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quinta-feira, 31 de julho de 2014

Pardalzinho

                              


Um filhote de pardal perde-se dos pais e entra na secretaria; pousa nos móveis, procura a saída e se debate. Fico aflita.
Peço a Deus e ao Povo protetor dos animais que ajudem o pardalzinho a encontrar a saída. Peço, rogo, imploro.
Os bichinhos já sofrem tanto para encontrar árvores que lhes sirvam de moradia e abrigo, meu Deus. E cada vez mais derrubam árvores e colocam cimento e asfalto no lugar.
A jabuticabeira da escola está repleta de ninhos com passarinhos cantantes e barulhentos. Lindos.
O pardalzinho encontra a saída e eu o sigo para protegê-lo dos alunos e me assegurar que ele estaria bem e seguro.
Uma funcionária vê minha aflição e pergunta: "Você tem medo de passarinho?"
"Não. Eu tenho medo de gente".


                                       

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

O primeiro passo

                                



"... Chove chuva, chove sem parar..."
Há uma semana que chove em São Paulo, meu Santo São Paulo.
O frio diminuiu um pouco, mas, segundo as previsões meteorológicas, voltará a esfriar mais a partir de amanhã.
Fim de semana e feriado de paulista é assim mesmo, sol de segunda à sexta e chuva e frio nos finais de semana.
Acho que é por isso que o pessoal do Rio de Janeiro, do Norte, Nordeste e Centro-Oeste é mais alegre, festeiro e animado; eles têm sol e calor o ano quase todo!
Não que paulistas e paulistanos não sejam animados, eles são sim, mas a tendência é mais para a seriedade, a pressa, o trabalho.
Paulistano corre tanto pra ficar parado no trânsito da Marginal Tietê, Radial Leste, Vinte e Três de Maio...
Isso sem contar os "busão lotado", o Metrô e o trem.
Mas eu amo essa cidade, principalmente em dias cinzentos, frios e chuvosos com o dia de hoje. 
Vai falar isso "pros mano e as mina" que estão presos no trânsito!
Mas eu tinha outro assunto em mente...
Queria falar sobre o bem que me fez e faz esse blog; o bem que faz o ato de escrever.
Sinto-me útil, viva, inteligente, apta a ajudar com o conhecimento e experiência que tenho com/sobre a Acromegalia.
Explico.
Quando comecei esse blog eu nada ou pouco sabia sobre Acromegalia e à medida que fui escrevendo e relatando minha história com a doença, fui descobrindo que, sem querer, ajudava muita gente que também tinha dúvidas como eu.
O bacana do conhecimento é o poder dividi-lo e como dizia meu amado avô Paipreto: "Não há riqueza maior no mundo do que o conhecimento".
Isso dito por um analfabeto cultíssimo que conhecia munto (muito) das coisas do mundo.
Tenho recebido muitos e-mails de pacientes e/ou parentes e amigos de pessoas que se descobrem acromegálicas mas que não sabem como reagir, o que fazer, que médicos procurar...
Respondo a todos os e-mails com prazer, divido minha experiência e meu conhecimento sobre a Acromegalia porque conheço bem a dúvida, o medo e até o desespero que o descobrir-se com essa doença pode causar.
Não é fácil não.
Recebi e-mail de um jovem que desconfia ter Acromegalia mas que tinha certa dificuldade em ser ouvido e acreditado por seu medico. Já passei por isso e sei bem como é. É uma enorme sensação de fraqueza, injustiça e impotência.
Médicos não são Deus, embora haja muitos que pensam que são.
Médicos deveriam ouvir os pacientes, prestar atenção às suas queixas, olhar os exames com atenção e não tentar bancar a Mãe Diná e simplesmente nos dizer: "Está tudo bem".
Se estivesse tudo bem por que nos submeteríamos a exames, alguns invasivos e dolorosos? Por que perderíamos nosso tempo com laboratórios, consultas e exames?
Recebi e-mail de uma moça cujo pai passará por cirurgia para remoção de tumor de hipófise na próxima segunda-feira. Ela estava apreensiva, preocupada com o pai e queria saber como a cirurgia é feita. 
Leio desabafos de mulheres que foram abandonadas pelos maridos, namorados, ficantes, Ricardões, peguetos (masculino de peguete) e afins quando souberam que elas estavam doentes.
As pessoas agem como se nunca fossem envelhecer ou ficar doentes e é nessas horas que conhecemos de verdade aqueles que nos cercam.
E foi também por meio do meu blog e da minha escrita que conheci outros acromegálicos que com suas valiosas informações me ajudaram a encontrar um tratamento mais eficaz. Ainda estou no aguardo, mas o primeiro passo foi dado e isso é o mais importante: o primeiro passo.
Acho que essa é minha missão nessa segunda chance de vida que recebi. 
Às vezes desanimo, sinto-me triste, esquecida e sem vontade para nada, mas aí lembro de tudo o que passei e digo para mim mesma: "Vamo acordar pra vida aí, mano! Tu não ganhou a segunda chance de graça não"!.
Tem que valer a pena.
E tudo começa com o primeiro passo.
É isso.





                            










terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Coma: Imagens e Visões

                               

Falei sobre meu coma nas primeiras postagens desse meu humilde blog e falei sobre os temores, imagens, visões e lembranças que me atormentaram e assustam de vez em quando.
Às vezes estou naquele estado em que estamos meio dormindo e meio acordados e vejo as terríveis imagens que me assombraram durante os vinte e sete dias de coma. Mesmo quando acordei ainda tinha medo e não sabia se estava no mundo real ou ainda presa ao mundo de terror. Meu Deus.
Falei sobre isso com minha amiga Silvia, a responsável por esse blog, a ideia foi dela, e ela disse para eu esquecer e/ou não pensar mais nisso, mas o problema é que não penso, as imagens e lembranças vêm sozinhas.
Estou parada aguardando o farol abrir, rádio ligado nas estações que tocam MPB ou Rock'n'Roll e a mente longe, mas de repente as imagens aparecem do nada! 
Tento esquecer, evitar, pensar em outras coisas, mas não tenho muito poder sobre isso.
Acordo assustada, suada, agoniada; acendo a luz, faço minhas orações e peço a Deus e ao Povo lá de Cima que afastem de mim esse cálice, que eu nunca mais tenha que passar por isso, que quando chegar a minha hora eu vá em paz e atravesse os umbrais e encontre meu Paipreto, meu povo antigo que tanto gosto.
Morreram os corpos físicos, mas o espírito não.
Acredito nisso e respeito quem não acredita.
Quando acordei do coma pedi com gestos papel e caneta para a enfermeira, eu não conseguia falar por causa da traqueostomia e me comunicava pela escrita. Meu peito doía, parecia que tinha passado um caminhão sobre mim e soube depois que fui reanimada e recebi massagem após a parada cardiorrespiratória.
Nasci de novo, graças a Deus.
A primeira coisa que escrevi e perguntei foi se dois dos meus sobrinhos e duas conhecidas nossas estavam vivas, minhas irmãs estranharam a pergunta. Eu não podia falar e explicar para elas o que vi e até hoje, após pouco mais de três anos do acontecimento, não falei ou escrevi tudo que vi. Tem coisa que dá não. Por enquanto dá não.
Previ, vi, foi-me mostrada muita coisa que já aconteceu e outras que estão acontecendo, infelizmente. Peço a Deus que o que for ruim seja destruído antes de acontecer, mas já está acontecendo...
Vi minha meia irmã grávida de outra menina, vi a filha de uma amiga grávida de outro menino e isso foi em 2009 e as crianças nasceram em 2010 e 2012, respectivamente.
Uma das piores coisas que vi e nunca tive coragem de falar, por medo de achar que as pessoas me achariam louca ou picareta, foi a horrível, violenta, sangrenta e injusta morte de inocentes sob os ataques de uma facção criminosa daqui de São Paulo.
A facção criminosa toca o terror nas noites paulistanas e a polícia reage com igual ou pior violência e nessa briga quem sofre são inocentes, na maioria dos casos. Infelizmente.
Em maio de 2006 houve ataques violentos, ônibus incendiados e a maior e mais rica cidade do país parou. São Paulo não para, diz a canção, mas parou naquele fatídico mês de maio.
Em outubro desse ano os ataques recomeçaram; são ônibus queimados, policiais e civis mortos. 
Semana passada os ataques ocorreram em bairros próximos ao meu e fiquei e estou preocupada. 
Deus, proteja a todos, a minha família, a mim e que essa violência toda chegue ao fim. Amém.
Fiquei indignada quando o governador do Estado, o digníssimo senhor Geraldo Alckmin, disse que São Paulo é maior que muitos países e as mortes estão de acordo com demografia local. 
Entendo que para esse senhor está tudo certo e essas mortes são "normais".
É normal perder entes queridos, muitos ainda tão jovens e com um futuro pela frente?
Não sei o que pensa o governador, mas eu penso e peço que essa violência toda deveria acabar. 
Quem sou para decidir, mas não haveria um modo de resolver essa pendenga político-criminosa sem derramar sangue? Mas aí não seria nem política nem criminosa. 
Com todo o respeito ao governador e à facção.
Era essa uma das piores visões e imagens que vi e que tinha medo de falar a respeito.
Não sou louca, exibicionista ou mentirosa. Juro por Deus.

Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós,
Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz
                                


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Noites de São Paulo

                                   

Tenho tido muita dificuldade para dormir. O corpo está cansado, os ossos doem, mas a cabeça não desliga.
Faço chás, leio, ando pela casa, converso com meus gatos, vou ao quintal dos fundos e converso com minhas lindas plantinhas, olho para o céu e dou boa noite à lua e às estrelas, converso com Deus e o Povo lá de Cima.
Juro que sou normal.
Sou avessa à praticidade, esterilidade, futilidade e rapidez da vida moderna.
Hoje tudo é muito rápido, prático e descartável e as pessoas não param para observar e se encantar com as coisas da Natureza; está todo mundo apressado em consumir e ostentar.
A gente toda está preocupada em aparecer sempre bonita, arrumada, esticada e a ostentar sua beleza e suas posses. Pobres de espírito.
Não tenho riqueza a ostentar nem beleza a mostrar. Tenho apenas meu bom caráter e isso não tem muito valor atualmente.
Fazer o quê?
Mas eu falava sobre minha dificuldade para dormir...
Noite sempre tensa, sudorese incessante, sons da rua. 
De madrugada ouço ruídos de helicóptero, sirenes e cantadas de pneus. Pensei comigo: "Mais uma noite violenta em São Paulo; mais policiais mortos, mais vítimas inocentes... Quando isso vai parar, meu Deus?"
Cadê o povo dos direitos humanos? Algum deles foi prestar conforto às famílias dos policiais mortos em serviço? 
Meus irmãos queriam ser policiais quando eram mais jovens, mas graças a Deus seguiram outros rumos profissionais. Fico preocupada com meu irmão que é segurança e usa uniforme e peço a Deus e ao Povo lá de Cima que o proteja, o guie e o ilumine, sempre. Amém.
Ontem voltava de minhas infindáveis andanças e passei por uma blitz, confesso que não via a hora de sair logo dali. Hoje dá medo passar perto da polícia, confesso, pois não sabemos o que pode acontecer; de repente algum maluco resolve fazer uma besteira e pessoas inocentes podem sofrer.
Policiais arriscam suas vidas para manter a paz e a ordem e nos proteger e tudo isso por um salário muito do ridículo.
Acho que policiais, professores, condutores de veículos de transporte público, bombeiros, médicos e outros profissionais da saúde deveriam ganhar o que ganham os nobres políticos de Brasília. Que tal?
Esses profissionais que citei acima são formados e são pagos um salário baixo, já muitos políticos sabem do "O" porque sentam em cima, como diria meu Paipreto. Tem político ali que mal consegue assinar o próprio nome, mas está representando a nação e ganhando décimo terceiro, quarto e quinto salários! Sinto vergonha.
Como dizem meus alunos: "É muita falta de sacanagem!"
Queria ver políticos usarem transporte público, se consultarem com médicos do SUS, matricularem seus filhos em escolas públicas e pagar em mais de dez vezes com muitos juros seus bens de consumo.
Que país é esse?
Que as noites de São Paulo voltem a ter alguma paz.
Que policiais não morram impunemente.
Que os policiais saiam de casa para trabalhar e voltem para casa em paz após mais um dia de trabalho. 
Que a ordem seja estabelecida.
Que o governo acorde de seu marasmo e incompetência e trabalhe!
Amém.
É isso.

                              


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Roupinhas e Desenhos Animados

                                         

Fui ao pet shop para comprar ração e areia sanitária para minha gataiada e enquanto aguardo ser atendida fico observando em volta; vejo vários produtos para animais como ossos, bolinhas com guizo, caminhas e roupinhas entre outros.
Procurei saber o preço das roupinhas só por curiosidade e me assustei com o que vi. Para começar, detesto roupinhas para bichos, roupa foi feita para vestir pessoas, mas há exceções, claro. Animais que habitam em lugares muito frios agradecem uma capa quentinha, mas...
O preço das roupinhas para cães é mais caro que o preço de roupas para gente! E, na boa, muitos animais refletem a personalidade de seus donos e os cachorrinhos vestidos com aquelas roupinhas ridículas se parecem mais com pessoas medíocres, fúteis, tolas... Desculpa aí.
Acho que pessoas que têm o hábito e o comportamento de vestir cachorrinhos como se fossem bonecas ou crianças no mínimo não tiveram infância, não sabem o que fazer com o dinheiro que deve estar sobrando ou não têm o que fazer mesmo.
Tenho meus seis gatos e os alimento com ração de boa qualidade, os levo para consultas com a veterinária, dou-lhes remédios quando necessário e o mais importante: dou-lhes amor. Gasto o que posso com o que é necessário, não sobra para futilidades.
Para quem gosta de vestir cachorrinhos e até outro bichinhos, tudo bem, vai, mas será que o animal sente-se confortável enfiado naquelas roupinhas afrescalhadas?
E por falar em animais e roupas, tenho um certo problema com desenhos animados onde os bichos têm comportamento humano. Não sei o porquê, mas me incomoda ver desenhos animados de animais vestindo roupas, indo à escola, jantando à mesa e outros hábitos humanos. Tem um desenho chamado "Arthur" que é assim. Outro desenho que detesto é "Os 7 monstrinhos", acho ridículo uma senhora baixinha mãe de sete criaturas estranhas: uma egocêntrica, outro com nariz fálico, outro que perde a cabeça, outra que não se sabe se é menino ou menina, outro com a língua de fora e por aí vai.
Nunca entendi também porque o Pato Donald usa só a parte de cima da roupa e não usa calças, já com o Mickey é o contrário. 
Assistia aos desenhos He-Man e She-Ra e todos usam maiô. Será que foi daí que veio a moda de cantoras se apresentarem de maiô? Vai saber...
Pode ser algo psicológico, mas não gosto e tenho medo de palhaços e pessoas com cara pintadas como mímicos e estátuas vivas. Não gosto de animais de desenhos animados com comportamento humano.
Não sei, mas deve ter alguma explicação. Tem gente com medo de barata, borboleta, cobra, altura, lugares fechados etc, e eu tenho medo do que citei acima.
Eu hein?
É isso.

                                             

sábado, 26 de maio de 2012

Medo

                                           


Papai gostava de dizer: "Duas coisas que eu não conheço: medo e preguiça".
Deus estava vendo.
Dias desses me perguntaram qual meu maior medo ou medos, e eu respondi.
Tenho tido sonhos tensos, intensos, fortes, incômodos. Pesadelos.
Anos atrás acordei com uma voz malévola, sarcástica e debochada que dizia: "Você é sozinha".
Meu Deus.
A solidão, o abandono, o procurar terra nos pés e não encontrar...são esses meus maiores medos.
Tenho outros medos básicos que todo mundo tem e é normal: medo de altura, de lugares fechados, de barata (mais nojo que medo), da violência das grandes capitais...
Tenho medo de palhaço, de gente mascarada, de gente que pinta o rosto e passa-se por estátua viva. Não gosto disso. Na minha mente maluquetes acho que a pessoa é abafada pela maquiagem/máscara e o que fica exposto é o seu verdadeiro eu e não conhecemos de verdade o verdadeiro eu das pessoas; conhecemos suas máscaras!
Meio doido, mas é assim que vejo e penso.
Estava caminhando pela calçada e vejo uma figura vestida e maquiada de estátua viva distribuindo doces e pirulitos; era promoção de uma loja. Atravesso a rua. A figura percebe, pega alguns doces e faz sinal para mim; agradeço e recuso, de longe,  a simpática e assustadora oferta e penso comigo: "Se essa coisa atravessar a rua e vier em minha direção vou descer a porrada!".
Sou da paz, mas como qualquer animal acuado, o ataque é a melhor defesa.
Já vi crianças pequenas em estado de pânico ao se depararem com pessoas vestidas de bichinhos, de personagens de desenho animado, estátuas vivas etc...
Meu, quer fazer promoção e dar docinho? Então dá! Mas sem essa coisa besta e medonha de gente vestida e pintada! Oxe!
Acordei hoje chamado por mamãe. De novo.
Estávamos na casa onde havia a majestosa mangueira e as adoradas cravinas de Mãevelha.
Conversávamos e cada um ia para um lugar; eu ficava só. 
Abria um armário e via maços de couve, acelga e catalonha e outras verduras e dizia para mim mesma que prepararia alguma coisa para papai comer quando chegasse do trabalho. Ele deveria chegar logo.
Ando pela casa e todos os cômodos estão vazios assim como todas as outras casas do quintal. Estou só e me bate um desespero. Me senti só e abandonada.Cadê todo mundo? Chamo por mamãe e acordo chamando "mãe, mãe!".
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão, já cantou  Renato Russo.
É isso 


                                           
                                  

sábado, 21 de abril de 2012

Cobra

Papai orgulhava-se de ser pernambucano, palmeirense e macho.
Papai também orgulhava-se em dizer: "Duas coisas que eu não conheço: medo e preguiça"
Mas mamãe cantava mais alto e papai ouvia; reclamava mas ouvia.
Papai contava suas peripécias e artes e dizia: "Eu mato o pau e mostro a cobra!"
"É ao contrário, pai!"
"Oxe! E o que foi que eu disse?!"


                                          

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Mais...

Recebi hoje carta do Instituto de Radiocirurgia Neurológica lembrando-me sobre a necessidade de realizar novos exames para uma suposta nova radiocirurgia.
Digo suposta porque às vezes o procedimento não é necessário, tudo dependerá do resultado dos exames.
Mas antes disso eu preciso continuar o tratamento com antibióticos - mais 20 dias, já foram 14 - e depois retornar aos médicos para avaliação e cirurgia de correção de fístula liquórica.
Outro "mas": preciso também fazer tratamento com anti-inflamatório para tratar uma inflamação que surgiu no osso tarso do pé esquerdo e agora subiu para a perna. Acredito que só tomarei os anti-inflamatórios quando me recuperar da cirurgia (estou sendo muito otimista, contando com a autorização do convênio!).
O ortopedista aconselhou a fazer primeiro o tratamento com os antibióticos e os neurocirurgiões e o endócrino também. Meu cérebro merece mais atenção e cuidados nesse momento.
As dores de cabeça voltaram mais fortes e está difícil controlar a hipertensão.
Os exames de sangue ficaram prontos e os levarei para os médicos e farei cópias para levar à Farmácia Alto Custo para poder pegar meu remédio, Sandostatin-LAR 20mg (acetato de octreotida). Ainda bem que temos essa farmácia e o governo compra/importa remédios caros e que não são vendidos em farmácias comuns.
Essa semana que se inicia será de mais visitas a médicos para levar os exames feitos e pegar guia com pedidos para a realização de novos exames; ligar para o convênio e pedir senha de autorização para realizar os exames e, naturalmente, me estressar com a musiquinha irritante e com o blábláblá infindável da mensagem gravada até conseguir falar com um ser humano!
Ouvirei que o pedido"vai estar sendo analisado" e que "vão estar entrando em contato" comigo para "estarem dando" uma posição sobre o assunto. Tá.
Ainda tenho que comprar mais remédios, o que não é nada barato. Geralmente compro os genéricos e mesmo assim a conta é alta. Isso é mais um fator de preocupação. Não só me doem a cabeça e os ossos em crescimento, mas ultimamente o bolso tem doído muito.
Tenho que pagar consulta para um dos neurocirurgiões, pois ele não é cooperado ao convênio. A consulta não é nada barata! Mas é necessária. Tenho que fazer. Farei. Custe o que custar. Custa R$ 400.00. Putz!
Estou mais acostumada a tudo isso: médicos, exames, consultas, cirurgias, remédios...
Algumas vezes permito-me ser humana. Tenho minhas revoltas, pergunto meus porquês, comparo minha vida com a de outras pessoas. Por que eu? Por quê?
A resposta é: tem gente em pior situação que a minha. Eu voltei a andar, falar, comer e a fazer tudo o que eu deixei de fazer durante o período que fiquei em coma .Eu estou viva! E se estou viva é porque uma outra chance foi-me dada. Graças a Deus! Posso pagar um convênio, e aquelas pessoas que dependem da saúde pública? Deus!
Tenho sim meus momentos, tenho direito de tê-los. Sou humana, não sou perfeita.
...E como dizia minha titânica mãe: "Eu já comi toucinho com mais cabelo!" e "Dias melhores virão".
E como dizia meus pai: "São duas coisas que eu não conheço: medo e preguiça".

Papai e Mamãe.
José Soares e Marlene Gomes