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quarta-feira, 13 de março de 2013

(A)Normalidade... Olhares

                                


Eu sempre procuro manter uma certa normalidade, mas está difícil.
As pessoas olham para mim, param por um segundo e olham de novo, como quem diz: "Será que vi direito? É isso mesmo?"
Estava no estacionamento do banco conferindo o que seria pago ali e sinto e vejo os olhares sobre mim. Alguns disfarçam, outros encaram mesmo. 
Isso dói. 
Procuro parecer normal, fingir que está tudo bem, mas seguro as lágrimas; ou tento.
Sou humana, demasiado humana. Não sou apenas acromegálica, Acromegalia não define quem eu sou.
Vejo moças, mulheres e senhoras bonitas ou bonitonas, entrando e saindo do banco e observo suas roupas, sapatos, cabelo e rosto.
Nem todas são exemplos de uma beleza estonteante, mas todas têm rostos normais e pés normais.
Vejo uma moça magrinha com cabelão parecido com a da princesa ruivinha do filme Valente. Ela usava sapatos lindos, tipo boneca. Lembrei que já tive um par assim.
Outra moça elegantemente vestida mas com os cabelos excessivamente e exageradamente loiros; vulgar. 
Acho que não precisa tanto para chamar a atenção e forçar uma beleza que acaba se transformando em um padrão: todas e todos iguais.
Uma senhora elegantemente vestida; lenço sobre a camisa branca bonita, óculos de grife. Adoro camisa branca.
Mas gosto mesmo de observar o rosto e os pés, mais precisamente os sapatos.
Eu nunca fui bonita, mas já tive rosto e pés normais.
Maldita Acromegalia.
É isso.



                                 

sábado, 9 de março de 2013

Balada

                                


Assistia ontem ao Conexão Repórter com Roberto Cabrini, um jornalista que admiro muito. Gosto também de Marília Gabriela, Caco Barcellos, César Tralli, Tiago Leifert e outros que não precisam de apelar para conseguir audiência.
Bom...
O tema de ontem do Conexão Repórter foi balada e para mim, balada é quando há troca de tiros. Desculpem.
Falou-se sobre o preconceito que as pessoas "fora do padrão" sofrem. Colocaram duas atrizes, uma loira de cabelo esticado e pernas de fora e uma outra gordinha com cabelo cacheado cheio de creme.
A loira entrou fácil em qualquer balada que chegasse já a gordinha era barrada na entrada. Diziam que para entrar era preciso estar na lista de convidados do proprietário ou de algum outro convidado. 
Tudo desculpa esfarrapada, tudo mentira. Só para não dizer que a moça era gorda, nada bonita e estava fora do padrão. 
Mas que padrão? Estabelecido por quem?
Cada vez mais o mundo está se tornando fútil e perverso, pois quem é bonito é aceito, quem não é, tá lascado.
Eu que o diga.
Sempre fui estudiosa, boa leitora e com bons conhecimentos gerais, mas ao passar por entrevistas de emprego, ouvia: "Seu curriculum é bom e seu teste foi um dos melhores, entraremos em contato". Nunca entraram.
Os belos analfabetos funcionais têm mais chance, pois são belos embora sejam ignorantes.
Eita mundinho besta, sô!