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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ilha Comprida - Gatos

Ilha Comprida
                                                    

Sempre falo e não me canso de repetir: "Ninguém é obrigado a amar animais, mas tem que respeitá-los".
Minha mais recente aquisição foi Cássio Antônio, e para falar a verdade, foi ele que me adquiriu.
Cássio chegou com algumas marcas de abuso, tem marcas de queimadura de cigarro em seu pelo. Só queria cinco minutos com o cabra safado que fez isso antes de entregá-lo para a Polícia.
Tem um gatão invocado na vizinhança que tem a cara de pau de pular a grade do portão e tocar o terror na minha gataiada e obviamente eles miam e fazem barulho. O simpático vizinho disse que queria abrir a janela e "dar um jeito" neles, pois o distinto não gosta da "zuada" que os felinos fazem.
Bom, nem eu nem ninguém podemos controlar o instinto animal, mas se eles pudessem ler, eu colocaria uma placa dizendo: "Queridos gatos, por favor, brinquem ou briguem em silêncio. Obrigada, a Direção".
Cássio Antônio é muito carente e está ainda muito inseguro e tem pouca confiança. Me segue por toda parte, pede carinho, mia desesperado quando sente-se sozinho e adora um chamego. É muito ativo, brincalhão, destruidor de plantas inocentes e muito carinhoso.
Não sei que mal uma criatura pequena e inocente dessa pode fazer!
Não sei o que leva uma pessoa a fazer tamanha crueldade com criaturas inocentes. Será que acham engraçado?
Quem é o animal aqui?
Fui convidada para passar o Réveillon em Ilha Comprida mas precisei declinar; não sinto-me segura deixando seis gatos adultos e um filhote sozinhos em casa e além do mais, tenho receio de ficar fora por muito tempo devido às chuvas fortes que geralmente alagam minha humilde residência.
Há outros motivos também, mas esses são os mais fortes. Talvez sejam.
Bom, acredito que não faltarão novas oportunidades. Acredito.
É isso.


                               

                        

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Aurora Maria

                                                     
Aurora é uma gata mourisca, rajada e que se parece com um tigre moreno.
É terrível, esperta, inteligente, bagunceira e arteira. E linda, principalmente.
Dorme comigo e tem seu próprio edredom velho e puído, mas que ela adora. Aurora não gosta quando eu lavo o edredom; ela puxa do varal até derrubá-lo e deita-se em cima.
Ela persegue os outros gatos, sobe nas minhas costas para subir no muro, no guarda-roupa e onde ela cismar que quer subir. Quando ouve a campainha tocar sai correndo na frente de todo mundo para ver quem é. Cheira o ar, levanto a cauda e mia. Ela vai na frente para garantir minha proteção. Aurora sente-se a dona do pedaço. E é.
Aurora surgiu na minha vida meio por acaso. Foi assim:
Estava na sala dos professores quando chegou minha colega Chris, professora de Português e Inglês e começou a falar sobre um acontecimento terrível que ela presenciara na tarde anterior. Ela saía da escola e viu um grande movimento de alunos da sexta série. Eles tinham nas mãos quatro gatinhos recém-nascidos e colocavam um por um no focinho de uma cachorro da vizinhança. O cachorro puxava os gatinhos com sua pata enorme e os destroçava. Chris ficou horrorizada com aquela cena cruel e desumana perpetrada por crianças de 12 anos! 
Geralmente as crianças gostam de animaizinhos e querem protegê-los, mas não essas criaturas que de criança só tem o nome e a idade.
Chris fala que conseguiu salvar uma gatinha; ela literalmente tomou das mãos da molecada. Ela leva a pequena felina ao veterinário e compra Pet Formula (leite em pó para filhotes) e  uma mamadeira. 
Segundo o veterinário, a gatinha tem de dois a três dias de vida; é fraquinha, mia muito e ainda está com os olhinhos fechados.
Chris já tem quatro gatos e me oferece a filhotinha. Combinamos de ir buscá-la após o término das aulas, às 23horas. 
Sigo Chris e ela me dá a gatinha com seus pertences e as instruções de como preparar a mamadeira.
Chego em casa e preparo o leitinho dela e penso em um nome para chamá-la. Aurora.
Foi o primeiro nome que veio à cabeça. Fujo dos nomes convencionais como: Fofinha, Mimi, Fifi e afins...Tenho certa criatividade para nomes, vide Ébano, Zéfiro, Branca, Clotilde e tantos outros.
Hoje Aurora está com seis meses e é saudável, ágil, brincalhona, curiosa, investigadora, linda e devo confessar, meu xodó.
E desconfio também que Aurora seja anti Corinthiana. Explico. Têm vário ímãs na geladeira mas ela cismou de pegar o imã que é o símbolo do Corinthians! Tem tanta coisa para ela pegar mas ela faz questão de pegar o imã, colocá-lo na boca e correr pela casa até encontrar um local seguro para escondê-lo.
Eu falo sério com ela, dou-lhe broncas mas nada de Aurora revelar onde escondeu o símbolo do Corinthians.
Acho que minha terrível, arteira e linda Aurora é Palmeirense!










sexta-feira, 26 de agosto de 2011

ACROMEGALIA

Doença do crescimento; desfigurante, desagradável. Brutaliza o rosto, as feições. Num homem as deformações não são tão assustadoras quanto numa mulher (na minha opinião). É difícil para uma mulher ter um rosto masculinizado e mais difícil ainda é ter de suportar os olhares das pessoas e seus comentários cruéis. Mas me pergunto se essas pessoas carregadas de preconceito são tão perfeitas assim.
A ignorância aliada ao preconceito é doença mais grave. Então, temos duas opções:
1ª - Deixar que o preconceito nos magoe e nos afaste daquilo e daqueles que gostamos; ou
2ª - Encarar a doença e o preconceito de cabeça erguida, afinal de contas somos doentes e não criminosos!
Crime maior é o descaso, a ignorância, a estupidez, o preconceito.
Não vou me trancar dentro de casa, me isolar do mundo só porque as pessoas me olham de modo estranho. Problema delas!
Saio às ruas, tenho que sair! Tenho que ir às consultas médicas, fazer exames, levar exames, comprar remédios...Minha vida e minha saúde são muito caras, raras e importantes.
Há raros casos de pessoas educadas que vêm até a mim e me perguntam sobre minha aparência.
Há casos numerosos de pessoas que me olham insistentemente e eu as pergunto se posso ajudá-las em algo. Ficam sem jeito e se afastam, outras negam que estivessem me encarando.
De qualquer forma procuro sempre me aproximar da pessoa de forma educada. A educação derruba as barreiras e desarma.
A educação é o melhor tratamento e remédio para a ignorância.
Bom... Essa primeira parte é só uma introdução, um começo. Aos poucos mais informações serão adicionadas.
Voltarei em breve.
Cicinho.
Sofreu preconceito por ser negro e desprovido de beleza física.
Mas Cicinho tomou a atitude correta: Mostrou a língua dizendo: "Olha como estou preocupado! Ignorante!"