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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Árvores

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Fui hoje fazer o exame de ressonância magnética da coluna; tudo de novo.
Aguardei quase um mês pela autorização e finalmente fiz, agora faltam os exames de Raio X.
Pensei que poderia ter feito as radiografias lá no laboratório mesmo, mas soube depois que os exames exigem um aparelho especial e só tem no próprio IAMSPE ou em um laboratório em Pinheiros.
Bom...
Fui só e a enfermeira e atendente estranharam. Normal, nada demais para mim, já estou acostumada a fazer exames e procedimentos e, além do mais, o laboratório fica no meu querido bairro da Penha, pertinho.
Subimos a Rua Padre Benedito de Camargo e vi muitas diferenças na rua e no bairro. As casas simples, com jardins e muros baixos, dão lugar cada vez mais a prédios comerciais e residenciais. Uma pena, a Penha é um dos bairros mais bucólicos que conheço e que lembra tanto a simplicidade do interior. Uma pena mesmo.
É a ordem e o progresso. É.
Fez uma tarde belíssima e foi tão bom sair um pouco de casa. Algumas pequenas mudanças são grandes novidades para mim. A praça que fica na alça de acesso da Ponte Aricanduva para a Marginal Tietê está muito arborizada e bonita; as mudas de árvores já estão bem grandinhas e viçosas. Gosto dessas coisas da Mãe Natureza.
Prédios, praças, árvores, tarde bonita.
Voltei para casa meio dolorida e cansada; não dormi bem e o senta levanta no laboratório fez doer a coluna e os joelhos. Deus do céu, por que isso? O que foi que eu fiz? Por que não posso fazer minhas caminhadas aos fins de tarde como sempre fiz? Por que não posso dirigir meu possante pelas ruas, Marginais e estradas afora? Por que não posso fazer minhas próprias compras, minhas coisas e depender dos outros para tudo?
Essa solidão, essas dores, esse esquecimento... Não sou de ferro, sou humana, demasiado humana.
Ninguém é forte, saudável, lindo, perfeito e maravilhoso o tempo todo; ninguém! Nem mesmo aqueles que pensam que são!
E por falar nisso, tirando saúde, beleza e dinheiro, o resto eu tenho. Simples assim.
Arroz com legumes de novo. Manga batida com laranja. Maçã batida com água de coco; dizem que é bom para quem tem pressão alta.
Conselho de gente antiga.
É isso.



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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Saudades e Vontades

                                      



Demorei a pegar no sono. 
Acho engraçado esse termo, "pegar no sono". Queria tanto pegar de verdade no sono e só largá-lo após umas boas oito horas dormidas, descansadas, precisas. 
Cachorrada da rua que cada vez aumenta mais e, com isso, aumenta também o barulho.
Vizinho irresponsável e "miserávi", diria mamãe, que não leva a cachorrinha para castrar; a desculpa é que não tem tempo. Tá.
Mas o que fazem a esposa meio descompensada e fraca das ideia e a filha rabuda, taluda e fogosa? Na boa.
Não dá para separar um dinheiro e levar a cachorrinha ao veterinário? Acham legal ver a pobrezinha tentando se desvencilhar da cachorrada tarada e ao mesmo tempo tentando proteger os dois filhotes dos ataques desses caninos grandes e fortes?
Adormeci.
Acordei às cinco da manhã com os barulhos típicos dos caminhões que começam a fazer suas manobras. O vizinho abestado que chega dando gritinhos, o povo que passa... os sons do dia que chega.
Depois da muvuca vem um pouco de silêncio; adormeço.
Acordo com um "soco" na nuca e a cabeça latejando: pressão alta. Mas eu estava tão bem ontem? Por quê?!
Levanto, tomo os remédios, alimento a gataiada, abro a porta para que possam ir ao quintal, vejo a linda luz dourada do lindo dia que inicia.
Estou tonta e vou para a sala. 
Ligo a TV e deito no sofá e lá vem a ciumenta, amorosa, linda e possessiva Branca Maria. Vem também meu Ébano Nêgo Lindo; charmoso, sensual, manhoso, dengoso, cheio de lundu e encantos.
Vêm os pequenos terríveis, destruidores de lares e plantas inocentes. Minha Rosinha, minha Boreal, a mãe zelosa... e lá vem todo mundo que, sabe Deus como, percebem que não estou bem.
Com a forte dose que tomei e com o sono sempre interrompido e atrasado, adormeci mais uma vez e tive bons sonhos, graças a Deus. Acordei me sentindo tão bem. Só posso agradecer.
Sonhei preparando bolos e guloseimas com minha sobrinha Beatriz.
Sonhei com mamãe, minha avó Mãevelha e eu cuidando das plantas.
Sonhei, vestida toda de branco, em um hospital e calçando belos sapatos de salto alto. Eu estava bem. Eu podia sair. Eu podia ir embora calçada naqueles belos sapatos e andar sem problemas.
Não tinha Acromegalia, não tinha dores articulares, não tinha coluna e joelhos doloridos e gastos pela osteoartrite. 
Não tinha dores de cabeça. Não tinha tumor.
Graças a Deus!
Mas de tudo isso, o que mais me encantou foi poder calçar novamente sapatos em tamanhos normais. Eu não tinha mais que comprar tênis pretos masculinos ou procurar um sapateiro que fizesse sapatos sob encomenda. Bastava ir a qualquer loja de calçados e escolher o modelo que quisesse.
É uma bobagem, eu sei, e todo mundo faz isso, menos eu.
Pode até parecer fútil, bobagem, sei lá, mas a gente nunca liga para as coisas que estão sempre ali, que são certas no sentido de sempre serem e estarem ali, de sempre existirem. Comprar sapatos é uma dessas coisas.
Acordei mais aliviada e as "marteladas e socos" na nuca haviam amenizado, graças a Deus.
Senti fome e comi granola com iogurte. Bellatrix adorou granola com iogurte.
Assisti a um programa de artesanato e outro de culinária, meus favoritos, e me deu vontade de fazer um bolo gelado de coco. 
Mas eu só tenho aquele coco "farinha", gosto mesmo é do coco em flocos, pedaçudo, grande. Gosto também daquele coco em fita, que fica com a beiradinha marrom e sempre acho lá na Rua Caquito, no meu querido bairro da Penha. Tem que encomendar antes.
Acho que vou fazer um bolo simples e regá-lo com leite condensado diluído em leite de coco e usar o coco ralado "farinha" mesmo.
Quero também fazer daquelas tortas bonitas que vi no Via Brasil do Globo News. São tortas feitas pelas comunidades de descendentes eslavos, polacos, russos, germânicos, italianos... lá do Paraná da tia Filomena e do tio Francisco.
Saudades e Vontades.
É isso.


                                         

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Construção




Passava pela Avenida Celso Garcia, Zona Leste de São Paulo. Observo tudo à minha volta enquanto aguardo o farol abrir e reparo nas construções pelos bairros, pelas cidades, por aí.
Procuro com os olhos a casa antiga em estilo Rococó que ficava na mesma avenida e vejo uma construção a todo vapor.
A casa antiga de São Paulo, com seus detalhes na fachada e janelas, com a data de sua construção destacada em uma estrela bem acima da janela principal: 1917.
Certamente era a casa de uma família de italianos, que naquela época vieram trabalhar nas lavouras de café de São Paulo.
Eram casas e sobradinhos bem feitinhos, com detalhes em sua construção que denotavam uma preocupação com o local onde iriam morar.
Adoro casas antigas, mas as vejo cada vez menos e em seus lugares são erigidos prédios altos.
Gosto de olhar fotografias da São Paulo antiga à época em que homens usavam terno e chapéu e as mulheres usavam vestidos bem comportados. O transporte antigo puxado a cavalo, os bondes, os trens...
Quando vou ao consultório do médico que fica bem em frente à igreja nova da Penha, fico imaginando como deveria ser lindo e difícil subir todo aquele morro com mercadoria, mudança e pessoas.
Como deveria ser lindo ver de lá do alto o entardecer por entre as árvores, os pássaros a cantar sua canção de ninar enquanto se empolavam nos galhos, o velho Rio Tietê, vivo e limpo a correr livremente.
Papai contava que quando chegou aqui por essas terras paulistanas os córregos do bairro eram limpos e tinham peixes, hoje só têm lixo e poluição.
Outra coisa que reparei em meio ao boom imobiliário são as derrubadas de casas antigas para a construção de quadrados a que chamam de novo design em moradia. Até lembro de um arquiteto antigo que foi entrevistado na rua, na região dos Jardins, pelo CQC e ele criticou essa construção desenfreada de casas em forma de quadrado.
Vejo esses quadrados no caderno imobiliário do Estadão e não acha nada bonitos ou interessantes.
Sou meio à moda antiga.
Fiquei meio decepcionada quando vi a casa antiga dos italianos sendo derrubada para dar lugar a mais um prédio com inúmeras opções de lazer. Opções que poucos moradores usam, pois como está em voga hoje em dia, pagam para não usar, só para dizer que têm. Um exibicionismo meio besta.
É isso.



                        

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Entrevar

                        

Falei recentemente, em um postagem, sobre minha dificuldade para andar, levantar, movimentar etc...
Está cada vez mais difícil andar, me levantar dos lugares e fazer as coisas.
Fui ao meu querido bairro da Penha na ZL e tive uma dificuldade tremenda para descer do carro e caminhar. Minhas pernas estavam pesadas, adormecidas, molengas e eu fiquei bastante triste e preocupada. Fiquei com medo de cair da escada rolante ou nas ruas estreitas e de ladeira do bairro.
Em um dos exames de rotina eu havia dito ao ortopedista que fizera minha cirurgia de artrodese que eu estava me sentindo igual a antes da cirurgia: o peso nas pernas, as dores, o entrevar, mas ele disse que isso não era possível, pois o procedimento ainda era recente.
Fui a outro ortopedista e ele confirmou o diagnóstico baseando-se nas radiografias e na minha mobilidade reduzida e disse que precisa de mais exames para um diagnóstico mais completo e seguro. A Acromegalia intensifica o problema já existente.
Aí é que está o problema! O convênio médico não quer liberar os exames.
Remédios e fisioterapia aliviam um pouco o problema, mas não o resolvem.
Está complicado.
Estou tendo dificuldade para me levantar da cama, as dores e o entrevamento "agarram" minhas pernas e "amarram" um peso a elas. 
Sei lá, não está fácil não.
É isso.




                             

                                  

sábado, 10 de novembro de 2012

Estradas

                                 

Tive um dia corrido hoje, ainda bem.
Detesto fins de semana, principalmente os domingos. Sábados ainda são ativos e menos deprimentes, penso eu.
Pela manhã recebi a visita do pedreiro que veio ver o estrago feito pela chuva e fazer orçamento e depois fui comprar os remédios para tomar antes e depois dos exames de endoscopia e colonoscopia. Estava uma tarde linda e decidi dirigir por aí.
Saí da farmácia e fui ao caríssimo Pet Center da Marginal Tietê comprar a ração da gataiada; vi o simpático e sorridente baiacu e posso jurar por Deus que o peixe sorri para mim.
Bom...
Depois do Pet Center fui ao Makro para abastecer o possante e decidi pegar a Marginal Tietê sentido Rodovia Ayrton Senna; passei pelo Parque Ecológico do Tietê e dei um rolê pela ZL, minha querida ZL.
Moro entre as Zonas Norte e Leste, mas tenho predileção pela ZL, principalmente o bairro da Penha.
Dirigi, desestressei, desopilei, aliviei.
Ficar em casa às vezes me deixa mais desanimada e assistir televisão é um porre! A programação é chata e mesmo os canais a cabo exibem chatices; são sempre os mesmíssimos filmes exibidos à exaustão. Dá até para decorar as falas dos atores!
Adoro meus livros, meu gatos e minhas plantas e muitas vezes cuido do meu jardim com a "ajuda" dos meus felinos terríveis e curiosos, mas hoje eu não estava com muito ânimo para isso.
Precisei sair, dirigir.
Digo sempre que se eu fosse menino eu seria caminhoneira; adoro estradas, caminhos, novos lugares.
Vou mandar fazer a revisão do possante, assim que tiver condições, e me embrenharei pelas estradas da vida.
O joelho gorducho e inchado dói e trava, mas eu paro por alguns minutos e depois sigo em frente.
Dirigir me faz bem, mas dirigir nas estradas, claro.
Não gosto muito de dirigir no trânsito caótico de São Paulo e digo sempre que temos que dirigir por nós e pelos outros. São muitos carros e muitos motoristas inexperientes e com carta (CNH) comprada, os caras não conhecem a sinalização, não sabem ler as placas de trânsito! Outros dão seta para um lado e entram no outro; outros estão na faixa da esquerda e de repente enfiam o carro na nossa frente para poder entrar a primeira à direita.
É cada coisa!
Nas estradas são as ultrapassagens perigosas e a falta de manutenção e sinalização e mesmo assim o povo abusa.
É aquela máxima: "Isso nunca vai acontecer comigo... Isso só acontece com os outros".
Amo estradas e caminhos e muitas vezes me sinto tão só, ignorada e esquecida. Sei lá.
Sigo pelas estradas abrindo novos caminhos acompanhada de minha solidão.
É isso.

                                 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Farmácia do Pedro e Lojinha da Bete

                                          

Meu bairro não dispõe de muito comércio, é meio pobre nessa área, mas tem muito caminhão e transportadora. Nossa Senhora!
Faltam mais lojas, padarias, farmácias, restaurantes, bares etc...
Têm alguns botecos meia boca e alguns poucos restaurantes simples, mas nada de muito especial.
Quando nos mudamos para nosso bairro após uma curta temporada na Penha, encontramos um bairro de muitas chácaras, ruas de terra e pouco comércio. Tinha o supermercado "Para Todos" e o "Aliança" e tinha a farmácia do Vila e a farmácia do Pedro.
A farmácia do Pedro era o hospital dos pobres, quebrava o galho em caso de emergências leves, pois os hospitais ficavam longe e não haviam AMA´s, AME´s, Postos de Saúde etc...
A lojinha da Bete era onde comprávamos nosso material escolar e onde encontrávamos artigos de papelaria e presentes. A lojinha da Bete ficava em um pequeno cômodo de uma casa em uma rua meio longe da nossa e ir até a lojinha era um passeio para nós e motivo de alegria. Eu adorava olhar os objetos e produtos à venda.
A farmácia do Pedro e a lojinha da Bete ainda estão em atividade e o Pedro continua simpático e apressado, já não posso dizer o mesmo dos funcionários da lojinha da Bete.
Eu ia muito à lojinha mas o tratamento ao cliente ficou muito ruim e evito o local.
Espero que novas lojinhas e "lojonas" se instalem no bairro para atender à demanda que será trazida pelo grande números de prédios de apartamentos que pipocam pelo bairro.
É isso.

                                        

sábado, 28 de julho de 2012

Sem lenço nem documento, Cálice, Na linha do horizonte

                                               


Chegamos a São Paulo e ficamos pouco mais de um mês na casa do nosso tio Manoel Gomes, irmão de mamãe.
O tio morava no Jardim Popular ou Vila Ré, dizia que os dois bairros eram próximos e a correspondência chegava do mesmo jeito. São bairros da minha querida ZL (zona leste) e próximos ao meu querido bairro da Penha.
Mamãe ficava em casa ajudando a esposa do tio e Mãevelha cuidava de nós, que na época éramos apenas três: eu, Naldão e Rogério. Papai trabalhava e só voltava à noite.
A casa do tio Manoel Gomes era ampla, bonita, azul, com muros baixos, jardim florido e um piso de caquinhos cor de telha. Não sei o nome desse piso, mas era muito usado antigamente e lembrava um mosaico. No quintal dos fundos tinha uma faixa de terra com algumas bananeiras, muito legal.
Havia chovido e  logo em seguida abrira um sol quente e bonito. Acho lindo quando chove e depois vem o sol seguido por arco-iris. A luminosidade, o cheiro de terra molhada...
As minhas primas sempre ligavam o rádio enquanto ajudavam a mãe com os afazeres domésticos. E no rádio tocava: "Caminhando contra o vento, sem lenço nem documento..."
Eu ouvia, analisava e tentava entender aquela canção. Quem cantava? Como alguém pode sair sem documento? E se a polícia parar a pessoa? Ela pensa em casamento e ele toma uma Coca Cola! E eu seguia elucubrando...
Dali a pouco a música termina e inicia outra com uma voz grave e monótona que canta: "Pai, afasta de mim esse cálice... De vinho tinto de sangue". Era Chico Buarque. Eu gosto mais do Chico como compositor a cantor.
"O que é cálice? É o mesmo cálice sagrado que o padre fala nas missas? Mais elucubrações.
Anos depois vim entender que o "cálice" da música era na verdade um "cale-se"; vivíamos em plena ditadura militar e muitos artistas tiveram que deixar o Brasil: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque de Hollanda e outros.
Tempos de música boa.
Hoje, até os comerciais foram contaminados com esse lixo atual a que chamam de música!
Bom...
O volume do rádio é abaixado e escuto a voz de uma de minhas primas: "Manhê, o moleque da Marlene fez xixi no quintal!".
Correm a mãe as meninas com balde cheio de água com sabão e água sanitária; esfregam o chão e depois passam um pano com o desinfetante Pinho Sol.
Mamãe não gostou de ter o filho chamado de "moleque" e achou um exagero toda aquela limpeza neurótica; para ela, era apenas a urina de uma criança e ele não tinha nenhuma doença contagiosa.
Aos poucos mamãe e nós fomos nos habituando aos choques culturais e aprendendo hábitos e comportamentos novos para nós. Fomos nos civilizando gradativamente.
Quintal limpo, bronca dada, conselhos também: "Se quiser fazer xixi é só falar que a gente te leva ao banheiro. Lavar as mãos sempre que usar o banheiro. Não fazer xixi em qualquer lugar, só no banheiro..."
Rádio ligado e tocando a boa e velha MPB e agora tocava uma música que eu achava linda, melódica e melancólica: "Eu vou pro ar, no azul mais lindo eu vou morar..." de uma banda chamada Azymuth (nós dizíamos "Azambuja").
Nos mudamos depois para nossa primeira casa, um barraquinho simples de madeira, e o rádio sempre junto.
O rádio e a música fazem parte da nossa História.
É isso.
                
                                              
                                             


                                               







quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ruas de São Paulo

São Paulo
                                             
Papai saía muito cedo para ir ao trabalho. Saía de madrugada e caminhava pelas ruas escuras do bairro de muitas chácaras até o ponto de ônibus.
Papai se despedia de mamãe e Mãevelha, que já estavam de pé preparando o café para quando nós acordássemos.
Lá pelas seis e meia mamãe saía para o trabalho que ficava perto de nossa casa.
Papai nos olhava enquanto dormíamos e fazia seus pedidos a Deus e a Padim Ciço do Juazeiro; pedia que ambos protegessem sua família, sua casa e o acompanhasse até o trabalho e o trouxesse de volta são e salvo para casa. Amém.
Papai sempre trazia um pacote de bolacha ou pão sovado. 
Papai falava sobre as ruas do bairro onde trabalhava e eu adorava ouvir e viajar na imaginação: Rua Taquari, igual ao nome da fazenda onde nasci; Rua dos Trilhos, e eu imaginava trens indo e vindo; Rua da Moóca, e eu me perguntava que nome era esse, Baixada do Glicério e eu me perguntava: "Por que baixada? E o que é Glicério?", Largo da Concórdia, Rangel Pestana, Rua do Gasômetro, Santa Cecília, Brás, Parque Dom Pedro, Vila Maria, Penha...
Eu dizia para mim mesma que um dia iria conhecer todas as ruas de São Paulo, principalmente as que papai tanto falava.
De todos bairros e ruas, gosto do charmoso e bucólico bairro da Penha, foi para lá que fomos quando nesse Santo São Paulo chegamos. Passamos pela longa Avenida Amador Bueno da Veiga, passamos pela Rua Itinguçu até chegarmos à casa do tio Manoel Gomes. O tio dizia que morava na Vila Ré, mas suas filhas diziam que era Jardim Popular. O que importa é que ambos ficam na região da Penha.
Quem sabe um dia eu não volte a morar na Penha?
Tomara meu Deus, tomara.