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domingo, 29 de dezembro de 2013

Capitu

                                 




Amo Literatura. Amo livros. Amo ler.
Amo a cena do "penteado" entre Capitu e Bentinho no livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.
Li e reli o livro, li e reli a cena e ainda é mistério o que o autor quis dizer com "olhos de cigana oblíqua e dissimulada".
Acordo todas as manhãs com Branca e Alice deitadas ao meu lado, Ébano Nêgo Lindo aos meus pés, Léo Caramelo do outro lado da cama e os pequenos correndo pela casa, derrubando coisas, quebrando outras...
Passo minhas mãos nos pelos fofos, macios e sedosos de Branca e Alice e esta joga a cabeça para trás, toda lânguida, toda meiga e me olha com seus olhos cinzentos e melancólicos. 
Isso fez me lembrar da cena do penteado e Alice pareceu-me tão dengosa, charmosa e manipuladora, assim como Capitu.
Fiquei um bom tempo assim: na calma, na paz e na tranquilidade que encontro nos meus gatos. Ouvi os sons da rua, o jornal sendo jogado pelo entregador, bebês chorando, pessoas conversando... 
O dia começa.
É isso.



                                      
Alice, minha Capitu.



sábado, 21 de dezembro de 2013

Em busca do tempo perdido

                                                                          



Assistia ao Globo News Literatura e chamou-me a atenção o rosto esticado da jornalista-apresentadora. A boca da moça estava torta, um lado mais alto que outro e uns lábios que lembravam a bico do Pato Donald.
A testa muito lisa; uma aparência forçadamente jovial para uma pessoa que já dobrou o Cabo da Boa Esperança.
Pra quê isso tudo?
As pessoas dispensam um tempo enorme correndo contra o tempo e nem percebem que desperdiçaram tanto tempo correndo em busca do tempo perdido.
Um tempo que não volta mais.
O tempo é implacável.
Vejo tanta gente, principalmente mulheres, em busca de tratamentos milagrosos que revertam os sinais do tempo e, em alguns casos, esses tratamentos acabam tendo o efeito inverso.
Caras, testas, bochechas e lábios tão esticados que se transformam em uma figura caricata de alguém que corre desesperadamente contra o tempo
O tempo tem seu próprio tempo.
Bom...
O programa falava sobre a obra de Marcel Proust, Em busca do tempo perdido, uma obra que quero ler na íntegra.
Minha fila de livros à espera de leitura segue cada vez maior e mesmo assim eu não perco a mania e o vício de comprar mais livros.
Corro contra o tempo na tentativa de ler todos os livros que quero ler, será que conseguirei? Será que o tempo me permitirá esse prazer?
Espero que sim.
É isso.


                                       

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Presente

                                      
A caixinha com doces e o raladorzinho



Fui ontem ao almoço oferecido por Dona Elza, a mãe da minha cunhada Preta.
Dona Elza é uma pessoa muito boa, bacana e simpática.
O almoço era para comemorar o aniversário dela e estava delicioso. Depois teve bolo e docinhos. Adoro.
Ainda trouxe para casa uma caixinha com doces, um raladorzinho e um pedaço de bolo com docinhos. O bolo e os docinhos foram devidamente devorados com café hoje pela manhã.
É uma mania que tenho: Comer bolo, doces e salgadinhos de festa no dia seguinte; ficam mais deliciosos. Pizza também.
E tudo fica ainda melhor com um bom café.
Bom...
Passei uma tarde muito agradável na companhia de amigos e familiares e ainda tive uma grata surpresa: ganhei livros do Luciano, primo da Preta.
Luciano é um rapaz educado, culto, simpático e com quem pode-se conversar por horas; ele é muito gentil e agradável.
Eu adoro ganhar presentes, principalmente livros.
Acho que todo mundo gosta de ganhar presentes. 
Eu também gosto de presentear, mas eu gosto de fazer guloseimas para as pessoas e não sei se isso é legal ou adequado. As pessoas sempre esperam presentes comprados. 
Mas meu cunhado Pepê gosta do meu pudim de abacaxi e minha sobrinha Beatriz gosta do meu bolo de coco.
Voltando ao presente...
Ganhei um "box especial" com três livros que tratam o tema "estratégia" e são eles: "A arte da guerra", Sun Tzu; "O livro dos cinco anéis", Musashi; "O príncipe", Maquiavel (Machiavelli).
Gosto desse tipo de literatura e amo os clássicos da literatura brasileira e mundial.
Não sou muito afeita à essa nova moda/onda de literatura vampiresca, bruxística e cinzenta, mas respeito. O importante é ler, acredito.
E um fato curioso que percebi é que as pessoas confundem "O príncipe" com "O pequeno príncipe". São literaturas diferentes.
"O pequeno príncipe" foi escrito por Antoine de Saint-Exupéry em 1943 e  "O príncipe" foi escrito  em 1513 por Maquiavel.
Adorei meu presente.
Adorei o almoço da Dona Elza.
É isso.




sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Poesia


                                  


                        Os Três Mal-Amados - João Cabral de Melo Neto

O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. 
O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. 
O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.
O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. 
O amor comeu metros e metros de gravatas. 
O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. 
O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.
O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.
Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.
O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.
O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.
O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. 
O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.
O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés.  Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.
O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.
O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

João Cabral de Melo Neto
                                                  

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Texto

                              

Meus professores da faculdade sempre nos aconselhavam a pedir para alguém ler nossos textos. Por mais que lêssemos, não encontraríamos os erros, pois nossos olhos estavam acostumados ao nosso texto.
E é verdade.
Escrevo minhas postagens e releio duas, três ou mais vezes, mas não consigo ver os erros de pontuação, acentuação, gramática etc...
Algum tempo depois eu releio as postagens e aí vejo os erros e os corrijo.
Fico preocupada em errar demais por ser professora, não ficaria bem.
Mas tenho a atenuante de que leciono Língua Inglesa e não Portuguesa.
Minha formação pedagógica foi em inglês e só depois fiz faculdade de Letras para reaprender o português e suas regras gramaticais, semânticas, sintáticas, ortográficas etc...
Quando prestei concurso público para professores da rede estadual de ensino pensei em colocar como primeira opção o ensino de Língua Portuguesa, mas fiquei com receio de não estar apta para o cargo.
Deixei a língua pátria como segunda opção e a Língua Inglesa como primeira opção.
Mas eu leio muito e sempre pegava os livros didáticos de português para ler, rever e aprender.
Outra coisa que pensava comigo mesma...
Às vezes escrevo postagens com temas e assuntos que já havia escrito antes, mas isso não necessariamente significa repeteco. Os temas abordados em uma postagem podem estar relaciondos a outros temas em uma outra postagem. Tudo está interligado, relacionado e conectado na vida, nos textos, no Universo.
Aliás, quando estava na faculdade li o livro "O que é Literatura" de Marisa Lajolo  e a autora defende que "a obra literária é um objeto social". É social porque nasce  da relação social e comunicativa entre autor e leitor.
Mas em nenhum momento a autora diz de fato o que é literatura; ela deixa para a imaginação do leitor baseado em suas experiências e conhecimento.
A palavra texto vem do Latim e significa "tecer, tecido, entrelaçar".
As palavras são interlaçadas, formando um novo texto, tecendo o saber, dando sentido às palavras, permitindo comunicação e interação entre as pessoas.
Era mais ou menos isso que eu queria dizer para explicar as possíveis repetições de termos e assuntos das minhas postagens.
Está tudo interlaçado.
É isso.


                                      

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Matemática

                                  

Minha sobrinha Maria Julia é muito inteligente, além de linda, claro.
Aliás, todos os meus sobrinhos e sobrinhas são lindos e inteligentes e não falo isso apenas por corujice, falo porque é verdade verdadeira mesmo.
Maria Julia adora matemática e é muito boa em cálculos, operações, funções e todas essas coisas bonitas e complicadas da ciência exata.
Ela brincava de escolinha com a prima Beatriz e fazia continhas em uma pequena lousa. Eu dei a Beatriz um estojo com giz e apagador que trouxera da escola.
Maria Julia me pergunta: "Tia Rejane, você conhece o método curto e o método longo de matemática para fazer continhas?".
Disse que não e ela me explicou e deu exemplos.
Sempre fui burrinha em matemática, embora tivesse boas notas em química e física. Vai entender.
Acho que o nome matemática por si só já assusta o ser humano burrinho como eu.
Mas eu ia muito bem nas outras disciplinas e era fera em língua portuguesa e língua inglesa e amava literatura. 
Até hoje gosto mais de ler os clássicos da literatura brasileira e mundial a ler livros do estilo best seller. Não sou muito chegada não, ainda mais com essa moda/onda de livros de vampiro-fada, livros de auto ajuda que devem ajudar é o autor a ficar mais rico, livros de supostos religiosos com dicas muito pretensiosas e soberbas sobre variados temas, biografias de famosidades que male male saíram das fraldas etc.
E gosto muito de livros de receitas, também. Adoro.
Bom...
Gostava também de geografia, história e artes, embora não tivesse e não tenho talento artístico nenhum. Sou uma negação.
Era péssima nas aulas de educação física; nunca tive talento esportivo.
Acho que meu talento é com as letras, a leitura e a escrita.
Ainda bem, sirvo para alguma coisa.
É isso.

                                

terça-feira, 24 de julho de 2012

Endereços & Bairrismo

                                                 


Já disseram que brasileiro adora tudo o que é de fora, tudo o que é estrangeiro, fashion, in, da hora, última moda etc e tal.
Conheço gente que paga dez vezes mais o valor de um produto que poderia ser comprado por preços populares em lojas mais simples, mas essas pessoas fogem ao simples e ao popular, elas querem ser importantes e adoram ostentar.
E parece que essa moda se adéqua também aos nomes de ruas, avenidas e afins.
Têm muitos endereços aqui em São Paulo que só Jesus. São endereços complicados de falar, pronunciar, dizer, ler, escrever... São nomes de ruas cheios de letras dobradas, cheias de Y, W, K, cheias de frescura.
Imagina a dificuldade que as pessoas mais simples têm para pronunciar esses nomes!
Já falei aqui que perguntei ao motorista do ônibus se ele passaria pela Avenida Roland Garros (Rolan Garrô), ele pensou um pouco e disse: "Pela 'rolândigárro' passa".
Lembro do professor Oswaldo de Língua Portuguesa, aquele que lia textos, poemas e poesias nas aulas. Eu estava na sexta série, tinha doze anos e já ouvia críticas dos professores em relação à adoração ao estrangeirismo exacerbado corrente em nosso país varonil.
Imagino se eles vissem como está tudo hoje. Vixe!
Claro, entendo que muitos nomes de ruas são para homenagear pessoas importantes de uma determinada época, mas pergunto: "Por que não homenageiam personagens de nossa cultura e literatura? Por que fazem tanta questão de homenagear estrangeiros? É mais chique?".
Na boa e com todo o respeito a todos os que fazem parte de nossa História, afinal o Brasil é um país multicultural, graças a Deus. Mas o que dizer de ruas com nomes impronunciáveis como: Yervant Kissajikian, Ioshifumi Utiyama, Ushikichi Kamiya, Marrey Jr., Melvin Jones e por aí vai.
Mais uma pergunta: "Será que nossos adorados estrangeiros também nomeiam suas ruas em homenagem a ilustres brazucas?". Já pensou em ruas chamadas " Anhaia Mello, Araritaguaba, Transguarulhense, Guirá-Acangatara..." lá nos cafundó de algum outro país? Será que conseguiriam pronunciar esses belos nomes tupi-guarani?
Repito: Com todo o respeito a todos e com certo bairrismo assumido, mas o Brasil tem uma cultura tão rica, tão bela e tão vasta que não precisa ser "baba ovo de ninguém".
E por que não ruas como nomes de nossa rica literatura? Machado de Assis, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Jorge Amado... E até mesmo representantes da literatura estrangeira que gosto tanto: Kafka, Oscar Wilde, Eça de Queirós, Faulkner, Mark Twain... (seria até mais chique por serem estrangeiros).
Não me levem a mal.
É isso.
                                                       

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Escrever

                                     


Acho que sou melhor com palavras escritas do que com palavras ditas.
Ter que se explicar, tentar fazer o outro entender o que se quis dizer, geralmente surgem mal entendidos.
Sempre adorei ler, escrever, conhecer, saber, descobrir...
Queria muito contar para alguém meu novo aprendizado, minha nova descoberta, minha opinião.
Quando estava na escola prestava atenção a cada detalhe da aula e não via a hora de voltar para casa e contar tudo à mamãe. Mas ela estava sempre muito ocupada com aquela eterna montanha de roupa para lavar, os ouvidos ligados ao rádio e a mente a viajar por algum lugar de paz, conforto, felicidade.
Cresci e continuei faminta por conhecimento, é como se meu cérebro fosse dependente e entrasse em crise ao sentir-se vazio.
Aos quatorze anos já conhecia Kafka, Nietzsche, Goethe, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Oscar Wilde, José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Lima Barreto, Machado de Assis, Rachel de Queiroz e tantas outras mente brilhantes da literatura brasileira e mundial.
Era nos livros que eu fugia do meu mundo de dor, críticas, culpa...
Lia escondido, era muito criticada por perder tempo com livros em vez de cuidar da casa e dos irmãos menores.
Como dizia mamãe: "Mateo que pariu, Mateo que balance", mas não era bem assim. Mamãe paria, e eu balançava.
Bom...
Sempre fui de poucos porém bons amigos. Não sou afeita à amizades excessivamente grudentas. Me chamam de anti-social, mas não sou, apenas gosto do meu espaço e detesto exageros.
Às vezes sinto uma vontade tremenda de falar sobre um livro que acabei de ler, um filme ou programa que vi, qualquer coisa... 
Tenho receio de passar a imagem errada, de ser julgada arrogante, metida, mas não sou.
Sou mal interpretada, sempre fui.
Escrever é melhor.
Clarice Lispector disse: "Eu não escrevo aquilo que quero, eu escrevo aquilo que sou".
Cazuza disse: "Escrevo para não falar sozinho".
Faço dessas minhas palavras.
É isso.