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terça-feira, 23 de julho de 2013

Muito, Muito Frio

                            


Faz muito frio hoje em São Paulo e amanhã será mais frio ainda; temperatura máxima de apenas dez graus e mínima de cinco. É frio pra caramba!
A gataiada está toda encolhidinha e enfiada debaixo dos cobertores. Ébano, Cássio e Boreal disputam meu colo quentinho. 
Fiquei pensando comigo mesma e perguntei aos meus gatos friorentos: "Mesmo com todo esse pelo e a gordurinha espalhada pelo corpinho gordo, vocês ainda sentem frio?".
Ninguém respondeu. 
Ainda bem.
Sempre lembro do tio Manoel Soares, irmão de papai, que sempre reclamava do frio paulistano: "Dedé? Que terra de corno é essa para fazer frio?! Oxe! Na minha terra não tem disso não?"
Acho que vou fazer um bolinho para aquecer a casa.
Como diria minha avó Mãevelha: "Está frio por demais! Assim a gente vira picoléu!"


                                        



terça-feira, 16 de abril de 2013

Colchão

                               


Assistia ao Bom Dia SP e a apresentadora fala sobre uma exposição de arte no interior de São Paulo. A arte é levada para o interior para que todos tenham direito de apreciá-la sem precisar se locomover até a capital.
Ótima iniciativa.
A repórter mostra ao vivo algumas das obras expostas e, claro, impliquei.
Três ou quatro colchões presos à parede e cada um com uma aparência diferente. Um sem capa, outro com capa, um outro com capa rasgada e por fim um que parecia um picolé com o papel do embrulho no palito ou representava uma espiga de milho.
Nossa! 
Já falei sobre o que penso sobre esse tipo de "arte" na postagem de mesmo nome.
Se isso der dinheiro, vou começar a colocar colchões na parede também, mas iniciarei pelos colchões de berços, que são mais leves.
Queria entender o conceito dessas obras, tanto a da escada com a boia infantil como essa dos colchões.
O que seus criadores querem dizer com isso?
Que nobre, filosófica e intensa mensagem querem passar?
Eu, hein.
É isso.









                                      



quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Picolé

                                         


Era inverno em São Paulo; fazia muito frio.
Mãevelha agasalhava-se bem: longas meias de lã, casacos e um pesado cobertor.
Mas dali a pouco Mãevelha tirava as meias; dizia que esquentava muito e fazia coçar as pernas e os pés. Mamãe também era assim.
Os gatos deitavam-se ao pés de Mãevelha, ora dormindo sob o cobertor que cobria os friorentos e doloridos joelhos de minha avó, ora brincando com os novelos de linha.
Numa noite muito fria Mãevelha está fazendo seu crochê quando um vizinho vai à nossa casa e repara no modelito dela: meias brancas, casaco vermelho, vestido estampado com florzinhas coloridas e o cobertor azul sobre os joelhos.
Como pode-se ver, minha avó era avessa às cores sombrias do inverno, gostava das cores fortes e vibrantes.
O vizinho reparando no colorido modelito de Mãevelha tentar fazer graça: "A senhora está bem agasalhada para o frio, não é Dona Maria?"
Nós rimos, entendendo o comentário do vizinho reparador de modelitos de velhinhas inocentes e friorentas.
Mãevelha não deu muita importância e disse: "Pois é, meu filho, num frio desse a pessoa carece de se agasalhar bem,  se não vira picoléu".
Nós rimos e corrigimos nossa avó: "Não é picoléu, Mãevelha. É picolé".
"E então, esses meninos, não foi o que eu disse? Num frio desse a pessoa vira picoléu".