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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Rosas

                                 


Amo plantas, flores, árvores e todas as coisas da Mãe Natureza.
Tenho um simples e belo jardim. Tenho algumas flores que atraem borboletas e deveriam atrair beija-flores também, mas a visão de oito gatos faz com que a passarinhada desista.
Passarinho é besta não.
Eu gostava de ajudar minha avó Mãevelha a cuidar das plantas, principalmente de suas adoradas cravinas. Até hoje tenho bem fresca na memória a imagem das cravinas bem fresquinhas e úmidas pela rega recente. Mãevelha tinha tanto zelo e cuidados para com aquelas pequenas flores.
Tenho a mão boa para plantar e acho que puxei isso de mamãe e de minha avó. Mas tenho um problema com rosas; nunca consegui ter uma roseira. Já comprei  várias roseiras, principalmente aquelas rosinhas pequenas e chamadas de "Baby Rose". Elas ficam bonitas no vaso próprio e quando vou transplantá-las para um vaso maior, elas acabam morrendo. Devo estar a fazer algo errado: excesso de água, pouca água, muita luz, pouca luz... Algum motivo deve ter, só não sei qual.
Vi em uma página de proteção ambiental um modo diferente e seguro de plantar rosas: espetar as mudas em batatas e plantá-las.
Vou fazer a experiência e se der certo, ou não (Caetanear é preciso), relatarei aqui no blog.
Abaixo algumas imagens de como plantar rosas em batatas.
É isso.







quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Primavera

Flores do campo, lembram meu Paipreto


São Paulo tem as quatro estações do ano em um único dia; frio pela manhã, calor à tarde, chuva e frio de noite. É preciso sair de casa munido de guarda-chuva casaco e sacola para guardar tudo isso.
Antigamente as estações eram mais certinhas, hoje, devido ao aquecimento global, à poluição e a destruição feita pela humanidade, a Natureza não consegue mais manter as coisas em ordem.
Tivemos um Inverno quente, com mais de trinta graus, e a Primavera começou fria e chuvosa.
Primavera é estação que sucede ao Inverno e antecede o Verão e se analisarmos a formação da palavra, "prima" é primeiro e "vera" verão; seria um primeiro verão que chega lentamente até esquentar bem.
Primavera é a estação das flores e adoro flores. Meu pequeno jardim já dá amostras da presença primaveril. 
Flores que te quero todas.
Rosas vermelhas, dálias e lírios brancos da paz para mamãe.
Cravinas róseas para Mãevelha.
Flor de maracujá e flores do campo para meu Paipreto.
Girassóis para meu sobrinho Marcos Paulo.
Margaridas, flores do campo, flores miúdas em tamanho mas grandes em graça e beleza, flores... todas as flores.
Sempre que ia à feira comprava flores para enfeitar a casa e papai e Mãevelha faziam graça dizendo que moça solteira que compra flores nunca se casa, vai ficar no Caritó. Acho que estavam certos.
Vou cuidar do meu jardim.
É Primavera.


                                     


                             

domingo, 14 de outubro de 2012

Franja, livros, televisão colorida, gelatina azul...

                                  

Morávamos em uma casa que ficava em um terreno grande e tinha mais três casas. Havia um pequeno jardim com a majestosa mangueira e algumas plantas de Mãevelha. Suas caqueiras (vasos) com as cravinas ficavam espalhadas pelo muro e sobre o relógio d'água. Um muro baixo separava as duas casas da frente, a nossa e da vizinha, esposa do caminhoneiro que vivia viajando.
Na parte de trás do terreno ficavam as casas da família de judeus e a do casal  que aguardava a chegada do primeiro filho. No quintal dos fundos ficavam os tanques de lavar roupas e os inúmeros varais.
A vizinha esposa do caminhoneiro tinha uma casal de filhos, Kátia e Alexsandro e mamãe e Mãevelha não conseguiam pronunciar o nome da menina e a chamavam de "Káita".
O casal de judeus tinha cinco filhos, todos clarinhos, sardentos e com cabelos lisinhos, assim com a menina Kátia.
O senhora judia nos ajudou muito e nos dava as roupas que não serviam mais em seus filhos; ela também fazia bolos deliciosos e era uma confeiteira de mão cheia. Lembro de um bolo confeitado que ela fizera, era verde com um sapinho em frente a um lago azul de gelatina e uma casinha de chocolate. Fiquei encantada. Existia gelatina azul! Nossa!
O esposo da senhora judia era de pouquíssima conversa, saía todas as manhãs para o trabalho e voltava ao fim do dia. Ele parecia o Delfim Neto, gorducho, óculos enormes escondendo pequenos olhos míopes e o "carão" largo, como dizia mamãe. Ele dizia apenas: "Bom dia e boa tarde", já a sua esposa tagarelava com mamãe e Mãevelha.
A família judia era composta, além dos pais, claro, de dois meninos e três meninas e Raquel era a mais bonita, educada e simpática de todos. Raquel reunia as crianças menores e lia livros de sua biblioteca; gostei de Aristogatas.
Um dia a acompanhei até sua casa para pegar mais livros na biblioteca e fiquei encantada com as prateleiras que iam do chão ao teto cheias de livros. Raquel nos dizia para termos cuidado com os livros.
A menina Kátia tinha uma tia que sempre lhe cortava as pontas dos cabelos e a franja. Eu tinha meus cabelos cacheados e rebeldes e franja não combina com cachos. De jeito nenhum! Fica parecendo um poodle!
Eu pedi para a tia de Kátia cortar meu cabelo igualzinho ao da menina, com franja pretinha e lisinha, mas não deu. 
A tia de Kátia disse que não dava porque meu cabelo não era liso. Fiquei triste. Raquel e sua irmã Esther tinham cabelos escuros e bem lisos, assim como Kátia, mas Sarah, a irmã judia mais velha, tinha cabelos claros e cacheados iguais aos meus. Mãevelha e mamãe diziam que Sarah tinha "cabelo de fogo, cabelo sarará, cabelo ruim" e outras "inguinóranças".
Sarah era inteligente, rebelde, bocuda e de gênio forte, bem oposto ao que era esperado das meninas de então. Esther era molecona e brincalhona.
Os meninos judeus eram o Moisés e Samuel.
Moisés tinha a mesma idade dos meus irmãos menores e Samuel era rapazote. 
Samuel adora pentelhar meus irmãos e eu adorava encará-lo do alto dos meus sete, oito anos. Eu dizia para Mãevelha e  mamãe falarem com a mãe de Samuel, mas elas diziam que era implicância minha, pois o rapazote era muito educado com elas. Com elas sim, mas com meus irmãos não!
Uma vez peguei a vassoura e chamei Samuel para briga e disse-lhe que se atormentasse meus irmãos pequenos e bundões mais uma vez, iria meter-lhe o cabo da vassoura nos cornos!
Uma tarde fui com mamãe à casa dos judeus e a senhora judia preparava bolos e nos ofereceu um pedaço. Estava delicioso. Raquel me chamou para assistir TV e dizia que sua televisão era colorida, uma raridade naqueles tempos.
Observei que colado na tela da televisão havia uma espécie de plástico com listras coloridas e deixava a imagem com nuances que lembravam as cores do arco iris. "Oxe, e isso é televisão colorida?", pensei comigo.
Achei muito estranho aquilo e pegava as embalagens plásticas do arroz, por exemplo, e colocava em frente à nossa velha televisão preto e branco achando que mudaria alguma coisa, mas o que conseguia era broncas de mamãe de chineladas de Mãevelha.
Anos depois os donos das casas nos comunicaram que deveríamos sair dos imóveis, pois eles os haviam vendido e se transformariam em transportadoras, óbvio.
Nos mudamos para a pequena casa de quintal grande na mesma rua e nunca mais soubemos das famílias que eram nossos vizinhos no mesmo grande quintal.
É isso.


                                  
                             

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Pétala

                                    

Ouvia Djavan, adoro.
Ouvia "Pétala", minha favorita.
Somou-se a preocupação como o gato abandonado à minha coleção de minhocas e parafusos soltos, e pronto! Me debulhei em lágrimas, como dizia mamãe.
"Oxe, mas que choradô todo é esse? O que se assucede, minha flor de maracujá?", diria meu Paipreto.
Adoro a flor de maracujá, é a mais bonita de todas.
Adoro margaridas, cravos, cravinas, flores do campo... todas as flores.
Eu ia comprar uma "Quaresmeira" carregadinha de flores brancas, roxas, rosas, lilás, mas era pesada para eu trazer.
Vou "roubar" um galho da Quaresmeira do vizinho.
Pétala...



                                          

sábado, 14 de abril de 2012

Funeral

                                           


Depois de morarmos por algum tempo em um barraquinho de madeira, nos mudamos para uma casa com três cômodos grandes, banheiro decente e quintal.
No quintal de cimento havia um pequeno quadrado de terra onde tinha uma bananeira, uma majestosa mangueira, pequenas plantas e cravos.
Mãevelha gostava muito de plantas e mantinha seus vasos com cravos e cravinas.
Mamãe adorava rosas vermelhas.
Um dia estou ajudando Mãevelha a regar as plantas quando escuto um miado; era uma gata e estava com um barrigão enorme, estava prestes a parir. A gata já sentia dores, miava forte e tinha um pedido de ajuda no olhar.
Fiz uma cama para a gata debaixo da bananeira e ali ela deu cria. Foram seis gatinhos.
Dei à gata o nome de Kojaka.
Passadas algumas semanas Kojaka adoeceu e se recusava a comer, tomar água e amamentar os filhotinhos.
Kojaka morreu num dia de sábado, dia de feira.
Fiquei muito triste e os gatinhos, órfãos.
Apesar da tristeza, reuni coragem e fui cuidar do funeral de Kojaka.
Havia um terreno baldio ao lado de nossa casa e com a ajuda de meus irmãos, abri a cova e enterrei o corpo da defunta felina. 
Voltei para casa, peguei alguns cravos e cravinas de Mãevelha e algumas rosas vermelhas que mamãe tinha comprado na feira e coloquei o buquê improvisado em cima do túmulo de Kojaka. Entregamos a alma da pobre felina a Deus e seguimos como nossas vidas. A vida continua.
Fomos brincar.
Passadas algumas horas mamãe me chama, estava danada de braba. Ela e Mãevelha sentiram falta de suas queridas flores.
Tentei explicar que mamãe poderia comprar mais rosas na feira do sábado seguinte e outros cravos desabrochariam. 
Deus e os santos sabiam que as flores foram usadas por um motivo nobre: o funeral de Kojaka. 
Que Deus a tenha.