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terça-feira, 11 de março de 2014

Meio do Mês

                                   


Dor de cabeça que perdura há algum tempo.
Dor de cabeça forte que me incomoda bastante desde sábado passado e atingiu o ápice essa madrugada.
Hipertensão.
Super, hiper, power, plus, mega hipertensão.
As dosagens dos remédios anti-hipertensivos foram dobradas e mesmo assim essa infame insiste em subir e me prejudicar.
É a doença de base: Acromegalia.
É a base dos meus problemas nada básicos de saúde.
Que coisa chata!
Bom...
O pagamento "sai" amanhã, no quinto dia útil do mês e que é quase meio do mês! Sacanagem!
Contas já vencidas, pagar o aluguel... 
Tudo por conta do Carnaval e de contar como feriado a segunda e a quarta-feira de cinzas.
O pobre espera o mês todinho pelo pagamento e vai ao banco todo animado, mas ao constatar que não tem dinheiro nenhum na conta, o pobre vira no Jiraya!
Preciso comprar minhas frutas, legumes e verduras, além de pão, café e mais ração para essa gataiada faminta.
O meu sonho de consumo, entre outros, é o de ir ao Atacadão e comprar caixas fechadas de leite condensado, creme de leite, coco ralado, chocolate em pó e em barra e todas essas guloseimas que são transformadas em delícias calóricas e engordativas pela alquimia na cozinha.
Queria ter uma cozinha enorme e bem equipada também.
Quem sabe um dia?
É isso.


                                        

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Coração

                                  



Há semanas que não venho me sentido bem e fico naquela de "amanhã eu vou ao médico, depois de amanhã eu vou..."
Fui domingo ao Carrefour da Vila Maria para comprar a ração da gataiada e descer do carro e caminhar alguns poucos metros até o carrinho de compras foi um sacrifício. Meu Deus, como demorou. 
Finalmente cheguei até o carrinho e entrar no hipermercado foi outro suplício, andar pelos corredores à procura dos produtos a serem comprados foi outro suplício e tanto, meu Deus.
Uma comprinha básica que deveria durar alguns minutos durou uma eternidade e enquanto eu ia empurrado aquele carrinho que parecia tão pesado para mim minhas pernas pesavam toneladas; como se tivessem pesos presos a elas.
Finalmente termino as compras e vou até a área dos restaurantes e peço uma água, sento-me para descansar e começo a passar mal. Tontura, sudorese, fraqueza, cansaço brutal.
Descanso um pouco e vou até o carro com as compras. Não vejo a hora de chegar em casa e me deitar.
Chego em casa e por debaixo da porta vejo as patinhas impacientes a me esperar. Entro em casa e todos correm que nem loucos atrás, miam como se não comessem há dias!
Estão comendo mais nesse tempo frio, parecem felinos maiores e não doces e inocentes gatinhos.
Os alimentei e apenas guardei o que era de geladeira, para não estragar: iogurte, manteiga...
Há tempos reclamo de cansaço, de peso nas pernas, de fraqueza.
Finalmente fui ao hospital ontem e minha irmã Rosi me acompanhou. Chegamos lá às três da tarde e saímos às onze e pouco.
Hospital Aviccena, na Rua Padre Adelino, Moóca.
Tudo ia bem, fazer a ficha e aguardar ser chamada pelo médico não demorou tanto, em se comparando ao Hospital Nipo Brasileiro, cuja espera mínima é de três ou quatro horas, foi até rápido demais.
O médico me chama, me manda para medicação e lá é inserido em minha veia uma quantidade grande de remédios que goteja lentamente. Lá pelo meio da medicação começo a passar mal, tonturas, fico pálida, cansaço, falta de ar e a pressão abaixa demais. Estranhei, pois sou sempre tão hipertensa.
Faço sinal para um grupo de médicos e uma médica bem novinha me atende. Peço para me deitar, meu corpo está cansado e quero me deitar um pouco. Peço para a enfermeira, para outra e só ouço "um minutinho".
Peço que chamem minha irmã e peço a ela que pelo amor de Deus fale com a médica e me arrumem um leito para eu deitar. Fiquei um bom tempo nessa agonia.
Um leito surge, ufa!
Deito e me sinto bem melhor. Aquelas poltronas reclináveis são boas para quem vai tomar um medicamento rápido e pronto; deveria haver mais leitos disponíveis para quem passa mal. Tão óbvio.
A sensação de se deitar quando o corpo pede é tão boa. 
Dali a pouco um enfermeiro pergunta se estou com frio e vai procurar um cobertor, mas estão todos em uso. Ele consegue um lençol, o dobra e me cobre. Agradeci.
Melhoro, graças a Deus.
A jovem médica me orienta, conversa com minha irmã e me dá alta. Diz para eu procurar um cardiologista para manter o tratamento cardiológico. Coração "véio" pede arrego.
Disse a ela que mudei de convênio médico recentemente e ainda não encontrei um bom cardiologista. Não quero voltar ao médico com corpinho de caminhoneiro, ele é meio grosseirão e não confio em profissionais da saúde que são obesos, fumantes ou ambos.
Fui me deitar à três da manhã. Voltei meio tonta ainda e me sentei no sofá. Esperei um pouco e fui tomar banho. Tive ânsia e muito cansaço.
Me deitei e às cinco e meia, tradicionalmente, sou acordada pelos vizinhos barulhentos que acordam o bebê, que trocam o bebê, que gritam como bebê, que falam alto e que finalmente saem, graças a Deus.
Levantei e fui para a sala assistir aos jornais matinais, a TV no quarto não funciona.
Acabou e voltei para a cama, deitei e adormeci. Acordei à dez horas com o toque do telefone e a pessoa do outro lado da linha queria falar com um pessoa com um nome bem estranho. Já estou cansada desses telefonemas e por mais que diga que "não tem ninguém com esse nome", as ligações continuam a incomodar.
Ia sair hoje, mas decidi "aquietar o faixo". Fiquei em casa, fiz algumas coisas, fiquei só, não me estressei e descansei. Amém.
Amanhã estarei bem melhor e farei minhas coisas.
É isso.






quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Um dia daqueles

                                



Mamãe era hipertensa, fumante e teimosa. Era também muito viva, esperta, inteligente e inquieta.
Mas quando mamãe ficava nervosa sua pressão subia a níveis estratosféricos e ela ficava bem doente por uns dias.
Estou igual a mamãe e não é por opção minha, é por um pouco de tudo. Problemas, gente ruim, saúde mais pra lá do que pra cá, preocupações, incertezas, saudades, receios, cismas, sentimentos...
Como diria meu amado avô Paipreto: "É munta coisa, minha filha".
É muita mesmo, meu Deus.
Sinto que a cada dia meus ossos endurecem e entrevam mais e as dores aumentam.
Fui ao banco na Vila Maria para pagar contas e deixei o carro em um estacionamento meio longe; tive que andar uns cento e cinquenta metros. Fui com minha bengala e foi difícil, lento e doloroso.
Chego ao banco e a maioria dos caixas eletrônicos estava em manutenção, aguardo. Coloco o cartão e a máquina mostra uma mensagem: "Erro de leitura do cartão". Que legal!
Finalmente tudo se normaliza e pago as contas uma a uma, exceto as contas de água e luz cuja leitura óptica nunca é feita pelos caixas eletrônicos do banco. É um saco!
Chamei o rapazinho para me ajudar a digitar o imenso código de barras e ele diz que logo vem. Veio nada. O jeito foi ir ao balcão, sacar de meus poderosos óculos e caneta, separar os números e contar os zeros. Pronto, paguei as benditas contas.
Havia ido à Loteca que fica no Carrefour da Vila Maria/Vila Guilherme e lá chegando a estupidamente grossa moça do caixa disse: "Aqui não recebe mais conta não! Tá cheio de aviso por ai, ó!".
Nossa! Assim você me mata... de vergonha.
Eu disse à distinta que estou habituada a pagar algumas contas na Loteca e que não sabia sobre a mudança. 
Outra coisa que está me atormentando é a dona da casa e sua furiosa fome por dinheiro. O aluguel vence todo dia dez e todo inquilino tem até cinco dias para pagá-lo sem multa ou juros. Domingo foi dia dez e encontro no meu celular uma ligação perdida da dona da casa.
O que ela quer agora, minha Nossa Senhora?
Queria saber se eu havia pago o aluguel!
Feriado de Carnaval e os bancos só abriram hoje, quarta feira de cinzas, após o meio dia. Pelo amor de Deus!
Paguei o bendito aluguel e liguei para a imobiliária para reclamar. É realmente necessário a dona da casa ligar sempre para cobrar o aluguel sabendo que pago sempre entre os dias dez e quinze? E sabendo que dia dez caiu em um domingo e estávamos em uma semana de feriado?!
Será que ela está passando fome? Acho que vou comprar uma cesta básica pra ela, @!#$%!!!
Indo e voltando ao banco sou observada pelas pessoas que me lançam olhares de dúvida, estranhamento e até de certa raiva. Usei meu vestido longo de verão, adoro vestidos, e mesmo assim me confundiram com um homem. Só se fosse um travesti, como todo respeito.
Caminho lentamente e dolorosamente até o estacionamento e parece que quando não estamos bem tudo contribui para piorar.
Minhas pernas pesavam como se tivessem correntes presas a elas. Uma moça bonita caminha à minha frente e observo seu bonito vestido curto e sua sandália de saltos altíssimos. Mesmo assim ela era pequena, se comparando a mim.
Sentia-me um Shrek ou o Hulk de vestido.
Adorei seu look e lembrei que um dia já usei saltos altos. Eu nunca fui bonita, mas tinha o rosto normal. Pelo menos isso.
Sei lá.
É tanta coisa junta. Tanta pressão, cobrança, preocupação, cisma... Medo não, sou nordestina cabra da peste e para nós não é medo, é cisma.
Cheguei em casa e me deitei no sofá, deveria ser apenas alguns minutinhos de descanso, mas dormi pesadamente. Estava tão cansada e não sei se foi da longa caminhada de cento e cinquenta metros até o banco, ou as preocupações ou tudo junto.
Estou aqui a escrever com Boreal em meu colo a dormir tranquilamente. Boreal está grande, forte, lindo e saudável, bem diferente daquele gatinho fraco, magro, pele e osso e que mais parecia uma rato.
Boreal procura por mim, me chama e pede colo. Tudo isso depois de tomar seu leitinho.
Todos dormem e eu cá estou a escrever e a "secar" os Bambis jogando contra o Atlético Mineiro. 
Em bom curinthianês: Os cara seca nóis, então por que nóis num pode secar eles?!
Como todo respeito.
Albert Einstein disse: " A questão que às vezes me deixa loucoLouco sou eu ou são os outros?"

                   
                                                

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Remédios e Efeitos Colaterais

                               


Tomo muito remédio. Não gosto, mas preciso.
É remédio para controle da hipertensão, remédio para o estômago, para controle da Acromegalia e para controle da Artrose e as dores e entrevamento que ela provoca.
Já não gosto de comer de manhã, raramente como de manhã e agora com esse monte de remédio, aí é que a fome vai embora mesmo.
O ortopedista receitou um remédio caro que necessita de receita com duas vias e mostrar documento para que seja vendido ao paciente/consumidor.
O remédio é indicado para dores neuropáticas e tem efeitos colaterais ruins, como tontura, náusea e vômito. É horrível, sinto-me derrubada, cansada, como se arrastasse um peso amarrado ao meu corpo, principalmente pernas e coluna.
Estou endurecida, entrevada e dolorida.
Com esses sintomas e dores fortes que tenho apresentado, perdi o apetite e até emagreci uns dois ou três quilos nessas mais recentes duas semanas passadas. Não gosto de dizer última semana, última isso, última aquilo. Nada é último, não morri ainda e vou durar muito, se Deus quiser.
O emagrecimento é bom e é necessário manter um peso equilibrado, pois o peso extra sobre as pernas só pioraria as dores e o movimento e prejudicaria o restante do corpo.
Não sei. Não sou alegre nem triste, estou cansada, muito cansada. 
Mas eu acredito que dias melhore virão.
Pelo amor de Deus!
É isso.
                                
                               


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Onisciência, Onipresença, Onipotência e Arrogância Médica

                             


Conversava com minha irmã Rosi enquanto saboreava seu forte e encorpado café. Todos reclamam do seu café amargo, menos eu.
Falávamos sobre o triste evento que ocorreu hoje pela manhã em uma escola infantil no estado americano de Connecticut e enquanto o mundo aguardava a coletiva de imprensa com mais detalhes, falávamos sobre outros assuntos.
Falei que sonhara voltando aos Estados Unidos e procurava uma casa para alugar. Sinto muitas saudades. A geografia americana é belíssima e pode-se ver mar, montanha e deserto seguindo a mesma estrada. Lindíssimo.
Se eu estivesse lá certamente estaria em posse de meu PhD. Ainda estava na dúvida entre seguir na Psicologia Infantil e me dedicar aos estudos do autismo, tema que me interessa e fascina grandemente, ou seguir nos estudos de Política e Relações Internacionais. Havia outras opções, mas ambas eram as que mais me atraíam.
Foi por essa época (1996-2004) que a Acromegalia manifestou-se e lentamente instalou-se pelo meu cérebro e meu corpo, graças a Deus.
Os primeiros sintomas foram a intensificação das minhas dores de cabeça, as tinha desde criança, e o surgimento da hipertensão, mas só descobri minha doença aqui no Brasil e totalmente por acaso como relatei nas primeiras postagens.
Passei por vários médicos e tentamos vários tratamentos: pílulas, injeções, fisioterapias, relaxamento (eu relaxar? é ruim, hein!); só faltou passar pelo pediatra, geriatra e veterinário.
Meu médico na época nunca medira minha pressão e a sorte mandada por Deus, como dizia mamãe, foi que no dia da consulta fui atendida por outra médica da equipe e ela mediu minha pressão, que estava altíssima. 
A médica era uma simpática senhorinha de cabelos brancos. Ela diagnosticou a hipertensão e receitou meu primeiro remédio para o controle do mal.
Tive que retornar semanas depois para acompanhamento e meu médico me antende e diz que a colega estava louca por me receitar anti-hipertensivos, que eu era muito jovem para ser hipertensa, que eu deveria parar o tratamento imediatamente. 
Parei. Segui as recomendações médicas, confiei no suposto profissionalismo, conhecimento e experiência do doutor. 
As dores de cabeça aumentaram, principalmente o latejar na nuca.
Havia me mudado de endereço e perto do novo local havia uma clínica médica; decidi marcar consulta com o belo, educado, elegante e galego Dr. John Dodge. E o que foi que ele diagnosticou? Hipertensão!
Voltei a tomar os anti-hipertensivos e melhorei razoavelmente, mas a maldita Acromegalia já mostrava suas garras.
Mamãe parte e meu irmão Fubá fica muito doente e precisa de um transplante de fígado. Fico preocupadíssima com minha família aqui no Brasil e volto.
Foi a melhor coisa que fiz, pois se a doença não fosse descoberta (2007) e a cirurgia não fosse feita, eu não estaria aqui hoje.
Como já falei em postagens anteriores, demorou a descobrir e a aceitar, por parte dos médicos sabichões, que havia um tumor, pois ele não aparecia nos exames de ressonância magnética. Mesmo com os exames de GH (Growth Hormone - Hormônio do Crescimento) mostrando níveis altíssimos ainda assim os médicos duvidavam. 
Um deles, um maldito arrogante dos infernos, desculpem, disse para eu desencanar, pois era apenas uma pequena inflamação, nada demais.
Perguntei também sobre minha coluna e ele disse que era bobagem fazer cirurgia.
Bom, a bobagem quase me causa uma paralisia por compressão na medula e hoje tenho duas hastes e vinte e dois parafusos de titânio segurando os ossos da minha coluna e me possibilitando caminhar, graças a Deus.
A pequena inflamação era um tumor na hipófise produzindo desembestados níveis de GH.  O tumor era grande, estava próximo à carótida, tinha sistema vascular próprio, deixou-me em coma por quase um mês, custou-me uma traqueostomia, uma parada cardiorrespiratória, pneumonia, infecção generalizada e quase me mata.
Desencana!
Não tenho raiva desses doutores, tenho pena.
Pena por sua incompetência, arrogância, preguiça e impaciência para ouvir os pacientes e olhar os exames detalhadamente.
Essa onipresença, onisciência, onipotência e arrogância médica quase custou minha vida, minha capacidade de andar e incutiu em mim a desconfiança. Se eu não gostar do médico, não me sentir bem e não "rolar uma química", não volto mais ao seu consultório.
Tem médico que acha que é Deus. O onipresente, onisciente e onipotente.
Amém.