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sábado, 20 de dezembro de 2014

Anônimo/a

                                 


Fiquei uma semana sem computador, precisava de algumas atualizações, e agora está tudo aparentemente de volta ao normal. Ainda bem.
Verificava alguns e-mails e comentários no blog e encontrei o comentário de uma pessoa anônima que deixou várias perguntas referentes ao diagnóstico de Acromegalia. OK.
Algumas pessoas escrevem e deixam seus e-mails para um retorno, o que eu geralmente faço. Acho bacana essa troca de informação, ainda mais tratando-se de uma doença rara e perigosa como a Acromegalia.
Outras pessoas não se sentem confortáveis, talvez, lidando com a descoberta de uma doença e eu respeito isso. Vou responder às perguntas deixadas por "anônimo/a" e espero poder ajudá-la/lo com minha experiência.
Curiosamente, acabei de ler um artigo sobre a dificuldade em se chegar a um diagnóstico preciso da Acromegalia e, até que isso aconteça, passeamos por médicos e mais médicos e fazemos inúmeros exames, menos aqueles que responderiam às nossas dúvidas e à dos médicos também.
Já falei aqui sobre minha Via Crucis até encontrar um médico que me ouvisse, acreditasse em mim e/ou que pelo menos tivesse ouvido falar sobre Acromegalia.
Os exames para o diagnóstico da doença são os de sangue e o de imagem, ressonância magnética. Os exames de sangue irão mostrar a contagem dos níveis do GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) e o IGF-1 (proteína produzida no fígado em resposta ao hormônio do crescimento).
Os níveis de GH variam de acordo com a idade e o sexo do paciente e se esses mesmos níveis estão muito alterados, é sinal de que algo não está certo.
A ressonância magnética de sela túrcica, onde a hipófise e o possível tumor estão alojados, irá mostrar esse tumor, seu tamanho aproximado e sua localização.
Os tumores de hipófise ficam alojados próximo ao nervo óptico e da artéria carótida e por isso os tumores não podem ser removidos totalmente, pois os riscos seriam muito grandes. Radioterapia ou Radiocirurgia são usadas no tratamento do material residual.
Exames de sangue e de imagem juntos podem trazer um diagnóstico mais preciso e indicar o melhor tratamento, caso seja necessário.
Bom...
Espero ter sido útil e respondido ás perguntas de "anônimo/a".
Repito: Gosto de responder às perguntas, gosto de ser útil e é sempre bom saber que não estamos sós.
É isso.



                                   

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Reconfortante

                                


Melhorei um pouco da gripe mas a pressão alta teima em se manter altíssima!
Ainda tenho tosse e uma dorzinha chata nos ossos da face e crânio. Não é a dor de cabeça típica, essa mais parece com a dor de quando os parafusos foram tirados da minha cabeça após a Radiocirurgia.
Tenho tido sonhos significativos, alguns me deixam preocupada e outros me confortam.
Mamãe e minha avó Mãevelha ao meu lado e a sensação de carinho, amor e proteção é tão boa, tão grande, tão reconfortante.
Homens da roça, trabalhadores, gente simples e honesta. Estavam em uma plantação de banana e cortavam os cachos com muita rapidez e habilidade. Eu perguntava como sabiam quando era o momento certo de tirar as bananas e eles me explicavam gentilmente.
Entrava em uma antiga casa de fazenda; fogo de lenha em fogão de barro, senhoras negras trabalhando na cozinha, muita agitação. Estão sempre trabalhando. Observo tudo em um canto e uma delas me diz, enquanto lava a massa branquinha da mandioca (aipim, macaxeira): "Minha filha, tu tá perto dos cinquenta anos, num tá? Então se cuide, viu?"
Mas o sonho mais estranho, maluco e sem sentido foi o de naves espaciais invadindo o planeta e atirando contra tudo e contra todos. Eu, hein!
Nos filmes os marcianos sempre invadem os Estados Unidos, por que invadiriam um cortiço em um bairro simples de São Paulo?!
Eu corria, me escondia dentro de uma casa simples e via o raio de luz da nave a me procurar. Oxe!
Deve ser efeito dos remédios, da gripe e da pressão alta combinados.
Acordo com duas coisas fofas, uma atrás de mim com a patinha no meu pescoço e a outra encostada no meu peito e com os bracinhos esticados e tocando meu rosto.
Eram Branca e Bellatrix. Depois vieram Aldebarã, Ébano Nêgo Lindo, Pétala, Clara Blue, Morena Rosa...
Alice sobe em mim, me olha bem e mia: "Estou como fome".
Levantei, os alimentei, fiz meu café e liguei a TV e me deitei no sofá; era ainda seis horas da manhã. 
Uma manhã cinza e gélida em São Paulo.
É isso.



                                     

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Abraços

                                



Acordei cedo, como sempre, mas por ser domingo, havia menos barulho na rua. 
Não tinha o barulho dos caminhões fazendo manobras e nem os gritos dos trabalhadores que se cumprimentam, perguntam se tem café e comentam sobre o futebol, principalmente o Curinthia, claro.
Decidi ficar um pouco mais na cama e em poucos minutos estava rodeada pelos meus lindos felinos: Branca Maria, linda e charmosa; Bellatrix, sapequinha; Ébano Nêgo Lindo, manhoso, lindo e cara de pau... E a gataiada ao meu lado.
Adormeci.
Ando por corredores, subo escadas, abro portas, encontro alguns professores, converso com estudantes e me vejo em um hospital. Quero sair dali o mais rápido possível.
Levo comigo minha mala do hospital, que está aberta e eu tento pegar tudo e colocar de volta, mas a pressa de sair ou fugir dali é maior e fico meio perdida e atrapalhada.
Um médico vem falar comigo e aponta para uma sala com novos equipamentos de Radiocirurgia/Radioterapia e lá trabalha um médico já meio idoso; fico sabendo que é um cientista que pesquisa doenças raras e desenvolveu um novo tratamento. Fico brava, assustada e quero fugir.
Nos equipamentos está colada a bandeira de um país nórdico (Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia e Islândia), país de origem do médico idoso.
Países frios, gélidos e por onde passei durante o coma. 
Sente-se muito frio quando se está em coma, quando passa-se por umbrais e quando faz-se a passagem dessa vida para outra. Frio, fome, medo, tristeza, solidão, abandono, frio...
Olho por uma janela quebrada e vejo uma placa de rua; estou na área dos principais hospitais: Servidor Público Estadual, Hospital São Paulo, AACD, Hospital do Rim e Hipertensão...
Eu quero sair dali!
Não quero ver nem falar com aquele médico idoso que trabalha tão compenetradamente em sua pesquisa e novos equipamentos.
Corro, subo escadas, abro portas e encontro mamãe com meu avô Paipreto; não devo ter medo. Mamãe e meu avô me abraçam demoradamente, fortemente, docemente...  É um abraço tão bom, tão protetor, tão forte, tão bonito, meu Deus.
Acordei bem e com uma sensação de paz, amor e proteção.
Agradeci e pedi a Deus que de vez em quando permita que mamãe, meu avô e meu povo antigo e querido venha me ver, me abraçar...
Mas eu fiquei encucada com o médico do país nórdico. Confesso que fiquei.
Dias melhores virão.
É isso.


                                   


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Erros

                                       




Estou aguardando ansiosamente pela consulta com uma endocrinologista do Hospital das Clínicas. A médica foi-me indicada por uma paciente acromegálica.
Assisti a um vídeo onde a endocrinologista fala sobre a necessidade de se tratar a Acromegalia para que seus danos não se intensifiquem ainda mais: pressão alta e osteoartrite já estão intensificados e me causando dores, cansaço e entrevamento.
Hoje consegui lavar a garagem; aproveitei que fui levar o carro para consertar o pneu e lavei meia boca, só o grosso mesmo. Fiquei cansada e dolorida e já estou ficando irritada com isso tudo.
Bom...
Sempre falo no blog, para outros acromegálicos e para as pessoas que perguntam sobre a marca da traqueostomia em meu pescoço que minha cirurgia não deu muito certo, que sangrei muito, tive parada cardiorrespiratória e entrei em coma.
Pensei e achei melhor falar a respeito para que também sirva de alerta para pacientes que desconfiam de seus médicos e/ou não vão muito com a cara deles logo de início.
Então, senta que lá vem história...
Fiz a cirurgia de artrodese em maio de 2009 e um mês e meio após o procedimento fui ao consultório do neurocirurgião para tratar da cirurgia para remoção de adenoma (tumor) de hipófise.
Encontrei um médico simpático, falante e de boa aparência, mas também convencido, arrogante, inexperiente, sem o conhecimento necessário e muito desorganizado e atrapalhado.
A primeira cirurgia fora feita por um outro médico e esse sim organizado e com os pés no chão. Teve um pequeno problema durante a cirurgia, um "acidente com a dura máter", conforme o médico disse, e fiquei com a perna direita mais fraca.
Mas o cirurgião ortopedista pediu vários exames e me receitou injeções de ferro para combater uma anemia e para o caso de eu perder muito sangue durante o procedimento.
O neurocirurgião não pediu nada disso, só os exames necessários para o pré operatório e quando mencionei as injeções de ferro, ele disse que era bobagem.
Ele me pede ressonância magnética e eu mando o exame pelo motoboy; duas semanas depois a secretária me liga e diz que o doutor quer me ver. OK.
Chego ao consultório e não vejo os exames sobre a mesa dele e perguntei pelos ditos cujos e ele mostrou-se todo atrapalhado, passou a mão pelos cabelos, chamou a secretária que nada sabia sobre o caso e finalmente ligou para a portaria do prédio para saber se havia algo lá deixado para ele.
Sobe um funcionário com os exames.
Ele olhou, fingiu que sabia o que estava vendo e fazendo, devolveu os exames e me deu a guia para a internação.
Estranhei, porque sempre que levamos exames de imagem os médicos os colocam em uma espécie de lousa branca iluminada e nos mostra e fala sobre o que está ocorrendo e o que vai ser feito.
Exatamente como fez e faz o competente, simpático e educado neurocirurgião do Instituto de Radiocirurgia Neurológica Gamma-Knife que fica no Instituto de Oncologia do Hospital Santa Paula - Rua Alvorada, 64. São Paulo, 11 3842-9953.
Chega o dia da cirurgia, 18 de agosto de 2009. Era um dia cinzento, frio, melancólico.
Faço a ficha, entrego exames, me entregam o kit de higiene do paciente e um chinelo bem bonitinho, mas que não servia no meu pezão acromegálico.
Subo para o quarto e troco de roupa; vem uma enfermeira e me dá um "remedinho para relaxar", fico sonolenta.
Aguardo na maca ao lado de outros pacientes que também aguardam cirurgia e vejo que alguns deles estão acompanhados e eu não. Depois vim a saber que apenas pacientes acima de 60 anos e abaixo de 18 podem ter acompanhante. Mas os outros pacientes não sentem medo também?
Sou levada para a sala de cirurgia e fui meio tranquila, se a cirurgia da coluna foi tranquila, essa também vai ser. Engano meu.
Acordo um mês depois sem entender o que estava acontecendo, um mês de coma, de terror, de imagens fortes; tudo já contado em uma das primeiras postagens.
Fiquei sabendo depois pelo outro médico que fiquei uns quinze dias sem o tratamento adequado e a sorte dada por Deus, como dizia mamãe, é que uma médica endocrinologista da equipe do doutor estrela foi me ver, viu os erros e tomou as providências.
Foi a minha salvação, graças a Deus.
Comecei a melhorar até acordar do coma; que agonia, meu Deus.
Melhorei e voltei ao consultório do médico que errou feio e quase me tira a vida. Perguntei porque fiquei tanto tempo sem o tratamento adequado, ele não tinha visto isso sendo ele o chefe da equipe e o cirurgião responsável por meu caso?!
Ele disse apenas que não ia muito à UTI e deixava meu caso aos cuidados dos outros médicos.
Fácil bancar o inocente e jogar a culpa para os outros.
Continuei levando exames para ele ver e ele olhava por cima e só dizia que estava tudo bem.
Como tudo bem?
Ele não sabia e talvez até hoje não saiba interpretar/analisar um exame de imagem.
Levei os mesmos exames para o competente doutor da radiocirurgia e o cara me deu uma aula! Mostrou a haste hipofisária já sem a hipófise, mostrou o resíduo do tumor e a pressão que fazia deixando a haste hipofisária inclinada para a esquerda, mostrou como seria feita a radiocirurgia, os efeitos, a recuperação etc...
Cansei da bagunça, da desorganização, de gastar dinheiro com motoboy sendo que o exame só seria pego quando eu chegasse ao consultório; melhor eu mesma levar.
Mudei de convênio médico e agora falta só mais um ano de carência. Até pensei em cancelar, mas quando tenho meus piripaques é melhor procurar ajuda em um hospital particular e evitar o caos e o desrespeito para com as pessoas que buscam ajuda em hospitais públicos.
Não é um convênio barato, mas quando chega a hora do aperto, o dinheiro gasto vale a pena.
Estou confiante e ansiosa para conhecer a endocrinologista do HC e pelo que vi no vídeo, ela pareceu-me uma profissional competente e sem estrelismos.
É isso.


                                    



sexta-feira, 28 de junho de 2013

Oncologia

                             


Tenho andado distraída, impaciente e indecisa...
Parafraseando Renato Russo...
Escrever é uma das minhas paixões, assim como ler, preparar guloseimas, cuidar de plantas e bichos etc...
Mas tenho escrito pouco, bem menos do que costumava escrever quando criei esse blog. Eu escrevia de cinco a sete postagens diárias e uma atrás da outra, mas agora a produção caiu e ando meio sem ânimo.
Por mais que tente parecer normal, agir com normalidade e naturalidade, lá está a Acromegalia a me lembrar que não dá. Os olhares e comentários onipresentes, onipotentes e oniscientes. A maldade humana. A tacanheza humana.
Lia textos sobre Chico Xavier e assisti a uma entrevista sua e ele menciona a Acromegalia. Assustador.
Ele diz que voltamos a esse mundo com alguma consequência ou mazela de vidas passadas. Acredito e respeito e como sempre digo, cada um na sua e respeito a tudo e a todos.
Por exemplo, pessoas que cometeram suicídio voltam com algum problema de saúde relativo à causa mortis de sua vida passada. Pessoas que se afogaram voltam com problemas respiratórios, pessoas que dispararam tiro contra a própria cabeça voltam com tumores na região e com a Acromegalia. Faz sentido.
Mais uma vez, não defendo bandeiras ou faço apologia à essa ou àquela religião, apenas relato o que acredito e respeito. 
Relatei em uma das primeiras postagens o drama, agonia e sofrimento vividos por mim durante o coma e em uma das agonias vi meu cérebro e crânio espatifados por uma bala de revólver.  Foi tão intenso e tão real. Ao meu ver, eu só tinha metade do crânio e metade do rosto e quando acordei fiz sinal para minha irmã me dar um espelho; fiquei surpresa ao ver que meu crânio e rosto estavam intactos.
Minha irmã me perguntou de onde tirei essa ideia maluca de ter apenas metade do rosto e eu apenas chorei; não podia falar, estava entubada e cheia de fios, canos e tubos enfiados pelo meu corpo.
Recebo carta da equipe Gamma-Knife do Hospital Santa Paula, onde faço a radiocirurgia neurológica, e sou informada sobre alterações no atendimento. 
Há um novo Instituto de Oncologia que contará com os serviços de quimioterapia e radioterapia; que bom.
O Hospital Santa Paula tem ótimos médicos e o atendimento é muito humano e respeitador, bem ao contrário de muitos açougues que carregam o nome de hospital.
Mas uma coisa boba me incomodou: o termo "oncologia" no envelope endereçado a mim. Instituto de Oncologia Santa Paula.
Bobagem minha, é apenas um nome, um termo, uma palavra. 
Oncologia, cancro, câncer.
É um nome que assusta, que carrega uma carga pesada, um fardo doloroso, um peso quase insustentável.
Sempre carregamos nossa cruz, por mais pesada que nos pareça ser e por mais leve que nos pareça ser a cruz do outro.
Carrego minha cruz, meu fardo, meu peso. 
Um dia esse peso será mais leve e a caminhada também.
Eu só queria ter mais ânimo, mais vontade, mais coragem.
Eu só queria ter menos cansaço, menos desânimo, menos dor.
Vou ficar bem. Acredito.
É isso.


                                        

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Stress - Estresse

                                            

Seja lá qual a forma adequada, mas o sentimento é o mesmo: peso nos ombros, agonia, desespero, correr contra o tempo, tentar salvar o mundo e carregá-lo nas costas. Mas lembrei-me: Não sou Atlas!
Como dizem os manos corinthianos: "Ema, ema, ema, cada um com seus pobrema".
Ajudar é uma coisa, mas ser capacho é outra!
Lembro sempre dos ditos de minha bisavó Maria Higinia, ou simplesmente Gina: "Quem faz de cachorro gente fica com o rabo no dente e quem se abaixa demais o rabo aparece".
Oxe!
Tenho tido dias difíceis e o stress piora tudo.
Peguei o resultado de meus exames e meu GH (growth hormone - hormônio do crescimento) está muito alto, 1045, quando o considerado normal para minha idade é estar entre 91 e menor que 200.
Tomei a injeção de Sandostatin LAR há quatro semanas e tomarei mais uma dose nos próximos dias.
Há algumas semanas passei por situações muito estressantes e acredito que isso tenha afetado minha saúde. Aliás, é sabido que o stress causa danos à saúde.
Vou fazer exames de imagem - ressonância magnética - e enviá-lo para o neurocirurgião junto com os exames de sangue e veremos o que será feito. Já deixei claro para os médicos que aceito me submeter à Radiocirurgia, mas me recuso a fazer cirurgia tradicional em meu cérebro. 
Veremos.
Tomara Deus que o problema seja controlado com mais uma dose do remédio e com alguma paz.
Preciso desesperadamente ver o mar.
É isso.

Atlas
                                         

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Forte

                                             

Fiz mais exames e farei mais amanhã.
Fui aos consultórios do neurocirurgião, gastroenterologista e ortopedista.
O bicho pegando.
Há exatamente um ano comecei a ter problemas nos ossos e juntas: artrite, artrose, osteoartrite sistêmica (pelo corpo todo).
Segundo os médicos, o "normal" seria tudo isso iniciar agora, nos meus quarenta e cinco anos, e progredir lentamente e lá pelos sessenta ou setenta anos começar de fato a apresentar os sintomas mais graves. Mas tudo foi e está sendo precoce e muito rápido e isso é devido à minha doença de base, a Acromegalia.
Em maio do ano passado fui ao ortopedista com uma dor no pé esquerdo e desde então tenho retornado para mais exames, remédios, injeções no joelho e diagnósticos desagradáveis.
Estou meio chateada.
Estou me entrevando. Está difícil subir escadas sem apoio, sem corrimão. Está difícil levantar quando fico algum tempo sentada e/ou dirigindo, parece que tem um peso enorme puxando meu corpo e minhas pernas para baixo. Uso minha bengala e isso me ajuda a ter alguma estabilidade; tenho medo de cair, de ser empurrada por pessoas apressadas nessa e dessa Pauliceia Desvairada.
Relatei ao neurocirurgião meus problemas ósseos e o que disse e vem dizendo o ortopedista, e ele, o neuro, disse que essa evolução rápida é devido ao tumor que está em atividade. Ele pegou uma folha de papel e fez um desenho, simbolizando meu tumor e a área em que está. Ele disse que a Radiocirurgia feita em setembro de 2010 ainda faz efeito mas que se os exames de sangue mostrarem um número alto do GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) há a possibilidade de um novo procedimento, tanto radiológico quanto cirúrgico. Tudo depende da atividade e do tamanho do tumor e rezemos para que ele não cresça e não ultrapasse a barreira de segurança imposta pela radiação e pelo Sandostatin - LAR. Aliás, vou tomar mais uma dose na semana que vem.
Saí do consultório muito triste e até derramei umas lágrimas enquanto seguia pela Avenida Vinte e Três de Maio sempre congestionada, graças a Deus.
Mas eu disse ao neurocirurgião que o tumor não vai crescer e que faço uma nova Radiocirurgia numa boa, mas cirurgia convencional não faço de jeito maneira, jeito qualidade!
Tenho medo, pavor, angústia. 
Lembrar que fiquei em coma, lembrar do que vi e pelo o que passei no coma. 
Não, pelo amor de Deus, não!
Quero isso não.
Ainda tentei brincar para afastar a angústia: "Faço Radiocirurgia, DVDcirurgia, CDcirurgia, mas cirurgia convencional não!"
A gastroenterologista pediu vários exames: ultrassom de abdome, endoscopia, colonoscopia e biópsia caso necessário. Pediu também exames de sangue e de intolerância à lactose. Meu estômago tem doído muito nos últimos meses. Dor mesmo! Parece que tem um bicho se contorcendo enquanto me devora por dentro; é essa a sensação.
A Acromegalia piora o que já é ruim e além dos problemas ósseos também afeta estômago e a região intestinal (pólipos). Eu sempre tive uma péssima digestão e tive uma forte intolerância à lactose quando criança. 
A Acromegalia não se contenta em ficar só no tumor localizado lá num cantinho do cérebro, não. A Acromegalia estraga tudo, piora o que é ruim, intensifica problemas existentes... Doença do cacete!
Não, não bastavam as mazelas internas e as mudanças externas que deixam os ignorantes me olhando como se eu fosse de outro planeta, a Acromegalia quer mais.
Sou forte, sou guerreira e a Acromegalia não vai tirar essa força de mim. Não vai mesmo!
Já comi toucinho com mais cabelo, como dizia mamãe.
Sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Sou Leão do Norte

                                        




quinta-feira, 26 de julho de 2012

Alzheimer

                                             


Alzheimer é uma doença degenerativa do cérebro. Na fase inicial a pessoa esquece de coisas simples como datas, números de telefones, nomes etc, e aos poucos vai perdendo a capacidade de pensar, racionar e se esquece até mesmo de pessoas próximas, familiares e não pode cuidar de si mesmo.
Segundo alguns artigos, a leitura, fazer jogos como caça-palavras e outros ajudam a retardar o Mal de Alzheimer. Atividades como fazer crochê, tricô, bordar também são úteis e saudáveis.
De todos os males que afetam o cérebro, a memória e a cognitividade o que mais me assusta é o Alzheimer. Tenho medo.
Tenho histórico em minha família de doenças cardíacas, diabetes e hipertensão; herdei a acromegalia de minha avó Mariana e o estômago "ruim" de meu avô José. 
Minha avó Mãevelha tinha oitenta e quatro anos e era lúcida, inteligente e tinha ideias claras. Ela costurava e colocava a linha na agulha sem ajuda e nem usava óculos! Tinha quase todos os dentes e seu único problema era o diabetes. 
Meu tio José do Recife está com noventa anos e lembra de "causos" passados como se fosse hoje. É um idoso inteligente, ágil, teimoso e lúcido.
Mas eu ando me esquecendo muito das coisas. Já errei caminhos, já me esqueci para onde estava indo e o que ia fazer, já esqueci o número do meu celular e tive que voltar em casa e ligar para a pessoa para dar meu número! 
Vou buscar ou fazer algo em algum cômodo da casa e acabo voltando para trás sem saber o que deveria fazer ou buscar e tudo em questão de segundos: estava na minha cabeça agorinha mesmo!
Tenho receio e acredito que a cirurgia que fiz para a retirada do adenoma de hipófise (tumor), as correções de fístula liquórica e a Radiocirurgia de alguma forma afetaram minha capacidade cognitiva e áreas do meu cérebro.
Vou falar sobre isso com meus médicos. 
Estou começando a me preocupar e peço a Deus que eu melhore e que nunca mais fique presa em mim mesma, presa em mundo solitário e frio e tentando me comunicar com as pessoas mas ninguém me via ou ouvia, para elas eu estava simplesmente dormindo. Que toda essa fase horrível do coma nunca mais se repita. Que eu envelheça com saúde, sanidade, lucidez e alegria e se não for possível, que eu feche meus olhos e os abra em um lugar bom, com gente boa. 
Não quero ficar gagá, caduca e esquecida. Não quero ser esquecida nem ficar esquecida em um asilo e longe da família e das pessoas que gosto.
Afasta de mim esse cálice.
Amém.


                                           

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Diagnóstico

                                         


Peguei hoje resultado da ressonância magnética que finalmente fiz no sábado passado.
Mando amanhã para o neurocirurgião do Instituto de Radiocirurgia Neurológica Gamma-Knife e fiz cópias para o endocrinologista e o neurocirurgião que fez as cirurgias de correção de fístula liquórica e de remoção do tumor da hipófise.
Abri o envelope e li o laudo, como sempre faço. Alguns termos já me são familiares e outros estranhos e/ou novos foram pesquisados. 
Não gostei do resultado. Não é bom nem ruim, mas talvez expliquem as fortes e constantes dores de cabeça que tenho tido há quase um mês; os médicos dirão. 
Chorei. 
Não sei se deveria, mas sou humana, demasiado humana.
Pensei que as alterações físicas já tivessem parado: crescimento ósseo, pés, mãos e rosto grandes, aumento do diâmetro do tórax, diabetes, hipertensão, colesterol, triglicérides, dores articulares, cansaço, dores de cabeça, formigamento dos pés e mãos, pedras nos rins...
Minhas camisas estão mais justas e algumas não fecham.
Sapatos só os tênis masculinos, por enquanto.
Mandíbula proeminente e dentes mais separados.
Pequena encefalocele.
Proptose bilateral ocular (deslocamento de um órgão para a frente, olhos). É o "olho abuticado", como diziam papai e mamãe.
Tínhamos uma vizinha com olhos assim, além de horrendas, grandes, encurvadas e sujas unhas de "Papa Figo" (papa fígado).
Essa vizinha nos assustava com suas unhas de bruxa e seus olhos escrutinadores.
Uma vez ela chegou à nossa casa e mamãe ofereceu almoço, ela recusou. Papai almoçava e comia salada de alface e tomate e a vizinha disse: "Não quero almoçar não, obrigada, mas vou querer essa rodela de tomate aí do seu prato que está tão bonita". E meteu a mão no prato de papai, que ficou doido e com nojo.
Conheço pessoas que têm essa mania feia de meter a mão, o garfo ou a colher no prato dos outros para "apenas experimentar" a comida. Meu, quer experimentar? Então pega o prato e coloque sua própria comida, pelo amor de Deus!
Vou parar por aqui. 
Já foi maluquice demais por hoje.
Dias melhores virão.