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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Livros e Cachorrinhos

                                     



Acabei de ler os dois livros da Coleção Itaú de Livros Infantis: Gato pra cá, rato pra lá e Papai!. 
Amo livros.
Todos os anos eu participo e peço os dois livrinhos, que antes eram três.
Ler faz passar o tempo; as horas voam, os problemas dão uma trégua e a vida fica mais leve.
Ler é meu vício, meu alívio.
Semana de recesso escolar e tenho ficado em casa e me dedicado às tarefas domésticas. Ainda falta muita coisa, mas eu vou devagar e sempre.
Fui lá fora para pegar a correspondência e aproveitei para colocar água e ração para os gatos e cachorrinhos que vêm ao meu portão pedir ajuda.
Essa madrugada os filhotinhos da cachorrinha que fica na casa da vizinha amarga choraram por muito tempo; fiquei preocupada. A mãe anda pelas ruas atrás de comida, pois tem que amamentar quatro cachorrinhos famintos. A vizinha má não compra ração e só dá resto de arroz para a pobrezinha. Nem mesmo água ela coloca! Perguntei às meninas terríveis e mal educadas da vizinha má se tinha água para a cachorra e elas disseram que a mãe não coloca porque não tem pote pra colocar!
Sempre deixo o pote com água para a cachorrada da rua.
Em breve essa cachorra entrará no cio novamente, assim como alguma filhotinha fêmea, e nenhuma providência é tomada. Os cachorros cercam a pobre cachorra e os vizinhos pudicos batem neles, jogam água e botam pra correr. Se castrasse a cachorra isso não aconteceria.
A vizinha má pediu para um vizinho "dar um jeito" nos cachorrinhos, levá-los par algum lugar e largá-los por lá; o vizinho se recusou, ainda bem.
As pessoas têm suas características que as definem quem são e eu não encontro nada de bom nessa vizinha má. Meu Deus.
Fico preocupada com esses cachorrinhos e com a mãe, que logo entrará no cio de novo. 
É muito forte e sofrido para mim saber que um animal ou uma pessoa passam fome. É triste.
Voltarei à minha leitura. Tenho tanto para ler.
É isso.


Coleção Itaú de Livros Infantis

sábado, 9 de agosto de 2014

Problemas...

                                   


Friozinho... Calorzinho...
O tempo anda meio estranho, um dia faz frio e no outro faz calor; haja saúde.
Lavo roupas, transpiro muito durante a noite e sempre troco lençóis, edredons, cobertores e o pijama.
Já percebi que sempre acordo de madrugada com muita fome e muita transpiração quando como levemente no jantar. Acho que preciso de mais sustança para evitar isso.
Problemas, um dos muitos que me assolam, mas esse de acordar com fome e coberta de suor é o dos menores que enfrento no momento.
Já falei sobre a vizinha amarga, ruim, vigarista, espertalhona e que vive de oferenda igual a santo. Bom...
A mulher está paranoica e me persegue, me vigia e não me deixa em paz!
Saio para trabalhar um pouco antes das sete horas da manhã e a maluca já está no portão fofocando com as amiguinhas amargas, mal amadas e más, como ela.
Outro dia a criatura quase se jogou em cima do carro e ainda reclamou que eu não quis parar para falar com ela; eu trabalho e ela deveria fazer o mesmo!
Ela quer porque quer que eu lhe de dinheiro para poder comprar um novo colchão que supostamente um dos meu gatos sujou e ainda quer colchão caro e  de qualidade. Mas era só o que me faltava!
Ontem ela veio na companhia de outra criatura igual a ela e eu não entendi o porquê da presença da coisa ruim dois, a missão. 
Já estou ficando com medo quando a campainha toca!
Essa criatura horrenda disse que bateu, bate e baterá em todo e qualquer gato que subir em seu telhado e ainda disse que irá comprar chumbinho para acabar com todos eles. Disse ainda que se dependesse dela, não ficaria nenhum gato na vizinhança.
Engraçado, ela está tão preocupada com os gatos que não cuida das próprias filhas pequenas e as deixa brincar sozinhas na rua e vestidas só de calcinha.
Além do inferninho de me encher o saco quase que diariamente com a ladainha do colchão, essa mulher horrenda fica me vigiando e está parecendo aquelas psicopatas de filme americano.
Saio para trabalhar e ela está lá, volto e ela está lá, se vou ao portão atender alguém ela está lá. Isso está me assustando e me preocupando.
Como se não bastasse, ela fica me difamando para vizinhos, entregador de gás, lixeiro, conhecidos e quem quiser dar ouvidos à ela.
Difamação, assédio moral, extorsão, ameaça, abuso animal...São alguns dos crimes que essa criatura está cometendo e mesmo dizendo a ela que é crime, ela simplesmente dá de ombros e ri.
Segunda-feira irei à delegacia fazer um B.O. (boletim de ocorrência) para me proteger embasada na Lei, pois não confio nessa criatura e tenho medo que algum maluco tome as dores dela e queira me fazer algum mal. Tem gente capaz de tudo nesse mundo.
Eu vivia em paz e quieta no meu canto até essa mulher se separar do marido e se mudar para a rua, que inferno!
Mas isso será resolvido por meios legais, se for o caso, e se ela esperar de mim barraco ou bate boca, morrerá esperando! Eu sou educada, estou quieta no meu canto, não incomodo ninguém para não ser incomodada e não vou sustentar vagabunda saudável que pode muito bem trabalhar.
Eu não tenho saúde boa, mas trabalho e cuido da minha vida.
A moça do Yakult, que conhece a peça, disse que além de caloteira, gosta de viver de pequenas doações, gosta de bancar a vítima e ainda é macumbeira!
Lascou-se!
É isso.



                                       


                                  


terça-feira, 17 de julho de 2012

Diferente

                                             


Como diz o tio Francisco do Paraná: "Diferençô muito!".
Antigamente as casas do meu bairro tinham jardins floridos e árvores frutíferas que viviam sob nosso ataque.
Mesmo andando pelas ruas era fácil encontrar terrenos baldios com goiabeiras, mangueiras, abacateiros e pés de cana. Adoro chupar cana e faz tanto tempo que eu não faço isso.
As goiabeiras eram nossas vítimas favoritas, pois eram árvores mais baixas que as outras e assim ficava mais fácil pegar as goiabas ainda verdes. 
Voltávamos para casa com as mãos cheias de goiabinhas verdes e mamãe dizia: "Vocês não comam isso não. Isso tá verde, vai ofender vocês".
Nossa vizinha fofoqueira tinha uma cerejeira e uma árvore que dava uma fruta estranha de nome estranho: uvaia. 
As árvores frutíferas ficavam bem perto do nosso muro e nós sempre dávamos um jeito de colher algumas; nossas favoritas eram as cerejas e quanto mais escuras, mais doces.
A molecada da vizinhança também apreciava as frutas da vizinha e quando ela precisava sair, nos chamava e dizia: "Vocês olhem a cerejeira pra mim que quando eu voltar eu dou um agrado. Não deixem os moleques da rua pegar minhas cerejas, tá bom?".
Concordávamos e assumíamos a missão de proteger as frutas, mas éramos agentes duplos: protegíamos dos moleques e pegávamos para nós.
Eu e Rogério éramos mais altos e mais velhos e subíamos no muro para pegar as cerejas mais vermelhas enquanto Rosi ficava segurando uma tigela para colocarmos o produto de nosso roubo frutífero.
Ninguém gostava da uvaia azeda, mas devorávamos as cerejas vermelhas e doces.
A vizinha chegava e dali a pouco ouvíamos seus gritos direcionando o marido para onde as frutas maduras estavam. Ela nos chamava e entregava uma bacia cheia de cerejas e nos agradecia por nossos serviços prestados. Se ela comentasse que havia mais cerejas quando saiu e agora quando voltara tinha menos, dizíamos que foram os moleques da ponte que subiram no muro e pegaram as frutas. Não podíamos fazer nada, pois os moleques eram bem grandões e mais fortes que nós.
Anos depois nos mudamos para outra rua do bairro e nossa vizinha, também fofoqueira, tinha um pé de figo em seu quintal. Adoro figos verdes em calda.
Quando os figos maduravam, ela nos dava alguns, mas gostávamos mesmo era de colher os figos diretamente da árvore, mas a vizinha não apreciava muito essa nossa veia ecológica.
Uma vez um conhecido nosso olhava os figos e pediu para que um de nós ficasse no portão vigiando. Não tínhamos visto a vizinha e pensamos que ela havia saído. O conhecido pendura-se no muro e começa a tatear em busca dos frutos maduros quando ouve uma voz: "Então é você que está pegando meus figos?!".
O conhecido quase enfartou com o elemento surpresa, mas teve coragem e cara de pau para dizer: "Não senhora! Estou fazendo ginasca. Sabia que fazer ginasca é bom pra saúde? E eu nem gosto de figo!"
Mas hoje não têm mais cerejeiras, goiabeiras, pés de uvaia, pés de cana...
Hoje vejo árvores sendo derrubadas para dar lugar ao cimento.
O tio Francisco do Paraná tem razão: "Diferençô muito mesmo".


Cana


Uvaia