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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Trabalho

                                


Final de ano se aproximando e a cara de pau de certos alunos só aumentando, explico.
Muitos desses alunos têm excesso de falta, notas baixíssimas e já perderam o ano, mas insistem. Querem trabalhos para recuperar o tempo perdido.
Por que não compareceram às aulas e exerceram seu papel de aluno?
E as desculpas são variadas... "Mas eu fiquei doente. Eu não ia vim doente pra escola, né?". Mas ficou doente o ano todo?!
Lembrei de um professor da faculdade que soltou a seguinte pérola quando alunos semelhantes pediram trabalhos também para compensar suas faltas. Ficavam nos botecos ao redor da faculdade e quando chegava a época das provas era aquele Deus nos acuda: "Você quer um trabalho? OK. Então anota aí: uma galinha preta, um charuto, uma garrafa de 51, mas pode ser Velho Barreiro".
Adorava ver a cara de surpresa desses alunos sem noção. Era divertido.
Os professores gostaram da ideia quando contei-lhes e demos boas gargalhadas.
É isso.



                                 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Talqualmente

                                


Caí duas vezes essa semana: segunda-feira à noite e terça de manhã.
Tenho pequenas escoriações e manchas no corpo devido às quedas.
Levantei cedo, como sempre, e quando fiquei de pé, não senti minhas pernas; compressão na medula.
Tive dificuldade para me levantar e quando consegui, me deitei para poder me recuperar do esforço. Para mim é um grande esforço.
Fiquei dolorida e a gataiada me olhava tentando entender o que estava acontecendo; decidi ficar na cama. 
Liguei para a escola e avisei que não iria; eu não tinha condições de tirar carro da garagem, descer para fechar o portão, dirigir, trabalhar...
Eu me preocupando tanto e a escola com funcionários espertos, cínicos, cara de pau mesmo.
Todo mundo tem um achaque, um "Ai, não estou bem hoje", outro "Acho que vou tirar uma licença" e por aí vai.
Trabalho com dificuldade, ando com dificuldade, tenho dores fortes e estou bem entrevada, mas trabalho.
Não sei se essa responsabilidade, seriedade e dever de obrigação vem da minha criação e do meu caráter nato ou se estou vivendo em uma época diferente.
Já falei sobre o assunto aqui, mas volto a ele.
Estamos sobrecarregados de trabalho e estamos acumulando funções: vice diretor, coordenador, as meninas da cozinha, as meninas da limpeza... todos nós.
A professora sonsa reclamava para a amiga e colega, "talqualmente" sonsa, que está trabalhando muito e preferia ficar trancada na sala dos livros tirando um bom cochilo. O coordenador pediu para que ficasse na secretaria e por isso ela reclamou. Trabalhar ninguém quer.
A "especial", que é muito da esperta, machucou o dedo no portão e simplesmente largou o serviço e foi ao hospital do bairro para fazer um curativo. Ela faz o que quer, como quer e quando quer, valendo-se do fato de ser especial. OK. Esperta como é, já tirou licença e ligou hoje cedo para encher a paciência. Capaz que vou subir aquela escadaria toda só para chamar quem ela quer e ainda correr o risco certo de ser derrubada pelos alunos. Capaz!
Outra sonsa e esperta liga todos os dias para perguntar tolices e para falar com alguém da coordenação ou direção; pensa que não temos mais o que fazer. Para variar, está afastada de novo.
Como esse povo consegue tão fácil? Tem que dar para alguém?! (me desculpem). Tem que ter uma cara boa? Tem que ter ou fazer o quê, pelo amor de Deus?! Laudos e exames mostrando uma doença rara e perigosa não são suficientes? Minha própria aparência acromegálica e meu caminhar doloroso já mostram que não preciso mentir quando digo que tenho dores e não estou bem.
Raras foram as vezes em que fui atendida e examinada por um médico perito que fosse educado. Sempre sou vítima de um pré julgamento preconceituoso e injusto e só depois de acessar minhas informações é que esses médicos grosseiros amenizam na estupidez. Pelo amor de Deus!
Essas pessoas mencionadas vivem tirando licença facilmente e quem precisa mesmo só se lasca.
Estou me segurando para não tirar uma licença só para não ter que fazer a perícia médica. Não é fácil andar e viver com dores que entrevam e dificultam muito a vida.
Continuo na próxima postagem...




                                    

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Desapontamento

                               


Vi reportagem sobre uma escola que apresenta problemas; os alunos fotografaram e enviaram as imagens para a emissora. 
A escola está localizada na Zona Norte da cidade e fica em um bairro próximo ao nosso e alguns professores trabalham tanto na escola onde trabalho e na mencionada na reportagem.
Os alunos reclamam de banheiros quebrados, piso da quadra de esportes com defeitos e outros... Ironicamente, quem destrói a escola são os próprios alunos, desculpem.
Além de quebrar vidros das janelas, soltar bombas dentro da escola e desrespeitar professores e outros funcionários, os alunos desperdiçam alimento. Já falei sobre isso aqui.
Fazem guerra de frutas, pisoteiam bolachas, caixinhas de suco...Em casa comem ovo e na escola desperdiçam a oportunidade de comer alimentos bons.
Bom...
A escola onde trabalho apresenta outros problemas além do habitual comportamento errático dos alunos.
- Falta pessoal para trabalhar: hoje ficamos apenas eu, o vice diretor e uma inspetora de aluno para uma escola grande como a nossa!
- Falta comunicação: ficamos sabendo sobre datas de reuniões, eventos etc...por acaso, quando alguém comenta, ou quando o fato em si já está ocorrendo. É uma situação chata, pois já ouvi pais dizendo: "Tá dentro da escola e não sabe o que está acontecendo?!". Pois é... se a comunicação existisse...
- Falta respeito e consideração em vários aspectos: Já falei uma centena de vezes sobre o sinal que está quebrado desde o início das aulas, em janeiro desse ano. Estamos há três meses de 2015!
A senhorinha da cozinha nos ajuda a bater o sinal, fazer entrada e saída de aluno e nos quebra galhos, mas nenhuma dessas funções é dela. (nem vou colocar mais ponto de exclamação!).
Já falei sobre gente que trabalha e gente que enrola. Que faz o que quer, quando quer e como quer. Que se veste de maneira inadequada para o local de trabalho; parece que vão ao baile funk ou à praia.
Gente incompetente e atrapalhada, que não faz seu trabalho como deve ser, deixa para última hora e no fim larga tudo nas mãos de outras pessoas/funcionários. Faz lambança, burrada mesmo, e depois sobra para quem pensava que estava tudo em ordem, pois confiou demais.
Gente que só reclama da vida, nunca chega no horário e sai na hora que bem entende.
Gente saudável que está em forma física muito melhor que a minha, mas que cochila na sala de leitura, que faz-se de burra para  não aprender novas atividades e não ter que trabalhar de verdade: "Não sei fazer", é o mantra desse povo. Fica fácil assim.
Eu também não sabia fazer o serviço da secretaria, mas aprendi! Oh que lindo!
Observei, perguntei, pedi para ser ensinada e pronto. Se eu, com minhas limitações físicas, trabalho "que nem uma cavala", por que essa mulherada saudável e frescurenta não aprende?
A parte complicada, como já falei, é o senta-levanta, chamar o coordenador, levar documentos para a direção assinar etc... Mas evito fazer isso e peço para alguém fazer por mim.
Os alunos não respeitam ninguém, nem mesmo quem anda com dificuldade e com o apoio de uma bengala. Eu tenho que parar para que passem e não me derrubem. Deveria ser o contrário.
Além da falta de funcionários, a escola carece de gente séria, com vergonha na cara, com sangue nos "zóio", que trabalha de verdade, que não enrola, que respeita hierarquia, que colabora e que não se faz de morta.
Está uma situação desagradável, de muita cara de pau, de muita "panelinha", de muito "mimimi".
São tantos problemas... Nem vou falar do imenso terreno cheio de mato e rato e onde poderia ser construída a biblioteca, meu sonho de consumo, e eu poderia trabalhar com o que gosto de verdade: alunos e livros.
Mas os livros, meus amados livros, estão empilhados em uma sala empoeirada. Que pena.
É isso.


                                 



                                     



quinta-feira, 10 de abril de 2014

Cara de Pau


                             
É bom mudarmos de posição para que possamos ver as coisas por outra perspectiva e assim podemos mudar de opinião.
Tenho trabalhado na Secretaria da escola e tenho visto muita coisa que considero errada: a excessiva falta de professores e o atraso também. Professores que chegam quando querem, nunca ou raramente chegam no horário e estão em sala de aula, assinam o ponto numa boa e assim caminha a humanidade.
Tem professora que toda semana enterra alguém. É tio que morre, é o tio de alguém, é sempre alguém. E ela, claro, precisa participar do velório e do enterro; prestar suas condolências. Imagino como devem ser as aulas dessa criatura. Qualidade zeeeeeeeeeeeeero!
Mas um fato que me chamou a atenção foi a cara de pau de certos professores que tiram licença por todo e qualquer motivo: pressão "um pouco" alta, resfriado comum, tristezinha básica que melhora com uma voltinha no Shopping.
Não estou desmerecendo àqueles que sofrem com a terrível depressão, uma doença grave e séria, mas é que tem gente muito cara de pau, infelizmente.
Um professora tirou nove ou dez dias de licença por estar com a pressão "um pouco alta". A minha vive nas nuvens e eu nunca tirei licença por isso.
A outra tirou licença porque estava "um pouco rouca" e com um resfriado comum. Se é uma gripe forte, vá lá, mas resfriado comum?!
Soube que a enferma viajou ao Rio de Janeiro para se recuperar da enfermidade que a afligia.
Acho que vou me recuperar da osteoartrite no meu amado Pernambuco.
Fico possessa quando sou pré julgada pelo médico perito que me faz perguntas em tom acusatório até se dar o trabalho de ler o laudo do meu médico e ver no sistema as informações a meu respeito.
Bom...
Tem muita coisa errada e isso só prejudica a Educação que está cada vez mais capenga.
Nunca tirei licença por estar com resfriadinho comum, nunca "matei e enterrei" ninguém, sempre procurei chegar no horário e, das vezes que tirei licença, foram por motivos bem sérios. A Acromegalia que o diga!
É isso.


                                



                                

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Bons Amigos

                              


Estou parecendo mãe de adolescente; não dorme enquanto os filhos não chegam. No meu caso, não durmo e não sossego enquanto meus seis gatos não estiverem todos em casa.
Semanas atrás voltei do supermercado e não encontrei Aurora, minha favorita em todo o Universo e em todas as Galáxias. Chamei, me desesperei e até acendi uma vela para São Lázaro e rezei.
Isso era umas oito horas da noite e lá pelas onze chega dona Aurora na maior cara de pau. Ela me olha com seus enormes olhos verdes e faz um miado diferente de quem faz um mea culpa.
Percebi que recentemente Aurora tem dado umas sumidas e só volta horas depois e hoje descobri o motivo dessas fugidas: um gatão branco, enorme, peludo, fofo e lindo;parece um leão branco.
Essa é minha Aurora!
Ela sobe pelo muro estreito entre minha casa e a do vizinho e nem se importa com os latidos de Sofia, a cachorra dele. Cachorra mesmo, da espécie canis lupus familiares, o cão doméstico vindo do lobo.
Bom...
Horas depois Aurora volta e escuto um miado forte e desesperado, é o gatão branco.
Ela vai ao quintal e os dois conversam, ela do chão e ele do alto, pela grade. Tão romântico, tão lindo.
Agora estou mais tranquila com as sumidas de Aurora, pois sei que ela está em boa e bela companhia felina.
Por enquanto são só bons amigos.
Mas... vai saber.