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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Bolo de macaxeira

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Quinta-feira com cara de sábado; feriado de Corpus Christi.
Um país dito laico e com tantos feriados religiosos.
Fiquei e estou em casa, óbvio. Cuidei dos gatos, fiz café e tomei com bolo de macaxeira; muito bom. Meu irmão me trouxe bolo e bolachas típicos do Nordeste; deliciosos.
Terminei a manta de crochê que fiz para os gatos; não sou muito experta no assunto, mas fiz o básico e deu certo.
Peguei dois livros infantis para ler e passar o tempo, gosto muito.
Começa a anoitecer.
Tanta coisa para escrever, falar, botar pra fora numa boa, mas agora não.
Sinto-me cansada e vou dedicar o dia às coisas simples que me fazem bem: café, gatos e livros.
É isso.


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sábado, 30 de maio de 2015

Broto

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Sábado frio e cinzento.
O frio intensifica as dores articulares e os joelhos doem, principalmente o direito.
Música de madrugada, vizinhos tagarelas pela manhã e gatos famintos o tempo todo; levantei.
Tomei os remédios, alimentei a gataiada, fiz meu café e agora vou fazer suco de laranja. 
Parei para ver as redes sociais, e como sempre, não tinha nada demais. É mais para passar o tempo.
Gente postando mensagens fofas, bonitinhas e altruístas, mas que não pratica nada daquilo que prega.
Auto intitulada bispa que vai vender perfume com o cheiro de Jesus. Como era o cheiro de Jesus? Como ela sabe? Ela já não é e está rica o suficiente?!
Bom...
Estava me sentindo só, mas depois lembrei que sempre fui só e que gosto de ficar só. Mas também lembrei que é bom ficar só quando estamos numa boa, e não é o caso, atualmente.
Fase ruim, bem zika mesmo. Vai passar.
Mas coisas ruins e fases ruins são boas para nos mostrar com quem podemos contar quando não estamos bem. É na fase ruim que vemos quem é bom de verdade.
Bom...
Muita coisa para ler, muita vontade de pintar, crochê quase terminando... Já cuidei das plantas e fiquei feliz ao ver uma folhinha bem pequena e verdinha brotando no meu hibisco.
Nem tudo é bom ou ruim para sempre, a vida é feita de fases. Peço a Deus que essa fase ruim vá embora logo, pois já durou o bastante.
O dia está escurecendo mais cedo e é preciso acender as luzes.
É isso.


                                   Resultado de imagem para luz

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lãs e Linhas

                                      

Arrumava algumas coisas e no meio delas encontro as agulhas e linhas de crochê de minha avó Mãevelha.
Encontrei também a tesoura dela e as escovas de roupa dos meus avôs José e Paipreto.
Saudades.
Decidi fazer crochê; não sei fazer muita coisa, só o básico, mas isso me fez bem.
O problema é convencer os gatos a não brincar com a linha e os novelos. Difícil.
Estou meio cansada e dolorida e os ossos parecem enferrujados.
Amanhã é outro dia e será melhor.
É isso.


                                     

terça-feira, 4 de junho de 2013

Iceberg

                                 


Não estou bem. Não tenho estado bem ultimamente.
Fico bem um dia ou dois e fico ruim o restante da semana. Está difícil.
Trabalhei meio no empurrão, não me sentia bem e olhava para o relógio o tempo todo. Nem tomei o café da tarde.
Ajudei com alguns preparativos para a festa junina da escola e isso ajudou a passar o tempo mais rápido. 
Uma professora da manhã me viu chegando e perguntou se eu estava bem, sorri e disse que sim. Passo em frente às salas de aula e os alunos acenam para mim, tão bonitinhos. Já me  perguntaram inúmeras vezes quando é que eu vou dar aula para eles e me corta o coração ver aqueles olhos pidões e as carinhas inocentes. Mas só as carinhas mesmo, porque já são uns danadinhos tagarelas a extremo.
Eles fazem a pergunta e acrescentam: "Eu sou da quinta, da sexta, da sétima A, B, C..."
Temos problemas, a escola tem tido muitos problemas com o comportamento de alguns alunos. Mandam os professores calar a boca e coisas bem piores. Empurram professores, ameaçam professores...Complicado.
Mas até agora não tive problemas com alunos e espero não ter. Eles até oferecem ajuda quando subo ou desço as escadas, perguntam se estou bem e mostram um lado bem frágil e humano que fica escondido sob a marra e a falta de educação.
Finalmente bate o sinal, acabou por hoje, graças a Deus.
Uma professora me ajuda a caminhar até o carro e saio da escola me sentindo tão pesada, tão cansada, tão mal.
Tinha intenção de passar no supermercado e comprar alguns legumes, estou louca para fazer uma torta quiche de batata com queijo, tomate e temperos. Adoro torta.
Pretendia também colocar roupa na máquina enquanto fazia a torta e enquanto a torta assava eu ia estendendo as roupas no varal.
Pretendia procurar as linhas e as agulhas de crochê de minha avó MãeVelha. Só sei fazer correntinha, mas fazer isso me ajuda a acalmar.
Tenho também a tesoura antiga da minha avó e as escovas de tirar pelo de roupa dos meus amados avôs, meu Paipreto e meu avô José.
Mas eu cheguei em casa e me deitei no sofá. Tirei o tênis e me joguei no sofá. Dor de cabeça forte e só do lado esquerdo do crânio, gosto de sangue na boca. Tomei meus remédios, mais remédios.
Agora deu uma melhorada, graças a Deus, e penso em voltar amanhã ao hospital e ser atendida por um médico que me olhe e me ouça e que não fique tão mais preocupado em ver suas mensagens no celular.
Falei hoje aos meus colegas que não sei se vou aguentar, não está fácil para mim.
Fico preocupada com meus gatos, minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Socorrei-me!
Ébano Nêgo Lindo e Aurora são simpáticos e sociáveis, mas os outros são ariscos e não gostam de estranhos, principalmente meu Léo Caramelo, que é tão carente e dependente de mim.
Meus animais têm histórico de abuso e eu faço o melhor para protegê-los, para cuidar bem deles e dar todo o amor que houver nesse mundo para que os faça sentir seguros, amados, queridos, mimados...
Já contei aqui nesse blog a história de cada um deles e não sou de comprar animais, eu ajudo aos que foram abandonados, maltratados, abusados...
Acho de um tremendo mau gosto pagar mais de mil reais por um filhotinho de raça, sendo que com esse mesmo dinheiro pode-se ajudar tantos animais carentes. E além do mais, os pais desses filhotes, chamados de matrizes, são sempre descartados ou maltratados após as crias. Cruel isso.
Volto amanhã ao hospital e voltarei boa para casa. Acho que preciso de uns dias para descansar, mas descansar de verdade. Ficar em casa mesmo! Fazendo só o necessário e sem ter que ficar rodando por aí. 
Acho que é isso, preciso descansar.
Esse cansaço todo é só a ponta do iceberg.
Boa noite a todos.


                                  


                                     

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Sala

Li artigo que fala sobre empreendimentos imobiliários destinados aos muito ricos e que trazem como novidade salas amplas onde os carros são estacionados/guardados.
Esse negócio de carro na sala fez-me lembrar das decorações de antigamente em casa de pobre, como a nossa.
Na nossa época, alguns eletrodomésticos eram coisa de e para gente rica e quando um pobre conseguia comprar um, o exibia na sala. Explico.
Liquidificadores, batedeiras de bolo, microondas e afins eram colocados na estante da sala! O objetivo era mesmo fazer com que as visitas vissem aqueles aparelhos modernos e naturalmente ficassem com inveja.
As mulheres faziam capinhas de tricô e crochê para cobrir os liquidificadores, batedeiras, cafeteiras etc... e tal.
Já disse aqui e repito: pobre é besta mesmo!
É isso.

                                  

quarta-feira, 14 de março de 2012

Branco

                                             


Domingo era o dia que papai e mamãe me levavam para visitar meus avós; às vezes eles iam à nossa casa.
Mamãe preparava o vestido e os sapatos mais bonitos para mim, ela queria que Paipreto, Mãevelha e avô José me encontrassem toda limpinha e arrumadinha.
Mamãe fizera um vestido branco de crochê para mim e um par de meias também brancas para combinar. Havia também laços de fita brancos para serem usados nos meus cabelos cacheados.
Era tudo muito branco, limpo, impecável... (mas por pouco tempo).
Mamãe me deu banho e me vestiu com as roupas feitas por ela. 
Mamãe estava orgulhosa, eu estava de vestido branco, meias brancas, sapatos brancos e lacinhos brancos nos cabelos.
Mamãe sabendo que aquela brancura toda não duraria muito, me adverte: "Não vá se sujar, viu? Daqui a pouco seus avós estarão aqui para te ver".
Mamãe pede a papai para cuidar de mim enquanto ela se prepara para receber as visitas que já estavam a caminho.
Eu e papai vamos para o alpendre da fazenda e nos sentamos em um degrau da escada. Papai prepara seu cigarro de palha e mantém os olhos na porteira, a qualquer momento se ouviria os cascos e o relinchar dos cavalos trazendo meu Paipreto, minha Mãevelha e meu avô José.
Papai está concentrado na porteira e no cigarro e não me vê afastar.
Meus avós chegam e perguntam por mim. Mamãe responde e pergunta ao mesmo tempo: "Mas eu não deixei a menina com você, Dedé? Minha Nossa Senhora do Pepé (Perpétuo) do Socorro!"
Vão à minha procura. 
Avô José e Paipreto sabem onde me encontrar.
Caminham em direção ao açude onde o gado bebe água e lá me encontram agachada no meio das cabras e bois e batendo as mãos na água.
Estou molhada e suja. O vestido, as meias, os sapatos e os lacinhos que antes eram brancos agora tinham uma nova cor.
Avô José e Paipreto me abraçam e me cobrem de beijos, não se importam com minhas roupas sujas e molhadas.
Vamos para casa. Ora sou carregada por Paipreto, ora por avô José. Mamãe fica muito brava ao me ver: "Mas eu não acredito! Arrumei essa menina nesse instante e ela já está assim?! Olha só, desgraçou o vestido e as meias brancas que eu fiz pra ela. Eita menina impussivi. Meu Pai Eterno".
Era um dia branco.


Minha sobrinha Rafaela vestida de branco em um dia branco