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domingo, 17 de novembro de 2013

Blog Da Criança: Futebol

                                   



Não entendo muito de futebol. 
Não entendo os nomes das posições dos jogadores, as cobranças de pênalti, escanteio e essas coisas.
Só sei que são onze jogadores de cada lado; um no gol e dez no campo. A bola tem que ser chutada até balançar a rede do time adversário e aí é gol e pronto.
Simples assim.
Acho curiosos e engraçados os nomes que dão aos gols: gol de placa, gol de bicicleta, gol de cobertura, gol de letra...
Fico imaginando alguém segurando uma placa de qualquer coisa e fazendo o gol. Alguém pedalando uma bicicleta e dando uma paradinha para chutar a bola ao gol.
E o gol de cobertura teria sabor de cobertura de chocolate? Ou de morango, talvez?
E o gol de letra? Como seria? Alguém segurando a letra inicial do próprio nome e chutando a bola? Deve ser.
O que é pequena área, grande área e impedimento?
Por que chamam o juiz de ladrão? Por que xingam a mãe dele? Ela nem está no campo jogando!
Por que jogador de futebol ganha tanto dinheiro? Eles nem sabem falar direito! Sempre falam as mesmas coisas e ainda chamam o técnico de professor!
Professor ganha o mesmo que técnicos de futebol?
Técnicos de futebol são professores de verdade? Eles passam lição de casa? Dão provas, fazem reuniões de pais e mestres? 
Técnicos de futebol fazem greve por melhores salários?
Acho que as pessoas confundem as coisas.
Acho que as pessoas dão importância demais às coisas erradas.
Se os jogadores de futebol chamam o técnico de professor então nós alunos podemos chamar a professora de técnica?
Ela ensina a gente, prepara a gente para o futuro, cuida da gente.
A professora faz quase tudo igual ao técnico de futebol, só não ganha o mesmo salário que ele e é professora de verdade.
Essa é a diferença.



                                   

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Pipas

                                 


Antes chamávamos pipa de papagaio, mas hoje é só pipa mesmo.
Os fios dos postes da rua estão cheios de linha, rabiola, pipas quebrados e as malditas pedras amarradas em linha, o famoso "réo-réo". Acho que é assim que se escreve. Sei lá.
Semana passada escuto barulhinhos vindos das telhas e logo imagino quem possa ser o causador da chata sonoridade: o doce e inocente menino vizinho. Óbvio!
Abro a porta e ele corre e se encosta no portão do vizinho, quando não se esconde atrás do carro do pai. Moleque sem caráter!
Estavam ele e um moleque bobão jogando essas pedras presas à linha na tentativa de pegar pipas presos aos fios de alta tensão. Dei-lhe uma bronca, o pai omisso não gostou e ainda me olhou feio.
No dia seguinte escuto outro barulho e vejo o mesmo doce e inocente menino acompanhado de outro amigo endiabrado, só que dessa vez eles haviam amarrado uma casca de banana no lugar da pedra.
Ficam na rua, olhando para cima, correndo sem prestar atenção em volta, sem tomar cuidado com os carros e tudo isso por causa de um pipa. Um dia isso ainda vai dar m...
Sábado houve queda de energia, mas voltou alguns segundos depois, menos aqui em casa. Só tinha uma fase e só as lâmpadas acendiam, mas as tomadas não tinham corrente. Fiquei sem TV, chuveiro, geladeira por mais de vinte e quatro horas. 
Liguei para a AES Eletropaulo e os técnicos chegaram por voltas das três da tarde de ontem e se puseram a trabalhar. Sinalizaram a rua, isolaram a área de trabalho e pediram para os doces e inocentes moleques se afastarem dali, mas ignoraram e continuaram a empinar seus malditos pipas. Um choque seria bem vindo numa hora dessa, Deus me perdoe!
O trabalho dos técnicos terminou só às oito da noite e tiveram que derrubar o fio para consertá-lo; havia vários cortes feitos com o cerol das linhas de pipa.
No carro da AES Eletropaulo tinha os seguintes dizeres: "Não empine pipas perto da rede elétrica. Cuidado: A rede elétrica pode matar!"
Mas até agora nenhum desses moleques morreu, nem mesmo um choquinho básico só para assustar. Deus me perdoe.
Essa rua parece que tem doce e atrai moleques sabe-se lá de onde! Quando não é pipa é futebol. Bloqueiam a rua com cones, correm pela rua sem prestar atenção, xingam quando alguém passa de carro, falam palavrões, lançam olhares ameaçadores... É um terror!
Se falamos com os pais, são crianças. Se chamamos a polícia, são "de menor".
E agora, José?
Não temos nem o sagrado direito de tirar ou guardar o carro na garagem porque os infames xingam se interrompemos seu futebol ou se buzinamos para que saiam do meio da rua. Imagina só se alguém atropela um diabo desses!
Muitos motoristas passam em alta velocidade e os xingam, mas a molecada xinga muito mais. É um festival de palavrões cabeludos.
O vizinho reclamou e um deles o mandou...
Mas esse desassossego todo tem um causador, é o pequeno, franzino, mal criado, desrespeitador, cínico, cara de pau, super protegido moleque vizinho. Esse é o cão figurado em gente, como dizia mamãe. Ele atrai a molecada do bairro todo, que apronta das suas e depois volta para o aconchego de seus lares e nós, os pobres vizinhos que querem sossego é que arcamos com o prejuízo.
Bom...
O fio foi consertado e a energia elétrica foi restabelecida em minha humilde residência. Hoje pude ouvir o bom e velho Rock 'n' Roll e comemorar meio tardiamente o Dia Mundial do Rock, que foi sábado, dia treze de julho.
É isso.


                                    

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nossa Senhora de Aparecida

                                  

Hoje, doze de outubro, comemoramos o dia da criança, o dia do descobrimento da América e o dia de Nossa Senhora de Aparecida.
Mamãe era muito devota da santa e fizera várias promessas; chegou a ir até a cidade de Aparecida para pagar algumas delas.
Quando mamãe ficou grávida de meus irmãos Rosi e Fubá os médicos disseram que não era gravidez e sim mioma. Receitaram remédios abortivos e sugeriram uma curetagem após o efeito dos remédios:aborto.
Que coisa horrível, meu Deus! Imagina eu sem minha irmã que entende tudo e mais um pouco de futebol e meu irmão ignorante, teimoso, trabalhador e pai de Rafaela prenda minha? Nossa Senhora!
Então...
Naquela época a medicina não era tão avançada como hoje e a ultrassonografia feita pelas grávidas atualmente não era muito comum naqueles tempos. Hoje temos ultrassonografias em 3D e dá para ver o rostinho do bebê, mas há mais de três décadas era tudo mais simples.
Mamãe sai do consultório com a receita para o remédio que deveria combater o suposto mioma e vai à farmácia do Pedro; chegando lá o farmacêutico diz que a médica que receitou aquilo deve estar louca, pois mamãe está grávida sim senhor! Pedro salvou as vidas de mamãe e de Rosi e quatro anos depois salvou a vida de Fubá, pois outro médico disse o mesmo absurdo: não era gravidez, era mioma.
Mamãe seguiu com as duas gravidezes (estranho, né?) e fez promessas à Nossa Senhora de Aparecida, que se seus filhos nascessem saudáveis e que se ela e eles voltassem para casa bem e em paz, iríamos todos à cidade de Aparecida para pagar a promessa. E assim foi feito.
A Basílica de Aparecida ainda não estava pronta e fomos à antiga igreja para pagarmos a promessa. Papai, mamãe e Mãevelha acendiam velas e agradeciam por nossas vidas e eu observava as fotos, velas e moldes de partes do corpo espalhados pela sala dos milagres.
Eu era menina e pensei comigo: "Que bom que a santa ajudou mamãe".
Saímos da sala dos milagres e fomos nos sentar às mesas de um enorme restaurante, mas logo em seguida saímos e eu não entendi por quê.
Eu queria tanto almoçar em um restaurante, eu via nas novelas e achava aquilo tão chique! Mamãe explicou depois: "É que tem que pagar para ficar, filha. Hoje não dá, a mãe está sem dinheiro". Fiquei triste.
Mas como bons farofeiros que fomos, Mãevelha e mamãe prepararam um farnelzinho para levar na viagem e enchemos nossas barrigas com carne assada com farinha, frango frito com farinha e garrafas de café e água. 
Mamãe disse que um dia teria condições e iríamos todos a um restaurante.
Pagamos nossas promessas e voltamos para casa com a sensação de dever cumprido e pedindo sempre à Nossa Senhora Aparecida que abençoasse nossos lares e nossas vidas.
Amém.

                                 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Botafogo

                                            


Seis horas da manhã; sou acordada com um grito: "ES - PE - TA - CU - LAR!!! Botafogo campeão!"
A princípio me assusto e me irrito pela maneira brusca com que fui despertada, $#@%!
As vozes aumentam em número e em volume: "Botafogo, meu? Você tá errado, foi o Corinthians, mano"
"Não, você tá errado! O Corinthians não ganhou, só empatou... Botafogo!"
E no turbilhão de vozes ouviam-se "porcos", "bambis", "peixes", "gambás" e outros animais representantes dos times de futebol brasileiro, todos a defender e a exaltar as glórias de seu time e a colocar defeitos nos times dos outros. 
Ao som das vozes somam-se os barulhos dos motores dos caminhões e o apito " pi pi pi" chatinho que anuncia a marcha à ré.
Alguém diz: "Bora trabaiá, gente! Tá ha hora! Oxe!"
"ES - PE - TA - CU - LAR!  Botafogo campeão!"


                                  
                                       

domingo, 27 de maio de 2012

Hinos, Mudanças & Versões

                                           


Beatriz é filha de mãe corinthiana e pai santista.
Beatriz é sobrinha de um palmeirense e uma dúzia de corinthianos. Graças a Deus.
Mas Beatriz está se bandeando para o lado do Santos: "Eu não gosto mais do Corinthians, agora eu sou Santos. Tá bom, eu torço só um pouquinho pro Corinthians".
Voltávamos da Festa de Casa Luce e falávamos sobre futebol, torcidas e hinos e Beatriz cantou o Hino Nacional Brasileiro e uma nova versão para o Hino do Santos: 
"Agora quem dá a bola é o Santos
O Santos é o novo campeão
Glorioso alviverde baiano"
Agora o jeito é torcer para que Rafaela não mude de time e continue sendo sempre Corinthians.
Vai Curinthia!!!




                                           



terça-feira, 24 de abril de 2012

Lixão

Uma das marcas de iogurte de nossa época.
                                              


Havia muitas chácaras e muitos terrenos baldios no meu bairro que hoje é dos caminhões e das transportadoras.
O terreno em que hoje está localizado o Hospital Vermelhinho era um campo de futebol onde meus irmãos e meus primos batiam uma bolinha e também onde os supermercados grandes jogavam seu lixo, principalmente de produtos com prazo de validade vencida ou prestes a vencer.
Era muito iogurte, requeijão, manteiga, margarina; basicamente laticínios.
Sempre tinha alguém de olho quando os caminhões se aproximavam e descarregavam seu lixo no terreno e éramos avisados a respeito. Saíamos de casa munidos de carrinhos de feira, sacos, sacolas, caixas e tudo o que desse para colocar e trazer os laticínios do lixão.
Era uma festa!
Íamos com a nossa vizinha, a Dona Maria, e ela organizava o trabalho. Não podíamos ir sozinhos porque éramos crianças e deveria ter sempre um adulto junto conosco. Organização e segurança no trabalho infantil. Tá certo.
Dona Maria tinha mais experiência e nos ensinava como escolher o melhor iogurte, requeijão etc. Dizia para evitarmos os potes muito amassados, com tampa estufada e com validade muito vencida. Mas a grande maioria dos produtos estava ainda com a validade para vencer, questão de um ou dois dias e segundo soube, não é porque a validade de um produto vence hoje que amanhã ele estará estragado, ainda dá para consumir se for bem armazenado.
Bom...
Voltávamos para casa algumas horas depois e carregados com iogurtes, requeijão, manteiga... Trazíamos tudo sujo e lavávamos um por um; depois colocávamos na geladeira para podermos consumir bem geladinho. Delícia!
O requeijão vinha em copos de vidro e depois de vazios e lavados serviam como copos para tomar café, suco, água...Reciclar é preciso.
Até leite em pó nós trazíamos algumas vezes, mas o forte mesmo eram os iogurtes naturais, os requeijões, manteigas e os iogurtes tipo petit suisse, meus favoritos.
Chamávamos o iogurte petit suisse de Danoninho e ainda hoje chamamos. Adorava a embalagem com ondulações rosa e branca e nosso sabor favorito era o de morango. Nossa irmã caçula era pequena na época e só comia o sabor morango, não gostava dos outros sabores. Mas nós comíamos por ela. Para não estragar, claro! Evitamos o desperdício.
Levávamos iogurte na lancheira e nos exibíamos para nossos coleguinhas que diziam: "Nossa! Você é rico hein, trazer Danone de lanche!".
Na nossa época não havia tantas marcas e variedades de iogurte como há hoje e é por isso que a maioria das pessoas falam Danone em vez de iogurte.
Iogurte era produto caro e supérfluo para nós que só tínhamos o prazer e o luxo do iogurte quando mamãe recebia o vale e o pagamento nos benditos dias dez e vinte e cinco de cada mês.
Sabe que me deu vontade de comer um petit suisse? Não tenho aqui, mas posso fazê-lo. É assim:
1 pote de iogurte natural,
1 lata de creme de leite,
1 lata de leite condensado,
1 pacotinho de suco em pó sabor morango (ou outro sabor que desejar).
Mistura tudo no liquidificador, mas é melhor adicionar o suco aos poucos para não ficar muito doce, e despeja em vasilha e leva para gelar. Pronto.


                                                 


                                          

segunda-feira, 19 de março de 2012

Metades iguais

                                                  


Depois das tradicionais e ubíquas laranja e banana, a melancia era a fruta mais presente no nosso cardápio frutífero.
Mamãe foi à feira de sábado e leva com ela meu irmão Fubá para ajudá-la a trazer as sacolas.
Fubá convida seu amigo Rinaldo, moleque igualmente terrível, para ir junto. Nossa Senhora.
Na volta da feira Fubá carrega uma enorme e pesada melancia e reveza com o amigo Rinaldo a tarefa de carregar o pesado fruto.
Mamãe atravessa a praça e segue em frente puxando o carrinho de feira; logo atrás vêm Fubá e Rinaldo fazendo revezamento de melancia.
Em um dado momento Fubá se distrai e deixa a melancia cair no chão. A melancia quebra-se em duas partes iguais. Mamãe fica doida: "Menino danado! Istruiu (estragou) a melancia. Teu pai vai ficar danado quando souber de uma coisa dessa!"
Fubá junta as duas parte da melancia e mostra para mamãe: "Tem problema não, mãe. Olha só, a melancia tá inteira de novo".
"Tá o quê, seu maduscachorro!".
Mamãe não quis saber da melancia quebrada, mas Fubá e Rinaldo pegaram a fruta e fizeram dela bola de futebol. Imagina como a rua ficou.


                                                 


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Falta

                                     


Tive uma noite de insônia.
Para isso também tive a colaboração dos vizinhos, que à uma hora da manhã conversavam animadamente como se estivessem em um churrasco com pagode na lage.
Vivemos na Sociedade do barulho, da falta de educação, do "estou nem aí" pro outro.
Vivemos na Sociedade do culto ao corpo, ao belo, à forma. 
Somando-se tudo isso e temos pessoas sem noção e com muita falta de educação.
Sim...
Tive também a colaboração de Ébano, meu gato afrodescendente. Ele dorme o dia inteiro e à noite tem energia e disposição para brincar com os outros gatos.
Ébano brincava de perseguir a bolinha com guizo. O barulhinho o faz correr atrás. Já comprei uma meia dúzia de bolinhas com guizo e Seu Ébano quebra todas.
Levantei, andei pela casa, dei broncas em Ébano e disse que era hora de dormir. A bronca não era apenas para meu gato...
Volto para a cama e finalmente começo a cochilar. Sinto um peso fofo sobre meu peito e dois bracinhos em volta do meu pescoço. Ouço um ronronar discreto. Era Alice Maria, minha gata.
Ela sentiu minha melancolia e o abraço com o ronronar foram para dizer: "Você não está só. Eu estou aqui".
Sim, conheço gente que acha que não; bichos são apenas bichos e só. Eu discordo.
Acredito que todas as coisas são e estão interligadas; é um ciclo, um círculo. Um coisa termina para outra começar. Um coisa completa o que está a faltar na outra. A Vida, A Natureza são assim para mim.
Bom... Mas cada um cada um e eu respeito isso.
Hoje estou um tanto quanto carente e se eu jogasse futebol e o juiz me dissesse: "Você fez falta", acho que o abraçaria.


                                       

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Placar

                                           


Domingo, 4 de dezembro de 2011. Final do Campeonato Brasileiro de Futebol. O Brasileirão.
Corinthians X Palmeiras na final.
Vixe Maria!
Placar 0X0. Ninguém marcou gol e o empate garantiu a vitória ao Corinthians.
Beatriz pergunta: "Quanto está o jogo, mãe?"
"Zero a zero, filha".
"Zero a zero pra quem?".


                                           

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Preconceito & Paz - Santos x Sport Recife

                                




Julho de 2009. 
Apenas dois meses após a cirurgia de coluna (2 hastes e 21 parafusos de titânio).
Minha prima Rosa, filha de tio José de Recife, vem a São Paulo para uma visita. Ficará alguns dias e trouxe consigo o marido e mais dois casais de amigos.
Ela e o pessoal vão à Rua 25 de março comprar bugigangas baratinhas e nós sugerimos uma viagem a Pedreira e a Serra Negra.
Adoro Pedreira e suas ruas de comércio e artesanato.
Sabia que o nome da cidade de Pedreira foi escolhido assim devido ao grande número de homens chamados Pedro? Era muito Pedro, era uma Pedreira.
Voltamos a São Paulo e os primos visitantes querem ir à Vila Belmiro em Santos para assistir ao jogo Santos x Sport Recife.
Viajamos até a cidade praiana e enquanto esperamos a hora de ir para o estádio, fazemos comprinhas básicas e visitamos o Aquário de Santos.
É chegada a hora do jogo e saímos um pouco antes para comprarmos os ingressos.
Rose e Pedro compram cadeiras cobertas para um maior conforto e segurança da pequena Beatriz que não tinha ainda dois anos de idade. Eles querem que eu vá junto com eles, pois estão preocupados com meu bem estar físico pós-cirúrgico. Mas eu recuso, quero ir aonde o povo está (não queria ficar com a torcida do Santos e sim com a do Sport Recife. Oxe!).
Rosi, Pedro e Beatriz ficam na parte coberta e mais civilizada e o restante do pessoal (Fubá, Preta, minha prima, o marido, os dois casais e eu) ficamos na arquibancada com a torcida do Sport Recife.
Na época o estádio passava por algumas pequenas reformas e o placar luminoso estava quebrado.
Entramos e nos acomodamos o mais confortavelmente possível nos duros degraus de cimento da arquibancada descoberta. Garoava.
Pegamos nossas bandeiras do Sport Recife e do estado de Pernambuco e logo iniciam-se as provocações: "Aí, torcida de meia dúzia de paraíba comedor de farinha. Voltem para a portaria do prédio. Voltem pra Paraíba, seus cabeças chatas".
Estávamos nos portando educadamente, mas não podíamos ficar calados às provocações preconceituosas. Paraíba e São Paulo ficam no mesmo país: Brasil.
Fubá responde às gracinhas dos torcedores adversários e nós, claro, o ajudamos de muito bom grado:
"Não é Paraíba, é Pernambuco. Seu analfabeto! Não sabe geografia, não? Volta pra escola, seus piolhentos!", disse Fubá.
"E vocês são tão bestas que nem cuidam do estádio. Olha aqui, vou dar dois reais para ajudar a comprar um novo placar, seus filhos duma quenga!", disse um dos rapazes do nosso grupo enquanto tira a nota do bolso e balança em direção à torcida do Santos.
"Vai, vai, volta pra Paraíba. Pernambuco e Paraíba é tudo a mesma coisa. Vão pra casa comer rapadura com farinha!".
Fubá escolhe um gordinho para fazer chacota: "E você, seu gordinho f.d.p. Você é a baleia do Santos!".
"Seus bestas. Seus preconceituosos. Nós temos belas praias bem perto de casa e vocês têm que ficar preso mais 3 horas no trânsito pra poder achar uma prainha meia boca!".
Finalmente começa o jogo. Placar de 0x0 e exatamente nos 47 minutos do segundo tempo o  time do Santos marca 1x0. 
P. Q. P!!!!
Beleza. 
Voltamos para o hotel rindo muito. Apesar da troca de ofensas leves, nos divertimos muito. Não cometemos quase nenhum tipo de violência; talvez a violência verbal, mas foram eles que começaram!
O importante é a diversão, a alegria. 
Paraibanos, Paulistanos, Pernambucanos, Gaúchos, Cariocas, Mineiros e todas outras naturalidades fazem parte de um único gigantesco e belo país; o Brasil. 
Cada um com seu sotaque, sua cultura, seu futebol. 
Paz no futebol.
Paz a todos nós: gordinhos, magrinhos, sulistas, nortistas: brasileiros.


                               



Respeito & Homenagem

E para não dizer que não falei das flores, quero dizer, dos outros times, aqui uma respeitosa homenagem aos outros times e torcidas da família.
Futebol é Arte. É beleza. É Brasil.
Não é violência. Não à violência.
Paz no Futebol.