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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Confraternização

                             


Fim de ano chegando e com ele chega a correria para fazer as compras de Natal, os presentes do amigo secreto ou amigo oculto, os alimentos a serem preparados para a ceia... Uma correria só.
Lojas cheias, trânsito caótico, dificuldade para estacionar e o pior: encontrar presentes que caibam nos bolsos e agradem aqueles a quem serão destinados.
Eu não gostava, e ainda hoje tenho receio, de comprar presentes para meus irmãos Rogério, Fubá e para minha falecida mãe. Que Deus a tenha.
Se, por exemplo, eles ganhassem uma camiseta branca, diriam: "Mas não tinha um branco mais claro? Um branco mais escuro?"
Nada estava bom e tudo tinha um pequeno defeito. Era dose!
Bom...
As empresas também fazem comemorações de fim de ano e ou levam os funcionários para almoçar fora ou entregam cestas de Natal com as guloseimas que adoramos.
Em um determinado final de ano a metalúrgica decide levar os funcionários para almoçar em uma churrascaria e lá vão todos eles vestidos em suas melhores roupas de domingo.
Papai nunca tinha ido a um restaurante ou churrascaria e ficou admirado com a variedade e quantidade de carnes. Era muita fartura.
Papai não dá folga aos garçons e diz "sim" para todas as carnes que lhe oferecem. Papai nem passa perto do buffet de saladas.
Papai come, come e come e repara que um colega seu vai ao buffet de saladas e depois ao buffet de massas e volta com prato cheio de folhas e macarrão; papai fica doido e diz ao colega light: "Oxe! Deixa de ser besta! Macarrão e folha a gente come em casa, tem que encher o bucho é de carne!"
Papai volta algumas horas depois e põe-se a criticar o colega: "Mas é um cabra muito besta mesmo. O cabra vai à churrascaria e em vez de comer carne, vai comer macarrão e salada. Eu quero é carne, não sou boi pra comer mato! Pode uma coisa dessa? Tem que aproveitar quando dá, né não?"
Acho que meus irmãos têm a quem puxar.
É isso.

                                 

sábado, 11 de agosto de 2012

Eleição

                                         

É chegada aquela época chata do ano em que temos que encarar candidatos ultra simpáticos e sorridentes.
Época de trocar de canal, para quem tem mais opções, quando começa o horário político.
Época de mais promessas.
Época de mais trocas de ofensas e acusações entre candidatos de oposição.
Época de ruas poluídas com "santinhos" e outras imagens de candidatos.
Carros de som tocando em péssimo e alto som aquelas malditas musiquinhas de candidatos.
Debates na TV, propaganda eleitoral. 
Em alguns casos é até engraçado ver candidatos que parecem ter saído de outro mundo ou que vivem em outro mundo; são promessas malucas, engraçadas, utópicas.
Acho que nessas eleições anularei meu voto, me decepcionei muito com o partido no qual votei por muitas e muitas eleições. Conchavos e acordos de políticos que outrora se odiavam e se acusavam e que hoje posam abraçados para fotos. Que bonitinho! (para não falar outra coisa).
E os candidatos, então? Minha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, socorra-nos! Livrai-nos de todo/a  candidato/a mal, amém.
Sou da época de candidatos engravatados, sérios, de profissionais formados, estudados.
Hoje a política virou uma lambança só; o samba do crioulo doido (ou do afrodescendente com problemas mentais, se preferir).
São candidatos saídos de Reality Shows, são mulheres frutas-frutíferas-e-desfrutáveis, são cantores que não vendem discos e veem na política uma fonte segura e farta de renda, são  ex atletas... é cada coisa! Acho que falei sobre isso aqui.
Dirigia pela Avenida Guilherme Cotching na Vila Maria e paro atrás de um carro com propaganda política colada no vidro traseiro (não me lembro o nome correto do termo) e me chamou a atenção para a candidata à vereadora apoiada por Celso Russomano, candidato a prefeito de São Paulo: Mulher Pera para vereadora!
Pensei comigo: "Que %$#@ é essa?! Mulher Pera?! A coisa tá russa, mano!"
A mulher pera está mais para mulher dama, na boa. Cabelinho loiríssimo, brincos grandes, vestido justo e maquiagem carregadíssima de piriguete. Jesus!
Pergunto: Quais são os planos e projetos dessa nobre candidata para a cidade de São Paulo? Ela sabe o que um vereador faz? Ela sabe ler e escrever além do próprio nome? Qual a formação escolar dessa candidata? 
E me pergunto também: De onde raios surgiu essa moda besta de mulheres frutas?
E por que só mulheres? E por que não homem pepino, homem berinjela, homem mandioca, homem linguiça? 
Com todo o respeito.
Frutas, política e políticos se misturam e se transformam numa salada indigesta para o eleitor.
Que país é esse?

                                          

                                              

sábado, 31 de dezembro de 2011

Reciclagem antes do politicamente correto

                                         


Já falei aqui que antigamente a sandálias Havaianas eram coisa de pobre, hoje estão nos pés de celebridades e é coisa fashion.
O mesmo ocorre com as camisetas e produtos Hering. No nosso tempo de escola usávamos camisa branca para as aulas e camiseta branca da Hering para as aulas de Educação Física.
Havia pouca opção de marcas e produtos e dessa forma nos tornávamos fiéis a determinadas marcas: Hering, Havaianas, Conga, Kichute, USTop, shampoos Colorama, iogurte Danone e por aí vai. É, sou meio "véinha" e vivi/usei tudo isso. Tenho 44 anos mas um corpinho de 43!. Ah, e estou doida por uma sandália Havaiana do Corinthians e doida também para ir à loja Hering que vi na Vila Maria. Sou humana e sou menina.
Sim...
Lembro do sabonete Lux Luxo e de suas embalagens bonitas e elegantes. Adorava a imagem da rosa no papel perolado do sabonete. Depois a imagem da rosa foi substituída por fotos de celebridades e me lembro do comercial do sabonete com a atriz americana Michelle Pfeiffer. Eu assistia ao comercial e tentava imitar os gestos da atriz durante o banho; queria fazer aquela espuma cremosa que ela fazia. Mas tudo que conseguia era irritar aqueles que aguardavam na fila para tomarem banho e/ou usarem o banheiro. Era gente pra caramba e um só banheiro.
Então...
As embalagens dos produtos raramente eram jogadas fora e quase sempre reaproveitadas. Por exemplo: os copinhos de iogurte serviam para tomar suco; eram mais seguros para as crianças pequenas. Era e é arriscado dar copo de vidro para os pequenos.
O óleo de soja e outros óleos usados na cozinha vinham em latas; hoje vêm em embalagens plásticas. Lembro de um óleo de soja que vinha numa lata cilíndrica com listras pretas e amarelas e um desenho ovalado no qual se lia o nome "Salada". Depois de vazia, Mãevelha ou Paipreto abriam a lata, cortavam-na ao meio, faziam uma asa para segurar e faziam canecas para beber água. A água na lata ficava mais fresquinha e gostosa.
Havia outra marca de óleo de soja que não me lembro o nome mas me marcou a imagem. Era uma lata com fundo laranja avermelhado e uma enorme variedade de folhas verdes e legumes. Achava aquela imagem linda e tentava falar os nomes das verduras e legumes que compunham a salada daquela imagem.
As latas de leite em pó da marca Ninho também eram reutilizadas, ou recicladas, como está na moda hoje.
Engraçado, primeiro o Homem destrói o planeta e depois faz campanhas para tentar conter o estrago que Ele mesmo fez! 
Bom...
As latas de leite Ninho eram usadas como vasos para plantas e flores. Mãevelha plantava suas cravinas e mamãe colhia algumas outras flores e folhagens e fazia um belo arranjo para colocar na mesa e decorar a sala. Tudo muito simples, porém bonito e sem desperdício.
Mamãe também tinha o hábito de colocar água na embalagem vazia das caixas de leite longa vida e depois despejar essa água leitosa nas plantas. Ela dizia que servia como adubo e as plantas ficaram mais fortes e bonitas.
Mamãe já fazia reciclagem muito antes de isso virar moda e ser politicamente correto.
Mamãe também aproveitava a água que soltava do tanquinho e da máquina de lavar roupas para lavar o quintal e o banheiro. Segundo ela, a água já continha sabão e por isso seria útil reaproveitá-la e evitaria o desperdício. 
Quando se tem muito pouco sabe-se fazer muito bom uso daquilo que é e está disponível.
Os alimentos também eram reaproveitados. Já falei aqui também sobre o coco e a parte que tem o furinho era usada como vasinhos para plantas e a outra parte era usada como concha para pegar alimentos líquidos. Meu Paipreto colocava um cabo de madeira e estava pronta a concha ou a "quenga", como dizíamos.
As sementes das frutas e legumes também eram reaproveitadas. As sementes de jerimum (abóbora) eram salgadas e torradas no forno; ficavam deliciosas. As sementes de jaca eram cozidas e substituíam o feijão.
As sementes de melancia eram secas ao sol e depois pisadas (moídas/trituradas) no pilão e serviam de remédio contra a febre; fazia-se um chá com esse pó. 
A parte branca da melancia servia para fazer doce e com as cascas eram feitos bonecos e outras figuras pelas habilidosas mãos do meu avô Paipreto.
As cascas do abacaxi eram colocadas de molho em bastante água e ficavam de um dia para o outro; depois escorríamos e tínhamos um refrescante suco de abacaxi natural e sem conservantes, acidulantes, adoçantes, e qualquer "antes" químicos.
As cascas de laranja e limão eram penduradas e secas e serviam para fazer chás calmantes ou para acompanhar uma bolachinhas. As deliciosas bolachas que "roubávamos" de Mãevelha. Tínhamos as nossas próprias bolachas, mas as de nossa avó Mãevelha eram mais gostosas. 
A borra do café era usada como adubo. As cascas de ovos e de alimentos também.
Tudo era reciclado, reutilizado, reaproveitado e nada desperdiçado. Às vezes penso que foi muito bom termos tido essa vida bem difícil, pois assim sabemos valorizar o que temos e se temos, é porque conseguimos conquistar com nosso trabalho. (nem todos, é claro. Há exceções, como sempre).
Papai dizia que se quiséssemos conquistar as coisas na vida tínhamos que trabalhar e muito e arrematava: "Quem quiser moleza que vá empurrar bêbado na ladeira ou tomar sopa de minhoca". Eca!
"Rapadura é doce mas não é mole não!". Dizia também meu ignorante, semianalfabeto, pernambucano, palmeirense e macho pai.