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quarta-feira, 13 de março de 2013

(A)Normalidade... Olhares

                                


Eu sempre procuro manter uma certa normalidade, mas está difícil.
As pessoas olham para mim, param por um segundo e olham de novo, como quem diz: "Será que vi direito? É isso mesmo?"
Estava no estacionamento do banco conferindo o que seria pago ali e sinto e vejo os olhares sobre mim. Alguns disfarçam, outros encaram mesmo. 
Isso dói. 
Procuro parecer normal, fingir que está tudo bem, mas seguro as lágrimas; ou tento.
Sou humana, demasiado humana. Não sou apenas acromegálica, Acromegalia não define quem eu sou.
Vejo moças, mulheres e senhoras bonitas ou bonitonas, entrando e saindo do banco e observo suas roupas, sapatos, cabelo e rosto.
Nem todas são exemplos de uma beleza estonteante, mas todas têm rostos normais e pés normais.
Vejo uma moça magrinha com cabelão parecido com a da princesa ruivinha do filme Valente. Ela usava sapatos lindos, tipo boneca. Lembrei que já tive um par assim.
Outra moça elegantemente vestida mas com os cabelos excessivamente e exageradamente loiros; vulgar. 
Acho que não precisa tanto para chamar a atenção e forçar uma beleza que acaba se transformando em um padrão: todas e todos iguais.
Uma senhora elegantemente vestida; lenço sobre a camisa branca bonita, óculos de grife. Adoro camisa branca.
Mas gosto mesmo de observar o rosto e os pés, mais precisamente os sapatos.
Eu nunca fui bonita, mas já tive rosto e pés normais.
Maldita Acromegalia.
É isso.



                                 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Faces Acromegálicas

Um dos sintomas da doença é o crescimento da face e das extremidades (pés e mãos).
Observem a transformação nos rostos dessas pessoas.
Eu demorei a entender porque as pessoas me olhavam tanto, até descobrir que sou acromegálica.
Abaixo, imagens de Maurice Tillet, o verdadeiro Shrek. 
Maurice Tillet era inteligentíssimo, falava vários idiomas e gostava de poesia, tudo oposto à sua aparência acromegálica.
Acromegálicos não são monstros ou ogros, são humanos.
Somos humanos, demasiado humanos.

ACROMEGALIA FOTOSFOTO 2foto 1

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ACROMEGALIA

Doença do crescimento; desfigurante, desagradável. Brutaliza o rosto, as feições. Num homem as deformações não são tão assustadoras quanto numa mulher (na minha opinião). É difícil para uma mulher ter um rosto masculinizado e mais difícil ainda é ter de suportar os olhares das pessoas e seus comentários cruéis. Mas me pergunto se essas pessoas carregadas de preconceito são tão perfeitas assim.
A ignorância aliada ao preconceito é doença mais grave. Então, temos duas opções:
1ª - Deixar que o preconceito nos magoe e nos afaste daquilo e daqueles que gostamos; ou
2ª - Encarar a doença e o preconceito de cabeça erguida, afinal de contas somos doentes e não criminosos!
Crime maior é o descaso, a ignorância, a estupidez, o preconceito.
Não vou me trancar dentro de casa, me isolar do mundo só porque as pessoas me olham de modo estranho. Problema delas!
Saio às ruas, tenho que sair! Tenho que ir às consultas médicas, fazer exames, levar exames, comprar remédios...Minha vida e minha saúde são muito caras, raras e importantes.
Há raros casos de pessoas educadas que vêm até a mim e me perguntam sobre minha aparência.
Há casos numerosos de pessoas que me olham insistentemente e eu as pergunto se posso ajudá-las em algo. Ficam sem jeito e se afastam, outras negam que estivessem me encarando.
De qualquer forma procuro sempre me aproximar da pessoa de forma educada. A educação derruba as barreiras e desarma.
A educação é o melhor tratamento e remédio para a ignorância.
Bom... Essa primeira parte é só uma introdução, um começo. Aos poucos mais informações serão adicionadas.
Voltarei em breve.
Cicinho.
Sofreu preconceito por ser negro e desprovido de beleza física.
Mas Cicinho tomou a atitude correta: Mostrou a língua dizendo: "Olha como estou preocupado! Ignorante!"