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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Oxe!

                             


Rapadura é doce mas não é mole não, já diz o sábio ditado.
E lidar com gente também não é fácil não. Não à toa me entendo bem melhor com bichos do que com certos tipos de pessoas. Afe!
Já falei em postagens anteriores sobre a arrogância de pessoas que ocupam um cargo melhorzinho no local de trabalho e por isso se acham no direito de levantar o nariz e não falar com quase ninguém.
Eu falo com todos e de forma igual: respeito e educação.
Seja do diretor da escola às meninas da limpeza. Rótulos, títulos, nobreza e arrogância à parte, somos todos humanos, demasiado humanos.
E na maior cara de pau, ainda "roubo" o cafezinho das meninas da limpeza até o moço da cantina chegar e preparar o café da secretaria.
Esses dias elas me trouxeram jabuticadas colhidas da pequena jabuticabeira que fica no estacionamento. A outra me trouxe banana maçã, tão docinha.
O pessoal é bacana e colabora comigo. Fico só na secretaria e a mobilidade física não ajuda muito; as meninas "quebram" o galho, e muito.
Ontem foi um caos: técnicos revirando computadores, pessoas no guichê pedindo informação, pedindo documentos, querendo cancelar ou fazer matrícula... E como se não bastasse, ainda levei bronca porque me esqueci de dar o sinal. Mas o que é isso, cabra?!
Trabalho sozinha, toda entrevada, no meio do caos e ainda levo bronca por esquecer de fazer uma coisa que deveria ser automática?! Oxe!
Pra começar, o sinal deveria ser automático. Está quebrado desde janeiro e continuará assim, amem. 
Falar, já falei, mas...Só Jesus na causa.
Quem deveria levar bronca não leva! Gente folgada, cara de pau, que faz o que quer, que manipula... Gente má, amarga, incompetente...
E por que não compram outro sinal? 
Olhe, com todo respeito, não me arrete não. Me "arrespeite" e veja o meu lado. Eu trabalho de verdade, não enrolo não. Vá dá bronca em quem precisa! 
Vôte! Mas eu num tô dizendo, homi?!
E assim caminha a humanidade...
É isso.


                               



quinta-feira, 31 de julho de 2014

Pardalzinho

                              


Um filhote de pardal perde-se dos pais e entra na secretaria; pousa nos móveis, procura a saída e se debate. Fico aflita.
Peço a Deus e ao Povo protetor dos animais que ajudem o pardalzinho a encontrar a saída. Peço, rogo, imploro.
Os bichinhos já sofrem tanto para encontrar árvores que lhes sirvam de moradia e abrigo, meu Deus. E cada vez mais derrubam árvores e colocam cimento e asfalto no lugar.
A jabuticabeira da escola está repleta de ninhos com passarinhos cantantes e barulhentos. Lindos.
O pardalzinho encontra a saída e eu o sigo para protegê-lo dos alunos e me assegurar que ele estaria bem e seguro.
Uma funcionária vê minha aflição e pergunta: "Você tem medo de passarinho?"
"Não. Eu tenho medo de gente".


                                       

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Dormir

                                  


Está muito frio, 15º (quinze graus Celsius). Os gatos estão todos encolhidinhos em algum canto da casa; Alice está nas minhas costas, Boreal e Branca ao meu lado, Aurora e Rosa aos meus pés e Léo Caramelo está com uma amiga. Faltam  Cássio e Ébano, que devem estar na cama.
Segundo meteorologistas a madrugada será mais fria ainda, algo por volta dos dez ou doze graus. Gosto do frio mas penso nas pessoas que trabalham à noite e naqueles que não têm um casa para morar.
Meus gatos dormem tão tranquilamente e se têm algum pesadelo eu os abraço e digo que está tudo bem. Digo que os protegerei sempre.
É tão bom ter alguém maior que cuide da gente, que ame a gente e que proteja a gente. 
É isso que faço com meus gatos.
É isso que desejo a todos os bichos, inclusive ao bicho gente.
Boa noite.


                                           

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Gente

                                            


O Brasil é um país multicultural; de muitos povos, muitas línguas, muitas culturas.
Aqui estavam os índios quando os portugueses chegaram e tempos depois vieram os escravos negros da África.
Além desses povos aportaram no Brasil outros imigrantes europeus, asiáticos, orientais...
Mas segundo a História, alguns povos não eram bem vistos e eram tratados e tidos com animais ou seres inferiores. 
O ser humano e sua capacidade de julgar, humilhar e destruir aquilo que não entende, não conhece e teme.
Italianos, Negros, Judeus, Indígenas eram tratados como inferiores.
Na carta de Pero Vaz de Caminha ao Rei de Portugal é feita menção ao fato de os índios não serem judeus por não serem circuncidados e o narrador da carta ficara encantado com a cultura dos nossos índios.
Outra coisa que acho interessante é quando alguém fala "de boca cheia" que é descendente de europeu. Mas todos nós somos! A suposta descoberta do Brasil por portugueses é prova disso. Portugueses são europeus.
Bom...
O avô de papai, José Soares, veio de Portugal para o Brasil no final do século XIX (19) início do século XX (20) e instalou-se no sertão pernambucano em busca de terras para construir sua nova moradia. Era solteiro e procurava por aqui uma moça para se casar. Mas eis que o bisavô está explorando suas terras quando percebe a presença de alguém na mata: era uma bela índia. Naquela época os índios eram expulsos de suas terras sem muita cerimônia; não muito diferente do que acontece hoje.
Bisavô estranha aquele tipo diferente de gente; a pela escura, os olhos puxados, os cabelos lisos e negros, a nudez. Bisavô pensa tratar-se de alguma espécie estranha de bicho, mas era gente. Ele pega seu chicote e laça a bela índia e a leva consigo para casa. Não falam a mesma língua, claro, e ambos se estranham mutuamente.
A índia recebe o nome de Belarmina e com meu bisavô constitui família. Entre os muitos filhos do casal está meu avô José e ele herda os belos olhos verdes de meu bisavô e a bela pele escura da bisavó índia.
E anos depois a mesma mistura continua com sua presença forte na família: temos loiros, galegos, morenos, negros...
E somos todos gente.