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sábado, 10 de novembro de 2012

Estradas

                                 

Tive um dia corrido hoje, ainda bem.
Detesto fins de semana, principalmente os domingos. Sábados ainda são ativos e menos deprimentes, penso eu.
Pela manhã recebi a visita do pedreiro que veio ver o estrago feito pela chuva e fazer orçamento e depois fui comprar os remédios para tomar antes e depois dos exames de endoscopia e colonoscopia. Estava uma tarde linda e decidi dirigir por aí.
Saí da farmácia e fui ao caríssimo Pet Center da Marginal Tietê comprar a ração da gataiada; vi o simpático e sorridente baiacu e posso jurar por Deus que o peixe sorri para mim.
Bom...
Depois do Pet Center fui ao Makro para abastecer o possante e decidi pegar a Marginal Tietê sentido Rodovia Ayrton Senna; passei pelo Parque Ecológico do Tietê e dei um rolê pela ZL, minha querida ZL.
Moro entre as Zonas Norte e Leste, mas tenho predileção pela ZL, principalmente o bairro da Penha.
Dirigi, desestressei, desopilei, aliviei.
Ficar em casa às vezes me deixa mais desanimada e assistir televisão é um porre! A programação é chata e mesmo os canais a cabo exibem chatices; são sempre os mesmíssimos filmes exibidos à exaustão. Dá até para decorar as falas dos atores!
Adoro meus livros, meu gatos e minhas plantas e muitas vezes cuido do meu jardim com a "ajuda" dos meus felinos terríveis e curiosos, mas hoje eu não estava com muito ânimo para isso.
Precisei sair, dirigir.
Digo sempre que se eu fosse menino eu seria caminhoneira; adoro estradas, caminhos, novos lugares.
Vou mandar fazer a revisão do possante, assim que tiver condições, e me embrenharei pelas estradas da vida.
O joelho gorducho e inchado dói e trava, mas eu paro por alguns minutos e depois sigo em frente.
Dirigir me faz bem, mas dirigir nas estradas, claro.
Não gosto muito de dirigir no trânsito caótico de São Paulo e digo sempre que temos que dirigir por nós e pelos outros. São muitos carros e muitos motoristas inexperientes e com carta (CNH) comprada, os caras não conhecem a sinalização, não sabem ler as placas de trânsito! Outros dão seta para um lado e entram no outro; outros estão na faixa da esquerda e de repente enfiam o carro na nossa frente para poder entrar a primeira à direita.
É cada coisa!
Nas estradas são as ultrapassagens perigosas e a falta de manutenção e sinalização e mesmo assim o povo abusa.
É aquela máxima: "Isso nunca vai acontecer comigo... Isso só acontece com os outros".
Amo estradas e caminhos e muitas vezes me sinto tão só, ignorada e esquecida. Sei lá.
Sigo pelas estradas abrindo novos caminhos acompanhada de minha solidão.
É isso.

                                 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Forte

                                             

Fiz mais exames e farei mais amanhã.
Fui aos consultórios do neurocirurgião, gastroenterologista e ortopedista.
O bicho pegando.
Há exatamente um ano comecei a ter problemas nos ossos e juntas: artrite, artrose, osteoartrite sistêmica (pelo corpo todo).
Segundo os médicos, o "normal" seria tudo isso iniciar agora, nos meus quarenta e cinco anos, e progredir lentamente e lá pelos sessenta ou setenta anos começar de fato a apresentar os sintomas mais graves. Mas tudo foi e está sendo precoce e muito rápido e isso é devido à minha doença de base, a Acromegalia.
Em maio do ano passado fui ao ortopedista com uma dor no pé esquerdo e desde então tenho retornado para mais exames, remédios, injeções no joelho e diagnósticos desagradáveis.
Estou meio chateada.
Estou me entrevando. Está difícil subir escadas sem apoio, sem corrimão. Está difícil levantar quando fico algum tempo sentada e/ou dirigindo, parece que tem um peso enorme puxando meu corpo e minhas pernas para baixo. Uso minha bengala e isso me ajuda a ter alguma estabilidade; tenho medo de cair, de ser empurrada por pessoas apressadas nessa e dessa Pauliceia Desvairada.
Relatei ao neurocirurgião meus problemas ósseos e o que disse e vem dizendo o ortopedista, e ele, o neuro, disse que essa evolução rápida é devido ao tumor que está em atividade. Ele pegou uma folha de papel e fez um desenho, simbolizando meu tumor e a área em que está. Ele disse que a Radiocirurgia feita em setembro de 2010 ainda faz efeito mas que se os exames de sangue mostrarem um número alto do GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) há a possibilidade de um novo procedimento, tanto radiológico quanto cirúrgico. Tudo depende da atividade e do tamanho do tumor e rezemos para que ele não cresça e não ultrapasse a barreira de segurança imposta pela radiação e pelo Sandostatin - LAR. Aliás, vou tomar mais uma dose na semana que vem.
Saí do consultório muito triste e até derramei umas lágrimas enquanto seguia pela Avenida Vinte e Três de Maio sempre congestionada, graças a Deus.
Mas eu disse ao neurocirurgião que o tumor não vai crescer e que faço uma nova Radiocirurgia numa boa, mas cirurgia convencional não faço de jeito maneira, jeito qualidade!
Tenho medo, pavor, angústia. 
Lembrar que fiquei em coma, lembrar do que vi e pelo o que passei no coma. 
Não, pelo amor de Deus, não!
Quero isso não.
Ainda tentei brincar para afastar a angústia: "Faço Radiocirurgia, DVDcirurgia, CDcirurgia, mas cirurgia convencional não!"
A gastroenterologista pediu vários exames: ultrassom de abdome, endoscopia, colonoscopia e biópsia caso necessário. Pediu também exames de sangue e de intolerância à lactose. Meu estômago tem doído muito nos últimos meses. Dor mesmo! Parece que tem um bicho se contorcendo enquanto me devora por dentro; é essa a sensação.
A Acromegalia piora o que já é ruim e além dos problemas ósseos também afeta estômago e a região intestinal (pólipos). Eu sempre tive uma péssima digestão e tive uma forte intolerância à lactose quando criança. 
A Acromegalia não se contenta em ficar só no tumor localizado lá num cantinho do cérebro, não. A Acromegalia estraga tudo, piora o que é ruim, intensifica problemas existentes... Doença do cacete!
Não, não bastavam as mazelas internas e as mudanças externas que deixam os ignorantes me olhando como se eu fosse de outro planeta, a Acromegalia quer mais.
Sou forte, sou guerreira e a Acromegalia não vai tirar essa força de mim. Não vai mesmo!
Já comi toucinho com mais cabelo, como dizia mamãe.
Sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Sou Leão do Norte