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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Consideração

Branca em cima do carro
                    

Estava me preparando para sair, não queria muito, mas precisava sair por livre e espontânea pressão. Conheço pessoas que ignoram os problemas dos outros e os problemas delas são sempre maiores que os do resto da humanidade.
Me arrumava lentamente quando Branca Maria pula na cama e senta-se ao meu lado. Branca mia, me toca com sua patinha como se quisesse que eu desse atenção e ouvisse o que ela tinha a me dizer.
Em cada cômodo da casa que eu fosse, ela ia atrás. Fui lá fora para tirar a roupa do varal e Branca vai atrás de mim; senta-se em cima da máquina de lavar e me chama com seus belos e pálidos olhos azuis. Me toca com patinha para que eu volte e mia diferente, ela queria dizer alguma coisa. 
Voltei para casa e calçava o tênis e Branca sempre ao meu lado tentando chamar a minha atenção. Olhei para ela e disse: "Está bem, Branca, não vou mais. Obrigada pelo conselho".
Não fui. Fiquei em casa, tomei o remédio para aliviar essa dor infame e me deitei no sofá para assistir Criminal Minds.
Branca se aproxima de mim e abaixa a cabeça que é para eu beijar.
Beijei.
Foi a melhor coisa que fiz. Ouvi Branca, fiquei em casa e descansei das dores e das tonturas.
Tem gente que não tem sentimentos nem consideração por ninguém; meus gatos têm.
É isso.

Branca em cima da máquina de lavar


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cada coisa

Estou a zapear pelos canais da TV, como sempre, e vejo cada coisa.
Eu pretendia escrever hoje mas Branca Maria está numa fase carente e dengosa e isso dificulta a escrita. Explico: Branca está no meu colo e com a cabeça apoiada em meu braço, portanto, escrevo com uma mão só.
Vou dar atenção, manha, dengo, lundu e amor a Branca e amanhã escrevo.
Não tem nada melhor do que ter um ombro amigo, ouvidos amigos, mãos amigas quando precisamos de um afago, de uma atenção, de carinho.
Branca Maria precisa de mim, de minha atenção, de meu carinho e eu não posso negar.
É isso.

Branca Maria
                                      
                                      

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Chão

                                                

Coloquei uma cadeira lá fora para me sentar e observar minhas plantas.
Fica um contraste bonito, o verde das plantas contra o branco da parede.
Algumas flores desabrocham e as flores vermelhas que tenho atraem beija-flores , é o que dizem os entendidos.
Mas com essa minha gataiada não tem beija-flor ou outro passarinho que resista!
Eles ficam ouriçados e querem porque querem que eu os ajude a pegar os bem-te-vi e maritacas que pousam no muro alto da nossa casa. Só se eu voasse. E mesmo que pudesse, eu jamais faria mal a criatura nenhuma.
Hoje o fim de tarde foi lindíssimo; a luz tinha um dourado onírico, diferente e lindo.
Acho que estou lendo muita poesia.
Bom,
Sentei-me na cadeira e tirei os chinelos, pés no chão.
Chão de terra, chão simples.
Os pisos modernos são gelados e fazem doer as juntas.
Pés no chão, Morena Rosa no colo, olhar no céu, na luz do fim de tarde, nas plantas.
Lembro do chão de terra vermelha, da poeira, dos ventos fazendo redemoinhos, brincando entre as folhagens das plantas e anunciando a chuva. A tão esperada chuva.
O cheiro de terra molhada, o cheiro do café forte e delicioso de Mãevelha, o cheiro do mel de engenho com farinha no prato de meu Paipreto, o cheiro dos temperos de mamãe, o cheiro de saudade.
Cheiro de chão. Pés no chão e cabeça ao vento.
Despir-se da normalidade e vestir-se de liberdade é bom às vezes.
É isso.






                               



quarta-feira, 30 de maio de 2012

Energia

É assim que me sinto hoje
                                       


Tenho estado meio mole.
Muito cansada e dolorida, fisicamente.
Sem energia para nada. 
Tenho essa sensação de queimação nos olhos, nariz e garganta,  como se gás do fogão estivesse escapando, mas não está. Verifiquei meu fogão.
Falei com outros pacientes acromegálicos do grupo do qual sou membro, Acromegaly Support, e todos relatam sintomas semelhantes.
Escuto o menino do vizinho chamar: "Professora!".
Veio dizer que Branca estava na rua e meteu a cara na grade do portão ao correr assustada e tentar voltar para casa. Ela não enxerga direito. Léo Caramelo e Morena Rosa também não e são vesgos. Gatos de olhos azuis têm certa dificuldade visual.
Branca correu e se enfiou debaixo do carro do vizinho; deu um trabalhão para conseguir tirá-la de lá.
Agradeci ao menino e ao vizinho.
Branca está imunda, está mais para encardida do que para branca. Eu pensei que após a castração ela ficaria quieta, mas parece que foi pior, sua curiosidade e instinto explorador estão mais fortes.
Estão todos os seis em casa, graças a Deus.
Vou para minha cama, amanhã será um dia melhor. Amém.
É isso.




Branca
                                            

terça-feira, 24 de abril de 2012

Lixão

Uma das marcas de iogurte de nossa época.
                                              


Havia muitas chácaras e muitos terrenos baldios no meu bairro que hoje é dos caminhões e das transportadoras.
O terreno em que hoje está localizado o Hospital Vermelhinho era um campo de futebol onde meus irmãos e meus primos batiam uma bolinha e também onde os supermercados grandes jogavam seu lixo, principalmente de produtos com prazo de validade vencida ou prestes a vencer.
Era muito iogurte, requeijão, manteiga, margarina; basicamente laticínios.
Sempre tinha alguém de olho quando os caminhões se aproximavam e descarregavam seu lixo no terreno e éramos avisados a respeito. Saíamos de casa munidos de carrinhos de feira, sacos, sacolas, caixas e tudo o que desse para colocar e trazer os laticínios do lixão.
Era uma festa!
Íamos com a nossa vizinha, a Dona Maria, e ela organizava o trabalho. Não podíamos ir sozinhos porque éramos crianças e deveria ter sempre um adulto junto conosco. Organização e segurança no trabalho infantil. Tá certo.
Dona Maria tinha mais experiência e nos ensinava como escolher o melhor iogurte, requeijão etc. Dizia para evitarmos os potes muito amassados, com tampa estufada e com validade muito vencida. Mas a grande maioria dos produtos estava ainda com a validade para vencer, questão de um ou dois dias e segundo soube, não é porque a validade de um produto vence hoje que amanhã ele estará estragado, ainda dá para consumir se for bem armazenado.
Bom...
Voltávamos para casa algumas horas depois e carregados com iogurtes, requeijão, manteiga... Trazíamos tudo sujo e lavávamos um por um; depois colocávamos na geladeira para podermos consumir bem geladinho. Delícia!
O requeijão vinha em copos de vidro e depois de vazios e lavados serviam como copos para tomar café, suco, água...Reciclar é preciso.
Até leite em pó nós trazíamos algumas vezes, mas o forte mesmo eram os iogurtes naturais, os requeijões, manteigas e os iogurtes tipo petit suisse, meus favoritos.
Chamávamos o iogurte petit suisse de Danoninho e ainda hoje chamamos. Adorava a embalagem com ondulações rosa e branca e nosso sabor favorito era o de morango. Nossa irmã caçula era pequena na época e só comia o sabor morango, não gostava dos outros sabores. Mas nós comíamos por ela. Para não estragar, claro! Evitamos o desperdício.
Levávamos iogurte na lancheira e nos exibíamos para nossos coleguinhas que diziam: "Nossa! Você é rico hein, trazer Danone de lanche!".
Na nossa época não havia tantas marcas e variedades de iogurte como há hoje e é por isso que a maioria das pessoas falam Danone em vez de iogurte.
Iogurte era produto caro e supérfluo para nós que só tínhamos o prazer e o luxo do iogurte quando mamãe recebia o vale e o pagamento nos benditos dias dez e vinte e cinco de cada mês.
Sabe que me deu vontade de comer um petit suisse? Não tenho aqui, mas posso fazê-lo. É assim:
1 pote de iogurte natural,
1 lata de creme de leite,
1 lata de leite condensado,
1 pacotinho de suco em pó sabor morango (ou outro sabor que desejar).
Mistura tudo no liquidificador, mas é melhor adicionar o suco aos poucos para não ficar muito doce, e despeja em vasilha e leva para gelar. Pronto.


                                                 


                                          

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Bolo de Aniversário


Bolo de coco

                                           

Há exatamente um ano tenho a companhia, o amor, o carinho, o chamego, o dendo, o lundu e todas as artes e artimanhas de Aurora, minha favorita.
Fiz um bolinho básico de coco para comemorar a tão singela data.
Daqui a duas semanas será o aniversário de Alice Maria e Branca Maria e farei mais um bolinho básico de aniversário. Chocolate? Talvez?
É isso.





Aurora no meu ombro
Aurora descansando