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quarta-feira, 22 de julho de 2015

Acolhedora

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Muito frio.
Fiz algumas coisas pela casa e lavei roupa; a diarista não veio.
Comecei cuidando dos gatos, como sempre faço, depois fiz meu café e botei a roupa na máquina; esperei a água chegar.
Tirei os lençóis da cama assim que me levantei, contando com a presença da diarista, e pensei que quando ela chegasse, ela colocaria lençóis limpos. Troquei a cama e foi difícil para mim. Empurrar, puxar, arrumar... tudo é mais complicado para mim com essas articulações duras e doloridas, mas eu consegui.
Deitei um pouco para descansar antes de colocar o restante dos lençóis, edredons, cobertores... faz muito frio mesmo!
Blue me vê deitada e me chama, faz um miado diferente como quem pergunta se estou bem. Faço carinho em seu pelo cinzento e macio.
Levanto.
Dor de cabeça forte, marteladas borbulhantes... pressão alta. Tomei os remédios e o cansaço aumentou, junto com uma sonolência. 
Sentei-me na cadeira ao lado do tanque e sempre com minha Rosinha no colo; tinha que esperar a máquina terminar de torcer para eu fechar a torneira, que continua puxando água mesmo com a máquina desligada.
Fazia uma tarde gelada, cinzenta, céu carregado e carrancudo. Um típico dia de inverno paulistano.
Mas tinha uma luminosidade bonita, uma claridade diferente, uma luz onírica. Quem estaria ali?
Fiquei olhando para aquela presença invisível e bonita, acolhedora também.
A máquina terminou de centrifugar. Fechei a torneira, coloquei Rosinha no chão e entrei em casa; era uma boa hora para começar a preparar a janta.
Legumes e arroz cozidos, tudo pronto.
Janto cedo para evitar o refluxo e o ácido que queima a garganta quando janto tarde ou cometo alguns abusos de vez em quando. 
Agora estou com vontade de comer uma coisinha doce.
Gatos no meu colo e espalhados à minha volta; está muito frio.
É isso.



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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Caminhar em paz

                                 


O dia está meio lento, bonito, mas lento.
Parece estar em um estado onírico, uma luz de um dourado onírico. 
Percebo coisas, se é que sejam coisas, que pessoas práticas e "normais" não percebem e até acham que tudo isso seja coisa de gente doida. Pois se assim for, doida sou e doida serei!
Não estou muito bem fisicamente, o entrevamento deu uma piorada e minhas pernas ficam duras, fracas e formigam.
Tive sonhos, meus sonhos simbólicos de sempre. Sonhos que sempre me mostram algo mas que eu nem sempre comento ou, se comento, não revelo tudo. As pessoas não entendem e me julgam. 
Como acontece até mesmo com pessoas "normais", esquecemos boa parte do que sonhamos e nos lembramos aos poucos no decorrer do tempo. Acho que é para entendermos melhor o que está acontecendo.
Uma gata preta e branca pedia abrigo para ela e seus filhotes e pessoas em volta jogavam caroços de frutas e outras coisas estranhas na e para a gata; eu intervia e colocava ração para ela. Gente mais besta!
Papai entrava em casa com a gata e os filhotes e eu cuidava deles. Pessoas próximas me criticavam por ter pego a gata e recebo críticas por isso na "vida real" também. 
Eu segurava um gatinho amarelinho e alguém me dizia uma estupidez sem tamanho, mas que me deixou pensativa tanto no sonho como aqui, na nossa vida real.
Andava pelas ruas com os cabelos ao vento e a sensação de paz e liberdade era imensa! Estava descalça, vestida de branco e os ventos brincavam com minhas roupas e meus cabelos. 
Eu andava normalmente, sem bengala, sem dores e sem entrevamento. Eu era livre!
Sem amarras, sem doenças, sem críticas, sem cobranças e sem as mazelas da vida.
Era apenas vida, saúde, liberdade, tranquilidade e paz.
Acordei com o barulho infernal dos motores de caminhão. Com tanta tecnologia e modernidade, será que ainda não descobriram um jeito de produzir/fabricar coisas, objetos, aparelhos, veículos, o raio que os parta, que não façam tanto barulho?!
Tudo é barulhento, de um simples liquidificador a um motor de caminhão... de busão também. As pessoas também são barulhentas, e muito!
Fiquei com o sonho na cabeça... Tinha outras coisas nem tão agradáveis assim, mas prefiro ficar com o caminhar em paz.
É isso.



                                        

quinta-feira, 20 de março de 2014

Outono 2014

                              



Vem chegando o Outono.
Chegou às 13h57 de hoje, louvado seja!
Tomara que o calorão sufocante de mais de trinta graus se retire e vá lá para as bandas norte americanas e europeias, amem.
Adoro a luminosidade onírica, etérea e bucólica do Outono.
É isso.



                                  

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Chão

                                                

Coloquei uma cadeira lá fora para me sentar e observar minhas plantas.
Fica um contraste bonito, o verde das plantas contra o branco da parede.
Algumas flores desabrocham e as flores vermelhas que tenho atraem beija-flores , é o que dizem os entendidos.
Mas com essa minha gataiada não tem beija-flor ou outro passarinho que resista!
Eles ficam ouriçados e querem porque querem que eu os ajude a pegar os bem-te-vi e maritacas que pousam no muro alto da nossa casa. Só se eu voasse. E mesmo que pudesse, eu jamais faria mal a criatura nenhuma.
Hoje o fim de tarde foi lindíssimo; a luz tinha um dourado onírico, diferente e lindo.
Acho que estou lendo muita poesia.
Bom,
Sentei-me na cadeira e tirei os chinelos, pés no chão.
Chão de terra, chão simples.
Os pisos modernos são gelados e fazem doer as juntas.
Pés no chão, Morena Rosa no colo, olhar no céu, na luz do fim de tarde, nas plantas.
Lembro do chão de terra vermelha, da poeira, dos ventos fazendo redemoinhos, brincando entre as folhagens das plantas e anunciando a chuva. A tão esperada chuva.
O cheiro de terra molhada, o cheiro do café forte e delicioso de Mãevelha, o cheiro do mel de engenho com farinha no prato de meu Paipreto, o cheiro dos temperos de mamãe, o cheiro de saudade.
Cheiro de chão. Pés no chão e cabeça ao vento.
Despir-se da normalidade e vestir-se de liberdade é bom às vezes.
É isso.