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sábado, 9 de março de 2013

Balada

                                


Assistia ontem ao Conexão Repórter com Roberto Cabrini, um jornalista que admiro muito. Gosto também de Marília Gabriela, Caco Barcellos, César Tralli, Tiago Leifert e outros que não precisam de apelar para conseguir audiência.
Bom...
O tema de ontem do Conexão Repórter foi balada e para mim, balada é quando há troca de tiros. Desculpem.
Falou-se sobre o preconceito que as pessoas "fora do padrão" sofrem. Colocaram duas atrizes, uma loira de cabelo esticado e pernas de fora e uma outra gordinha com cabelo cacheado cheio de creme.
A loira entrou fácil em qualquer balada que chegasse já a gordinha era barrada na entrada. Diziam que para entrar era preciso estar na lista de convidados do proprietário ou de algum outro convidado. 
Tudo desculpa esfarrapada, tudo mentira. Só para não dizer que a moça era gorda, nada bonita e estava fora do padrão. 
Mas que padrão? Estabelecido por quem?
Cada vez mais o mundo está se tornando fútil e perverso, pois quem é bonito é aceito, quem não é, tá lascado.
Eu que o diga.
Sempre fui estudiosa, boa leitora e com bons conhecimentos gerais, mas ao passar por entrevistas de emprego, ouvia: "Seu curriculum é bom e seu teste foi um dos melhores, entraremos em contato". Nunca entraram.
Os belos analfabetos funcionais têm mais chance, pois são belos embora sejam ignorantes.
Eita mundinho besta, sô!




sábado, 15 de dezembro de 2012

Status e Beleza

                            


Assistia ao Câmera Record cujo tema da semana era sobre aparência.
E eu havia escrito sobre isso alguns dias antes.
O Câmera Record é um dos poucos programas da emissora que podem ser assistidos, bem ao contrário da mega exposição de peitos e bundas feminos e homens sem camisa que a TV Record exibe no programeco imitação podre e barata do Big Brother Brasil, outro lixo que está prestes a começar de novo. Pelo amor de Deus!
Foram reportagens interessantes; em uma delas, um homem desprovido de beleza física e dinheiro aceita o desafio de se passar por rico para poder ser aceito no mundinho fashion, fútil, vão, vazio, besta mesmo.
Ele veste roupas melhores, ganha um novo corte de cabelo mais moderno, maquiagem e por uma noite dirige o carrão Camaro.
Na vida real esse homem usa roupas simples e dirige uma Fiorino.
Ele se aproxima do local da balada e estaciona em frente, um grupo enorme de jovens bonitos e bem vestidos observam o Camaro amarelo que estaciona. O falso rico desce e a mulherada cai em cima e muitas pedem para que ele as adicione em suas páginas de redes sociais e trocam telefones. Minutos depois ele recebe ligação de uma moça se convidando para dar uma voltinha no carrão.
Agora se ele chegasse lá dirigindo uma Fiorino e vestindo as roupinhas básicas de pobre teria alguma chance com a mulherada interesseira?
Uma consultora de novos negócios precisou perder peso para poder ter credibilidade entre seus clientes.
Jovens bonitas morrem após cirurgias estéticas. Precisava mesmo?
A busca pela beleza e por uma aparência perfeita virou febre nos últimos anos, é quase uma lei, todo mundo tem quer magro e bonito!
Curioso, ou nem tanto assim, é que o livro "O Retrato de Dorian Gray" de Oscar Wilde, escrito em 1891 é atualíssimo, pois fala exatamente sobre o culto à beleza e juventude eternas, transformando as pessoas em monstros egoístas, mesquinhos, fúteis e sem a menor consideração pelos outros e seus sentimentos. Leiam, é assustador.
Durante as reportagens o psicólogo Jacob Goldberg faz comentários sobre o tema abrangido e achei interessante o que ele disse sobre o fato de as pessoas se importarem muito mais com o belo exterior, com um embrulho bonito e sem se preocuparem com o que tem dentro daquele belo pacote. Pode ser perigoso, e muito.
A boa aparência seduz e facilita conquistar a confiança das pessoas, facilitando também a aplicação de golpes nos adoradores do belo. Belo de beleza e não de cantor, pelo amor de Deus.
A reportagem mostrou também casos de mulheres maduras, divorciadas, viúvas ou solteiras e com boa condição financeira que foram vítimas fáceis de rapazes jovens e bonitões.
A beleza atrai, seduz, engana.
Narciso foi hipnotizado por sua própria beleza e morreu por isso.
A beleza é egoísta.
É isso.



          


quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Consulta, Cardiologista, Caminhoneiro, Carrões

                                     

Assistia ao programa A Liga que falava sobre baladas. 
Balada para mim é coletivo de balas perdidas. 
Bom...
Mostravam dois tipos de baladas: a dos ricos e a dos pobres da ZL. É nóis.
O que separa essas baladas é o poder aquisitivo das pessoas, porque a futilidade é a mesma. Desculpa aí.
Tanto as meninas pobres quanto as ricas usam salto alto, vestidinhos curtos, muita maquiagem e cabelinho esticadinho. Os meninos ricos usam roupas de marca e os da ala pobre também; todos se esforçam para manter o status, mesmo que para isso todo o salário do mês seja comprometido.
Antes de saírem para a balada param em um bar para um "aquecimento" onde são consumidos litros e litros de bebidas alcoólicas e energéticos. A turma rica gasta mais de dois mil reais nas bebidas do "aquecimento pré balada". 
Só bebem, e se um grupo pedir, por exemplo, cinco garrafas de champagne, o outro grupo pede seis ou sete, é para competir quem gasta mais, quem pode mais.
Futilidade.
Muita bebida, carrões, aparência, exibicionismo, ostentação, vazio.
Como as pessoas podem se esforçar tanto para parecerem aquilo que não são?
Provar o quê pra quem? 
O valor de um produto não tem nada a ver com suas características físicas, já disse Karl Marx.
Assisti parcialmente ao programa, é muita babaquice para meu gosto, mudei de canal e depois decidi me deitar e além do mais, eu teria consulta com o cardiologista na manhã seguinte.
Saio pelas ruas afora no meu humilde possante e vou ao bairro do Tatuapé, o novo Morumbi da ZL. Prédios de luxo, carrões e ostentação. Aguardo o farol abrir e estou entre dois baita carrões, um KIA Sorento e um IX35, e ambos tocam as mesmas musiquinhas chiclete de mal gosto. Nossa! No sentido contrário vem uma Pick Up gigantesca tocando som de balada em altíssimo volume que estrondava os tímpanos dos inocentes ao redor. O dinheiro compra carrões potentes mas não compra bom gosto e educação.
Chego ao consultório do cardiologista, faço a ficha e aguardo. Sou chamada e ao entrar no consultório sou atendida por um homem gorducho, com barriguinha de cerveja que lembrava um caminhoneiro, com todo respeito. O doutor de poucas palavras e paciência igual não usava jaleco, estranhei.
Fez as perguntas de praxe, mediu minha pressão, que para variar estava alta e fiz um eletrocardiograma: Bloqueio divisional antero superior esquerdo. Nada de mais ou de muito grave, apenas um desvio formado pelo esforço do coração para bombear o sangue; esforço acentuado pela pressão alta. 
Segundo o cardiologista, é necessário controlar a pressão e evitar que ela fique nos altos e constantes 16x11, é isso que sobrecarrega o coração. A Acromegalia intensifica o problema já existente e hereditário, papai e mamãe eram hipertensos assim como boa parte da família. 
Às vezes a situação piora e a pressão chega os 22 ou 24x18, aí o risco de um AVC (acidente vascular cerebral) o famoso derrame, é bem maior.
Vou fazer um ecocardiograma e exames de sangue e tomar mais um remédio para o controle da pressão e quando os exames estiverem prontos, os levarei ao lacônico doutor com cara e corpinho de caminhoneiro. 
Aliás, é uma coisa que me incomoda e tira um pouco da credibilidade que poderia depositar em determinado profissional: médicos obesos e/ou fumantes. Não combina. Profissionais da saúde deveriam zelar pela própria saúde para dar o exemplo aos pacientes. Na boa, que moral tem um médico gorducho e/ou fumante? Dá para confiar em um profissional assim? Dá não.
Vou cuidar de mim.
É isso.

                             

domingo, 17 de junho de 2012

Dias Melhores Virão

                                         


Aguardava.
Tomava um café expresso forte e quente, do jeito que eu gosto, enquanto aguardava. No alto falante perto de mim tocavam insuportáveis músicas de balada: "tum tum, pow, pow, putz, putz..." É a mesma melodia monótona, chata e repetitiva e que faz doer a cabeça.
Comentei com a pessoa que me atendia: "Realmente, esse tipo de música vem bem a calhar para o momento, local e razão". Mais alguns minutos e começou a tocar músicas dos anos 80 e 90, muito melhor.
Depois tocaram músicas dos anos 60, Bossa Nova, MPB e finalizaram com Heavy Metal, tudo a ver!
A espera foi grande e por isso pude ouvir as variedade musicais e reclamar e criticar, claro.
Tocou "Primeiros Erros" de Kiko Zambianchi e "Lanterna dos Afogados" dos Paralamas.
Mamãe gostava de "Primeiros Erros". Saudades.
"Lanterna dos Afogados" me lembra mamãe em um momento de muita dor, desespero, revolta e tristeza. Era o sábado, cinco de maio e recebo o telefonema de minha irmã Rosi dizendo que mamãe havia morrido. Ligo para a agência de turismo para comprar uma passagem para São Paulo e enquanto aguardo, sou colocada na espera e na rádio toca "Lanterna dos Afogados". Ouvi a música quase inteira e desde esse dia, sempre que a ouço, lembro-me de mamãe e daquele cinco de maio de 2001.
Fui tomada por fortes emoções e as lágrimas foram mais fortes e teimosas que eu; pude sentir a presença de mamãe perto de mim.
Meu Deus, que possa eu um dia chorar de alegria.
Possa mamãe descansar em paz, de verdade.
Que dias melhores venham.
Estão a caminho, mamãe trouxe alguns deles com ela hoje.
Amém.


                                          

domingo, 13 de maio de 2012

Ressonância Magnética

                                          


Retornei ontem ao laboratório para fazer a ressonância magnética que deveria ter sido feita domingo passado, mas não consegui.
Ontem eu consegui, graças a Deus. Foram necessárias apenas três picadas até encontrar minhas veias. 
Deitei na cama do aparelho e uma enfermeira me dá uma campainha para apertar caso eu precise de alguma coisa enquanto a outra prende minha cabeça com uns aparelhos estranhos, para evitar que eu me mexa e atrapalhe o exame.
Elas saem da sala e me recomendam fechar os olhos quando o exame começar. O barulho que a máquina faz parece com aquelas músicas bate-estaca de balada; não sei como as pessoas aguentam aquele barulho repetitivo e aquelas luzes piscantes, é dor de cabeça na certa.
O exame prossegue e por um momento me dá um certo temor, um desconforto e uma vontade louca de sair dali. Fico pensando: "E se acontecer alguma coisa, como vou sair daqui, minha cabeça está presa à essa máquina?!"
Digo para mim mesma: "Paremos de frescura! Já fiz esse exame dezenas e dezenas de vezes!".
Afasto o pensamento medroso contando o tempo da "música" emitida pelo aparelho e calculo que em breve a enfermeira entrará na sala para aplicar o contraste; ela entra e reinicio a contagem do tempo musical. O exame termina, graças a Deus, e a enfermeira me ajuda a ir até a sala para eu trocar de roupa; ela me pergunta se estou acompanhada e eu digo que sim, mas eu não estava.
Tudo bem. Esperei um pouco, tomei água, fui ao banheiro lavar o rosto e saí de lá tranquilamente. Estacionamento lotadíssimo e digo para mim mesma que nunca mais agendo exames de dia de sábado, mas é que foi necessário. 
Volto para casa e tomo um bom, quente, doce na medida e forte café. Melhorei.
À tarde fomos para Santo André, no ABC Paulista, para o primeiro desfile de Beatriz e foi muito divertido; rimos muito, torcemos por Bibi, claro, e voltamos para casa.
Dias Melhores Virão.
É isso.