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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Óleo

                                 


Estou literalmente ungida: untada, besuntada com óleo.
Não gosto muito de tomar remédios, além dos obrigatórios para controle da pressão alta, por exemplo, e os de controle da dor causam efeitos colaterais como vômito e mal estar.
Passei nas articulações o óleo preparado com cânfora e outras substâncias naturais que têm efeito analgésico e depois disso consegui dar uma cochilada.
Gosto de analisar as palavras e estudar sua formação, mutações etc. Queria fazer Mestrado em Lingüística Aplicada, mas o preço do curso é mais alto que meu rico salário.
Fiquei curiosa e interessada em pesquisar sobre o termo "unção" de tanto ouvir as pessoas falando "unção, ungir, ungido, o mundo é dos ungidos..."
Me transportei aos tempos das festas de fim de ano e untava muitas formas para assar bolos, peru, pernil e outros alimentos natalinos com mamãe.
Untar a forma, besuntar, olear, passar manteiga ou óleo para o alimento não grudar.
Em termos bíblicos o ato de ungir alguém é conferir-lhe proteção divina, purificação, extrema-unção, entre outros significados.
É...
Parece que vai chover de novo e tomara que a chuva traga água suficiente para encher rios e reservatórios. Bom mesmo seria se as pessoas respeitassem a Mãe Natureza e toda essa seca seria apenas uma suposição. Mas é real, infelizmente.
É isso.


                                         

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Panqueca

Panqueca doce com syrup
                                          
Mamãe fazia panquecas com recheio de carne moída e molho de tomate. Deliciosas.
Mamãe tinha uma boa mão para temperos e pratos salgados. Rosi puxou à mamãe.
Hoje cedo Rosi me liga e me pergunta que ingredientes são usados para fazer panqueca; Beatriz assistia a desenhos animados e eles comiam panquecas no café da manhã.
As panquecas do café da manhã são saboreadas com geleias, mel e syrup (um tipo de melaço), mas Beatriz é carnívora igual ao pai e pediu panqueca com carne!
Rosi preparou um bife, cortou em tirinhas e recheou a panqueca de Beatriz, foi um café da manhã meio almoço, mas tudo bem, em se tratando de mamíferos carnívoros como minha sobrinha Bibi.
E para quem quiser, a receita de panqueca é muito simples:
1 copo de leite
1 copo de farinha de trigo
1 ovo
1 pitada de sal e de açúcar.
Bate tudo no liquidificador.
Usa-se um concha para despejar a massa líquida em frigideira antiaderente e/ou frigideira comum aquecida e untada com um pouco de óleo ou manteiga.
A massa da panqueca deve ser neutra no sabor para permitir tanto recheios doces como salgados.
É isso.


Panqueca salgada com recheio de carne moída; igual à de mamãe
                                      


                                            

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cera

                                          




Antigamente tínhamos o hábito de encerar o piso da casa. Naquela época o piso era de madeira na maioria das casas e havia também vários tipos e cores de ceras. Hoje a madeira foi substituída por cerâmica.
Usávamos cera em pasta, mais barata. As mãos ficavam manchadas e cheirando à cera por um bom tempo e encerávamos a casa toda sexta-feira, o dia nacional da limpeza.
Abríamos a lata de cera, passávamos uma boa quantia numa flanela e esfregávamos no chão. Esperávamos secar e depois dávamos brilho com um pano macio. Era ótimo exercício físico para pernas, braços e glúteos.
Enceradeira era objeto de nosso desejo. Achávamos chiquérrimo passar a enceradeira no piso depois de encerá-lo. 
Tínhamos uma vizinha toda metida a falante. Ela forçava as sílabas e os "s" e "r" das palavras. Metida por demais. Boa pessoa, mas muito metida.
Meus irmãos eram os paus mandados da vizinhança; tudo que as vizinhas precisavam comprar no mercadinho do bairro pediam autorização a mamãe para mandar meus irmãos comprarem.
Essa vizinha falante chama mamãe e pede: "Dona Marlene, posso mandar seu menino ir ao mercado para mim?"
"Sim, minha filha. Diga o que você quer. Venha cá Rogério, venha".
Meu irmão Rogério se aproxima e escuta o pedido: "Traga uma lata de sardinha em óleo comestível e uma lata de cera Parquetina".
Mamãe pergunta: "O fulana. E tem sardinha em outro tipo de óleo, tem?".
Rogério repete o pedido para confirmar e evitar erros: "Uma lata de saidinha de óleo e uma lata de cera pra cretina".
Meu irmão é meio Cebolinha com o "r".
"Não, Rogério. Uma lata de sardinha em óleo comestível e uma lata de cera da marca Par-que-ti-na".
Ah bom.


                                               


                                       

sábado, 31 de dezembro de 2011

Reciclagem antes do politicamente correto

                                         


Já falei aqui que antigamente a sandálias Havaianas eram coisa de pobre, hoje estão nos pés de celebridades e é coisa fashion.
O mesmo ocorre com as camisetas e produtos Hering. No nosso tempo de escola usávamos camisa branca para as aulas e camiseta branca da Hering para as aulas de Educação Física.
Havia pouca opção de marcas e produtos e dessa forma nos tornávamos fiéis a determinadas marcas: Hering, Havaianas, Conga, Kichute, USTop, shampoos Colorama, iogurte Danone e por aí vai. É, sou meio "véinha" e vivi/usei tudo isso. Tenho 44 anos mas um corpinho de 43!. Ah, e estou doida por uma sandália Havaiana do Corinthians e doida também para ir à loja Hering que vi na Vila Maria. Sou humana e sou menina.
Sim...
Lembro do sabonete Lux Luxo e de suas embalagens bonitas e elegantes. Adorava a imagem da rosa no papel perolado do sabonete. Depois a imagem da rosa foi substituída por fotos de celebridades e me lembro do comercial do sabonete com a atriz americana Michelle Pfeiffer. Eu assistia ao comercial e tentava imitar os gestos da atriz durante o banho; queria fazer aquela espuma cremosa que ela fazia. Mas tudo que conseguia era irritar aqueles que aguardavam na fila para tomarem banho e/ou usarem o banheiro. Era gente pra caramba e um só banheiro.
Então...
As embalagens dos produtos raramente eram jogadas fora e quase sempre reaproveitadas. Por exemplo: os copinhos de iogurte serviam para tomar suco; eram mais seguros para as crianças pequenas. Era e é arriscado dar copo de vidro para os pequenos.
O óleo de soja e outros óleos usados na cozinha vinham em latas; hoje vêm em embalagens plásticas. Lembro de um óleo de soja que vinha numa lata cilíndrica com listras pretas e amarelas e um desenho ovalado no qual se lia o nome "Salada". Depois de vazia, Mãevelha ou Paipreto abriam a lata, cortavam-na ao meio, faziam uma asa para segurar e faziam canecas para beber água. A água na lata ficava mais fresquinha e gostosa.
Havia outra marca de óleo de soja que não me lembro o nome mas me marcou a imagem. Era uma lata com fundo laranja avermelhado e uma enorme variedade de folhas verdes e legumes. Achava aquela imagem linda e tentava falar os nomes das verduras e legumes que compunham a salada daquela imagem.
As latas de leite em pó da marca Ninho também eram reutilizadas, ou recicladas, como está na moda hoje.
Engraçado, primeiro o Homem destrói o planeta e depois faz campanhas para tentar conter o estrago que Ele mesmo fez! 
Bom...
As latas de leite Ninho eram usadas como vasos para plantas e flores. Mãevelha plantava suas cravinas e mamãe colhia algumas outras flores e folhagens e fazia um belo arranjo para colocar na mesa e decorar a sala. Tudo muito simples, porém bonito e sem desperdício.
Mamãe também tinha o hábito de colocar água na embalagem vazia das caixas de leite longa vida e depois despejar essa água leitosa nas plantas. Ela dizia que servia como adubo e as plantas ficaram mais fortes e bonitas.
Mamãe já fazia reciclagem muito antes de isso virar moda e ser politicamente correto.
Mamãe também aproveitava a água que soltava do tanquinho e da máquina de lavar roupas para lavar o quintal e o banheiro. Segundo ela, a água já continha sabão e por isso seria útil reaproveitá-la e evitaria o desperdício. 
Quando se tem muito pouco sabe-se fazer muito bom uso daquilo que é e está disponível.
Os alimentos também eram reaproveitados. Já falei aqui também sobre o coco e a parte que tem o furinho era usada como vasinhos para plantas e a outra parte era usada como concha para pegar alimentos líquidos. Meu Paipreto colocava um cabo de madeira e estava pronta a concha ou a "quenga", como dizíamos.
As sementes das frutas e legumes também eram reaproveitadas. As sementes de jerimum (abóbora) eram salgadas e torradas no forno; ficavam deliciosas. As sementes de jaca eram cozidas e substituíam o feijão.
As sementes de melancia eram secas ao sol e depois pisadas (moídas/trituradas) no pilão e serviam de remédio contra a febre; fazia-se um chá com esse pó. 
A parte branca da melancia servia para fazer doce e com as cascas eram feitos bonecos e outras figuras pelas habilidosas mãos do meu avô Paipreto.
As cascas do abacaxi eram colocadas de molho em bastante água e ficavam de um dia para o outro; depois escorríamos e tínhamos um refrescante suco de abacaxi natural e sem conservantes, acidulantes, adoçantes, e qualquer "antes" químicos.
As cascas de laranja e limão eram penduradas e secas e serviam para fazer chás calmantes ou para acompanhar uma bolachinhas. As deliciosas bolachas que "roubávamos" de Mãevelha. Tínhamos as nossas próprias bolachas, mas as de nossa avó Mãevelha eram mais gostosas. 
A borra do café era usada como adubo. As cascas de ovos e de alimentos também.
Tudo era reciclado, reutilizado, reaproveitado e nada desperdiçado. Às vezes penso que foi muito bom termos tido essa vida bem difícil, pois assim sabemos valorizar o que temos e se temos, é porque conseguimos conquistar com nosso trabalho. (nem todos, é claro. Há exceções, como sempre).
Papai dizia que se quiséssemos conquistar as coisas na vida tínhamos que trabalhar e muito e arrematava: "Quem quiser moleza que vá empurrar bêbado na ladeira ou tomar sopa de minhoca". Eca!
"Rapadura é doce mas não é mole não!". Dizia também meu ignorante, semianalfabeto, pernambucano, palmeirense e macho pai. 


                                              









sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Acromegalia: O Mágico de Oz & Wolverine





Voltei ao ortopedista hoje. Semana que vem verei a cardiologista, endocrinologista e o neurocirurgião. Só me falta ver o pediatra, o geriatra e, de repente, um veterinário.
Pelo amor de Deus!
A Acromegalia é uma doença "mineirinha"; trabalha em silêncio. Não contenta-se em ficar alojada em um tumor na hipófise; tem que afetar e estragar outras áreas e partes do corpo também.
Quando a doença está no início não é possível sentir sua manifestação e sofrer seus  estragos; o processo é lento e após uns dez anos aproximadamente é que será possível notar mudanças no corpo e rosto dos pacientes.
No meu caso, os primeiros sintomas foram a dificuldade em calçar os pés em sapatos que antes serviam, o ganho de peso e a hipertensão. Eu tinha trinta anos quando tudo começou.
Depois dos estragos externos (crescimento dos pés, mão e face) lido agora com problemas internos: hipertensão de difícil controle, dores de cabeça, dores nas articulações (juntas) e até um coração grande. Literalmente.
A bola da vez - ou seria melhor a junta ou o osso da vez? -  é meu joelho direito que continua inchado e dolorido e a dor espalhou-se pela perna inteira. Além da dor tem um peso que dificulta o caminhar.
Faço exames de imagem (Raio X) e o médico desconfia que seja artrose. Vou passar por uma ressonância magnética para ter diagnóstico exato e a partir daí iniciar tratamento mais radical; nas palavras do médico.
Pergunto o que é/será esse tratamento radical e ele me diz: "Anestesio seu joelho e aplico óleo lubrificante".
Tá. 
Sai de lá me sentindo um carro velho, ou o "Lata Velha" do Luciano Huck.
Ligo para minha irmã, a bela mãe da minha belíssima sobrinha Beatriz e ela me vem com essa gracinha: "Desculpa aí, colega, mas me lembrou o Homem de Lata do filme O Mágico de Oz. Eu tenho o filme, se quiser te empresto".
Pedro, meu cunhado favorito e picareta (no bom sentido) vem ao telefone e começa a me fazer rir (sacanear mesmo).
Amanhã terá bingo na casa de minha irmã e já vou preparada para as piadinhas engraçadinhas. Beleza. O importante é rir e seguir em frente. Vai ser um pouco difícil com esse joelho futuramente lubrificado, mas o importante é: "Retroceder nunca, render-se jamais". Grande Jean-Claude Van Damme. Um talento! Só perde para Schwarzenegger e Stallone.
Mas o que será um oleozinho básico para quem tem quase duas dúzias de parafusos de titânio segurando os ossinhos da coluna?
E claro que isso também foi e é motivo de tiradas engraçadas do meu cunhado favorito, o Pepê Mendonça, que me chama às vezes de Wolverine.