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segunda-feira, 24 de novembro de 2014
Esperar e Aguentar
Fui trabalhar hoje a pulso. Ainda me sentei no sofá e me obriguei a ir; falta menos de um mês para acabar o ano letivo.
Não quero tirar licença antes porque detesto fazer perícia; sou sempre tratada com desconfiança pelos nada simpáticos doutores peritos. Gostaria de saber o porquê disso, pois é visível minha aparência acromegálica, meu caminhar inseguro mesmo apoiado na bengala.
Ninguém consegue simular ou fingir uma doença degenerativa óssea e uma Acromegalia. Pressão alta e diabetes? Não sei.
O que querem e o que pensam esses médicos tão brutos?
E por que professores com resfriado comum conseguem dez dias numa boa?
Sempre questiono isso.
E por falar em questionamentos...
Poucos alunos foram à escola hoje, o que é muito comum no final ano, mas uma dúzia deles, aproximadamente, pediu para ligar para os pais virem buscá-los. Os motivos alegados foram dor de cabeça, dor no joelho, dor na unha, no cabelo...
Reclamei e disse que isso nos faz perder tempo, pois estamos em época de matrícula e rematrícula para 2015 e é muito serviço. Essa molecada está com frescura e com vontade de ir para casa, não tem doença nenhuma!
Mas se dão moleza...
Aí a culpa nem é tanto dos alunos cara de pau e sim das pessoas que deveriam ter uma postura forte e determinar regras e limites para a escola toda.
A professora que fica comigo na secretaria já quer se debandar para a sala de leitura, lugar onde eu deveria trabalhar. Eu disse que não tenho condições físicas de fazer todo o trabalho sozinha e preciso de alguém para fazer a parte de subir e descer escadas, buscar alunos folgados cujos pais vêm buscá-los, chamar o coordenador, diretores, abrir as pesadas gavetas dos arquivos...
E se colocar fulana, beltrano e sicrano pra te ajudar?
Não! Muito obrigada. Prefiro ficar só.
Se é para me estressar com gente dissimulada, eu prefiro ficar só.
Liguei para a farmácia entregar mais remédios e voltei para casa e arriei no sofá.
O joelho direito dói muito e a cabeça também.
Estou achando que não vou conseguir aguentar até o final do ano.
É isso.
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Talqualmente
Caí duas vezes essa semana: segunda-feira à noite e terça de manhã.
Tenho pequenas escoriações e manchas no corpo devido às quedas.
Levantei cedo, como sempre, e quando fiquei de pé, não senti minhas pernas; compressão na medula.
Tive dificuldade para me levantar e quando consegui, me deitei para poder me recuperar do esforço. Para mim é um grande esforço.
Fiquei dolorida e a gataiada me olhava tentando entender o que estava acontecendo; decidi ficar na cama.
Liguei para a escola e avisei que não iria; eu não tinha condições de tirar carro da garagem, descer para fechar o portão, dirigir, trabalhar...
Eu me preocupando tanto e a escola com funcionários espertos, cínicos, cara de pau mesmo.
Todo mundo tem um achaque, um "Ai, não estou bem hoje", outro "Acho que vou tirar uma licença" e por aí vai.
Trabalho com dificuldade, ando com dificuldade, tenho dores fortes e estou bem entrevada, mas trabalho.
Não sei se essa responsabilidade, seriedade e dever de obrigação vem da minha criação e do meu caráter nato ou se estou vivendo em uma época diferente.
Já falei sobre o assunto aqui, mas volto a ele.
Estamos sobrecarregados de trabalho e estamos acumulando funções: vice diretor, coordenador, as meninas da cozinha, as meninas da limpeza... todos nós.
A professora sonsa reclamava para a amiga e colega, "talqualmente" sonsa, que está trabalhando muito e preferia ficar trancada na sala dos livros tirando um bom cochilo. O coordenador pediu para que ficasse na secretaria e por isso ela reclamou. Trabalhar ninguém quer.
A "especial", que é muito da esperta, machucou o dedo no portão e simplesmente largou o serviço e foi ao hospital do bairro para fazer um curativo. Ela faz o que quer, como quer e quando quer, valendo-se do fato de ser especial. OK. Esperta como é, já tirou licença e ligou hoje cedo para encher a paciência. Capaz que vou subir aquela escadaria toda só para chamar quem ela quer e ainda correr o risco certo de ser derrubada pelos alunos. Capaz!
Outra sonsa e esperta liga todos os dias para perguntar tolices e para falar com alguém da coordenação ou direção; pensa que não temos mais o que fazer. Para variar, está afastada de novo.
Como esse povo consegue tão fácil? Tem que dar para alguém?! (me desculpem). Tem que ter uma cara boa? Tem que ter ou fazer o quê, pelo amor de Deus?! Laudos e exames mostrando uma doença rara e perigosa não são suficientes? Minha própria aparência acromegálica e meu caminhar doloroso já mostram que não preciso mentir quando digo que tenho dores e não estou bem.
Raras foram as vezes em que fui atendida e examinada por um médico perito que fosse educado. Sempre sou vítima de um pré julgamento preconceituoso e injusto e só depois de acessar minhas informações é que esses médicos grosseiros amenizam na estupidez. Pelo amor de Deus!
Essas pessoas mencionadas vivem tirando licença facilmente e quem precisa mesmo só se lasca.
Estou me segurando para não tirar uma licença só para não ter que fazer a perícia médica. Não é fácil andar e viver com dores que entrevam e dificultam muito a vida.
Continuo na próxima postagem...
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Onisciência, Onipresença, Onipotência e Arrogância Médica
Conversava com minha irmã Rosi enquanto saboreava seu forte e encorpado café. Todos reclamam do seu café amargo, menos eu.
Falávamos sobre o triste evento que ocorreu hoje pela manhã em uma escola infantil no estado americano de Connecticut e enquanto o mundo aguardava a coletiva de imprensa com mais detalhes, falávamos sobre outros assuntos.
Falei que sonhara voltando aos Estados Unidos e procurava uma casa para alugar. Sinto muitas saudades. A geografia americana é belíssima e pode-se ver mar, montanha e deserto seguindo a mesma estrada. Lindíssimo.
Se eu estivesse lá certamente estaria em posse de meu PhD. Ainda estava na dúvida entre seguir na Psicologia Infantil e me dedicar aos estudos do autismo, tema que me interessa e fascina grandemente, ou seguir nos estudos de Política e Relações Internacionais. Havia outras opções, mas ambas eram as que mais me atraíam.
Foi por essa época (1996-2004) que a Acromegalia manifestou-se e lentamente instalou-se pelo meu cérebro e meu corpo, graças a Deus.
Os primeiros sintomas foram a intensificação das minhas dores de cabeça, as tinha desde criança, e o surgimento da hipertensão, mas só descobri minha doença aqui no Brasil e totalmente por acaso como relatei nas primeiras postagens.
Passei por vários médicos e tentamos vários tratamentos: pílulas, injeções, fisioterapias, relaxamento (eu relaxar? é ruim, hein!); só faltou passar pelo pediatra, geriatra e veterinário.
Meu médico na época nunca medira minha pressão e a sorte mandada por Deus, como dizia mamãe, foi que no dia da consulta fui atendida por outra médica da equipe e ela mediu minha pressão, que estava altíssima.
A médica era uma simpática senhorinha de cabelos brancos. Ela diagnosticou a hipertensão e receitou meu primeiro remédio para o controle do mal.
Tive que retornar semanas depois para acompanhamento e meu médico me antende e diz que a colega estava louca por me receitar anti-hipertensivos, que eu era muito jovem para ser hipertensa, que eu deveria parar o tratamento imediatamente.
Parei. Segui as recomendações médicas, confiei no suposto profissionalismo, conhecimento e experiência do doutor.
As dores de cabeça aumentaram, principalmente o latejar na nuca.
Havia me mudado de endereço e perto do novo local havia uma clínica médica; decidi marcar consulta com o belo, educado, elegante e galego Dr. John Dodge. E o que foi que ele diagnosticou? Hipertensão!
Voltei a tomar os anti-hipertensivos e melhorei razoavelmente, mas a maldita Acromegalia já mostrava suas garras.
Mamãe parte e meu irmão Fubá fica muito doente e precisa de um transplante de fígado. Fico preocupadíssima com minha família aqui no Brasil e volto.
Foi a melhor coisa que fiz, pois se a doença não fosse descoberta (2007) e a cirurgia não fosse feita, eu não estaria aqui hoje.
Como já falei em postagens anteriores, demorou a descobrir e a aceitar, por parte dos médicos sabichões, que havia um tumor, pois ele não aparecia nos exames de ressonância magnética. Mesmo com os exames de GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) mostrando níveis altíssimos ainda assim os médicos duvidavam.
Um deles, um maldito arrogante dos infernos, desculpem, disse para eu desencanar, pois era apenas uma pequena inflamação, nada demais.
Perguntei também sobre minha coluna e ele disse que era bobagem fazer cirurgia.
Bom, a bobagem quase me causa uma paralisia por compressão na medula e hoje tenho duas hastes e vinte e dois parafusos de titânio segurando os ossos da minha coluna e me possibilitando caminhar, graças a Deus.
A pequena inflamação era um tumor na hipófise produzindo desembestados níveis de GH. O tumor era grande, estava próximo à carótida, tinha sistema vascular próprio, deixou-me em coma por quase um mês, custou-me uma traqueostomia, uma parada cardiorrespiratória, pneumonia, infecção generalizada e quase me mata.
Desencana!
Não tenho raiva desses doutores, tenho pena.
Pena por sua incompetência, arrogância, preguiça e impaciência para ouvir os pacientes e olhar os exames detalhadamente.
Essa onipresença, onisciência, onipotência e arrogância médica quase custou minha vida, minha capacidade de andar e incutiu em mim a desconfiança. Se eu não gostar do médico, não me sentir bem e não "rolar uma química", não volto mais ao seu consultório.
Tem médico que acha que é Deus. O onipresente, onisciente e onipotente.
Amém.
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