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sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Até quando?

                               


Semana de muito calor e pouca água.
O céu está escuro, com cara de chuva, e permita Deus que a chuva venha e traga alívio imediato. Lembrei de uma música dos Engenheiros do Hawaii.
Portas e janelas escancaradas, gatos deitados pelo chão frio, solidão...
Gosto de ficar só, mas algumas vezes isso pesa. Meus gatos me ajudam enormemente a não enlouquecer de vez, graças a Deus.
A preocupação, os cuidados e o amor que tenho para com eles me afastam e me protegem de meus demônios seculares. Angústia, solidão, medo, dúvida, melancolia, ser sempre mal interpretada, incompreendida... isso pesa e dói.
Um dos meus maiores medos é o de ficar doida, esquecer das coisas e pessoas, ser afetada pela demência.
Fiquei triste ao saber que o guitarrista da banda de Rock AC/DC, Malcolm Young, está com demência; que chato.
Li um artigo falando sobre atividades cerebrais durante o coma e muitos médicos dizem que as coisas que os pacientes veem ou sentem durante esse período são meramente frutos dos fortes remédios e das experiências de vida. Discordo. Esses médicos já estiveram em coma alguma vez e tiveram que batalhar pela vida e pela sanidade?
Eu sim.
Foi entre agosto e setembro de 2009, mas algumas sensações não muito boas fazem parecer que tudo aconteceu ontem e ainda está acontecendo. Parece que ficaram muitas coisas ainda não muito bem resolvidas e aquelas imagens, vivências, medos e agonia me fazem lembrar e reviver o que vi e passei.
Estava pensando, durante a madrugada quente e insone, sobre as coisas e pessoas que vi e como muita coisa se encaixa; como as pessoas usam máscaras!
Pessoas que eu achava bacanas, simpáticas, simples e muito legais mostraram a verdadeira face durante a vivência do coma, mas eu achava, quando acordei, que era coisa da minha cabeça por estar sob influência de fortes remédios. 
Era não. As verdadeiras faces foram mostradas e isso me assustou do lado de cá da vida.
Fiquei triste, chateada e decepcionada.
Vejo essas pessoas em seus mundos de arrogância, certeza e ostentação; algumas.
Outras de muita frieza, "secura", donas da verdade plena e absoluta.
Pessoas neutras, que estavam ali como figurantes do teatro de horrores que vivi.
Pessoas de quem eu nunca esperaria a reação negativa e agressiva que tiveram para comigo durante aqueles momentos infernais.
Pessoas de quem eu não estranharia a reação fria, cínica e má para comigo.
Só uma única pessoa me defendia das demais quando estas me atacavam com acusações, injúrias e até agressões físicas. Que agonia, meu Deus.
Outras pessoas choravam tanto.
Parece um filme cuja história é explicada e compreendida a cada cena até o grand finale, até a hora de se revelar quem é o bandido e quem é o mocinho.
Hoje vejo os "bandidos" e "mocinhos" do filme de terror que foi meu coma.
Até quando vou lembrar disso? Até quando isso me será mostrado? Acho que já vi e já entendi tudo, meu Deus.
Eu só quero paz. 
É isso.


                                   



terça-feira, 29 de julho de 2014

Zica

                                



Já mencionei em postagem antiga o que meu avô Paipreto dizia: "Sou amigo de toda nação: do gato, do cachorro e do ladrão".
Meu avô conversava com todos, era amigo de todos e sempre procurava manter a paz e a civilidade mesmo entre desafetos.
Tem que ter paciência, jogo de cintura, molejo e uma boa dose de diplomacia para lidar com pessoas. Não é fácil. 
Cada um acha que tem mais razão que o outro e aí os conflitos surgem.
Trabalhar com pessoas não é fácil, tanto entre colegas como no atendimento ao público. Nossa!
Tem que lidar com gente folgada, preguiçosa, cínica, ignorante, lesa (abestada)...
Fiquei só na secretaria hoje e me virei bem. Foi corrido, o senta-levanta-sai-volta é cansativo e incomoda o joelho, mas prefiro assim a me estressar com gente folgada que oferece ajuda quando está tudo calmo e corre quando tem muito trabalho a fazer.
Veio uma mãe para falar com o coordenador do Ensino Médio e ela estava brava, nervosa, irritada por ter sido chamada à escola. O filho é dela e quem educa são os pais e não a escola!
Cumprimentei a brava senhora, ofereci café, falamos sobre o frio e outras amenidades e a brabeza da mãe revoltada passou.
Alunos pedem documentação para ontem e digo que não é possível, que alguns documentos demoram mais que outros etc e tal. As declarações são geralmente entregues no dia seguinte ao pedido, mas se os alunos e as pessoas que pedem esses documentos o fazem de maneira educada e gentil, eu "quebro o galho".
Dois alunos pediram documentos para serem entregues aos seus empregadores e tinham pressa. Disse-lhes para passar na saída e entreguei-lhes o solicitado: "A senhora é zica, hein tia! Valeu! A senhora é %$#@!".
Acho que isso foi um elogio com agradecimento, ou vice-versa. 
Sou da seguinte opinião: Se uma coisa tem que ser feita, então faça!
E ainda me chamam de radical, entre outras coisas.
É isso.




                                   


                                            

terça-feira, 22 de julho de 2014

Bem

                               



Domingo frio e ensolarado; me preparava para ir à casa da minha irmã Rosi.
Abro o portão e a simpática e espertalhona vizinha, que quer um novo colchão fashion, me diz que tem um gatinho miando muito na firma da esquina. OK.
Vou até o local e não vejo nada, mas a menina vem e me mostra onde é: na firma no fim da rua. Diferente.
Parei o carro, ouvi o miado e chamo; vem um gatinho cinzento, magrinho, manco e bonitinho.
O coloquei na caixa de papelão e voltei para casa. Preparei uma cama quentinha, coloquei comida e água e o deixei na área de serviço. Fui para a casa da minha irmã.
Voltei depois de algumas horas e fui ver como estava o novo gatinho; estava bem.
Tranquei portas, fiz chá e liguei a TV; escuto miados meio assustados e sofridos. O gatinho estava com frio.
Trouxe o bichano para dentro de casa, forrei o chão com jornal e coloquei a caminha, a comida e a água e ele adormeceu.
Algum tempo depois o gatinho acorda, olha para mim, mia e vem ao meu encontro. Se esfregava nas minhas pernas, rolava fazendo charme, miava... Fiz-lhe carinho e ele ronronava, demonstrando alegria. Os imbuídos de ignorância e preconceito dizem que é asma, mas é o modo de o gato demonstrar contentamento. Gatos não latem nem balançam o rabo!
Peguei o bichinho no colo e olhei para saber se é macho ou fêmea; é fêmea, sempre fêmea, claro.
A mulher, a fêmea, de toda e qualquer espécie, sempre sofreu e sofre abusos, violência, intolerância e preconceito só pelo simples fato de ser fêmea!
Os muito machos e poderosos temem a mulher e por isso a castram das mais variadas e horrendas formas.
Bom...
O gatinho é gatinha e dei-lhe o nome Loretta.
Loretta se parece muito com Clara Blue, que é filha de Léo Caramelo.
Meu Leozinho deve ter aprontado muito por aí.
Um fato que tem me chamado a atenção é o grande número de animais mancos, ou com alguma deficiência, que cruzam ou cruzaram meu caminho.
Além de machos, as pessoas querem animais perfeitos, como se elas mesmas fossem muito perfeitas.
Minhas tias de Pernambuco, mamãe e minha avó Mãevelha dizem/diziam que eu tenho parte com São Francisco e São Lázaro.
Acho que sim e vejo pela óptica da bondade para com aqueles que não podem se defender sozinhos e que só me fazem bem. 
Eu mesma sou imperfeita fisicamente, tenho problemas de saúde intensificados pela Acromegalia e também tenho meus defeitos como pessoa, mas faço minha parte sendo sempre do bem.
É isso.



                                     

quarta-feira, 20 de março de 2013

Outono

                               

O Outono chegou hoje às oito e dois da manhã. Já chegou frio e cinzento. Adoro.
É tão bom dormir sob cobertores e edredons com a gataiada espalhada pela cama; uns sobre as cobertas e outros sob elas.
É tão bom dormir sem aquele calorão abafado, chato e incômodo.
Mas as estações mais frias têm suas desvantagens, as dores nas juntas ficam mais intensas e o entrevamento aumenta.
Preocupa-me também aquelas pessoas que dormem na rua e que trabalham de noite; será que estarão bem agasalhadas? Será que estarão bem alimentadas?
Mas que seja bem vindo o Outono.