui para a sala, deitei-me no sofá e os gatos vieram um a um e se acomodaram ao meu redor. Demos uma boa cochilada. Acordei, levantei e devorei um cacho de uvas sem semente. Delícia.
Daqui a pouco mais uma dose dos remédios para dor de cabeça e mais uma boa madrugada de sono com os gatos espalhados ao meu redor. 
Tomara que as dores não me acordem nem me incomodem essa noite; de novo não.
É isso.

                                       

domingo, 3 de março de 2013

Melhores do Ano

                                


Estou tentando acompanhar o programa do Faustão com a eleição e premiação de os melhores do ano.
Concordo com o prêmio dado a alguns e discordo de outros, mas o que está me deixando invocada e propensa a mais uma implicância é a categoria música do ano, ou melhor música do ano, sei lá.
Até agora cantaram um tal de Naldo e esses dois rapazes de calças justas a rebolar e a cantar o tal do Camaro Amarelo. Jesus.
Já perguntei e pergunto de novo: O que está acontecendo com nossa música popular brasileira? Se popularizou demais?
O problema dessas musiquinhas chiclete é que quando um gênio lança uma pérola logo em seguida outros sub gênios lançam porcaria igual ou pior.
A moda era musiquinha com refrão repletos de monossílabos: bara bere, parapapa, tchu tcha, tche teche re re...
A moda agora é fazer musiquinha sobre carros e já foram "homenageados" o Camaro da Chevrolet, Fiorino da Fiat e Dodge Ram. 
Dizem que o cara com carrão pega qualquer mulher. De fato, o cara pode ser um Mané mas o carrão o transforma em um bonitão atraente. E a mulher que se facilita porque o cara tem um carrão, não é uma mulher, é uma piriguete fácil.
Ainda não ouvi, graças a Deus, a terceira música concorrente e nem é preciso fazer muito esforço para adivinhar qual será; certamente é algo pegajoso com monossílabos ou falando sobre carros.
Bons tempos aqueles em que MÚSICA era feita e cantada por Djavan, Zé Ramalho, Fagner, Elis Regina, Família Caymmi, Raul Seixas...
Bons tempos aqueles em que SERTANEJO era cantado por duplas de homens simples cujas roupas apenas combinavam. Sertanejo que cantava as coisas simples da terra, os amores do sertão, a vida na roça. Mas hoje o sertanejo só tem rapazes com calças grudadas e cantando musiquinhas idiotas.
Me pergunto de novo: E quando acabarem as monossílabas e os carros, sobre o que cantaram os ditos cujos?
Não quero nem pensar.
É isso.

                        
                                         

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sexo

                                    


É sabido, público e notório que sexo vende, haja vista os comerciais invadidos por imagens e referências sensuais e sexuais. Já falei sobre isso aqui.
Assistia a um programa de TV e o entrevistado disse que sexo vende. É detestável, mas é verdade, infelizmente.
Zapeava pela TV, como sempre faço, ainda mais nos fins de semana quando a programação deixa a desejar.
Assisti ao Repórter Eco e Planeta Terra, ótimos programas da TV Cultura, e depois mudei de canal; coloquei no programa do Faustão para ver o concurso para novos humoristas, gosto de humor.
Foram três candidatos fracos e todas as piadas contadas eram sobre sexo. Acho meio forte para o horário, pois têm crianças assistindo.
Não me sinto muito confortável quando piadas, conversas e assuntos giram em torno de sexo; acho de mal gosto. Quando as piadas são leves, vá lá, mas quando pegam pesado eu não gosto não.
Não sou puritana, mas gosto de respeito e acho que tudo tem limite.
Bom...
Mudo de canal mais uma vez e vejo o tolo, ridículo e machista comercial do desodorante Axe, que tem o singelo slogan: "Acumule mulheres". Nele, um mané usa o desodorante e várias mulheres bonitas, claro, brigam por ele.
Primeiro: Por que só colocam manés e Zé Ruelas e não colocam homens bonitos nos comerciais de cerveja e desodorante, principalmente? Por que só colocam mulheres seminuas? O que quer dizer com "acumule mulheres"? Por acaso mulheres são objetos colecionáveis?
Aliás, comerciais direcionados ao público masculino, como cerveja por exemplo, só têm homens sem graça e mulheres com corpo à mostra. Como diria mamãe: "Cada machinho feio!"
Mudo de canal e assisto ao Fantástico que tem a mania tola de idolatrar qualquer abestado que faça sucesso nos "iunaitede isteites" ou na "zooropa" e o povo abestado daqui idolatra esses ídolos descartáveis. Bom...
Acaba o Fantástico e mudo de canal, não gosto dos filmes explosivos que exibem após o programa. Zapeio pela TV e paro na Band e o que passa? Pânico na Band. Lixo pior que esse não há.
Mulheres rebolando em posições ginecológicas e a câmera destacando suas bundas e genitália levemente cobertas por um pedaço de pano ao qual dão o nome de biquíni.
Outras rebolam sem música enquanto o apresentador faz seu trabalho.
Raramente assisto a esse lixo mas decidi assistir para poder justificar o que falo e escrevo e para implicar também, claro.
No segundo trecho que vi são colocados bifes nas testas das moças de biquíni que ficam paradas aguardando a aproximação de um lagarto, um teiú e um filhote de jacaré. Absurdo e um claro abuso contra os animais!
As moças ficam com medo e uma se recusa a fazer a palhaçada e ouve do idiota responsável pela brilhante ideia: "É seu emprego que está em jogo".
Coerção, manipulação, humilhação.
No terceiro trecho, uma vala é cavada e coberta por folhas para que fique imperceptível; uma das panicats vem caminhando em direção ao carro providencialmente estacionado ao lado e cai na vala. Em seguida o idiota joga um balde com cobras de plástico e a moça grita desesperada: "Me tira daqui!".
As outras riem assim como todos os presentes naquele quadro estúpido. O pior ainda estava por vir; fingindo que ajudaria a moça a sair do buraco, o cara aproxima dela uma cobra enorme e ela entra em pânico.
Pergunto: Isso é humor? Fazer humor é humilhar o outro em nome da audiência, patrocínio e dinheiro?
Por que essas moças se sujeitam a isso? O dinheiro é tanto assim? Por que essas moças não procuram estudar e se formar? Por enquanto estão jovens e belas, mas beleza e juventude não são para sempre.
E o que farão quando envelhecerem? Não vai dar para rebolar com peitos e bundas caídos e muito menos usar minúsculos biquínis.
Só assisti a esse lixo porque não tinha nada novo na programação da TV; os programas exibidos pelos canais Discovery e National Geographic eu já tinha visto; Silvio Santos não dá para ver, ainda mais com aquelas pseudo famosidades escrevendo tolices de duplo sentido; os outros canais abertos passam programas sobre policiais correndo atrás de bandido, vendem produtos e outras inutilidades ou passam programam religiosos com pastores detonando as outras religiões e pedindo dinheiro para a obra de Deus. Deus é pedreiro?
Decidi desligar a TV e ler o livro até o sono chegar.
A gataida estava ao meu redor bem aconchegada sob o cobertor fofinho e quentinho só aguardando eu apagar a luz e dormir com eles.
Melhor ler e deitar com os gatos, a TV está ruim por demais.
É isso.


Eu tenho vergonha
                                   

sábado, 11 de agosto de 2012

Língua Portuguesa

                                              

"... inculta e bela", Olavo Bilac.
Sou patriota e bairrista assumida, mas respeito sempre a tudo e a todos.
Aliás, respeito é o meu lema, é minha palavra de ordem. Vivemos em um mundo tão complicado onde pessoas se julgam no direito de violar, matar, destruir aquilo que não entendem e não aceitam.
Se não entende não aceita, se não aceita não entende. Forças proporcionalmente inversas.
Inversamente proporcional à cultura, tecnologia, modernidade, comunicação e ao avanço que temos hoje: avanço em várias áreas da Sociedade, Medicina, Educação, Tecnologia, tal e coisa, coisa e tal.
À medida que avançamos em algumas áreas parece que retrocedemos em outras, principalmente na área das relações humanas.
É gente explodindo templos, atirando em pessoas de religiões, culturas e etnias (evito o termo raça, pois para mim só existe uma raça: a Raça Humana!) diferentes. Pra que isso, meu Deus do céu?!
Bom, mas eu falava sobre a bela Língua Portuguesa...
Esta também sofre violência por parte de seus falantes nativos que a falam e a escrevem com um desrespeito e descaso desmedidos!
É aí que entra meu bairrismo e meu patriotismo. Explico.
Para começar, parece que o Infinitivo (forma natural do verbo, sem conjugação) caiu em desuso e as pessoas "comem" a letra "R" ao falar e ao escrever. Na forma oral até que passa despercebido, mas na forma escrita confunde o leitor. Por exemplo:
"Ele vai fala(r), Ela vai liga(r), Nós vamos dize(r), Você vai pega(r)..."
Entenderam?
Vejo muito disso nas redes sociais, principalmente no Facebook, e isso escrito por estudantes de Direito, Enfermagem, Administração... Os futuros "dotôs" e "dotôras" estão massacrando a Língua Portuguesa e não percebem. Jesus!
Escrevem: "Muleke, 9dade(novidade), naum (não), aki (aqui), voçe (você)..."
Outra barbaridade é a falta da letra "U" no final dos verbos conjugados no Pretérito Perfeito: "Ele falo (falou), Ela pego (pegou), Você comento (comentou)..."
De novo: Na forma oral entende-se perfeitamente, mas na forma escrita confunde o leitor.
Confunde porque não sei a pessoa já praticou a ação, vai praticar ou não! É preciso Caetenear para entender o abuso imposto à nossa bela língua pátria.
Para piorar, ainda inventaram esse inútil e besta Acordo Ortográfico que tirou acentos gráficos das palavras; agora é voo, enjoo, ideia, linguiça... tudo sem acento. A desculpa dada é para aproximar os países lusófonos (falantes da Língua Portuguesa). Pode até ser na forma escrita, mas na forma oral (falada) e cultural cada um tem sua própria marca, seu estilo.
E qual a desculpa para isso? Para facilitar a vida do pobre estudante?
Ora! Me "pópi", como dizia papai.
Em um país continental que fala uma única língua (oficialmente), o estudante tem mais é que estudar mesmo e procurar escrever corretamente! 
Já pensou se aqui a população falasse quatro línguas ou mais como em muitos países europeus?
Tive professores que me chamaram de radical e assumo o adjetivo com orgulho.
Claro, não queremos ter/ver jovens e a população em geral dizendo: "Vossa Mercê, ó nobre rapariga, gostaria de me acompanhar ao cinematógrafo? Preciso apenas trocar o pneumático de meu automóvel que se encontra desprovido de ar".
Hoje dizem: "Vai colar na balada? Vai rolar quero tchu tcha, tchererê, lê, lê, oi, oi, oi..."
Como o perdão das palavras.
Bom,
Outro absurdo cometido é o tal do "Pra mim fazer, Pra mim isso, Pra mim aquilo".
Pra mim não conjuga verbo, certo? 
Por exemplo: "Ele deu o livro pra mim", correto.
"Ele deu o livro pra mim ler", incorreto.
"Ele deu o livro para eu ler", correto.
Outra aberração: "Menas". 
"Tinha menas pessoas, menas gente, menas vezes..." Menos é invariável, então é sempre "Menos pessoas, Menos gente, Menos vezes", menos qualquer coisa!
Mais: A gente= Nós, Pessoas.
Agente= agente secreto, agente químico etc...
Outra coisa que me incomoda é a imposição linguística (gostava mais do trema na palavra, mas esse bendito acordo ortográfico!) imposta por poderosos e influentes meios de comunicação. Usei "imposição e imposta" para enfatizar o que quero dizer. Beleza?
Interessante que artistas, jornalistas e afins que vêm de outros estados brasileiros precisam "perder" o sotaque para se encaixarem nos padrões globais de televisão. Até entendo que precisem suavizar o sotaque para que possam ser compreendidos pelos outros brasileiros das outras regiões do país. Imaginemos: "O guri comeu cacetinhos e negrinhos; A macaxeira e o jerimum estavam arretados de bom".
Nem todos entenderiam os significados de cacetinhos, negrinhos, macaxeira e jerimum, (baguete, brigadeiro, mandioca ou aipim e abóbora, respectivamente).
Até aí, tudo bem.
Mas não vejo porque artistas precisam tanto falar um "carioqueixxx" forçado. Nada contra a bela cidade maravilhosa do Rio de Janeiro.
Faustão e Luciano Huck são paulistanos/paulistas e falam normalmente sem carregar em um forçado sotaque carioca como faz Angélica, que é paulistana do ABC (Santo André, São Bernardo, São Caetano).
Em um domingo zapeava pelos canais de TV e paro no programa do Faustão, uma ex bailarina com corpão e cérebro inversamente proporcionais e com pretensões intelectuais falava sobre "teixxxto, méidico, naisceu, culégio..."
Parece que excluíram os acentos gráficos das palavras e adicionaram a letra "i" à elas. 
Repito, procuro respeitar a tudo e a todos, mas por que tenho que aceitar imposições e ditaduras linguísticas? 
Essa ex bailarina do Faustão parece que gosta de forçar mesmo o "carioqueixxx" e isso fica um tanto quanto "irritainte".
Não dá.
São coisas que adoro detestar. Desculpa aí.
Não bastava "comer" o "U e o R" das palavras, não bastava impor sotaques, não bastava o abuso feito à nobre Língua Portuguesa, tinha que detonar mais ainda com música ruim.
Meu Deus, o que estão fazendo com nossa cultura, nossa música, nossa língua?
Vou parar por aqui se não isso vai virar um "teixxxto enorrrrrrrme"...
Lê, lê, lê...
Na boa.
É isso.

                                        

terça-feira, 10 de julho de 2012

Reclamações, Comerciais, Brasil

                                          


Vivo reclamando de produtos, serviços e atendimento.
Reclamo quando sou mal atendida por um funcionário mal educado. 
Sou meio antissocial, como já me disseram, mas sou educada e procuro respeitar a todos, até mesmo àqueles com que não simpatizo muito. Educação é a melhor arma e sempre fui muito na minha mesmo. Não sou de grandes arroubos de simpatia e emoções.
É cultural em nosso país o "deixa pra lá, é assim mesmo". Papai ainda acrescentava: "Tem jeito não".
Pois é.
É exatamente do "deixa pra lá" que vivem e se proliferam os péssimos serviços, produtos e atendimentos. Se ninguém reclama então pensa-se que está tudo bem e continua-se no erro. Não é assim?
Tem que reclamar sim! Temos nossos direitos, pagamos impostos abusivos, somos explorados, manipulados, usados... (até parece discurso político anti burguês).
Já reclamei junto à Unimed pelo preconceito que sofri por parte de uma funcionária; já reclamei junto à Receita Federal, junto à livrarias, lojas, prestadoras de serviços e afins.
Sou educada até demais, mas pisa na bola pra tu vê!
Outro hábito que tenho é de enviar e-mails para as emissoras de televisão e grandes empresas, tanto para elogiar como para reclamar, claro.
Por exemplo: Enviei e-mail para a Band elogiando o CQC e o Quem fica em pé. Ótimos programas que precisamos esperar para assistir; primeiro temos que ver o tal do Video News com a super pegajosamente, megamente simpática e sorridente Nadja Haddad. Essa moça apresentou o Jornal da Band e o fez tão bem; não entendo porque decidiu a prestar o papel de boba da corte em um programa chato que apresenta repetecos dos programas da Band e exibe video cassetadas às quais estamos cansados de ver no Domingão do Faustão e em outros programas de outras emissoras.
Ela tenta rir, gargalhar e achar tudo muito engraçado. Ela faz comentários tolos das imagens e videos tolos como se fossem algo muito importante; como se fossem comentários políticos, econômicos ou algo que o valha. Talvez a nossa política seja tola mesmo e os palhaços somos nós!
E por causa desse programeco bobo, o CQC "encolheu" para poder caber na grade da programação e não acabar muito tarde. Afinal, temos que trabalhar no dia seguinte.
Eliminado esse programa chato, o Quem fica em pé começaria mais cedo e o CQC começaria no horário antigo e assim poderíamos assistir aos bons quadros de antes, como o O povo quer saber, CQTest, Resta um.
Outra coisa da qual reclamo é dos comerciais de televisão. 
Em uma postagem anterior elogiei a Fiat pelo elegantíssimo comercial de lançamento do carro Línea, mas tempos depois a montadora perde a mão, esquece o bom gosto e faz comerciais de péssimo gosto com péssimos garotos propaganda: Michel Teló, os manés que cantam (não sei o nome deles e nem quero saber) eu quero tchu, tcha e mais recentemente com o cinquentão que tem complexo de Peter Pan, Sérgio Malandro.
Será que já falei sobre isso aqui? Não sei, mas já que estou aqui, falo de novo.
O cara só saber falar glu,glu, yeah,yeah e acha isso muito engraçado!
Esse é um empacado no tempo e no espaço e vive da fama de sua celebridade Z (existem as celebridades A, entende?).
Outro comercial de motos exibe o cara cantando a musiquinha do oi, oi, oi cercado por moças de maiô dançando à lá Beyoncé. Acho que a próxima música desse rapaz vai ser: tchau, tchau, tchau...
É claro, público, óbvio e notório que os comerciais brasileiros apelam para uma sexualidade exagerada. Somos conhecidos por nossa sensualidade, mas há uma tênue linha entre o que é sensual e o que é vulgar e as pessoas confundem muito isso.
Em um comercial dos sapatos Pegada, o ator Murilo Rosa joga boliche com Renata Fan e óbvio, quando ela se dobra para jogar a bola, a câmera dá um close em sua bundinha chocha, como diria mamãe. Os comerciais de cerveja então! Desnecessário falar.
Não acham que essa imagem extremamente sensual do Brasil é usada à exaustão? Será mesmo tão necessário assim fazer uso de bundas e peitos, caras e bocas para vender produtos?
Têm comerciais muito legais e engraçados e gostava do moço que vendia pamonha e rebolava; o do cigano também é muito legal.
Claro que as grandes companhias contratam famosos com grande apelo junto à população, mas tem gente boa, culta e interessante também!
Vejamos a graça e elegância de Camila Pitanga nos comerciais da Caixa; ela não precisou rebolar, fazer caras e bocas para aparecer, bastou seu talento e beleza. Simples assim.
Não sei o que está acontecendo com a cultura e com a música brasileira. Tudo está se tranformando em lixo consumível e descartável, até aparecer a nova celebridade. Até aparecer alguém com as versões "Eu quero tche, tcho... tchau, tchau, tchau... tcha ra ra..." com garotos vesgos de cabelos arrepiadas e calças mais justas que Deus.
O que estão fazendo com o Brasil?!
É isso.


                                            

domingo, 29 de abril de 2012

Faustão

Beatriz tem cinco anos e ainda não entende a relação entre tempo, dias da semana, meses...
Ela sabe que é quinta-feira porque é dia de balé e sexta-feira porque é dia de levar brinquedo na escola.
Sábado é dia feijoada, de lavar roupas, de feira e pastel com caldo de cana.
Domingo é dia de Faustão.
A mãe fala que vai lavar seu uniforme e ela pergunta: "Quando eu vou pra escola, mãe?"
"Segunda-feira".
"Segunda-feira é depois do Faustão?"


                                             

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Almoço em família

                                               


Eu tinha 18 anos e adorava aquelas revistas tolinhas que falavam sobre simpatias, horóscopo e amizades.
Havia uma seção na revista que trazia nomes e endereços de pessoas que queriam fazer novas amizades. Não havia Internet nem redes sociais naquela época e o romântico hábito de escrever cartas ainda estava em voga.
Pensei em participar desse movimento literário e mandei carta para revista e confesso que duvidei muito que alguém me escreveria. Me enganei.
Recebi várias cartas e entre elas a de um rapaz (nem tão rapaz assim, veremos a seguir) de família, honesto, trabalhador e cumpridor de seus deveres, como mamãe adorava dizer.
Trocamos correspondências e o rapaz sugere que nos conheçamos pessoalmente. Vixe!
Mas papai e mamãe nunca me deixariam sair sozinha para encontrar um estranho; de jeito maneira, jeito qualidade!
Escrevi ao simpático rapaz e contei a situação e ele sugeriu que fossemos todos jantar no restaurante onde ele trabalhava como maitre (lê-se "métre"). 
Saí com ele algumas vezes e íamos sempre almoçar e depois ao cinema. E minha irmã Rosi ia comigo para manter minha segurança física e garantir que nada de mais acontecesse.
Como eu disse, eu tinha dezoito anos e ele disse que tinha trinta e dois. Só se fosse trinta e dois anos que chegou em São Paulo!. Ele deveria ser um quarentão.
Bem...
Fomos a nobre e distinta família jantar no restaurante do nem tão jovem e distinto rapaz.
Fomos bem tratados e para retribuir a gentileza mamãe o convida para almoçar em nossa casa. Ele era nordestino também e apreciava comida nordestina.
Mamãe organiza tudo e nos pede: "Olhem, pelo amor de Deus se comportem bem e finjam que são civilizados. Não me matem-me de vergonha!".
"Tá booooooooom, mãe".
E papai, claro, também deu seu sermãozinho básico: "Olhe, e deem um jeito nesses gatos sem educação de vocês. Não deixem esse gatos pular nas coisas e no rapaz. Não me matem-me de vergonha".
"Tá booooooooom, pai".
Chega o grande dia e estamos todos tomados banhos e vestidos com nossas melhores roupas. E sobrou até para Mãevelha, que deixou sua cama e veio até a sala para recepcionar o rapaz.
Como ele não conhecia bem o nosso bairro, mamãe pede a um motorista de táxi conhecido nosso que busque meu pretendente. Rogério e Naldão foram junto.
Dali a pouco eles chegam e mamãe vai ao portão para recepcioná-lo. Naldão e Rogério descem rapidamente do carro, correm ao meu encontro e educadamente dizem: "Oxe, cara feio da p...! O cara tem orelha de Spock e é véio. Você não vai casar com ele não, né?".
Eu fingi que falava amenidades com meus adoráveis irmãos e sorri para o nem tão jovem mancebo que vinha todo alegre e sorridente em minha direção.
Entramos e nos acomodamos; o almoço já seria servido.
Tinha muita fartura de comida e vários tipos de carne. 
Pra falar a verdade, éramos meio boçais e não gostávamos de usar garfo e faca para cortar a carne, a segurávamos com as duas mãos e cortávamos com os próprios dentes. 
Mas hoje já conseguimos usar talheres. A quem interessar possa.
Bom...
Mãevelha não sabia usar garfo e faca e comia com colher. Mamãe faz o prato de nossa avó e pergunta se ela quer que corte a carne em pedaços pequenos, mas Mãevelha diz que não carece não. 
Mãevelha começa a comer e segura o bife com as duas mãos e dá uma mordida, mas ela fez de um jeito que a carne escapou de suas mãos e voou longe. Os gatos estavam perto dela e correram como quem aposta corrida para ver quem chega primeiro; parecia vídeo cassetada do Faustão. 
Que vergonha!
Mamãe disfarçou, sorriu amarelo e ofereceu mais comida ao rapaz. 
Papai, milagrosamente e num esforço sobre humano, segurou seu sermão.
Termina o almoço em família, graças a Deus. O rapaz agradece pela calorosa recepção e troca palavras gentis e educadas com papai e mamãe que o convidam para mais visitas à nossa nobre e distinta família em nossa humilde residência.
A rasgação de seda termina e meu pretendente volta para casa. Ufa!
E papai começa seu sermão. Reclama de Mãevelha que deixou a carne "voar", dos gatos que "voaram" atrás da carne, disso, daquilo...
E para quem estiver curioso; não, não me casei com o simpático rapaz nem com ninguém.
Mas continuo gostando de gatos.