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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Consideração

Branca em cima do carro
                    

Estava me preparando para sair, não queria muito, mas precisava sair por livre e espontânea pressão. Conheço pessoas que ignoram os problemas dos outros e os problemas delas são sempre maiores que os do resto da humanidade.
Me arrumava lentamente quando Branca Maria pula na cama e senta-se ao meu lado. Branca mia, me toca com sua patinha como se quisesse que eu desse atenção e ouvisse o que ela tinha a me dizer.
Em cada cômodo da casa que eu fosse, ela ia atrás. Fui lá fora para tirar a roupa do varal e Branca vai atrás de mim; senta-se em cima da máquina de lavar e me chama com seus belos e pálidos olhos azuis. Me toca com patinha para que eu volte e mia diferente, ela queria dizer alguma coisa. 
Voltei para casa e calçava o tênis e Branca sempre ao meu lado tentando chamar a minha atenção. Olhei para ela e disse: "Está bem, Branca, não vou mais. Obrigada pelo conselho".
Não fui. Fiquei em casa, tomei o remédio para aliviar essa dor infame e me deitei no sofá para assistir Criminal Minds.
Branca se aproxima de mim e abaixa a cabeça que é para eu beijar.
Beijei.
Foi a melhor coisa que fiz. Ouvi Branca, fiquei em casa e descansei das dores e das tonturas.
Tem gente que não tem sentimentos nem consideração por ninguém; meus gatos têm.
É isso.

Branca em cima da máquina de lavar


quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Programas de TV e Apresentadores

                               

Aguardava no consultório do gastroenterologista e a TV estava ligada no Programa da Tarde da Record.
Não podia fazer nada, eu não podia mudar de canal e o jeito foi assistir aquilo.
Um sujeito que atendia pela singela alcunha de "Cachaça" tinha que colocar a mão em recipientes com ratos, baratas, sapos e uma imitação plástica de cactus; o objetivo dessa brincadeira besta era a de adivinhar qual o animal tocado e ganhar prêmios.
A TV Record vive de celebridades de categoria e gosto duvidosos.
É claro que detestei essa estupidez, os animais estavam agoniados dentro daquele cubículo e os sapos pulavam desesperadamente tentando sair daquele sufoco.
Odeio brincadeiras, shows, pseudo esportes e outras tolices com animais. Odeio circos que usam animais, odeio rodeio, odeio rinhas, odeio humanos idiotas que acham essa violência descabida divertida e ainda têm a cara de pau de chamar isso de esporte.
Depois dessa brincadeira ridícula o "famoso quem" Cachaça encara outra prova pior ainda: passar algumas horas agradáveis com uma dupla sertaneja (não me perguntem o nome, para mim, são todos iguais). Jogam tênis, fazem churrasco e cantam. Jesus Maria José!
O detalhe sórdido é que esse rapaz com pseudônimo de bebida etílica está acompanhado por uma moça usando um micro vestido. Precisava mesmo?
Finalmente o médico me chama, graças a Deus, e não sei nem quero saber como a brincadeira/prova estúpida acabou.
Volto para casa, faço minhas coisas, assisto a Criminal Minds e lá pelas dez e meia da noite eu mudo de canal e coloco na Band. O programa anunciado seria ótimo se não fosse apresentado pelo super-hiper-ultra-mega-plus arrogante Danilo Gentili e o comportamento desrespeitoso e vulgar de alguns convidados. Esse moço, Danilo Gentili,  se acha O apresentador, O humorista, O cara. Precisa comer mais arroz com feijão e engrossar a voz para chegar ao nível de uma Marília Gabriela ou um Jô Soares. Desculpa aí.
A ideia original do programa era realmente muito boa e consistia em associar dicas e imagens para descobrir quais fatos que marcaram o ano estavam se referindo. 
Obviamente, havia duas mulheres seminuas e rebolativas. Acho que não precisava, mas estamos no Brasil e peitos e bundas dão IBOPE.
Houve muitos palavrões, ofensas e baixarias para um horário relativamente cedo. Nessa época de férias e festas de fim de ano as pessoas vão para a cama mais tarde e assistem aos especiais da TV.
O ex jogador Neto fala palavrões sem pensar, chamou o Denilson de burro e animal. É aquilo que eu já disse em outra postagem: dinheiro não faz a pessoa mais educada. Tem muito novo rico deslumbrado que só sabe do ó porque senta em cima, já diria meu linguarudo avô Paipreto.
Acho que estão abusando dos palavrões na programação da TV brasileira; até mesmo o CQC abusa, acredito eu em minha humilde opinião.
Mas de tudo isso o que mais me incomodou mesmo foi a situação dos animais no Programa da Tarde. Os bichos estavam agoniados. 
Por que não colocam o pai, a mãe, a avó, sogra, filhos e toda a parentada em cubículos sufocantes e pedem para um animal tocá-los, de preferência um porco espinho,  e pedir para adivinhar que espécie são.
Se fizessem isso, lá viria Os Direitos Humanos...
Está difícil assistir TV, não à toa os canais a cabo estão bombando, como dizem os jovens. Nem precisa perguntar por quê.
É isso.

                           

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ano que vem, se o mundo não acabar

                              

Ligo para os consultórios médicos e tento agendar consultas, mas ouço: "Só no ano que vem, senhora".
Beleza. E se eu ficar sem meus exames e remédios?
Bom, isso se o ano de 2012 acabar mesmo no dia vinte e um de dezembro; falta uma semana!
Desde que o mundo é mundo ouve-se falar sobre o fim. Papai dizia que o mundo tinha se acabado em água e que nessas épocas modernas se acabaria em fogo, ou vice versa, não sei.
Mas ele mesmo dizia: "Oxe, isso é besteira! O mundo acaba pra quem morre".
Assistia ao seriado "Perception" do cana AXN e a personagem principal, um cientista brilhante e esquizofrênico irrita-se com a pseudo religiosidade de um grupo que é investigado pela polícia: "Já se provou tantas vezes que era charlatanismo mas mesmo assim as pessoas continuam insistindo e acreditando nisso!"; mais ou menos assim, pelo que me lembro.
Eu gosto dessas séries inteligentes e até li um artigo no Estadão, acho, dizendo que o público está mais sabido e exige uma programação que aguce sua inteligência. Adoro Criminal Minds, SCI, Perception; ver novelinha besta da Glória Perez não dá! É sempre mais do mesmo: um país exótico, dancinhas e expressões idiomáticas, musiquinhas típicas... uma chatice só.
Já foram Marrocos, Índia e agora Turquia e o povo viaja pra lá e pra cá como se fosse rápido e barato um voo para esses belos lugares. E os atores são sempre os mesmos de suas outras novelas.
Fico pensando: "E quando não tiver mais país exótico? Sobre o que ela vai escrever? Quem sabe não decida fazer novela sobre tribos indígenas isoladas na Floresta Amazônica, ou talvez sobre o interior isolado de algum lugar do Brasil... Quem sabe?"
Se a Globo quisesse, eu escreveria uma novela mais normalzinha.
Sei lá.
É isso.


                                 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Antena

                                                  

Agendei visita do técnico da Net para trocar o decodificador e instalar um ponto extra no quarto, assim poderia assistir ao Globo Rural e aos telejornais matinais na cama, muito mais confortável que o sofá.
Liguei, agendei, aguardei... em vão.
O técnico veio e disse que a ordem de serviço fora cancelada. Oxe!
Estranhei e me arretei: "Se foi cancelado, o que você faz aqui então? Pode voltar de onde veio!"
Liguei para a Net e ouvi desculpas bem criativas: "Mas a visita do técnico foi agendada para 13 de agosto". 
"É, só que hoje é 28 de agosto! Ou seria 13 de agosto de que ano? Vocês estão em outra dimensão? Em outro plano espiritual?"
Ainda recebi várias ligações dando a entender que eu fui a culpada pelo cancelamento!
"Vamos aos fatos: Quem chegou aqui falando sobre cancelamento foi o técnico de vocês"
Esquece!
Perdi minha tarde esperando por um serviço que não aconteceu. Paciência.
Mas eu não fiquei o dia todo de cara pra cima que nem uma paruara besta, como diria mamãe. Lavei roupas, dobrei-as para que fiquem mais fácil de passar, assisti a Criminal Minds, assei pão de queijo e comi com suco de maçã com soja. Queria mesmo era um café, mas se abuso do líquido viciante, o buchinho reclama.
Depois do causo passado, lembrei-me de nossa época de TV preto e branco e com antenas improvisadas: fios colocados no lugar da antena, Bombril (esponja de aço) colocado nas extremidades da antena e até aquelas lâmpadas fluorescentes usadas no lugar da antena!
E o pior, ou melhor, era que toda essa parafernália improvisada funcionava.
Papai resolveu comprar uma antena externa e eu achava interessante os nomes dos modelos: pé de galinha e espinha de peixe. Achava tão chique!
Comprava-se a antena e metros de fio junto: conectava-se o fio na TV e o puxava até o telhado para conectar na antena, mas acaba aí não: tinha que virar a antena pra lá e pra cá procurando pela melhor posição e sinal para que a imagem ficasse boa ou pelo menos razoável.
Papai gritava lá de cima: "Olhe, vou virar a antena e quando a imagem ficar boa tua me avisa".
E papai mexia a bendita da antena e perguntava: "Tá bom?".
E respondíamos: "Tá não!".
E ficávamos assim um bom tempo até que papai se estressava, claro: "Oxe, tá com maduscachorro! Tu tá olhando direito, tá? Já virei essa antena pra tudo que é canto e a imagem da televisão não fica boa não, é? Oxe!"
Hoje temos tudo mais facilitado e a imagem agora é digital, muito mais "mudérna".
É isso.

                                        

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Não sei que título dar

                                         


Trabalhei bastante na casa; arrumei, limpei, cozinhei, preparei guloseimas e me lasquei depois com dores nos ossos e nas juntas.
Mas tenho que fazer, se não a casa cria "biziu", como dizia meu tio Nelson. Nunca soube o que raios é "biziu".
Fotografei meus gatos, cuidei das plantas, li o Estadão e esperei...
Chuviscou, tiro a roupa do varal, troco a água dos gatos e ouço vozes infantis vindo da calçada; era o menino do vizinho brincando com meu gatos. Legal.
"Seus gatos são lindos e bem cuidados, né?"
"São sim".
Ligo a TV e alguns canais não funcionam, a imagem estava estática e quadriculada. Não assisti o Fantástico e nem ao Café Filosófico.
Assisti então ao seriado americano "Criminal Minds" e depois abri computador para ler e responder e-mails. 
Leio a mensagem escrita por minha colega de faculdade na qual diz que seu pai teve um AVC(acidente vascular cerebral, o popular derrame) e está na U.T.I. Ele tem 69 anos.
Fiquei absurdamente triste. Meu Deus.
Lembrei de papai e mamãe.
O pai da minha colega havia levantado para ir ao banheiro, mas sentiu-se mal e sentou-se na cama e ficou assim por muito tempo. Os braços tremiam e ele olhava fixamente para o teto. Chamam ambulância, chegam ao hospital e é necessário bater boca com médicos e enfermeiros para que o senhor seja atendido, e isso porque é convênio! Se fosse o Susi (SUS, na linguagem de papai) seria pior. Ou não!
Há um desrespeito tão grande pelas pessoas, principalmente para com os idosos. Acho que essas pessoas se esquecem que um dia ficarão velhas também.
Conversei depois com pessoas do grupo Acromegaly Support e, assim como eu, a maioria delas sofre preconceito e sente-se observada e escrutinada como se elas fossem animais raros.
Algumas mulheres acromegálicas desse grupo contaram suas histórias sobre quando eram "normais" e tinham namorados e/ou maridos, mas que após os efeitos físicos da Acromegalia, seus digníssimos e perfeitíssimos ex companheiros as deixaram para trás, como se fossem descartáveis.
Outro rapaz acromegálico comentou que ia almoçar no restaurante com uma amiga e torcia para que as pessoas não o atormentassem devido à sua aparência. Em inglês americano somos chamados de "freak" (aberração).
Acho que é isso. Somaram-se o trabalho pela casa, a espera, a conversa com meus semelhantes acromegálicos e o estado de saúde do pai da minha colega e eu fiquei meio sobrecarregada de emoções.
Acho que estou ficando velha.