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domingo, 29 de dezembro de 2013

Capitu

                                 




Amo Literatura. Amo livros. Amo ler.
Amo a cena do "penteado" entre Capitu e Bentinho no livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
Li e reli o livro, li e reli a cena e ainda é mistério o que o autor quis dizer com "olhos de cigana oblíqua e dissimulada".
Acordo todas as manhãs com Branca e Alice deitadas ao meu lado, Ébano Nêgo Lindo aos meus pés, Léo Caramelo do outro lado da cama e os pequenos correndo pela casa, derrubando coisas, quebrando outras...
Passo minhas mãos nos pelos fofos, macios e sedosos de Branca e Alice e esta joga a cabeça para trás, toda lânguida, toda meiga e me olha com seus olhos cinzentos e melancólicos. 
Isso fez me lembrar da cena do penteado e Alice pareceu-me tão dengosa, charmosa e manipuladora, assim como Capitu.
Fiquei um bom tempo assim: na calma, na paz e na tranquilidade que encontro nos meus gatos. Ouvi os sons da rua, o jornal sendo jogado pelo entregador, bebês chorando, pessoas conversando... 
O dia começa.
É isso.



                                      
Alice, minha Capitu.



domingo, 19 de agosto de 2012

Amanhã

Amanhã é outro dia.
Nada como um dia após o outro.
Um dia após o outro e uma noite no meio.
Amanhã será melhor.
Será sim.
Minha sobrinha Maria Julia disse uma vez, quando era pequena: "Tia Rejane, descobri uma coisa: amanhã vai ser hoje e hoje vai ser ontem!".
Provoquei minha também sobrinha Beatriz e disse que sua mãe é uma "picareta e corinthiana" e ouvi o seguinte: "Tia Rejane, sabia que minha mãe é sua irmã?!"
Compramos alguns livros na Bienal e Maria Julia comprou "A turma da Mônica" jovem; ela já está ficando uma moçona, e um livro com o sedutor título: "Fique Maravilhosa". Perguntei sobre o livro e ela disse: "É um livro com dicas para eu ficar mais maravilhosa ainda, tia Rejane".
Ah bom!
São essas pequenas grandes coisas que aliviam.
São como bálsamo.
Amanhã é outro dia e será muito melhor.
Amém.

                                    

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Terra nos pés

Era assim que mamãe falava quando estava diante de um problema sem solução aparente.
Mamãe coçava a cabeça, levantava seu poderoso olhar aos céus e dizia suas frases que eu não entendia o significado até então. Para mim eram só palavras e mais palavras da minha mãe faladeira, falante, tagarela.
Mamãe dizia, entre outras: 
"O futuro a Deus Pertence"
"Não cai uma folha de mato sem que Deus não queira". Frase essa também muito usada por meu Paipreto, o pai de mamãe.
"É o sangue que mata o corpo".
"Um dia depois do outro e uma noite no meio".
"Amanhã é outro dia".
"Procuro terra nos pés e não encontro".
É assim que me sinto hoje.